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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4. DOMINGO DA PÁSCOA, 17.04.2016

Predigt zu Salmo 23:, verfasst von Daniel Hoepfner


Prezada Comunidade!

Na série histórica de liturgias o domingo de hoje leva o nome Jubilate, palavra latina baseada no Salmo 66.1, que postula: “Aclamai a Deus, toda a terra”.
Estamos no 4º Domingo da Páscoa, por conseguinte, ainda estamos em júbilo (jubilate), aclamando o Cristo ressurreto e sua gloriosa vitória sobre a morte. Ou seja, ainda celebramos a Páscoa.
Nesta perspectiva, podemos ler, contemplar e aprofundar o conhecido Salmo 23, palavra prevista como base para a prédica deste domingo.
À procura da atualização e da mensagem para os nossos dias seguiremos adiante enfocando três aspectos deste significativo salmo, que essencialmente expressa a confiança do salmista no Deus que pastoreia, que cuida e que acolhe.

1 – O PASTOREIO DE DEUS
A tarefa de pastorear no antigo Israel não é vista de maneira romântica. Muito pelo contrário, é tarefa árdua.
Estando em viagem de peregrinação pela Terra Santa vamos encontrar muitos rebanhos de ovelhas sendo pastoreados por pastores e pastoras que se dedicam e cuidam para que os animais sintam que nada lhes falta, pois estão no amparo deste/a senhor/a dedicado/a e amoroso/a.
Conforme o Evangelho de João – leitura deste domingo – Jesus, séculos mais tarde, se apresenta como o Bom Pastor (cf. João 10.11) que dá a vida pelas ovelhas.
Que bom que podemos crer no Pastor que, com sua vida, concretizou o amor de Deus a medida que caminhou e se solidarizou com seu povo.
Alegrou-se com os que se alegram – como nas Bodas de Caná – e chorou com os que choram – como na morte de Lázaro.
Assim, a fé neste Senhor é revigorante. Ele, não sendo um Deus apático, longínquo e distanciado da realidade de suas criaturas, mas Deus presente, Emanuel, Deus conosco que vive, caminha, morre e ressuscita pelo ser humano finito e limitado e o alcança no fundo do fosso existencial.
Experiências, neste sentido, não nos faltam, quando, por exemplo, visitamos pessoas enfermas, desesperadas, tristes e enlutadas em meio a sua amargura; ou quando vemos um mundo sofredor, cuja natureza geme e clama por socorro. Lembro-me do canto litúrgico cantado na liturgia de entrada nos cultos de nossas comunidades: “Pelas dores deste mundo, ó Senhor, imploramos piedade...”
Então, também em nossos dias, tantas vezes nublados e obscuros, somos chamados e chamadas a confessar as palavras do salmista:
“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará!”.  

2 – O Deus CUIDADOR
Volto a lembrar das características da situação geográfica da Terra Santa.
Para brasileiros/as que por lá peregrinam a paisagem é muito estranha. Vivemos num Brasil com muita vegetação, com um verde exuberante, com uma natureza que apresenta a criação de Deus de um modo estarrecedor e maravilhoso. Porém, quando estamos em Israel e países por onde o Povo de Deus andou e Jesus pregou a proximidade do reino de Deus constatamos que as ovelhas do rebanho passam por situações de extremo perigo, até com risco de morte. São desfiladeiros e barrancos íngremes marcados pela insegurança. Escuridão e trevas farão parte do dia a dia do rebanho!
Mas, “mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam”.
Impressiona esta oração e confissão do salmista porque aborda o tema escuridão. Em meio às trevas (o vale escuro da morte), onde nenhuma sobrevivência está garantida, encontramos o cajado e o bordão confortante do pastor.
Não é assim que também nós, por vezes e em muitos momentos de nossas vidas, nos sentimos perdidos em meio à escuridão e às trevas ameaçadoras?
Que bom que podemos orar PAI NOSSO, pois podemos chamar Deus de Pai, ou até invocá-lo em nossas orações vendo nele uma carinhosa mãe que nos acolhe e amamenta no seio do seu amor.
Sim, Jubilate, jubilai, porque cremos no Senhor da Páscoa, Senhor da história, Senhor de nossas vidas e do cuidado!

3 – O ACONCHEGO DO DEUS GRACIOSO
No Antigo Oriente era costume receber bem as pessoas, dar a elas o aconchego do lar e alimentá-las adequadamente.
Igualmente temos em boa memória a ação de Deus no êxodo, quando ele sustenta seu povo que está a caminho da Terra Prometida.
Mesmo em meio às perseguições do inimigo, ao pranto, às incertezas, às inseguranças o autor do salmo 23 sente-se amparado, carregado e aconchegado.
A taça transbordante significa alegria e sentido de vida, orientação na caminhada.
O estado geral é “de graça” com possibilidade de habitação e permanência na casa do Senhor, onde há paz e sossego.
Claro, Jesus Cristo orou outro salmo na hora da agonia e sofrimento na cruz. “Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” (Salmo 22).
Mas mesmo aqui, neste salmo, encontraremos o consolo, o aconchego e a esperança, aliás, tão presente no espaço entre a sexta-feira santa e a manhã da páscoa.
Então, no limiar do novo tempo que, passando pelo Testamento Judaico e adentrando o Testamento Cristão, como povo peregrino de Deus, como família de Jesus Cristo, podemos dizer com o autor do Salmo 23:
“Bondade e Misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida e habitarei na casa do Senhor para sempre”.
Assim, o salmo 23 deixa de ser poema romântico adotável e adaptável em todas as situações que exigem uma mensagem religiosa, mas palavra atual, consistente e significativa para nossa realidade, que exige o testemunho da comunidade cristã apontando para o Cristo como único pastor de nossa existência.  

Estimada comunidade!

Somos chamados e chamadas a confiar no Deus que nos guia com cuidado pelos caminhos inseguros da vida. Nas ternas pegadas desse Pastor encontramos sossego e descanso.
Deus nos vocaciona, a partir do Batismo, a sermos testemunhas da Sua justiça, graça e paz num mundo tantas vezes sem graça.
E o melhor que Deus tem a oferecer para nós neste mundo é o seu Cristo,  o Bom Pastor. É Ele que derrama viva esperança sobre machucados e  sopra novo fôlego de vida sobre cansados e sobrecarregados.
Que por intermédio do Cristo ressurreto, nosso Bom Pastor, nos sintamos alcançados por Deus, por Sua graça, misericórdia e bondade. Amém.

 



P.Dr. Daniel Hoepfner
Porto Alegre – RS (Brasil)
E-Mail: dhoepfner@hotmail.com

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