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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4ş DOMINGO APÓS PENTECOSTES, 12.06.2016

Predigt zu 2 Samuel 11:26-12.10,13-15, verfasst von Elpídio Carlos Hellwig



Estimados irmãos e irmãs em Cristo!

O texto que hoje nos é proposto faz parte de um conjunto de tradições sobre o reinado de David. Depois de descrever o pecado de David o autor do texto nos apresenta – pela voz do profeta Natã – a reação de Deus diante do pecado do rei.
Natan era um profeta conselheiro do palácio de Davi. Ele aparece em duas outras situações nas histórias reais. Na primeira ele   aconselha Davi acerca do templo a ser construído. Na terceira, ele é citado no livro de 1Reis 1.5-48, quando intercedeu por Salomão diante de Davi. No texto de hoje Natan investe firmemente contra o rei, num exemplo de que um profeta deve falar não o que agrada, mas o que tem que ser dito porque vem da parte de Deus. Surge então um Davi interessado na história, contada por Natan, tornando-se até mesmo um Davi indignado contra a indignidade perpetrada por um homem rico, para depois se transformar num homem quebrado pela consciência do seu erro.
Uma pequena história que possa nos ajudar a entender o que acontece conosco quando tomamos consciência de nossos atos.
“Um homem rico estava à beira da morte porque, embora estivesse com muita febre, não conseguia suar. O médico tentara de tudo o que fosse possível e nada funcionara. Por fim, convicto de que iria mesmo morrer, ele pediu a presença do rabino e este pediu-lhe que fizesse uma boa ação, pois a caridade livra até mesmo da morte. O rico homem pensou muito e, por fim, providenciou uma bela doação a uma instituição de ação social. Doou grande parte de suas riquezas para fins beneficentes. Assinada a procuração, o rabino já se ia quando o homem gritou: “Vê, rabino? Olha como estou suando!”.
Davi na verdade cometeu uma série de pecados. Assim como sempre acontece conosco, Davi cometeu vários erros: primeiro, ele pecou ao cobiçar a mulher do próximo; em seguida, ele pecou armando o esquema para ficar com a mulher amada; depois, ele usou pessoas inocentes para matar um membro inocente de suas forças armadas; a seguir, ele matou uma pessoa inocente, e por último tocou a sua vida como se nada tivesse acontecido.

Davi age assim porque se esqueceu que essa é a natureza do ser humano. Nós temos inclinação para o pecado. Nós pecamos quando esquecemos que a nossa natureza nos empurra para o erro. Nós pecamos quando ignoramos que o pecado existe, quando colocamos aquilo a que chamamos de felicidade acima de todos os valores. Predomina em nossa sociedade a ideia que pecado não existe, que tudo que é feito com amor é permitido, que estamos livres para viver segundo a nossa consciência, se ela não nos condena. Assim, nossa vida deixa de ser orientada pela palavra de Deus, mas pela nossa própria consciência. Davi pecou porque se achou acima do bem e do mal, porque perdeu a noção das consequências do erro. Ele simplesmente pecou porque esqueceu que não pecava contra Urias ou contra Bate-Seba, mas contra Deus. Assim acontece com todos nós, pecamos quando perdemos a convicção que não pecamos contra nós mesmos ou contra o próximo, mas contra Deus. Pecamos quando permitimos que a nossa visão alimente nossa imaginação e nossa imaginação alimente nosso desejo.

O que normalmente fazemos quando cometemos um erro é tocar a vida como se nada aconteceu. Assim o fez Davi. Quando recebeu a Natan, Davi não o recebeu com a vergonha de um pecador, mas com a convicção de que ninguém sabia de nada.

O que se esperaria de Davi e de todos nós é reconhecer que nossa inclinação é para o pecado. Não há bem nenhum em nós, assim o resumiu o apóstolo Paulo em Romanos 7.18: “eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo”. Também é importante sempre de novo lembrarmos que o pecado tem consequências.

Por isso é importante orarmos assim como Davi o faz no Salmo 51.1-4:
Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado. Pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que é mal perante os teus olhos, de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar.

O resultado do pedido sincero de perdão é o alívio e a alegria concedidos por Deus. Pois assim Davi continua em sua oração:
Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que exultem os ossos que esmagaste. Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades. Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário. (Salmo 51.8-12)
Uma outra pequena história que talvez nos possa ajudar atender a misericórdia de Deus:

“Quando o rabino Yechiel, neto do rabino Baruch de Medzibush, era uma criança pequena, perguntou ao seu avô: “Se Deus sabe de tudo, por que Ele chamou Adão, o primeiro homem, após o pecado e disse: ‘Onde estás?’”
O rabino Baruch ouviu, mas nada respondeu.
Algum tempo depois, o rabino Baruch perguntou ao pequeno Yechiel: “Queres brincar às escondidas?”
O menino ficou encantado e correu para esconder-se. Esperou e esperou, mas nada do avô aparecer para procurá-lo. Finalmente, desistiu e saiu do esconderijo.
O avô, percebeu ele, estava sentado à sua mesa e não tinha ainda tentado procurá-lo. O pequeno Yechiel começou a chorar. “Avô, esqueceste-te de mim! Nem ao menos tentaste procurar-me!”
“Isto”, disse o rabino Baruch, “é a resposta à tua pergunta. É claro que Deus sabia onde Adão estava. Adão, entretanto, cometera dois pecados: comer o fruto da árvore e tentar esconder-se do Senhor do Universo. Se Deus não tivesse ido  ‘procurar’ Adão, este não teria conseguido sobreviver por causa da sua vergonha. Ao ‘procurar’ por Adão, Hashem deu-lhe a oportunidade de ter contato com Ele novamente, para que pudesse uma vez mais ficar face a face com seu Criador”.
Podemos concluir que Deus condena sim o pecado, mas ele não abandona o pecador, a pecadora. Esta é a mensagem que fica para todos nós: apesar das nossas falhas, a misericórdia de Deus não nos abandona e nos dá a possibilidade de sempre recomeçar. Que assim seja! Amém.




P. Elpídio Carlos Hellwig
Jaraguá do Sul – Santa Catarina (Brasil)
E-Mail: echellwig@yahoo.com.br

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