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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

8º DOMINGO APÓS PENTECOSTES, 10.07.2016

Predigt zu Deuteronômio 30:9-14, verfasst von Harald Malschitzky

Queridas irmãs, queridos irmãos em Cristo.

 

Nós, seres humanos, em qualquer lugar do planeta, buscamos viver em companhia. Muitas criaturas do mundo animal se desligam muito cedo de seus pais, sua família e jamais voltam a se encontrar. Outras sempre vivem em grandes grupos, que partilham espaços e alimentos. A característica do ser humano é viver em famílias, grupos, tribos, países. Aliás, em grande parte de nosso planeta nem mais é possível levar uma vida solitária pela simples falta de espaço. Isso significa que é preciso criar jeitos e formas de convivência que possibilitem a todas as pessoas um mínimo de vida digna. Diferente dos animais que se guiam por instintos, o ser humano tem a possibilidade de criar e recriar o seu jeito de viver. A migração do campo para a cidade ilustra isso muito bem. No campo se vive em espaço horizontal, com casa de um ou dois pisos, jardim, pátio. Na cidade grande se vive na vertical. Em última análise os edifícios são moradias empilhadas. Não é preciso enumerar todas as outras coisas que se tornam necessárias. A questão, seja no campo ou na cidade, é como devem ser nossas estruturas e como devem ser as relações entre as pessoas para uma vida tanto quanto digna. Há que se levar em conta ainda outra dimensão muito séria: No mundo animal ninguém acumula riquezas, no máximo se procura guardar comida até o próximo inverno. O ser humano acumula de forma gananciosa, tanto que uma minoria da humanidade é dona da ampla maioria das riquezas do planeta.

Para convivermos e solucionarmos conflitos (que não faltam!) precisamos de leis e regulamentos elaborados a partir de algum critério, de alguma visão de mundo, de uma compreensão da vida em conjunto. Os seres humanos, através dos milênios de sua existência, sempre elaboraram leis e regulamentos, muitas vezes apenas orais. No entanto, há códigos de leis muito antigos que nos permitem reconhecer como aconteciam as relações entre as pessoas e como se regia a sua governança.

A Bíblia é uma fonte fabulosa de informações e interpretação de determinadas leis e regulamentos. Se sabe que lá no início também essas leis eram transmitidas oralmente e que, no correr do tempo se tornaram escrita. Vamos ouvir uma passagem do Antigo Testamento na qual se fala da lei, seu fundamento e seu papel.

Ler Deuteronômio 30.9-14

Qual é o ponto de partida das leis? Qual a visão de ser humano que está por detrás? No começo está uma confissão de fé: Deus dá vida e tudo o que a transforma em bênção e felicidade. Aqui no início do nosso texto já temos uma interpretação da confissão de fé primeira que está lá nas primeiras páginas da Bíblia e que afirma que Deus criou tudo e que ele continua criando, conferindo ao ser humano um papel de destaque no concerto de sua criação. O Salmo 8, entre outros tantos textos, o diz em forma de cântico e poesia. Passa como um fio condutor através de toda a Bíblia a bela mensagem de que nós somos parceiros de Deus na criação ou, como alguém arriscou dizer, somos co-criadores. Vem daí o nosso compromisso de cuidar de criação e criaturas. Para tanto, Deus, através de seus mensageiros e profetas, procura estabelecer regras que nos ajudam na tarefa. Estas têm a ver com as relações humanas, são pé-no-chão. O texto que estamos meditando afirma que elas não são difíceis de entender e que não precisamos procurá-las na imensidão do céu e nem para adiante dos conhecidos mares, podem ser lidas, decoradas, recitadas em linguagem humana. Não é preciso procurar e pesquisar muito: No miolo, no cerne da lei estão os conhecidos dez mandamentos; exatamente os dez mandamentos que a maioria teve que decorar no ensino confirmatório. Se dermos atenção a eles, vamos ver que eles abrangem as principais relações humanas. Houve até quem dissesse que os mandamentos já são um código civil, formulados a partir de Deus e do ser humano que foi feito à sua imagem. Nosso pecado é que trancafiamos tudo em algum espaço sagrado, fazendo de conta que nada têm a ver com a vida real ou que a vida real acontece por outros critérios! Jesus em sua vida e suas palavras sempre mostrou que a relação com Deus leva a uma relação humana e com a natureza. Olhemos qualquer uma de suas parábolas: ele toma cenas da vida cotidiana e sua conclusão remete à vida, para escândalo principalmente dos fariseus para quem ele era mundano demais. Para eles o lugar do filho de Deus é o espaço sagrado, quando para Jesus o seu lugar era o mundo, eram as pessoas, que ele olhava com os olhos de Deus e por isso cuidava de suas vidas.

Verdade que hoje cristãos e judeus, que têm na Bíblia o seu livro sagrado, são minoria no mundo. Isso significa que eles deveriam ser os primeiros a concretizar os mandamentos e interpretá-los para as diferentes situações. Desgraçadamente tanto uns como os outros fazem suas próprias leis e na vida real – para usar a formulação muito antiga – o homem se torna o lobo contra os homens. Ou, para dizê-lo nas palavras de um ateu famoso: “O inferno são os outros”. Essas duas frases são duras conclusões da realidade que vivemos também hoje. Por criarmos leis e conceitos que favorecem só uns poucos, porque a ganância parece incontrolável de alto a baixo, vivemos uma sociedade aos frangalhos também porque boa parte dos governantes pensa mais em seus próprios privilégios em vez de organizar uma sociedade mais justa e solidária – afinal isso sempre está nos programas eleitoreiros de todos eles! Não podemos pedir que todos aceitem Jesus Cristo como filho de Deus e nem que todos aceitem Deus como seu Deus. Mas podemos exigir que também o maior ateu, cidadão, morador de nossa terra, respeite o seu semelhante como a si mesmo e se empenhe por um planeta no qual paz – no sentido amplo - seja a marca registrada. Entretanto, temos que começar em casa, temos que voltar às origens de nossa fé e identificar todos os costumes e leizinhas que criamos e que estão em desacordo com a vontade de Deus, para que nossa voz profética seja autêntica e crível. Ai de nós se usarmos Deus para os nossos propósitos – ajudaremos a minar e envenenar mais ainda a vida que é presente de Deus e que mesmo o maior avanço da medicina não consegue nos dar. Nós que confessamos que Deus é criador e salvador no Cristo temos um compromisso maior! Peçamos que Deus nos ajude, quem sabe de forma tão simples como as palavras do Salmo 119.73: Ó Deus, as tuas mão me criaram e me formaram; dá-me entendimento para que eu possa aprender as tuas leis. Que assim seja.

 

 



P.em. Harald Malschitzky
São Leopoldo – RS (Brasil)
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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