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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

23. DOMINGO APÓS PENTECOSTES , 23.10.2016

Predigt zu Jeremias 14:7-10.19-22, verfasst von Harald Malschitzky

Querida comunidade, irmãs e irmãos em Cristo.

Profetas têm um papel importante e espinhoso entre o seu povo. O Antigo Testamento relata de personagens  vigorosos em suas falas e, ao mesmo tempo, têm medo por causa do risco que corriam. No Novo Testamento vamos encontrar um João Batista, claramente com um papel profético; o próprio Jesus, muitas vezes encarnou e assumiu o papel de profeta. Qual era o papel principal dos profetas? Lembrar o seu povo do pacto e de sua história com Deus; repetir e repetir, recorrendo aos mais diversos recursos, que Deus não quer abandonar o seu povo; chamar atenção ao povo por seus descaminhos, por seu afastamento de Deus, com todas as conseqüências nefastas para a vida e a convivência como povo,  bem como para as práticas religiosas herdadas e conhecidas.  A figura de João Batista é muito ilustrativa: Em sua pregação ele tenta chamar o povo à razão e à sua relação com Deus que ia de mal a pior. Mas ele vê também os desmandos dos governantes – lembremos que eram romanos! – e faz acusações diretas. Ele paga a sua “ousadia” com a vida!

Uma das passagens bíblicas para reflexão neste domingo nos familiariza com um momento muito forte e sofrido do profeta Jeremias. Esse profeta nasceu em 655 antes de Cristo num povoado de nome Anatote. Quando Deus o chamou para ser profeta ele alegou diversas desculpas (Não sei falar, sou muito jovem...), mas Deus não o atendeu. Ele seria um profeta marcante que envolveu sua própria vida, que sofreu com seu povo e que, finalmente, é levado junto com seu povo para o Cativeiro Babilônico, onde suas pegadas se perdem. Ele viveu períodos de bem-estar   de seu povo, mas também a sua derrocada, que ele previra e para a qual chamara a atenção tantas e tantas vezes.

A passagem que ouvimos nos mostra um Jeremias intercedendo com e por seu povo. A razão? Uma seca terrível havia devastado os campos e as lavouras. O povo não a atribuiu simplesmente ao acaso ou a fenômenos climáticos, mas caiu em si e se deu conta de que ele mesmo era o responsável último por ter se afastado de Deus e por ter deturpado toda a relação com ele, o que se refletia também no terreno da fé. Assim, a oração que Jeremias faz com e em nome de seu povo é uma enorme confissão de culpa, com pedido de perdão lembrando o amor e a dedicação do próprio Deus. O povo não tem mérito algum, só culpa, mas Deus não é gente e nem age como gente!

Jeremias tem uma grande decepção: Deus não aceita o seu pedido, mas reforça a memória das maldades do povo. Jeremias não se dá por vencido e ora novamente e pede que Deus não anule o pacto com seu povo, pois isso significaria a perdição. O final da oração é de esperança... , mas lá adiante vamos ler que Deus não atende!

Estamos acostumados a ouvir e falar do Deus do amor, da misericórdia, do perdão. De fato este é o fio condutor através de toda a Bíblia. Nós sabemos o que Jeremias não sabia: Que Deus, com todas as suas negativas, sofreu muito por e com seu povo e sua criação; ingressou no mundo e assumiu forma humana em Jesus Cristo para deixar claro de uma vez por todas o seu amor e a sua compaixão continuados pelos serres humanos e por toda a criação. Mas como no tempo de Jeremias, o seu povo não ouve. Vamos ver este Jesus ensinando, admoestando, perdendo a paciência (também a ira divina não deixa de ser ira!), orando por seu povo (procurem ler a sua oração magistral no evangelho de João, capítulo 17), sofrendo por ele e, finalmente, por ele morrendo de forma terrível. Mais uma vez, porém, Deus “pagou a conta” e o ressuscitou dos mortos, fazendo-o Senhor sobre vivos e mortos. Será que com isso a oração de Jeremias e tantos outros está atendida e já não há com que se preocupar?

Os dois milênios de história cristã revelam uma tremenda semelhança entre nós e o povo de Israel. Também proclamamos uma coisa e levantamos construções lindas por este mundo afora para dizer do amor de Deus (e de nossas obras!), e fazemos outra, em relação ao próprio Deus (o deixamos de fora de nossas vidas), com suas criaturas e com sua criação. Ou será que ousamos dizer que tanto caos que o mundo vive é só fruto do acaso, de fenômenos metereológicos, culpa dos outros?  O quanto será que isso tem a ver com o nosso “esquecimento” de Deus? O quanto isso pode ter a ver com o fato de que também nós nos rendemos aos encantos do egoísmo, da ganância, da exploração ilimitada de gente e natureza? Até que ponto nossa confissão de culpa é enganosa e hipócrita, sem consequências para nós? Quem sabe nos embalamos na (falsa) segurança de que no fim Deus vai ter que perdoar, porque, afinal, foi isso que ele demonstrou cabalmente no viver, sofrer, morrer e ressuscitar do Cristo. Esquecemos muito depressa que Deus não aceita um vale-tudo em nossa vida, não nos lembramos da passagem do Grande Julgamento (Mateus 25)  que deverá julgar não os outros, mas as nós! Não se trata de acumular obras boas e meritórias para apresentar diante de Deus, mas de sermos ou não hipócritas naquilo que dizemos e fazemos.

O juízo de Deus no horizonte de nossas vidas não é uma ameaça, mas uma advertência que quer nos ajudar a corrigir o rumo da vida constantemente. Penitência, revisão da vida não é coisa para dias especiais, mas para o dia a dia.

Que nosso bom Deus nos abra olhos e corações.  Amém



pastor emérito Harald Malschitzky
Săo Leopoldo – RS /Brasil
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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