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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

2.DOMINGO DE ADVENTO , 04.12.2016

Predigt zu Isaías 11:1-10, verfasst von Harald Malschitzky

Irmãs e irmãos em Cristo, querida comunidade.

Em geral nós não temos memória de muitas gerações anteriores. Vamos até os bisavós, quem sabe tataravós, mas ficamos por aí. Isso tem a ver muito com o fato de que - por motivos diversos - os membros das famílias se dispersam e muitas vezes perdem totalmente o contato entre si. Mas últimas décadas revelam que há uma busca sempre maior pelas raízes, pelos antepassados. Como montar uma árvore genealógica custa muito tempo, já existem instituições que fazem a pesquisa sob encomenda e que hoje, com a tecnologia moderna, têm milhões de dados armazenados ou ao seu alcance. Mesmo quem não deseja todas essas informações, todos queremos saber de onde viemos, quem são ou foram nossos parentes mais imediatos. No revés disso vemos milhões de refugiados pelo mundo afora que vão perdendo seus laços familiares e que sofrem duramente com isso.

A passagem que ouvimos do profeta Isaías menciona um nome que a partir de certo momento histórico no povo de Israel se tornaria o elo de ligação entre gerações através de séculos. Trata-se do rei Davi, famoso por seus feitos e por sua fé, retratada, entre outros em salmos, mas que em sua vida teve também páginas muito reprováveis, sim, condenáveis. Mas é a sua linhagem que vamos encontrar no início da vida de Jesus, conforme a genealogia no evangelho de Mateus. Jesus é identificado com as gerações de Davi, sobre as quais repousava grande esperança dentro do povo de Israel. O nome de Davi não é mencionado por acaso; a identificação de Jesus com essa linhagem não é gratuita.

O texto de Isaías é um dos mais belos que existem. Ele é poético, e por isso usa superlativos para expressar a grande esperança. Não custa lembrar, que Isaías não está escrevendo um roteiro para Deus, mas expressando uma esperança, a esperança de que um descendente de Davi seja portador de novos tempos. Justiça e paz são duas palavras-chave no texto.

Sabemos que a injustiça de todo tipo é uma das marcas da história humana, também da história humana com o mundo e a natureza. Na raiz da injustiça está o pecado do egoísmo e egocentrismo. Esta injustiça esmaga sempre os mais fracos, seja lá qual for o tipo de “fraqueza” e fragilidade. A injustiça se alimenta, entre outros, de fofocas que podem ser também ideológicas. O outro recebe uma etiqueta e esta determina quem ele é ou deixa de ser. O rebento anunciado por Isaías usará outros critérios, “não julgará segundo a vista dos olhos, nem repreenderá segundo o ouvir de seus ouvidos” (v.3), mas decidirá com equidade em favor de pobres e mansos. Ele não se valerá de códigos e mais códigos, porque a justiça e a fidelidade serão o seu cinto, a sua roupa. O quadro seguinte descreve paz e entendimento em todo o mundo criado, não apenas entre os seres humanos. No mundo animal acontecerá aquilo que é tão difícil de existir entre os seres humanos: Entendimento e respeito entre os diferentes! Preconceitos raciais, sociais e políticos azedam e destroem as relações e impedem a construção de um mundo de paz, respeito, aceitação, justiça.

O Novo Testamento é unânime em afirmar que esta novidade sonhada por Isaías já começou em Jesus. Não, ela não aconteceu como em um passe de mágica típico dos contos de fadas, mas iniciou no meio do mundo, no meio da vida humilde de descendentes de Davi. Mas desde o início houve também rejeição porque Deus não cumpriu o roteiro que pessoas tinham na cabeça, principalmente o roteiro de poder. É verdade quem o príncipe que veio nada tinha a ver com os príncipes conhecidos pelo mundo afora – com pompa, com exércitos, com poder, com riqueza, com ostentação. Esse príncipe também agiu bem diferente, quebrando regras, costumes e preconceitos: Ele conversava com mulheres diversas, o que, como se sabe, não lhe rendeu elogios: Uma era samaritana junto a um poço, outra a recebeu em casa, outra ele salvou de ser executada a pedradas; ele deu atenção e curou doentes, entre eles leprosos que obrigatoriamente deveriam ficar longe das pessoas, a filha de um centurião romano (romanos, afinal, eram inimigos!), cegos (que pela teologia do povo deviam ter culpa em cartório e por isso eram cegos); ele criticava a cegueira dos fariseus, que se julgavam melhores do que os outros; ele gostava de ensinar contando histórias nas quais muitas vezes os exemplos vinham das pessoas humildes e marginalizadas; ele escolheu um séquito entre pescadores e não entre sábios e poderosos. O seu povo o rejeitou porque ele rompeu com os padrões e costumes vigentes, mesmo que eles ferissem pessoas. Pagou sua ousadia com a vida, mas quando para todos, também para seus seguidores, o caminho tinha chegado ao fim, Deus o ressuscitou dos mortos, abrindo nova perspectiva de vida para a humanidade.

Assim como para Isaías o futuro do que anunciava estava aberto, ele está aberto também para nós em Cristo. Todo o evento de Cristo não foi um passe de mágica que mudaria tudo ( e quem o esperava assim, se enganou!), mas foi uma novidade de vida a partir de Deus. Jesus foi colocando sinais concretos de vida a partir de Deus, uma vida em comunhão, em aceitação do diferente, de perdão e recomeço de vida. E em sua ressurreição ele abriu a perspectiva de futuro para além da morte.

Celebrar Advento, esperar pelo aniversário do Príncipe da Paz, é perguntar o que nós cristãos estamos fazendo com ensinamentos e sinais colocados por Cristo – na família, na comunidade, na sociedade, na natureza, é perguntar se queremos um príncipe (ou muitos príncipes!) com poder e força ou se estamos dispostos a nos colocar a serviço do príncipe da manjedoura. Não vamos esquecer que existem muitos sinais de vida e ação pelos critérios do amor de Cristo, mas muito mais poderia acontecer se os cristãos do mundo inteiro se dessem as mãos, deixassem suas diferenças em segundo plano e seguissem as pegadas de Cristo. Que as luzes e os presentes não tranquilizem nossas consciências, não nos deixem sosssegados e nem nos desviem do objetivo que é Cristo. Amém.



Pfarrer em. Harald Malschitzky
São Leopoldo – RS (Brasil)
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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