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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

PRIMEIRO DOMINGO APÓS EPIFANIA , 08.01.2017

Predigt zu Isaías 42:1-9, verfasst von Harald Malschitzky

Irmãs e irmãos em Cristo, querida comunidade aqui reunida.

 

É prática milenar que governos enviem emissários ou representantes com plenos poderes para negociar com outros povos e países. Quase sempre se trata de busca ou oferta de apoio para aumentar o poder de ambos, seja o poder bélico (as célebres alianças e tratados), ou seja o poder comercial (acordos e alianças comerciais). Sempre está em jogo o aumento de poder que, por sua vez, barra outros países. Também o armistício, do qual se ouve agora na Síria, segue os mesmos princípios: Armistício é apenas uma pausa no tiroteio! Em nossos dias, porém, vivemos o uso da força por todos os lados também no varejo: Quem discorda é agredido não só com palavras, mas também com armas. Intolerância parece ser a palavra de ordem em nosso país e por este mundão afora, uma intolerância devastadora, comprovada pelo número de mortos e despossuídos em nosso planeta.

O texto de Isaías que vamos ler em seguida é uma palavra magistral para dentro da intolerância e injustiça no seu tempo, alguns séculos antes de Cristo, e para dentro de todos os tempos dos tempos até hoje. Ouçamos Isaías 42. 1-9:

Leitura do texto

Diferentemente de outros embaixadores, esse “embaixador” de Deus é descrito como SERVO, como alguém que está a serviço para servir. A passagem é magistral porque ela rompe com a teologia, com a política, com a mesquinhez humana vigentes. Esse servo Deus, sustentado, escolhido, querido e sobre o qual repousa o espírito do próprio Deus, não oferece armas nem pactos de poder de qualquer ordem. O direito e a justiça são a sua bandeira, justamente a justiça em relação aos estrangeiros, aos “gentios”, que mormente eram desprezados e combatidos. Mais, justamente aqueles que eram – e são ! – marginalizados pela sociedade e também pela religião, receberão de volta a sua cidadania, os cegos, os presos, os que vivem sem rumo. É uma grande reviravolta nos conceitos e no jeito de lidar com a vida e as pessoas. Nada de gritos, palavras de ordem, grandes discursos em praças para apregoar o seu próprio programa (aqui no Brasil estamos vivendo o momento de apregoar programas e promessas!!!). O servo de Deus se atira de corpo e alma na empreitada por um mundo de paz e justiça PARA TODOS, não só para os que recitam a sua cartilha.

Se é verdade que esse sonho, essa visão nunca se concretizou em sua plenitude, é verdade também que ele nunca foi esquecido. Sempre houve pessoas ou grupos que se empenharam em favor de um mundo de paz (shalom!) e justiça, e quase todos o fizeram em nome de Deus, do Deus criador e doador da vida. E houve um momento de ruptura no curso normal da história com o nascimento de Jesus de Nazaré. Desde o princípio seus seguidores entenderam e reconheceram que ali, naquele andarilho, se concretizava a imagem do servo de Deus. Não é por menos que Isaías é lembrado muitas vezes na caminhada de Jesus. Jesus não gritava nas praças apregoando um grande programa ou uma ideologia, mas se empenhava pela justiça bem concreta, desmascarava as pessoas que distorciam a verdade e a justiça em seu próprio favor e restituía dignidade de vida a doentes e marginalizados em seu contexto; de forma quase ostensiva se relacionava com “gentios” e os incluía na criação de Deus como “cidadãos” plenos do Reino de Deus. Sabemos dos evangelhos que suas atitudes não foram aplaudidas por líderes religiosos e políticos que se julgavam os donos da verdade e dos mundos conhecidos então. Assim como o servo de Deus, ele não buscou poder, projeção, privilégios. Muito pelo contrário, para usar uma formulação lapidar do apóstolo Paulo, “ele[Jesus] subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte na cruz” (Fl 2.6-8). Na cruz ele assumiu a nossa miséria, ele entrou na brecha em nosso favor. Contra todas as expectativas humanas , Deus o fez Senhor e Cristo a fim de que, libertados do pecado, pudéssemos viver nova vida, novas relações, ter olhos abertos para os outros e, sobretudo, buscar a concretização da paz onde quer que seja.

Se deixamos passar diante de nós, como em um file rápido de retrospectiva, é forçosa a pergunta por que ao menos os seguidores de Deus, os que confessam o seu nome, quer no tempo de Isaías, quer nos séculos depois de Cristo, continuam usando violência e pensando que a paz se estabelece com armas. Verdade que é preciso reconhecer que muitas ações em nome de Deus e com o empenho da própria vida de cristãs e cristãos mudaram situações e criaram realidades mais justas, abrindo espaço para de vida digna para aqueles que nada tinham a oferecer além de sua miséria. Mas cristãos/ãs e crentes do mundo estão em dívida, muita dívida, seja por fracassos, seja por omissões. Deixamos de ouvir palavras de advertência que pretendiam e pretendem mudar os nossos rumos. E aqui é de atualidade impressionante uma meditação que Dietrich Bonhoeffer, perseguido e assassinado pelo regime nazista em 1945, fez em um encontro ecumênico com representantes de diversas igrejas; naquele momento o mundo se preparava para uma das guerras mais sangrentas da nossa história. Eis parte de sua meditação:

Como se concretiza a paz? Quem convoca para a paz de forma tal que o mundo o ouça, seja obrigado a ouvir? Somente o grande concílio ecumênico da santa igreja de Cristo de todo o planeta poderá dizê-lo de maneira que o mundo, rangendo os dentes, tenha que ouvir a palavra de paz, e os povos fiquem felizes, porque esta igreja de Cristo arrancará as armas das mãos de seus filhos em nome de Cristo, proibindo-lhes a guerra e proclamando a paz de Cristo a todo este mundo delirante.

As igrejas e o mundo não deram atenção a esse profeta, mas o apelo e a incumbência continuam e precisam tirar o nosso sono e o nosso sossego para que a vida tenha uma chance. Que no ano que está diante de nós Deus nos dê profetas – grandes e pequenos - , Deus nos dê a sua voz, pois por nossas próprias forças estamos perdidos. Amém



P. emérito Harald Malschitzky
Săo Leopoldo – RS (Brasil)
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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