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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

DOMINGO DE PENTECOSTES , 04.06.2017

Predigt zu Números 11:24-30, verfasst von Harald Malschitzky

Irmãs e irmãos em Cristo.

 

Nosso mundo está povoado de heróis. Desde crianças aprendemos a admirar todos os tipos de heróis, até nas revistas em quadrinhos. Mais tarde fomos confrontados com heróis da pátria e também do mundo. Se estudamos o mundo grego e romano antigos, temos uma infinidade de divindades, muitas delas nascidas do heroísmo e da coragem. A maioria dos filmes de ação atuais apresentam super-heróis, que com armas super-poderosas vencem super-inimigos! Em nossos dias assistimos, no terreno internacional, como governantes se esforçam para serem tidos e reconhecidos como heróis. Para alcançar o lugar de herói vale qualquer coisa, mesmo que se coloque em risco a humanidade e o mundo. É verdade que muitos desses ídolos foram colocados no pedestal de herói posteriormente por outras pessoas ou até governos. A prática de criar ídolos e heróis está também nas igrejas, quando se transformam líderes que nada mais quiseram fazer do que servir à causa do evangelho em heróis, o que é outra coisa do que exemplo, testemunha. Isso não significa – é bom alertar – que não devamos reconhecer aquilo que pessoas efetivamente fizeram, desde que fique claro que elas continuam gente, gente falível, gente que também erra e é carente da graça e do perdão de Deus.

A Bíblia está cheia de personagens marcantes, líderes que foram decisivos na história do povo de Israel e na igreja primitiva. Mas se olharmos com atenção, veremos que também fraquezas, medos e mazelas não são escondidos. Vejamos alguns exemplos a título de ilustração: Moisés a certa altura perde a compostura e quebra as primeiras tábuas dos mandamentos; Davi, o grande rei, tem contra si graves acusações; o profeta Jeremias tenta fugir da incumbência que Deus lhe quer dar e, na sua vida, sofre e se desespera; o profeta Amós, quando é acusado de falar demais, diz apenas que ele não passa de um criador de gado e plantador de amoras; Jó, celebrado por sua paciência e grandeza, perde a paciência, amaldiçoa a vida e o próprio Deus; Pedro, a pedra, nega a Jesus; Paulo começa caindo literalmente do cavalo e muitas vezes sofre por suas comunidades. Nas lideranças das primeiras comunidades cristãs vamos encontrar mulheres, que não tinham vez como cidadãs; citemos uma delas, Lídia. Neste ano nós luteranos estamos em festa pelos 500 anos da Reforma. Mas cuidado para não transformarmos Lutero naquilo que ele nunca queria ser: Um herói. Ele, no fim da vida, classifica a si mesmo como um saco cheio de podridão e vermes. E não podemos esquecer a figura do próprio Jesus, sofrido e marcado pela morte...

Se olharmos mais uma vez nossas personagens, perguntando como é que, com suas limitações humanas, elas fizeram o que fizeram, nós vamos perceber que sempre, de alguma forma, Deus se faz presente em suas vidas. A roupagem de manifestação e o jeito de agir são diferentes um do outro, mas é sempre Deus, através de seu Espírito, que se manifesta. No texto que ouvimos/lemos, Deus, por seu Espírito, ajuda Moisés a tirar parte do peso da liderança dos seus ombros, sugerindo a escolha de setenta pessoas para ajudar. Vale mencionar que o número sete e seus múltiplos têm um papel importante na estrutura religiosa de Israel; aliás, a igreja cristã herdou parte dessa estrutura: Temos a semana de sete dias e todo o calendário litúrgico a tem como base. O domingo de hoje, Pentecostes, que tem sua origem na festa de ação de graças pela colheita, que durava sete dias. Nós celebramos Pentecostes cinquenta dias depois da Páscoa, de domingo a domingo. Por detrás a estrutura de sete semanas de sete dias! Para o povo judeu de hoje, Pentecostes lembra o recebimento dos dez mandamentos por Moisés, contexto para onde nos remete o texto bíblico de hoje.

Deus vai ao encontro de Moisés depois de este reclamar por causa da inquietação do povo. Com fome, bateu a saudade das panelas de carne no Egito, apesar da escravidão. E Moisés até é atrevido, lembrando a Deus que não foi ele que criou esta gente, de quem agora tinha que cuidar como se fosse uma babá. Deus responde, Deus ajuda, mas não como talvez o teria imaginado Moisés, dando a ele qualquer força sobrenatural. Muito pelo contrário, ele ainda tira parte do poder que havia concedido a Moisés para distribuí-lo entre os setenta. E Deus também vai prover carne, também esta nem de longe como nas panelas no Egito, mas em forma de codornas, que junto com o maná, eram suficientes para saciar a fome. Moisés não recebe super-poderes, mas recebe ajuda para continuar na tarefa de guiar o seu povo tantas vezes rebelde. Aqui se delineia o fio condutor da maneira de Deus agir com sua criatura: Ele não tira simplesmente o peso e a responsabilidade, mas dá força e determinação. Podemos constatá-lo no relato de Pentecostes de Atos dos Apóstolos, quando os discípulos, que ainda viviam acuados, receberam o poder do Espírito Santo. Começou ali, com uma prédica corajosa e arriscada de Pedro (o mesmo que tinha negado a Jesus!), dizendo publicamente que o Jesus crucificado era o messias e que ele fora ressuscitado por Deus, sendo agora Senhor, kúrios, uma clara afronta aos poderosos que usavam o título. Aqui está o nascedouro da igreja cristã. O Espírito Santo não se tornou propriedade de um pequeno grupo, mas o enviou ao mundo. É uma pena que a igreja, muitas vezes ajudada pela arte, transformou esse grupo em uma espécie de heróis, quando na verdade ele pertence à nuvem de testemunhas, como o lemos na carta aos Hebreus.

Celebrar Pentecostes é ser lembrado de que também a nossa fé, por mais frágil que possa ser, é dádiva de Deus para vivermos no mundo. Hoje vemos por aí muitos “heróis da fé” que afirmam ter super-poderes e super-dons. Deus, porém, não concede seu Espírito para heroísmos e sim para o serviço, para o testemunho, que implica envolvimento da própria vida. O Espírito Santo de Deus não é nossa propriedade e nem dele podemos dispor, mas podemos pedir que Deus no-lo conceda, para que nossas limitações – e nossas desculpas – não nos impeçam de ser testemunhas. Isso muitas vezes implica sofrimento, implica dúvidas e até desânimo. Que bom que não precisamos buscar em nós mesmos forças para vencer, em nosso suposto e falso heroísmo; também hoje podemos contar com o Espírito Santo de Deus, que nos dá e dará forças para vivermos a vontade de Deus e um mundo sempre mais complicado, egoísta e perigoso.

Que a “nuvem de testemunhas” que temos na Bíblia e na vida nos anime a pedir pelo Espírito Santo de Deus a fim de não esmorecermos, ainda que Deus responda as nossas orações de forma diferente do que nós pedimos e esperamos.

Oração: Espírito, derrama a força divinal; acende em nós a chama da fé pentecostal! Ó faze que anunciemos ao mundo o teu fulgor, que testemunho demos da salvação, Senhor! [Amém] (Hinos do Povo de Deus, 76, estrofe 6).



Pfarrer Harald Malschitzky
São Leopoldo
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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