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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

9º DOMINGO APÓS PENTECOSTES, 06.08.2017

Predigt zu Isaías 55:1-5, verfasst von Alexander R. Busch

Estimados irmãos e irmãs! Querida igreja,

Em nossa região é difícil imaginar plantas e animais morrendo por falta de água. Muito pelo contrário, às vezes nós reclamamos do excesso de chuva, chuva esta que prejudica em parte a colheita e que dificulta o trato dos animais na pecuária. Um desconforto contornável. De outra parte do mundo, porém chegam notícias nada animadoras.

Quando os camelos morrem, é o começo do fim das condições de vida de quem vive do pastoreio”, diz Gezahegn Gebrehana, representante da Aliança ACT na África. A morte de um camelo indica que não há mais comida, nem água. Absolutamente tudo que mantém a vida das pessoas se foi bem antes da morte do animal mais resistente da África. São dois anos de seca que arruínam plantações e pastagens. Esta é a tragédia que alguns países do continente africano estão atravessando: Somália, Etiópia, Sudão do Sul e Quênia. É uma crise ambiental e humanitária agravada por interesses políticos e conflitos militares.

Em meio à crise, à angústia e desespero, o que tem aliviado o sofrimento das pessoas é a presença da Aliança ACT, uma parceria de 144 igrejas e organizações religiosas de diversos países que prestam ajuda humanitária. Seu objetivo é trabalhar junto com as instituições locais para atender situações de emergência causadas por desastres naturais ou situações de subdesenvolvimento em áreas empobrecidas que necessitam de apoio. Desta feita, pessoas cristãs e igrejas tem tido a oportunidade para compartilhar o amor abundante e gratuito de Deus e de Jesus Cristo, em palavras e ações.

Na leitura que ouvimos hoje do profeta Isaías, seus ouvintes também se encontravam em meio a uma crise. As palavras do profeta foram ditas num dos momentos mais críticos da história do povo de Deus no Antigo Testamento. Era o tempo do exílio na terra da Babilônia. A cidade de Jerusalém, bem como o grandioso templo construído pelo rei Davi estavam em ruínas. Os sobreviventes desta tragédia foram forçados a se retirar para uma terra estranha, uma estratégia do exército vencedor para impedir que os vencidos se reorganizassem. Sua nova morada ficava na terra da Babilônia, entre o povo que havia conquistado sua terra e entre os deuses que haviam derrotado o Deus de Israel.

Era difícil lidar com as memórias do passado. Era difícil enxergar um futuro promissor. O desespero e o desânimo tomavam conta das pessoas. O Salmo 137, por exemplo, retrata o sentimento que prevalecia entre os sobreviventes, “Sentados na beira dos rios da Babilônia, chorávamos quando lembrávamos de Jerusalém. Penduramos as nossas liras nas árvores que havia ali ... em terra estrangeira, como podemos cantar um hino a Deus, o SENHOR?” (VS..1,2,4). Sua esperança de retornar para a terra prometida a seus antepassados estava morrendo. Sua alegria em louvar ao Senhor deu lugar ao sentimento de terem sido abandonados por Deus.

É nesta realidade de crise, de angústia e desespero que ecoam as palavras do profeta, “O SENHOR Deus diz, “Escutem, os que têm sede: venham beber água! Venham, os que não têm dinheiro: comprem comida e comam! Venham e comprem leite e vinho, que tudo é de graça” (Is 55.1). O profeta apresenta sua mensagem como se fosse um comerciante no mercado público anunciando seu produto. E eu não estou exagerando ao fazer esta comparação. Mesmo nos dias de hoje, é possível ir ao mercado público nos países do Oriente Médio, e constatar os vendedores de água buscando seus fregueses.

Mas, segundo o profeta, não é apenas água - o mínimo necessário para a sobrevivência - que Deus quer anunciar. A oferta inclui também vinho e leite, um luxo para quem está lutando para sobreviver. Vinho e leite são sinais de abundância e fartura. E mais. O vinho, na tradição bíblica, é símbolo de alegria. O leite, por sua vez, lembra a terra prometida, terra farta onde os rebanhos produzem leite para alimentar as pessoas.

E há mais um detalhe que torna a oferta de Deus mais atraente do que a oferta de qualquer outro vendedor no mercado público. Deus está disposto a oferecer de graça seus produtos às pessoas, a qualquer pessoa que tenha sede, a qualquer pessoa que não tem dinheiro para comprar. Tudo é de graça. É desta forma surpreendente que Deus se aproxima de seu povo e anuncia sua salvação. Como nos diz Jesus no livro de Apocalipse, “A quem tem sede darei água para beber, de graça, da fonte da água da vida” (Ap. 22.6). O Deus de Israel que é também o Deus revelado em Cristo Jesus quer dar nova vida às pessoas que confiam na sua palavra e promessa. Mesmo em meio a crises, angústias e desesperos, Deus quer ser a força que renova, o perdão que restaura, e a reconciliação que aproxima. Com sua oferta abundante e gratuita, Deus quer levantar o ânimo e alimentar a esperança de seu povo.

Mas cuidado com as falsas ofertas. Eis a advertência do profeta, “Por que vocês gastam dinheiro com o que não é comida? Por que gastam o seu salário com coisas que não matam a fome?” (Is 55.2). Em meio à crise no exílio, o povo de Deus aparentemente nutria admiração pelo poder de seus opressores e sentia-se tentado a adorar os deuses da Babilônia. A sedução era conformar-se à estratégia dos vencedores, perdendo assim sua identidade como povo do Deus de Israel.

Por isso, a insistência de Deus para que seu povo lhe dê ouvidos, “Se ouvirem e fizerem o que eu ordeno...escutem-me e venham a mim . . . prestem atenção” (Is 55.2,3). Deus sabe que no mundo, incluindo o nosso mundo, existem muitas falsas ofertas querendo iludir as pessoas. E especialmente em momentos de crises, angústias e desesperos, as pessoas estão mais vulneráveis para se deixarem enganar por soluções fáceis e promessas vazias. Como um vendedor persistente, Deus pede para que o povo preste atenção e dê ouvidos à sua Palavra. Pois a Palavra de Deus é fonte de discernimento. A Palavra de Deus é luz que ilumina o caminho em meio à escuridão. A Palavra de Deus é viva e poderosa, indo ao mais íntimo das pessoas para julgar os desejos e pensamentos do coração delas (Hb 4.12).

A Palavra que Deus anuncia para seu povo em crise é esta, “Eu farei uma aliança eterna com vocês e lhes darei as bênçãos que prometi a Davi” (Is 55.3). Esta é uma Palavra, uma promessa repleta de vida e grávida de um futuro promissor. Deus reafirma sua aliança de compromisso para com seu povo. Assim como Deus se lembrou de seu povo no passado em momentos de crise, incluindo ocasiões de desobediência e idolatria, Deus promete agora, por causa de sua fidelidade, restaurar seu povo.

No Antigo Testamento a promessa se cumpre quando o povo de Deus no exílio, décadas mais tarde, retorna para a terra prometida a seus antepassados e reconstrói o templo de Jerusalém. Mas a promessa vai além da reconstrução do templo e retorno à terra de Israel. A promessa fala de uma nova relação entre os povos, “agora vocês darão ordens a povos estrangeiros, povos que vocês não conheciam, e eles virão correndo para obedecer-lhes” (Is 55.5). Não se trata aqui de domínio militar sobre os povos estrangeiros, mas sim de compartilhar as bênçãos do Deus de Israel com outros povos. Assim como rei Davi teve um papel de liderança, “chefe e líder dos povos”, o povo de Deus em Israel agora tem a oportunidade para anunciar a água, o leite e o vinho abundantes e gratuitos que Deus oferece.

Esta promessa se torna mais visível ainda no Novo Testamento, quando um filho de Israel, Jesus Cristo, entrega sua vida na cruz como sinal da força que renova, do perdão que restaura, e da reconciliação que aproxima. É a nova aliança no seu sangue, uma oferta do amor de Deus a qualquer pessoa que tenha sede, a qualquer pessoa que não tem dinheiro para comprar. Tudo é de graça. De graça para as pessoas que tem sede de mudança, sede de nova vida, sede de esperança.

O que é de graça para as pessoas, para Deus, porém, lhe custa um alto preço: a vida de Jesus Cristo. Esta é a nova aliança firmada no amor, no amor que se doa ao próximo. A oferta abundante e gratuita de Deus, porém, não termina na crise da cruz, não termina na angústia dos primeiros discípulos e discípulas de Jesus, tampouco no desespero do grito solitário, “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste” (Mc 15.34).

A oferta de fartura e graça continua ecoando no testemunho da ressurreição de Jesus, no Cristo vivo que continua ofertando de graça a água da vida, “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Como dizem as Escrituras Sagradas: ‘Rios de água viva vão jorrar do coração de quem crê em mim’” (Jo 7.37,38). Seja numa aldeia em crise na África, seja numa família em crise nesta cidade, seja um jovem ou uma pessoa idosa em crise, sejam diferentes os motivos e diferentes as circunstâncias, a oferta de Jesus está sendo anunciada quando seus seguidores e seguidoras dão ouvidos e escutam a Palavra de Jesus, e, alimentados pela aliança de amor, compartilham, generosamente e de graça, a água da nova vida. Amém.



P.Ms. Alexander R. Busch
Castrolanda/Castro – Paraná (Brasil)
E-Mail: pastoralexbusch@yahoo.com.br

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