Göttinger Predigten

deutsch English espańol
portuguęs dansk Schweiz

Startseite

Aktuelle Predigten

Archiv

Besondere Gelegenheiten

Suche

Links

Gästebuch

Konzeption

Unsere Autoren weltweit

Kontakt
ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

DOMINGO CRISTO REI E/OU DOMINGO DA ETERNIDADE , 26.11.2017

Predigt zu Ezequiel 34:11-16, 20-24, verfasst von Claudete Beise Ulrich

Prezada Comunidade!

            Estamos no último domingo do ano Igreja. No próximo domingo, já estaremos celebrando o tempo do Advento e com o Advento inicia um novo ano no calendário da Igreja.

           Neste último domingo do calendário da Igreja podemos considerar dois aspectos litúrgicos importantes, de acordo com a tradição da igreja cristã: 1) Jesus é aquele que venceu a morte, que ele está acima de qualquer nome, venceu todos os poderes, por isto domingo Cristo Rei. 2) recorda-se também a eternidade, isto é, lembra-se da transitoriedade da vida, a despedida de pessoas queridas. Mas também se lembra do fim do ano da Igreja e o início de um novo tempo, com a chegada do Advento. Os dois aspectos estão inter-relacionados, pois, na medida em que se afirma que Jesus venceu todos os poderes, isto também serve de consolo e esperança, quando pensamos, por exemplo, na finitude da existência humana. Afirmamos que não podemos cair mais fundo no que nas mãos de Deus, isto é, quando morremos, retornamos para a terra, criação de Deus. Portanto, é neste sentido, que podemos fortalecer e renovar a nossa esperança, Jesus Cristo é Emanuel, Deus conosco, que caminha ao nosso lado, nos fortalece, ampara e renova a vida e a esperança.

            O texto previsto para a pregação neste domingo está baseado em Ezequiel 34.11-16,20-24 que ressalta a postura “pastoral” de Deus e seu compromisso com o resgate e o cuidado de suas “ovelhas”. Ele também é o juiz que conhece as ovelhas que fazem parte de seu rebanho. Esta imagem de cuidado, de acolhimento e de inclusão do texto de Ezequiel que pretendo ressaltar neste último domingo do ano da Igreja.

            O profeta Ezequiel passa por grandes transformações em sua vida. Ele era, primeiramente, um sacerdote que acusava o povo de ter se tornado infiel à aliança estabelecida com Deus. No entanto, quando percebe que as suas pregações tornam-se realidade, isto é, que Jerusalém foi totalmente arrasada e os sobreviventes tornaram-se escravos a uma nação estrangeira e ele mesmo estava entre aqueles que foram deportados e obrigados a viver numa terra estranha, transforma-se e converte-se em um profeta da esperança. A mesma voz que outrora anunciou a destruição agora convoca à reconstrução do reino, mas sobre outras bases. O texto que ouvimos apresenta justamente a plataforma de governo desse novo reinado.

            O modelo de governo terá como referência o próprio Deus. Ele mesmo será a referência para todo ato de governo. Porque assim diz o Senhor Deus: “ Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei.” (Ez 34.11s) O próprio Deus vai procurar as ovelhas dispersas, vai juntá-las, livrá-las, serão apascentadas... “Apascentá-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem; deitar-se-ão ali em boa pastagem e terão pastos bons nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousa...(Ez 34.14-15). Portanto, o profeta Ezequiel apresenta uma linda imagem do pastor que busca e cuida das suas ovelhas, dá a elas alimento, repouso e a dignidade será restituída.

            Esta prática de governar será marcada por atos de justiça: “a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com justiça” (v. 16). A justiça de Deus consiste em fortalecer os fracos, e para isso é necessário destituir o poder e a opulência dos fortes. É importante entender que fortes aqui se referem aqueles que não dão espaços para os fracos, aquelas que comem toda a comida e nada sobra para as ovelhas mais pequenas e frágeis. O pastor cuida das ovelhas mais fracas. O reino anunciado pelo profeta será unido, pacífico, próspero, livre… Diferentemente da história pregressa de Israel, que foi marcada pela divisão e dispersão, pela opressão e escravidão. O plano de Deus é de governar como pastor que cuida do seu rebanho, com o objetivo de reunificar a nação e de congregar o povo disperso na diáspora. Deus cuidará do seu povo com carinho e amizade, providenciando para que tenha tudo de que necessita para uma vida digna: alimento abundante, água limpa e pura, abrigo e proteção (segurança), saúde e higiene, liberdade e autonomia, trabalho, descanso e lazer.

É necessário reiterar que fazendo uma análise exegética do termo pastorear temos que o mesmo também significa “ser amigo”. Deus é um pastor amigo, que se importa, que se coloca no lugar das ovelhas, que estabelece vínculos afetivos com seu rebanho. Não é um líder distante, mas um companheiro querido muito próximo. O que acontece com suas ovelhas lhe diz respeito diretamente, e é como se acontecesse com ele mesmo, a ponto de Deus se incomodar, indignar e se envolver profundamente com cada uma delas. O cuidado requer envolvimento, atenção, desvelo.

A segunda parte do texto de Ezequiel 34.20-24 apresenta Deus como um juiz justo que eliminará as desigualdades sociais: A enferma será fortalecida, a perdida será buscada, mas aquela que tira o alimento da outra e se torna gorda, não terá chance. A justiça de Deus consiste em fortalecer os fracos, e para isto é necessário destituir o poder e a opulência dos fortes. Essa justiça será aplicada em todas as instâncias, não somente em relação à opressão estrangeira, mas também em relação à doméstica, aquela praticada pelos próprios compatriotas: “eu livrarei as minhas ovelhas, para que já não sirvam de rapina, e julgarei entre ovelhas e ovelhas” (v. 22).

Prezada comunidade:

Essa plataforma de governo (pastor que cuida e também julga com justiça e retidão) proposta por Ezequiel no cap. 34, representa um grande desafio para nós hoje como igreja e como cidadãos e cidadãs brasileiras. Os modelos de governo que temos e promovemos, com frequência reproduzem aquilo que é denunciado pelo profeta. São modelos que exploram a boa-fé do povo, dilapidam seus bens, assolam suas propriedades, extorquem seus recursos, tolhem seu direito, privam sua liberdade, aniquilam sua dignidade. Fortalecem os fortes sobre os fracos.

A consolidação do governo restaurado, com base nos princípios colocados pelo profeta Ezequiel, necessita acontecer em todas as instâncias da vida, desde as relações familiares, domésticas até as mais universais. Começando em casa, passando pela igreja, como instituição, e estendendo-se para as várias instâncias sociais e políticas (da associação de bairro à presidência da república). Necessita-se de seriedade, ética, cuidado e julgamentos sinceros e honestos. Somos desafiados e desafiadas a cultivarmos em nossa vida cotidiana este estilo de liderança cujo seja o pastor cuidadoso ou a pastora cuidadosa e o juiz ou juíza que julga com retidão e justiça.

Neste domingo, no qual completamos mais um ano da Igreja, celebramos a consumação e a plenitude do governo pastoral, justo e soberano.   Jesus Cristo, o bom pastor, aquele que julga com justiça, nos convida: “Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me” (Mt 25.34-36). Desta forma poderemos sentir o poder de Jesus neste mundo, ele será Cristo Rei, pois já não mais haverá pobreza, roubo, injustiça, violência contra vidas humanas, natureza e também a salvação não será mais mercadoria. A eternidade se mostra aqui e agora nos gestos de acolhimento, de amor, solidariedade, respeito e justiça. Encerro com a seguinte oração, escrita e reescrita em tempos de clamor por governos justos e cuidadosos assim como o anunciado pelo profeta Ezequiel.

Deus-Vida ,

Tu és vida Fonte de vida

Forças, ânimo e fé

Recebemos de ti

Abençoa nossas lutas

Por justiça e paz

Tira-nos da cruz

Ajuda-nos a lutar contra as cruzes de nosso mundo

Mostra-nos o bem viver

Ensina-nos a viver bem.

integrados/as e inter-relacionados/as

terra, ar, água, luz, plantas,

animais, seres humanos

na diversidade e na unicidade

Envolve-nos com o manto da justiça e da paz

Dá-nos cura e salvação.

Ajuda-nos a servir aos que têm fome e sede de justiça,

Dá que possamos dar acolhida aos estrangeiros e estrangeiras,

Migrantes e pobres.

Ensina-nos com o exemplo do pastor cuidadoso e do juiz reto e justo

Ajuda-nos com o teu Espírito

Espírito em movimento, que promove vida com paz e justiça. Amém!



Pa. voluntária Profa. Dra. Claudete Beise Ulrich
Vitória – Espírito Santo ( Brasil)
E-Mail: claudetebeiseulrich@hotmail.com

(zurück zum Seitenanfang)