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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

2º DOMINGO DE ADVENTO , 10.12.2017

Predigt zu Isaías 40:1-11, verfasst von Harald Malschitzky

Irmãs e irmãos em Cristo, comunidade do Senhor!

 

Profetas são personalidades vitais na Bíblia. Sua maioria aparece no Antigo Testamento, mas também João Batista e o próprio Jesus eram tidos como profetas. Sua atividade podia ser vitalícia, como é o caso dos grandes profetas Isaías, Jeremias e Ezequiel, por exemplo, que partilharam a vida e o destino de seu povo. No entanto, pode ser de apenas determinados períodos, que parece ter sido o caso de Amós. Nesse sentido, João Batista foi corretamente identificado como profeta com sua pregação forte contra abusos e desmandos dos poderosos, o que lhe custaria a cabeça em cima de uma bandeja. Em Jesus vamos encontrar os traços da pregação tipicamente profética do início ao fim. Critério para essa pregação é a vontade de Deus para o seu mundo e a sua humanidade, humanidade que precisa ser corrigida e criticada – duramente às vezes! – mas que precisa também de consolo, conselho, e direcionamento.

O texto bíblico sugerido para este segundo domingo de Advento é do profeta Isaías. Ouçamos de seu livro o capítulo 40. 1-11.

Isaías viveu em um tempo de opulência de governantes e líderes, acompanhado de um mundo de injustiças na vida e na convivência dos mais fracos, do povo em geral. Enquanto de um lado se celebrava o bem-estar também em belas celebrações de culto, de outro se amargava pobreza e desesperança. Lá fora outros países se agigantavam militarmente e iam conquistando territórios; num dado momento sitiaram também Jerusalém com um exército poderoso. Lá no horizonte não tão distante a Babilônia, o leão do Norte na expressão do profeta Jeremias, se armava para a grande ofensiva e já usava de meios diplomáticos para descobrir o que havia de poder e riqueza dentro de Jerusalém.

A mensagem de Isaías que ouvimos já acontece depois das ofensivas ao que restou em Jerusalém, justamente às pessoas com menos recursos e com menos condições de vida e sobrevivência. Será que a nova realidade não é comparável ao deserto? Que futuro essas pessoas podiam pensar para si e seus filhos?

A primeira incumbência que o profeta recebe é de consolar esse povo. O ato de consolar não apaga a dor num passe de mágica, mas dispõe a pessoa a ouvir, a dar atenção. Junto com o consolo a mensagem  de Deus de que o sofrimento já foi demais – é hora de recomeçar. Mas é um recomeço diferente, estranho até. Ele nada tem a ver com exércitos poderosos e armas de guerra... Deus vem pelo deserto e pela estepe, onde a rigor nem caminhos existem; morros deverão ser aplainados e vales  aterrados para que nada atrapalhe a visão e o horizonte a fim de  que se veja a glória de Deus. Sim, esta a primeira mensagem: Deus continua presente na vida lascada de quem sobrou em Jerusalém. Não só: Na nova paisagem sua glória será percebida em todos os recantos e por toda a humanidade e há um recado muito sério para essa humanidade: O ser humano é como a erva, como uma planta, que nasce, fica bonita e viçosa, mas um dia seca e morre. Duro recado principalmente para os poderosos do mundo que julgavam a si e aos seus impérios como eternos. Também os que agora causam tanto sofrimento, têm tempo limitado.  Somente a palavra a palavra de Deus, que é a mesma desde a criação, permanece para sempre. E esta palavra anuncia que Deus vem para salvar e dar perspectiva de vida e esperança a quem nada mais tinha. Como um pastor de ovelha, figura conhecidíssima na época, Deus junta as ovelhas e as mais frágeis carregará no colo!

A verdade é que nos séculos seguintes o sofrimento e as desgraças continuaram. Será que Isaías anunciou coisas erradas? Ter-se-á equivocado? Na verdade a palavra poderosa de Deus não silenciou, mas foi consolo e encorajamento em meio a guerras e disputas por poder de diversos países, quando, como sempre, os mais humildes acabavam pagando a conta. Mesmo espalhado, o povo se mantinha unido pelo laço da promessa e da palavra de Deus. E em dado momento, lá numa pequena e insignificante cidade, como todo o resto, sob o domínio dos romanos, nasce uma criança que estrangeiros (os magos do oriente) e pastores do campo (gente que era desprezada) identificam logo como o messias anunciado pelos profetas e que era a esperança do povo de Israel. E mais uma vez Deus usa os caminhos do “deserto e da estepe”: Ele se faz gente simples, longe dos palácios. Como o expressa o evangelista João: “A Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação de sua natureza divina, natureza que ele recebeu como Filho único do Pai” (Jo 1.14). Toda a vida de Jesus foi dar visibilidade concreta ao amor de Deus e ele o levou até às últimas consequências de morte na cruz, uma morte em lugar e a favor dos outros. Sem anular a morte e a cruz, Deus ressuscita seu Filho e o faz Senhor e Cristo.

Ateus, críticos, céticos e também nós, muitas vezes perguntamos se o amor de Deus – e quem sabe o próprio Deus – não se perdeu no emaranhado de maldades, ódio, guerra, injustiças, tantas vezes também patrocinados pelas próprias igrejas ou em nome de Cristo. Perguntas e questionamentos têm sua razão de ser, quem sabe mais ainda neste tempo de Advento quando há muito brilho e muitas luzes, quando o comércio espera grandes negócios e o turismo grande movimento, e se fecham os olhos para as desgraças por este mundo afora, a maioria provocada pelo próprio ser humano, por povos, grupos. Mas seríamos cegos se não percebêssemos quanto consolo, quanta esperança e quanta cura permeiam a nossa história através do empenho de pessoas tocadas pelo amor de  Deus e dele conscientes. Não sejamos injustos com as pessoas que colocaram e colocam toda a sua vida a serviço de Deus sem nada esperar para si mesmas. Lembrar este lado da realidade não é desrespeitar críticos e céticos, mas é fazer jus a outra dimensão;  também não é encobrir os pecados dos próprios cristãos e cristãs. Temos dívida, muita dívida em relação  a Deus e ao nosso semelhante.

Advento, a par de todo o brilho artificial, é o desafio para olharmos a amplitude do deserto e das estepes e vermos que ali tem gente amada por Deus e que precisa de nós. Que Deus não nos deixe ficar ofuscados pela luz artificial e pelo poder e nem dos dê sossego enquanto pessoas precisam de consolo e solidariedade. Amém



P. em Harald Malschitzky
São Leopoldo – RS (Brasil)
E-Mail: harald.malschitzky@gmail.com

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