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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

1ş DOMINGO APÓS NATAL – VÉSPERA DE ANO NOVO , 31.12.2017

Predigt zu Gálatas 4:4-7, verfasst von Joăo Artur Müller da Silva

Estimadas irmãs e irmãos da comunidade de Jesus Cristo, nosso Senhor!

 

            O domingo de hoje não se compara aos domingos passados. Ele tem uma aura diferente, ele está envolto num clima que só ele pode nos proporcionar. Ou seja, este domingo é o último dia de 2017! É o último domingo deste ano. Depois dele, amanhecem novos dias de um novo ano! E paira no ar um clima de festa, de comemoração, de alegria, de abraços, de sonhos... Ansiedade, agitação, animação e frenesi tomam conta das pessoas a cada minuto que passa, e a cada minuto que a tão esperada hora da virada se aproxima!

            Mesmo em meio a este clima de festa, estamos reunidos aqui na comunidade para ouvir a Palavra de Deus, para louvar e agradecer, para orar e interceder! E neste momento, talvez gostaríamos de ouvir apenas receitas de como começar um ano novo, ou de ouvir lindas mensagens para nos embalar em direção aos novos tempos que se aproximam, pois em poucas horas estaremos diante do novo!

            O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony ajuda-nos a ampliar nossos horizontes neste dia, tão fugaz, como os demais, mas tão diferente e tão mágico como nenhum outro domingo do ano. Ele diz: “Ano novo, vida velha. A vida é mais do que calendários, fusos ou órbita gravitacional.” E em razão disso, podemos embarcar neste domingo numa reflexão retrospectiva ao que foi celebrada dias atrás em nossa família, em nossa comunidade e na sociedade. E por ser a vida mais do que calendários, vamos olhar no espelho retrovisor e fazer algumas perguntas, que talvez, não serão feitas amanhã quando o novo ano se inicia com toda sua mística, com toda sua realidade, com todas nossas esperanças por dias melhores.

            Não fazem muitos dias que celebramos o Natal. Ele é um dos acontecimentos centrais da vida cristã. Da espiritualidade cristã. Não dá para imaginar comunidade cristã sem o Natal. O Natal de nosso Senhor Jesus Cristo é uma baliza fundamental na história de Deus com sua humanidade. Não tem como desconsiderar a importância, o valor e a relevância desta festa que a cristandade celebra a mais de dois mil anos. E por este motivo, algumas perguntas precisam ser feitas por nós:

            - Qual foi a novidade que o Natal trouxe para nós?

            - O que restou da comemoração do Natal em família e na comunidade?

            - O que cada pessoa, aqui presente, guardou para si do Natal comemorado?

            - Nestes tempos de 3G ou 4G, de velocidade cada vez maior, que resta para nossa vida depois de comemorar o Natal?

            O domingo de hoje além de ser véspera do ano novo, também é denominado de 1º Domingo após Natal. Então, nada mais indicado do que nos ocupar com o significado do Natal.

            O apóstolo Paulo quando escreve aos gálatas, às pessoas cristãs que viviam na Galácia, região hoje ocupada pela Turquia, fala de um tempo oportuno. Ele diz assim: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.” (Gálatas 4.4-5)

            Como sabemos, o nascimento de Jesus, em Belém, na distante Palestina, é aceito até hoje como um momento histórico que demarcou a trajetória da humanidade em dois tempos: um tempo antes de Cristo e outro tempo depois de Cristo. Tal é a importância da chegada da “plenitude do tempo” quando Deus, nosso Senhor veio visitar a humanidade, o mundo, numa criança nascida de mulher, com família. O evento da encarnação, da epifania de Deus no mundo, inaugurou não somente um novo tempo, mas sobretudo um novo sentido e uma nova razão de viver para as pessoas criadas e amadas por Deus.

            E no anúncio do apóstolo Paulo, ele nos confronta com um presente valioso que está contido no Natal de Jesus Cristo. A saber, somos adotados por Deus como seus filhos, como suas filhas. Talvez a gente não compreenda bem o que significa “adoção”; talvez não compreendemos o sentido de ser adotado por alguém; talvez ainda, temos preconceitos com esta atitude, ou com pessoas que são adotadas por famílias. Porque para nós vale muito nascer dentro de uma família. Laços de sangue são muito valorizados. Mas laços de amor, de ternura, de aceitação, muitas vezes, só valem para pessoas de uma mesma família. A família que adota crianças ou jovens estende estes laços de amor para pessoas que não nasceram em sua família. E agora, pelo testemunho do apóstolo Paulo, estamos diante de uma declaração que nos inclui numa família, não por laços de sangue, mas por laços de amor, e de um amor incondicional!

            O que significa “adoção”? O que representa a atitude de “adotar”? A adoção e atitude de adotar implicam em oferecer um lar para quem não o tem; significa conceder ao adotado a qualidade de filho ou filha e de lhe possibilitar chamar pelo pai e pela mãe; significa estar incluído numa rede de cuidado, de amparo e proteção tão necessária para quem é órfão, para quem está sozinho, desamparado.

            A adoção por parte de Deus é um consolo para nós e ao mesmo tempo um compromisso de viver numa família com muitos irmãos e irmãs neste mundo. Quando aceitamos que Jesus, além de Senhor e Salvador, é também nosso irmão, se descortina à nossa frente uma realidade diferente e nova a partir de critérios da fé, da graça e do amor de Deus. O pastor e teólogo Gottfried Brakemeier aprofunda esta noção quando declara: “Deus quer que sejamos e vivamos como seus filhos. O efeito do Natal não consiste numa transformação mágica de nossa realidade, mas na oferta de uma nova dignidade, a da filiação.”

            Será que nós nos consideramos adotados por Deus? Aceitamos ser adotados por Deus? Ou queremos seguir nossos próprios caminhos e em termos bíblicos, continuar a viver debaixo da lei? E não são poucas as leis que querem nos governar e conduzir nossa vida, também hoje nos tempos atuais. Basta mencionar a lei do consumismo desenfreado; a lei de levar vantagem em tudo que se faz como profissional de qualquer área do conhecimento; a lei da sacanagem que despreza e humilha as pessoas com as quais a gente se relaciona. Sem falar na lei do individualismo tão em alta e tão badalada e com promessas de felicidade e realização nunca antes tão alardeadas.

            Para os gálatas o anúncio do apóstolo Paulo tem gosto especial de receber uma dignidade perdida. Tem gosto de serem aceitos e valorizados por quem os adota como povo, como família e os faz encarar a vida na perspectiva da vontade de Deus. E sobretudo, podendo balbuciar a palavra que uma pequena criança usa quando precisa de ajuda: Aba, Pai!

            E não são poucos os momentos em que estamos necessitando de ajuda, de orientação, de apoio, de luz, de um caminho a seguir, ao invés de prosseguir num atalho que leva ao fracasso, à degeneração, à desgraça e ao aviltamento do ser humano. E na condição de filhos e filhas adotadas podemos balbuciar: Aba, Pai, me ajuda! Ou podemos do fundo do nosso desespero gritar: Aba, Pai, me socorre! Ou ainda, em plena alegria de vida, orar: Aba, Pai, obrigado por tudo que tenho e sou!

            Como estamos às vésperas de um novo tempo, de um novo ano, como faz bem ouvir este anúncio do apóstolo Paulo: você é filho adotivo de Deus e não tem porque temer o que vem pela frente! Você é filha adotiva de Deus e não tem porque temer o novo ano que está prestes a ser celebrado na virada desta noite! Ele, o Pai de todos nós, cuidará das nossas vidas no novo ano!

            O anúncio do apóstolo Paulo aos gálatas ainda traz outra novidade. E das boas: eles são herdeiros de Deus! Ele diz em Gálatas 4.7: Assim, você já não é mais escravo, porém filho; e, sendo filho, também é herdeiro por Deus. Mas, afinal, qual o sentido de ser herdeiro de Deus, a quem a gente não vê? Qual o significado de ser herdeiro de Deus, de quem afirmamos que tudo a ele pertence? Qual é a herança que está em jogo neste anúncio do apóstolo Paulo?

            Da nossa realidade humana, ser herdeiro é muitas vezes entrar num processo de desgaste familiar por causa das propriedades, da fortuna, de quem herdamos uma parte. Sabemos da nossa realidade que herdeiros nem sempre se entendem na hora da partilha, na hora da repartição de casas, apartamentos e valores em dinheiro. E muitos herdeiros abrem mão de sua parte para o bem dos demais e para evitar brigas, dissabores e inimizade na família. Essa é a nossa realidade!

            Como então, acolher este anúncio de que somos herdeiros e herdeiras de Deus? Aqui neste contexto, ser herdeiro de Deus é ter compromisso em viver conforme a vontade de Deus, expressa de várias maneiras no Evangelho! Ser herdeiros também nos leva a ultrapassar o conceito desta vida em direção à vida depois da morte, a tão prometida vida eterna! É assim que também em cada culto confessamos em alto e bom tom: Creio no Espírito Santo, na santa Igreja cristã, a comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém. E Martim Lutero, na parte final da explicação deste terceiro artigo do Credo Apostólico, reafirma para nós: E, no último dia, ressuscitará a mim e a todos os mortos e dará a vida eterna a mim e a todas as pessoas que creem em Cristo. Isto é certamente verdade.

            O que fazemos com a herança de Deus, isso também nos compromete! Esbanjar e poluir o meio ambiente, obra da criação de Deus, nossa herança, nos compromete e nos faz pensar como estamos lidando com um bem recebido de Deus! Confiar em outros deuses para garantir nossa passagem pela morte, também nos compromete. Como bem diz o povo: “Vamos acender uma vela pra cada santo pra garantir um lugar no céu”! Isso pode nos comprometer na hora “H”! Portanto, vai um alerta para nós, hoje: vamos ficar firmes na confiança em Deus, o Senhor sobre a vida e a morte no que vem!

            Com este anúncio do apóstolo Paulo neste último dia do ano, podemos nos sentir seguros e felizes para entrar bem no novo ano! Sabedores de que não somos ou não estamos órfãos neste mundo, mas que Deus, por Jesus Cristo, nos adota como filhos e filhas dele, podemos sorrir e confiar nele para viver o dia a dia no novo ano. Sabedores que somos herdeiros e herdeiras de Deus nos leva a encarar o novo ano como oportunidade para cuidar da herança que recebemos dele. E assim, o novo ano é tempo para cuidar do meio ambiente, das relações sociais e familiares da grande família de Deus e promover o bem-estar ao nosso redor. Ah, como será diferente o mundo em 2018, se todas as pessoas se considerem filhos e filhas de Deus, e se todas as pessoas se amem como Deus nos amou em Cristo, e se todas as pessoas se respeitem como filhos e filhas de Deus! Ah, como será bom se pudermos entrar no novo ano com este compromisso, com esta disposição amparada no Evangelho que promove vida e salvação! Neste sentido, desejo a vocês feliz Ano Novo, com as bênçãos de Deus, que nos ama, nos acolhe e nos adota como sua família! Amém!



Joăo Artur Müller da Silva
Săo Leopoldo – RS (Brasil)
E-Mail: jocadasilva@hotmail.com

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