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ISSN 2195-3171





Göttinger Predigten im Internet hg. von U. Nembach

4º Domingo na Quaresma , 11.03.2018

Predigt zu João 3:14-21, verfasst von Osmar Luiz Witt

Oração: Deus, fonte de entendimento! Agradecemos que nos concedes este tempo para ouvirmos e meditarmos num texto das Sagradas Escrituras. Abençoa, com teu Espírito Santo, a pregação da tua Palavra entre nós. Oramos em nome de Jesus, amém.

 

Estimada comunidade de Jesus Cristo!

 

A passagem bíblica que ouvimos está na sequência daquela que apresenta uma diálogo entre Jesus e um mestre de Israel chamado Nicodemos. Naquele diálogo, primeiro, Jesus confronta Nicodemos com a mensagem do novo nascimento no Espírito Santo, remetendo ao Batismo como a porta de entrada para o Reino de Deus: "Em verdade, em verdade te digo: quem não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no Reino de Deus." (3. 5) Na sequencia da conversa, introduz-se o tema da cruz, o qual situa esta passagem no tempo da Quaresma em que nos encontramos.

 

Jesus lê as Escrituras Sagradas e as relaciona com sua missão neste mundo, afirmando: "Como Moisés levantou a serpente no deserto." (14a) Em que situação e com que finalidade Moisés levantou a serpente no deserto? Lê-se em Números 21. 4-9, que, quando na luta pela terra prometida começou a enfrentar dificuldades, o povo reclamou contra Deus e contra Moisés. A falta de perseverança e a ingratidão foi castigada com serpentes que atacaram as pessoas no deserto.  Atendendo ao pedido de socorro, Deus interveio ordenando que Moisés fizesse uma serpente de metal e a colocasse no alto de um poste. Quem olhasse para a serpente não morreria. A comparação entre a serpente de metal e a cruz de Jesus não é plena, mas, ele afirma que "é necessário que seja levantado o Filho do Homem", para que toda a pessoa que nele crer seja curada, isto é, salva.

 

A presença desta serpente na caminhada do povo de Israel poderia propiciar uma interessante reflexão sobre aceitação e inclusão da outra pessoa que professa uma outra fé religiosa. Vejam: a proibição do uso e da adoração de imagens, claramente afirmada no primeiro mandamento do decálogo, não estaria em tensão com esta imagem da serpente? Também no Templo em Jerusalém encontrava-se esta imagem, e sua presença incomodou pessoas zelosas como o rei Ezequias, sobre quem se diz que ele promoveu uma reforma religiosa e "removeu os altos, quebrou as colunas e deitou abaixo o poste-ídolo; e fez em pedaços a serpente que Moisés fizera" (1 Reis 18.4). Sabe-se que a serpente estava associada a cultos religiosos em algumas regiões orientais e parece ter ocupado um lugar na religiosidade popular de Israel também. Aliás, não deixa de ser interessante que a serpente seja usada como símbolo na medicina até hoje. Sua imagem está associada à cura e é usada como uma forma de afastar desgraças. Jesus não demoniza o uso da imagem, pelo contrário, faz uso dela para falar de sua missão. Algo parecido fez o apóstolo Paulo, quando de sua passagem por Atenas: combateu a idolatria e a adoração de imagens, mas também incorporou em sua mensagem o altar ao Deus desconhecido, com o qual identificou a mensagem do Evangelho de Jesus (Atos 17). Buscar pontos de contato e de diálogo com outras pessoas que professam uma fé diferente não é o mesmo que negar a própria fé. Mas, ter respeito e demonstrar amor e acolhimento. E quem sabe, dar-se conta de que sempre precisamos, também nós, de elementos visuais e palpáveis para dar testemunho daquilo que nos toca e anima e que está além da nossa capacidade de traduzir em palavras. A Bíblia, o Batismo e a Ceia do Senhor são algo muito concreto com o que alimentamos a fé que ultrapassa o nosso entendimento. Então, em lugar de logo enxergar idolatria nos outros, assumamos uma postura amorosa e acolhedora e busquemos compreender e dar nosso testemunho.

 

Um segundo tema, coração deste texto, acentua que Deus trabalha para salvar as pessoas que criou. Jesus aponta para a cruz que está em seu caminho, pois, através dela Deus manifesta seu amor pelo mundo e sua graça em benefício de todas as pessoas que nele confiam. O Filho do Homem, Jesus, será "levantado", como a serpente no poste, "para que toda a pessoa que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna" (v. 16). O verbo "levantar" empregado pelo evangelista João, pode ser entendido tanto no sentido de erguer, quanto no de exaltar. A crucificação de Jesus é também o caminho de sua exaltação, do reconhecimento de sua filiação divina, de sua glorificação. O crucificado, ao ser levantado, nos faz dirigir o olhar para o alto, de onde vem a nossa salvação. A memória do Salmo 121 é espontânea: "Elevo meu olhos para os montes e me pergunto: de onde virá o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra." Mais uma vez, o paralelo com a imagem da serpente no alto de uma estaca é significativo, pois, nos recorda que o socorro é Deus mesmo quem providencia!

 

Um terceiro aspecto interessante desta passagem de João é também algo que caracteriza o seu evangelho todo: os dualismos que apresentam a vida como ela é. Ele escreve sobre fé e incredulidade, sobre salvação e julgamento, sobre luz e escuridão, sobre verdade e maldade. Essas dualidades mostram que a existência humana não é um caminho plano, sem obstáculos. A gente gostaria de ter firmeza na fé, mas, para sermos honestos conosco, temos de admitir que a incredulidade nos acompanha. Há dias em que nos sentimos pessoas seguras, fortes, mas há outros em que somente podemos pedir como o homem que se aproximou de Jesus para pedir a cura do filho: "Senhor eu creio, ajuda-me na minha falta de fé." (Marcos 9.24) Assim também, que há em nossos corações e no mundo em nossa volta mais disposição para a escuridão do que para a luz, mais disposição para a maldade do que para a verdade, talvez nem seja necessário argumentar. Experimentamos tempo de escuridão, de estreitamento das liberdades de manifestação, de violências sem sentido, de corrupções generalizadas que estimulam o descrédito com a política, tempo de guerras  promovidas em nome de interesses econômicos de grandes corporações e de nações poderosas, tempo de informações distorcidas para atenderem a interesses não confessados - não importa a verdade e sim a versão que se quer impor à sociedade, tempo de medos e angústias pelo que será de nosso país e do mundo que nos abriga, tempo de devastações ambientais que promovem a destruição de nossa casa comum. É para dentro de um mundo de escuridão que o evangelho nos convida a seguir e confiar na luz e na verdade. A fé convida-nos a olhar para o alto e pedir auxílio daquele que é o autor da fé, tal como se pode ler em Hebreus 12.2: "Conservemos os nossos olhos fixos em Jesus, pois é por meio dele que a nossa fé começa, e é ele que a aperfeiçoa. Ele não deixou que a cruz fizesse com que ele desistisse..." Preservemos nossos olhares voltados para o autor de nossa fé, Jesus!

 

O Evangelho deste domingo é um convite para dirigirmos nossos olhares para a Cruz de Jesus: nela nos encontra a graça, a luz, a verdade que nos capacitam a sermos diferentes e a fazermos a diferença, pois, "as pessoas que vivem de acordo com a verdade procuram a luz, a fim de que possa ser visto claramente que as suas ações são feitas de acordo com a vontade de Deus." (v. 21)

 

"E a paz de Deus, que é maior do que o nosso entendimento, guardará vossas mentes e corações em Cristo Jesus." Amém.



P. Osmar Luiz Witt
São Leopoldo, Brasil
E-Mail: olwitt@est.edu.br

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