{"id":10003,"date":"2021-02-07T19:49:41","date_gmt":"2021-02-07T19:49:41","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10003"},"modified":"2022-10-03T17:28:43","modified_gmt":"2022-10-03T15:28:43","slug":"lucas-10-1-12-16-17-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/lucas-10-1-12-16-17-20\/","title":{"rendered":"Lucas 10.1-12, 16 (17-20)"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<p><strong>A tarefa dos disc\u00edpulos de Jesus <\/strong><\/p>\n<p>Nem sempre \u00e9 simples dizer-se o por qu\u00ea de algu\u00e9m se alinhar aos seguidores de Jesus. O texto que temos diante de n\u00f3s desenha um quadro de v\u00e1rias facetas ou matizes. Vamos alinhar alguns que se destacam:<\/p>\n<p><em> V\u00e3o como predecessores de Jesus.<br \/>\n<\/em> Jesus decide enviar os seus seguidores como aqueles que o precedem e, por assim dizer, preparam a sua chegada a cada lugar onde ele estaria. Isso n\u00e3o \u00e9 novo. Jo\u00e3o Batista \u00e9 o modelo mais conhecido de um predecessor. \u00c9 interessante observar que um seguidor n\u00e3o \u00e9 somente um seguidor. \u00c9 ao mesmo tempo um predecessor, aquele que prepara a chegada daquele de quem se diz seguidor.<br \/>\nJesus acabara de aparentemente dissuadir pessoas que estavam dispostas a segui-lo. Jesus apresenta obst\u00e1culos aos que estavam decididos a segui-lo. Jesus dera a entender que segui-lo demandaria qualidades ou virtudes nem sempre t\u00e3o \u00f3bvias a quem se disp\u00f5e a segui-lo, porque, talvez n\u00e3o se imaginam as dificuldades que podem estar \u00e0 espreita de quem segue Jesus como seu l\u00edder.<br \/>\nUm seguidor, pressup\u00f5e-se que tenha sempre a aten\u00e7\u00e3o voltada para a frente, para o seu l\u00edder. E um predecessor, um abre-alas? Para onde deve olhar? Para o seu l\u00edder? Mas o seu l\u00edder n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 sua frente. Para onde olhar quando se \u00e9 o abre-alas do l\u00edder?<\/p>\n<p><em> Os desafios.<br \/>\n<\/em> Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 frente! \u00c9 um sinal bastante comum na sinaliza\u00e7\u00e3o das estradas pelo mundo a fora. Curvas, perigo, estrada com problemas, precip\u00edcios s\u00e3o motivo para que a estrada seja bem sinalizada. Algu\u00e9m esteve l\u00e1 antes e sinalizou para quem vem atr\u00e1s.<br \/>\nInteressante que o evangelista diz que os disc\u00edpulos foram enviados como predecessores (10.1), mas Jesus est\u00e1 o tempo todo sinalizando os perigos e desafios que esperam pelos disc\u00edpulos \u00e0 frente.<br \/>\nAten\u00e7\u00e3o \u00e0 frente! Sinais de perigo. Advert\u00eancia. Jesus fala como algu\u00e9m que j\u00e1 esteve l\u00e1, conhece o caminho e seus perigos e agora envia os seus seguidores. Ele dissera isso no momento que tivera antes com aqueles que desejavam segui-lo: O Filho do Homem n\u00e3o tem onde reclinar a cabe\u00e7a. Conforto (9.58), la\u00e7os familiares (9.60) e indecis\u00f5es (9.62), atitudes de quem olha para tr\u00e1s no momento do perigo, n\u00e3o s\u00e3o qualificativos para os seguidores de Jesus.<br \/>\nSeguidores que olham para a frente diante dos desafios s\u00e3o predecessores. Falta algo aos que, diante do desafio, olham para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><em> A urg\u00eancia<br \/>\n<\/em> Viaje leve! H\u00e1 pessoas que quando se preparam para uma viagem procuram antecipar todos os poss\u00edveis problemas que possam surgir. Faz lembrar a hist\u00f3ria daquele que procurou se prevenir contra poss\u00edveis doen\u00e7as da regi\u00e3o para onde estava em viagem. Levou consigo tantos litros de \u00e1gua quantos os dias que l\u00e1 permaneceria. Na primeira refei\u00e7\u00e3o, munido da sua \u00e1gua, viu, na mesa vizinha a mesma \u00e1gua sendo servida.<br \/>\nCarregar peso in\u00fatil \u00e9 um entrave e atraso para quem \u00e9 enviado por Jesus.<br \/>\nN\u00e3o carreguem peso desnecess\u00e1rio. O quadro que Jesus descreve n\u00e3o \u00e9 animador.<br \/>\nVoc\u00eas est\u00e3o em inferioridade num\u00e9rica e com falta de pessoal. Jesus esteve l\u00e1 e viu o quadro e agora o descreve. Modernos planejadores esperariam de Jesus pelo menos alguma sugest\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o desta dificuldade. Jesus se limita a descrever o quadro.<br \/>\nAl\u00e9m da absoluta falta de pessoal, a oposi\u00e7\u00e3o que v\u00e3o enfrentar \u00e9 terr\u00edvel: como se fossem ovelhas enfrentando lobos. N\u00e3o muito diferente de Mois\u00e9s quando ouviu o relato dos espias que voltaram com relatos fant\u00e1sticos sobre gigantes a enfrentar durante a poss\u00edvel ocupa\u00e7\u00e3o da terra prometida. O povo de Deus, aqueles que anunciam paz, aqueles que preparam a nova ordem no mundo, s\u00e3o poucos e fr\u00e1geis diante do desafio que os espera.<br \/>\nN\u00e3o se deixem distrair. Mantenham o foco. N\u00e3o se desviem do objetivo. Cortesia demais podem ser desvios e atrasos que se interp\u00f5e \u00e0 miss\u00e3o. Talvez Jesus lembrasse intensamente as gentilezas de que Satan\u00e1s o cobriu no deserto. Que tal conversarmos sobre as condi\u00e7\u00f5es sub-humanas a que est\u00e1s sujeito. Fome? Para que essa fome? Por que n\u00e3o come\u00e7ar com um minist\u00e9rio de sucesso em Jerusal\u00e9m? Jos\u00e9, Maria, Nazar\u00e9? Que curr\u00edculo \u00e9 este para um Rabi com voca\u00e7\u00f5es e planos t\u00e3o elevados? Se o objetivo \u00e9 o mundo, por que aceitar as limita\u00e7\u00f5es que est\u00e3o sendo impostas?<\/p>\n<p><em> O foco da tarefa<br \/>\n<\/em> Antes de tudo, PAZ. (v.5) Saberiam os disc\u00edpulos, num primeiro momento, que paz era esta? Lucas insere este relato num contexto mais amplo de disc\u00edpulos. Mateus lembra este relato no contexto dos doze (Mt 10) logo ap\u00f3s a escolha dos doze. Lucas o insere na seq\u00fc\u00eancia da disputa dos doze quanto aos lugares de honra no novo reino que vislumbravam em Jesus. Mateus acrescenta a observa\u00e7\u00e3o de Jesus: \u201cde prefer\u00eancia buscai as ovelhas perdidas da casa de Israel.\u201d<br \/>\nOs setenta v\u00eaem-se enviados \u00e0s aldeias da periferia de Jud\u00e1, nas aldeias e cidades da Galil\u00e9ia. Enquanto os disc\u00edpulos se questionavam sobre os cargos elevados e buscavam auto-apascentar-se, (9.46-48) Jesus ainda assim os envia como seus seguidores e predecessores de sua confian\u00e7a. O que se espera de um disc\u00edpulo n\u00e3o \u00e9 mais do que isso. A mensagem n\u00e3o \u00e9 dele. A tarefa n\u00e3o \u00e9 dele. A ele cabe identificar a aldeia, a cidade, o lugar dos perdidos, dos que n\u00e3o tem reino, nem identidade e nem paz. Aqueles que n\u00e3o s\u00e3o mais procurados por mensageiros do Reino. \u201cOvelhas perdidas\u201d que n\u00e3o mais s\u00e3o contadas como parte do rebanho. Meros d\u00edgitos na estat\u00edstica nos macro-relat\u00f3rios e planejamentos.<br \/>\nEles s\u00e3o o foco da tarefa. Digam a eles que chegou a PAZ. Essa paz \u00e9 o reino de Deus que chegou para voc\u00eas. Agora s\u00e3o cidad\u00e3os do reino de Deus aqueles que at\u00e9 n\u00e3o eram mais do que d\u00edgitos da estat\u00edstica, pequenos demais para figurar entre os que se auto-apascentavam como do reino.<\/p>\n<p><em> A tarefa.<br \/>\n<\/em> Permane\u00e7am, participem, confirmem, ajudem. N\u00e3o \u00e9 a linguagem do conquistador, daquele que vai derrotar e destruir. \u00c9 linguagem de quem vai estar ao lado, estar junto, conviver com os que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o eram procurados. \u00c9 linguagem que ofende Satan\u00e1s no deserto. Linguagem que ofende Pedro: \u201cSenhor, isto nunca te aconte\u00e7a.\u201d \u00c9 linguagem da cruz e do sacrif\u00edcio. \u00c9 a linguagem do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo e oferece a paz.<br \/>\n\u201cPara que fique cheia a minha casa\u201d \u00e9 a vis\u00e3o que Jesus passa aos disc\u00edpulos na par\u00e1bola da grande ceia. Aqueles que a si mesmo se consideram justos n\u00e3o se sentem bem em partilhar o reino com os perdidos da casa de Israel e de todas as casas que ao longo da hist\u00f3ria perderam de vista que seguidor e predecessor s\u00e3o, na verdade, a mesma coisa. Fomos chamados para viver ao lado de Cristo exatamente porque est\u00e1vamos sem credenciais pr\u00f3prias de quem aspira o reino de Deus. Agora somos enviados sem outra credencial sen\u00e3o aquela palavra: Ide como cordeiros para o meio dos lobos. Esta credencial \u00e9 tudo que temos.<br \/>\nEla tem nada a ver com o que o mundo espera de quem vem em nome de Deus. Aparentemente nada temos a fazer e oferecer. A n\u00e3o se, como Paulo o expressa aos G\u00e1latas: \u201cSejam carregadores de da carga alheia\u201d. Tenham o esp\u00edrito de um carregador de cargas. Ajudem as pessoas que ainda n\u00e3o se desfizeram do excesso de bagagem, que ainda sofrem sob grandes fardos de culpa, de rejei\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTalvez algu\u00e9m se lembre de quem lhe carregou as malas algum dia. Mas, em geral, s\u00e3o figuras apagadas e an\u00f4nimas. S\u00e3o tarefas ingl\u00f3rias, muitas vezes. Nem sempre seguidas de gratid\u00e3o.<\/p>\n<p><em> A recompensa.<br \/>\n<\/em> Ent\u00e3o? Para que tudo isso?<br \/>\nAlegrem-se, porque os vossos nomes est\u00e3o arrolados nos c\u00e9us.<br \/>\nPensando bem, Jesus est\u00e1 super-estimando os desafios, o perigo, a rejei\u00e7\u00e3o. Ele parece estar dizendo que n\u00e3o h\u00e1 alegria a n\u00e3o ser a recompensa nos c\u00e9us.<br \/>\nBem, n\u00e3o sei. Penso que Jesus est\u00e1 deixando a quest\u00e3o da recompensa ao nosso pr\u00f3prio crit\u00e9rio e julgamento. Somos predecessores, mas de que? Do Reino. Somos a cara do reino de Deus para o mundo. O Reino veio at\u00e9 n\u00f3s. Algu\u00e9m carrega a nossa carga. Algu\u00e9m est\u00e1 ao nosso lado com a nossa carga, os nossos excessos de bagagem.<br \/>\nGeralmente pensamos o reino de forma institucional, eclesi\u00e1stica. Jesus parece pensar de maneira mais ampla quando pergunta ao int\u00e9rprete da lei: Quem \u00e9 o pr\u00f3ximo daquele que foi assaltado? (Lc 10.25 ss.) A recompensa n\u00e3o est\u00e1 no nosso futuro. A recompensa est\u00e1 no nosso passado como bem reconheceu o filho pr\u00f3digo quando lembrou o que tinha perdido.<br \/>\nA recompensa que nos mant\u00e9m focados est\u00e1 sempre presente, aproximando o futuro e o passado no presente glorioso: Tu \u00e9s meu. Aquilo que nos fez seguidores \u00e9 tamb\u00e9m o que nos converte em predecessores do Reino para aqueles que ainda n\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m o que nos mant\u00e9m solid\u00e1rios e unidos ao povo de Deus: Jesus, aquele que nos incluiu no rol dos seus.<\/p>\n<p class=\"Stil4\">Paulo P. Weirich<br \/>\nIgreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\nS\u00e3o Leopoldo, RS &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"mailto:weirich@ulbranet.com.br\">weirich@ulbranet.com.br<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tarefa dos disc\u00edpulos de Jesus Nem sempre \u00e9 simples dizer-se o por qu\u00ea de algu\u00e9m se alinhar aos seguidores de Jesus. O texto que temos diante de n\u00f3s desenha um quadro de v\u00e1rias facetas ou matizes. Vamos alinhar alguns que se destacam: V\u00e3o como predecessores de Jesus. 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