{"id":10095,"date":"2021-02-07T19:49:32","date_gmt":"2021-02-07T19:49:32","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10095"},"modified":"2022-10-22T14:52:04","modified_gmt":"2022-10-22T12:52:04","slug":"lucas-151-10-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/lucas-151-10-2\/","title":{"rendered":"Lucas 15:1-10"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<div>\n<div align=\"left\">\n<p>Lc 15. 1-10<br \/>\nA par\u00e1bola da ovelha perdida<br \/>\nTema: A alegria de Deus<\/p>\n<p>Perder e achar, ang\u00fastia e alegria.<br \/>\nCrian\u00e7as pequenas facilmente desviam-se dos pais em aglomera\u00e7\u00f5es<br \/>\np\u00fablicas. Quem j\u00e1 n\u00e3o ouviu avisos passados<br \/>\npelo sistema de som de algum centro comercial ou grande supermercado<br \/>\nnesse sentido? Entretanto, quem j\u00e1 passou pela experi\u00eancia<br \/>\nde perder algu\u00e9m ou algo que lhe \u00e9 precioso, n\u00e3o<br \/>\nrecorda com alegria a ang\u00fastia que tais momentos acarretam.<\/p>\n<p>A ang\u00fastia da perda parece dimensionar-se na raz\u00e3o<br \/>\ninversa do sentimento de alegria que toma conta de quem encontra<br \/>\naquilo que perdeu. Paradoxalmente, as maiores alegrias que lembramos<br \/>\nest\u00e3o ligadas a momentos de grandes ang\u00fastias.<\/p>\n<p>Assim Jesus revela aos fariseus que est\u00e3o diante dele aquilo<br \/>\nque ele, Jesus, sente no seu \u00edntimo enquanto eles o recriminam<br \/>\nnaquilo que vem fazendo. Falando dessa maneira Jesus tamb\u00e9m<br \/>\nparece indicar a dimens\u00e3o que o separa dos fariseus e dos<br \/>\nescribas. Jesus revela nessa seq\u00fc\u00eancia de par\u00e1bolas<br \/>\naquilo que motiva a mais plena alegria em Deus, aquilo que deixa<br \/>\nDeus plenamente satisfeito.<\/p>\n<p>Responsabilidade da perda.<\/p>\n<p>\u00c9 importante notar o contexto que Lucas recorda para as<br \/>\npar\u00e1bolas que se seguem. Os fariseus e os escribas det\u00eam<br \/>\no ensino b\u00edblico da religi\u00e3o em Jerusal\u00e9m para<br \/>\ntodo o povo. A sua pr\u00e1tica pastoral estava bem definida e<br \/>\nera criteriosamente aplicada. Eles faziam tudo e mais alguma coisa<br \/>\npara dar a Deus motivos de estar plenamente feliz com aquilo que<br \/>\nfaziam e ensinavam.<\/p>\n<p>N\u00e3o era Deus a fonte de todas as coisas boas? N\u00e3o<br \/>\nmerecia Deus o melhor culto, a mais perfeita obedi\u00eancia, a<br \/>\nmais dedicada adora\u00e7\u00e3o por tudo que faz pelos seus<br \/>\ncrentes e tamb\u00e9m por todas as pessoas?<\/p>\n<p>Por essa raz\u00e3o examinavam e expunham as Escrituras cuidadosamente.<br \/>\nDedicavam suas vidas a ensinar ao povo suas descobertas de como<br \/>\nse deve viver para que Deus possa ter plena satisfa\u00e7\u00e3o<br \/>\ne alegria pelos seus crentes. N\u00e3o somente ensinavam. Suas<br \/>\nvidas eram coerentes com o seu ensino. Cumpriam com zelo extremo<br \/>\naquilo que ensinavam.<\/p>\n<p>Com o mesmo zelo repudiavam aquelas pessoas cujas vidas contrariavam<br \/>\no ensino da igreja. Pessoas essas cuja vida pessoal denegria e manchava<br \/>\na imagem da religi\u00e3o que deveria ser exemplar. Obviamente<br \/>\nlhes causava pena ver pessoas n\u00e3o estarem \u00e0 altura<br \/>\ndaquilo que delas se podia esperar minimamente. Mas era necess\u00e1rio<br \/>\ne para o bem dessas pessoas que elas fossem afastadas do conv\u00edvio<br \/>\ndaquelas que eram fi\u00e9is aos princ\u00edpios e mantinham<br \/>\nvida exemplar.<\/p>\n<p>Ultimamente os escribas e fariseus estavam perturbados. Um Rab\u00ed,<br \/>\nde nome Jesus, estava indo ao encontro dessas pessoas. E mais. Ele<br \/>\nas acolhia sem restri\u00e7\u00f5es, contrariando frontalmente<br \/>\na pr\u00e1tica deles. Inaceit\u00e1vel. Era o m\u00ednimo<br \/>\nque se podia dizer dessa pr\u00e1tica de Jesus. Lucas registra<br \/>\nessa contrariedade. E indica que as par\u00e1bolas que seguem<br \/>\ns\u00e3o a resposta de Jesus \u00e0 contrariedade dos fariseus.<\/p>\n<p>Uma vez que Lucas nos mostra esses pressupostos, podemos ver o<br \/>\nque a par\u00e1bola estabelece.<\/p>\n<p>A ovelha n\u00e3o tem como retornar se algu\u00e9m n\u00e3o<br \/>\nprocurar indefinidamente at\u00e9 ach\u00e1-la, n\u00e3o importa<br \/>\no tempo e os esfor\u00e7os que isso demande. O pastor n\u00e3o<br \/>\nest\u00e1 contrariado com a ovelha. A ovelha n\u00e3o est\u00e1<br \/>\ncom o rebanho. Ela, ent\u00e3o, \u00e9 a prioridade absoluta<br \/>\ne a preocupa\u00e7\u00e3o de toda a aldeia. Todos sentem a ang\u00fastia<br \/>\nda perda. Todos est\u00e3o comprometidos em traz\u00ea-la de<br \/>\nvolta. Ningu\u00e9m est\u00e1 indiferente ao que possa estar<br \/>\nacontecendo.<\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a dos fariseus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0<br \/>\nsitua\u00e7\u00e3o em que se encontram aqueles que eles declararam<br \/>\nperdidos \u00e9 o foco da par\u00e1bola. N\u00e3o me parece<br \/>\nfora de prop\u00f3sito lan\u00e7ar sobre as igrejas de hoje<br \/>\ne sobre n\u00f3s, mestres e pastores na igreja, a pergunta que<br \/>\nqueima: Em que contexto estamos n\u00f3s? Com que atitude tomamos<br \/>\nconhecimento que pessoas est\u00e3o sendo contadas como desgarradas<br \/>\ndo rebanho, enredadas em situa\u00e7\u00f5es conden\u00e1veis?<br \/>\nEsse fato nos afasta ou nos aproxima dessas pessoas?<\/p>\n<p>A par\u00e1bola tem o seu eixo determinado pelo fato de a ovelha<br \/>\nestar perdida. Esse fato instala uma situa\u00e7\u00e3o de crise<br \/>\naguda. Assim como a m\u00e3e ou o pai larga tudo quando perde<br \/>\nde vista um filho na multid\u00e3o, a aldeia e o pastor largam<br \/>\ntudo que n\u00e3o concorra para o esfor\u00e7o de encontrar<br \/>\ne trazer de volta a ovelha.<\/p>\n<p>Os fariseus e escribas estavam engessados nos seus rituais de religi\u00e3o,<br \/>\ncom regras fixas de execu\u00e7\u00e3o dos mesmos, regras fixas<br \/>\nsobre o perfil e do papel de cada um nesse ritual. N\u00e3o havia<br \/>\nespa\u00e7o para quem se aproximasse sem estar enquadrado, sem<br \/>\no perfil para estar nesses rituais elaborados e fixados atrav\u00e9s<br \/>\ndos s\u00e9culos.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a perdida, a ovelha perdida, a pessoa que est\u00e1<br \/>\nfora do raio de a\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o, essa<br \/>\n\u00e9 a regra. E n\u00e3o existe outra regra. Ela \u00e9<br \/>\no eixo da religi\u00e3o tal como Jesus a entende e pratica.<\/p>\n<p>N\u00e3o praticar essa regra, n\u00e3o sentir essa ang\u00fastia<br \/>\nda perda, estar fixado sobre um eixo que n\u00e3o contemple essa<br \/>\nrealidade, acaba por deixar Jesus na oposi\u00e7\u00e3o e os<br \/>\nfariseus a recrimin\u00e1-lo. Jesus assume essa oposi\u00e7\u00e3o<br \/>\npela ang\u00fastia que o domina de ver algu\u00e9m afastado<br \/>\ne nada sendo feito a favor dele.<\/p>\n<p>O \u00faltimo aspecto que quero ressaltar na par\u00e1bola<br \/>\n\u00e9 o da culpa.<\/p>\n<p>Quando um pai ou uma m\u00e3e perde de vista um filho ou filha<br \/>\nno shopping, o sentimento mais dif\u00edcil de suportar \u00e9<br \/>\no da culpa. Quando o pastor de ovelhas se d\u00e1 conta de que<br \/>\numa ovelha est\u00e1 perdida, \u00e9 inevit\u00e1vel a sua<br \/>\nresponsabiliza\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel.<br \/>\nN\u00e3o foi a ovelha que se perdeu. Foi o pastor que perdeu a<br \/>\novelha.<\/p>\n<p>Se os fariseus sentiam alguma responsabilidade pelos perdidos,<br \/>\ncertamente n\u00e3o aceitariam a responsabilidade que a par\u00e1bola<br \/>\nindicava. Alguma responsabilidade, sim. Mas n\u00e3o aquela que<br \/>\nseria atribu\u00edda a um pastor de ovelhas. Era para eles inconceb\u00edvel<br \/>\nque se esperasse deles que assumissem nesse grau a responsabilidade<br \/>\npelos perdidos. Isso significaria assumir uma culpa que eles n\u00e3o<br \/>\npodiam reconhecer, nem admitir.<\/p>\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso n\u00e3o podiam compreender, nem<br \/>\naceitar como vindo de Deus essa &#8222;promiscuidade&#8220; que acusavam<br \/>\nem Jesus: Ele recebe pecadores e come com eles. Eles, ao contr\u00e1rio,<br \/>\ntinham de manter sua pr\u00f3pria pureza como contraste e modelo<br \/>\npara os pecadores.<\/p>\n<p>A par\u00e1bola termina em festa. A aldeia vive em fun\u00e7\u00e3o<br \/>\nda celebra\u00e7\u00e3o de cada um que foi trazido. A aldeia<br \/>\nn\u00e3o admite viver e festejar sem os seus perdidos. Eles s\u00e3o<br \/>\no motivo da festa. Resta aos fariseus entenderem que eles n\u00e3o<br \/>\nest\u00e3o realizando culto a Deus. O culto que realizam \u00e9<br \/>\no culto a si pr\u00f3prios. O culto de Deus e o culto a Deus \u00e9<br \/>\naquele que faz novas todas as regras, que renova suas estruturas<br \/>\npara incluir, receber e acolher os de fora.<\/p>\n<p>Ainda hoje \u00e9 grande o n\u00famero de pessoas que est\u00e3o<br \/>\n\u00e0 margem e nas periferias das igrejas. Essas pessoas, no<br \/>\ntempo de Jesus, se sentiam estranhas e at\u00e9 indignas de se<br \/>\naproximarem do templo. Mas n\u00e3o se sentiam intimidadas na<br \/>\npresen\u00e7a daquele Mestre, que se punha \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o<br \/>\ndelas. Sentiam-se acolhidas sem quaisquer restri\u00e7\u00f5es<br \/>\ncomo se o seu passado e suas culpas n\u00e3o mais pesassem contra<br \/>\nelas.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a alegria na aldeia. A palavra vai de boca em boca<br \/>\ne s\u00f3 faz sentido para os perdidos. Somente eles est\u00e3o<br \/>\n\u00e0 espera de uma palavra de salva\u00e7\u00e3o, da voa<br \/>\nque acolhe e recebe. Do bra\u00e7o que carrega os que est\u00e3o<br \/>\nainda fr\u00e1geis demais para andar. A alegria na aldeia \u00e9<br \/>\ncomum a todos, na medida em que a ovelha perdida \u00e9 a met\u00e1fora<br \/>\npara pessoas que se alegram porque a salva\u00e7\u00e3o que<br \/>\nveio at\u00e9 elas, incluiu mais uma ovelha.<\/p>\n<p>Ao nos reunirmos para um culto, a festa se renova para n\u00f3s,<br \/>\npara lembrarmos com renovada alegria o dia em que fomos acolhidos<br \/>\ne celebramos que essa salva\u00e7\u00e3o seja permanente em<br \/>\nnossas vidas. O som dessa festa \u00e9 a palavra que anuncia para<br \/>\nfora que a salva\u00e7\u00e3o \u00e9 para todos.<\/p>\n<p><b>Paulo Proske Weirich<br \/>\n<a href=\"mailto:weirich@ulbranet.com.br\">weirich@ulbranet.com.br<\/a><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lc 15. 1-10 A par\u00e1bola da ovelha perdida Tema: A alegria de Deus Perder e achar, ang\u00fastia e alegria. Crian\u00e7as pequenas facilmente desviam-se dos pais em aglomera\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Quem j\u00e1 n\u00e3o ouviu avisos passados pelo sistema de som de algum centro comercial ou grande supermercado nesse sentido? 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