{"id":10102,"date":"2021-02-07T19:49:43","date_gmt":"2021-02-07T19:49:43","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10102"},"modified":"2022-10-03T07:49:29","modified_gmt":"2022-10-03T05:49:29","slug":"lucas-16-1-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/lucas-16-1-8\/","title":{"rendered":"Lucas 16.1-8"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<div>\n<div align=\"left\">\n<p align=\"left\"><strong>A Par\u00e1bola do Administrador Infiel <\/strong><\/p>\n<p>Se h\u00e1 algo que muitas vezes atrapalha ou mesmo, induz o int\u00e9rprete da Escritura, s\u00e3o os cabe\u00e7alhos dos textos b\u00edblicos colocados nas diferentes tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia. Essa par\u00e1bola, por exemplo, na Almeida Revista e Atualizada, leva o t\u00edtulo \u2013 A Par\u00e1bola do Administrador Infiel. A Nova Tradu\u00e7\u00e3o da Linguagem de Hoje, n\u00e3o muda muito e entitula essa par\u00e1bola &#8211; A Par\u00e1bola do Administrador Desonesto. Cabe aqui lembrar, que o texto Grego de Nestle-Aland n\u00e3o oferece nenhum t\u00edtulo para essa par\u00e1bola, bem como de resto, para todo o Novo Testamento Grego! O que quero dizer com isso, \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o do pregador para que ele n\u00e3o se deixe levar pelos t\u00edtulos da per\u00edcope, mas deixe de fato o texto e contexto falar por si.<\/p>\n<p>Essa par\u00e1bola vem na sequ\u00eancia de outras tr\u00eas par\u00e1bolas (Lucas 15), e a \u00faltima \u2013 a do Filho Pr\u00f3digo, est\u00e1 diretamente ligada com o nosso texto de hoje, j\u00e1 que em ambos os casos, nem o filho mais jovem e nem o administrador souberam administrar com sabedoria e prud\u00eancia os bens que lhes foram confiados.<\/p>\n<p>Lucas 16.1-8 apresenta uma par\u00e1bola n\u00e3o muito f\u00e1cil de ser interpretada, e as diferentes interpreta\u00e7\u00f5es que est\u00e3o por ai, comprovam esse fato. Todavia, a S\u00e9rie Trienal coloca esse texto diante de n\u00f3s e cabe ao pregador definir qual a melhor maneira de apresentar o mesmo para a sua congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong> Definindo o Tema <\/strong><\/p>\n<p>Lucas 16 apresenta duas hist\u00f3rias que s\u00f3 aparecem nesse evangelho. O cap\u00edtulo inicia com o epis\u00f3dio do administrador infiel e termina com a hist\u00f3ria do rico e do L\u00e1zaro. Em ambas hist\u00f3rias, o tema unificador \u00e9 a atitude das pessoas diante da riqueza e dos bens. E a conclus\u00e3o da primeira par\u00e1bola parece refor\u00e7ar esse tema, quando faz uma aplica\u00e7\u00e3o com refer\u00eancia a servir a Deus ou mammon (16.10-13).<\/p>\n<p>Jesus continua falando no cap\u00edtulo 16, todavia, a sua audi\u00eancia agora \u00e9 diferente. Se no cap\u00edtulo 15, ele falava para publicanos, pecadores, fariseus e escribas (vv.1-2), agora Jesus fala diretamente para seus disc\u00edpulos. Vale frisar, que Lucas 16.1-31 n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica vez que Jesus aborda o tema riqueza e a administra\u00e7\u00e3o de bens nesse evangelho, em mais duas oportunidades Ele fala do mesmo assunto \u2013 12.13-34 e 18.18-30. Nexte contexto, \u00e9 interessante lembrar o que Jesus diz no in\u00edcio do seu discurso: <em>\u201cassim, pois, todo aquele que dentre v\u00f3s n\u00e3o renuncia a tudo quanto tem, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo.\u201d <\/em> (14.33).<\/p>\n<p><strong> Um Problema na Par\u00e1bola? <\/strong><\/p>\n<p>Para alguns, o maior problema na interpreta\u00e7\u00e3o dessa par\u00e1bola reside no fato de o senhor ter elogiado o administrador infiel por sua esperteza (v.8). Uma melhor tradu\u00e7\u00e3o seria, por sua sabedoria ou prud\u00eancia. T. W. Manson chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que h\u00e1 uma grande dieferen\u00e7a entre, \u201celogiar o administrador infiel por ter agido sabiamente e elogiar o s\u00e1bio administrador por ter agido desonestamente.\u201d Em uma situa\u00e7\u00e3o de crise como aquela, o administrador foi elogiado n\u00e3o por sua desonestidade, mas sim por sua brilhante e r\u00e1pida a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se essa fosse uma hist\u00f3ria secular, n\u00e3o haveria muitas dificuldades para se entender a \u201cmoral\u201d da hist\u00f3ria. Acontece que essa \u00e9 uma par\u00e1bola contada por Jesus e com certeza, Ele n\u00e3o est\u00e1 recomendando seus disc\u00edpulos (seguidores) a serem desonestos!<\/p>\n<p>Esse aparente dilema, \u00e9 sem d\u00favida um falso dilema. Ele acontece, porque acabamos concentrando a nossa aten\u00e7\u00e3o no administrador infiel, como se ele fosse o principal personagem nessa par\u00e1bola (conferir o que foi dito acima a respeito dos cabe\u00e7alhos dos textos b\u00edblicos). Se considerarmos a par\u00e1bola da perspetiva de Jesus, o foco j\u00e1 <em>n\u00e3o<\/em> reside mais na <em>desonestidade<\/em> do administrador infiel, mas sim na <strong><em>miseric\u00f3rdia<\/em><\/strong> do senhor. Aqui \u00e9 interessante observar que a atitude miseric\u00f3rdiosa do senhor para com o administrador que havia desperdi\u00e7ado os seus bens \u00e9 semelhante \u00e0 miseric\u00f3rdia do pai para com o filho pr\u00f3digo que havia desperdi\u00e7ado toda a heran\u00e7a do pai. O contexto do evangelho nos permite dizer, nesse caso, que o prop\u00f3sito da par\u00e1bola \u00e9 de fato revelar a miseric\u00f3rdia do senhor para com o seu administrador.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos como negar, somos de fato administradores infi\u00e9is. Por mais que tentemos fazer tudo certo, sempre cometemos deslizes. Temos sido infi\u00e9is tanto no pouco, como no muito (v.10). Temos sido desonestos n\u00e3o s\u00f3 na aplica\u00e7\u00e3o do alheio, mas tamb\u00e9m naquilo que \u00e9 nosso (v.12). Sabemos da nossa condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 o que esconder, continuamos pecadores. Mas \u00e9 para \u201cadministradores infi\u00e9is\u201d como n\u00f3s, que a miseric\u00f3rdia do Senhor est\u00e1 reservada. Devido ao Servo Fiel, Jesus Cristo, o Senhor n\u00e3o mais nos olha como servos infi\u00e9is(cf. Hebreus 3;10.23). Jesus \u00e9 a fiel testemunha que intercede diante do Senhor por n\u00f3s (Apocalipse 1.5). Atrav\u00e9s da obra redentora de Cristo, seu sofrimento e morte, e sua gloriosa ressurrei\u00e7\u00e3o, Ele agora nos confere a sua perfeita justi\u00e7a. E \u00e9 essa justi\u00e7a que faz com que Deus, o nosso Senhor, diga a cada um de n\u00f3s: <em>\u201cmuito bem, servo bom e fiel&#8230; entra no gozo do teu senhor.\u201d<\/em> (Mateus 25.23).<\/p>\n<p><strong> Ensino a respeito de Deus e Mammon <\/strong><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do texto h\u00e1 uma s\u00e9rie de conselhos pr\u00e1ticos de como aplicar o ensino da par\u00e1bola (16.9-13). O tema unificador dessas duas se\u00e7\u00f5es na per\u00edcope \u00e9 o uso apropriado dos bens. O administrador infiel foi elogiado por ter usado \u201cmammon\u201d sabiamente; agora os disc\u00edpulos s\u00e3o instru\u00eddos por Jesus em como usar \u201cmammon\u201d sabiamente em benef\u00edcio do reino. Bens materiais podem levar os crist\u00e3os a se distrairem de sua maior meta, qual seja, a sua salva\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de olharem para o Deus misericordioso como a sua rocha segura (Salmo 18.2), eles podem acabar vendo os seus bens como o esteio de suas vidas, a sua certeza em meio a esse mundo incerto. Nesse caso, os bens podem se tornar um meio alternativo de salva\u00e7\u00e3o. Aqui \u00e9 necess\u00e1rio lembrar que os bens e a riqueza de forma alguma est\u00e3o sendo condenados, mas sim o seu uso idol\u00e1trico. Em Lucas 12, Jesus j\u00e1 havia dado instru\u00e7\u00f5es claras de como os crist\u00e3os deveriam administrar os bens dados por Deus.<\/p>\n<p>Nos vers\u00edculos que seguem, Jesus aborda princ\u00edpios importantes relacionados com o tema mammon. No v.9, vemos Jesus recomendando seus disc\u00edpulos a agirem como o admnistrador da par\u00e1bola, que foi s\u00e1bio e soube usar mammon de forma generosa, ampliando assim o seu c\u00edrculo de amigos, que no futuro o receberiam em suas casas. O administrador foi extremamente s\u00e1bio e com habilidade soube avaliar a sua situa\u00e7\u00e3o realisticamente e, em um curto prazo, encontrou uma solu\u00e7\u00e3o brilhante para o seu problema. Administrando os bens de seu generoso patr\u00e3o \u2013 de forma generosa, ele conseguiu garantir o seu futuro, evitando passar fome e humilha\u00e7\u00e3o (v.3).<\/p>\n<p>Jesus diz que seus disc\u00edpulos devem imitar n\u00e3o a desonestidade do administrador, mas sim, a sua s\u00e1bia prud\u00eancia. Os disc\u00edpulos s\u00e3o lembrados de que eles tamb\u00e9m s\u00e3o administradores (mordomos) dos bens que Deus lhes confiou. Em um curto per\u00edodo, eles devem trabalhar com esses bens sabiamente, partilhando os mesmos generosamente com um olho no futuro, <em>\u201cos tabern\u00e1culos eternos.\u201d<\/em> Agindo assim, eles ir\u00e3o prover para si mesmos <em>\u201c&#8230;tesouro inextingu\u00edvel nos c\u00e9us, onde n\u00e3o chega o ladr\u00e3o nem a tra\u00e7a consome,\u201d<\/em> (Lucas 12.33).<\/p>\n<p>Nos vv.10-13, Jesus lembra seus disc\u00edpulos que, o que eles t\u00eam aqui, \u00e9 <em> \u201cpouco\u201d<\/em> em compara\u00e7\u00e3o com a <em>\u201cverdadeira riqueza\u201d<\/em> que lhes est\u00e1 reservada. Mas \u00e9 nessas pequenas coisas que eles devem demonstrar a sua fidelidade; agindo assim com devo\u00e7\u00e3o ao seu \u00fanico Mestre, eles servir\u00e3o a um <em>\u201c\u00fanico Senhor\u201d<\/em> . Agindo com s\u00e1bia prud\u00eancia, espelhada na par\u00e1bola ensinada por Jesus, os disc\u00edpulos (e n\u00f3s crist\u00e3os), podem fazer com que mammon n\u00e3o s\u00f3 sirva \u00e0 causa do evangelho, mas tamb\u00e9m lhes traga benef\u00edcios eternos.<\/p>\n<p><strong> Sugest\u00e3o Homil\u00e9tica <\/strong><\/p>\n<p>Baseado na reflex\u00e3o acima, a tend\u00eancia do serm\u00e3o ser\u00e1 enfocar a correta administra\u00e7\u00e3o dos bens que nos foram confiados por Deus (objetivo de vida). Diante da prem\u00eancia do tempo precisamos ser s\u00e1bios mordomos, buscando seguran\u00e7a n\u00e3o nas coisas perec\u00edveis, mas sim, nas eternas. O que se requer do mordomo \u00e9 que ele seja fiel a seu Senhor, tanto no campo espiritual, como no material. Em resumo, dir\u00edamos que s\u00e1bios mordomos buscam sempre (e unicamente) <em>\u201cservir a Deus\u201d<\/em> (v.13).<\/p>\n<p><strong> Ely Prieto<br \/>\n<\/strong><strong>Igreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\n<\/strong><strong>Pastor &#8211; Concordia Lutheran Church<br \/>\n<\/strong><strong>San Antonio, Texas, USA<br \/>\n<\/strong><strong><a href=\"mailto:elyp@concordia-satx.com\">elyp@concordia-satx.com<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Par\u00e1bola do Administrador Infiel Se h\u00e1 algo que muitas vezes atrapalha ou mesmo, induz o int\u00e9rprete da Escritura, s\u00e3o os cabe\u00e7alhos dos textos b\u00edblicos colocados nas diferentes tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia. Essa par\u00e1bola, por exemplo, na Almeida Revista e Atualizada, leva o t\u00edtulo \u2013 A Par\u00e1bola do Administrador Infiel. 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