{"id":10122,"date":"2021-02-07T19:49:39","date_gmt":"2021-02-07T19:49:39","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10122"},"modified":"2022-10-05T18:50:21","modified_gmt":"2022-10-05T16:50:21","slug":"lucas-17-11-19-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/lucas-17-11-19-3\/","title":{"rendered":"Lucas 17.11-19"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<div>\n<div align=\"left\">\n<p align=\"left\"><em>De caminho para Jerusal\u00e9m, passava Jesus pelo meio da Samaria e da Galil\u00e9ia. Ao entrar numa aldeia, sairam-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Mestre, compadece-te de n\u00f3s! Ao v\u00ea-los, disse-lhes Jesus: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando gl\u00f3ria a Deus em alta voz, e prostrou-se com o rosto em terra aos p\u00e9s de Jesus, agradecendo-lhe; e este era Samaritano. Ent\u00e3o Jesus lhe perguntou: N\u00e3o eram dez os que foram curados? Onde est\u00e3o os nove? N\u00e3o houve, porventura, quem voltasse para dar gl\u00f3ria a Deus, sen\u00e3o este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua f\u00e9 te salvou. (Lucas 17.11-19, Sociedade B\u00edblica do Brasil, ed. Revista e Atualizada) <\/em><\/p>\n<p>Onde est\u00e3o os outros nove? Por certo tem sido esta a t\u00f4nica dos serm\u00f5es sobre este relato de Lucas conhecido como \u201ca cura dos dez leprosos.\u201d Est\u00e1 claro que Jesus est\u00e1 diante da mais escancarada ingratid\u00e3o humana, quando de dez curados, apenas um voltou para agradecer! Mas nesta mensagem vamos falar especialmente daquele um que voltou para agradecer e que na hist\u00f3ria normalmente \u00e9 obscurecido pela atitude de ingratid\u00e3o dos outros nove leprosos curados com ele.<\/p>\n<p>\u00c9 este um relato que trata da gratid\u00e3o ou da ingratid\u00e3o dos filhos de Deus? Para entendermos o gesto de gratid\u00e3o daquele um que voltou, precisamos observar tamb\u00e9m o contexto no qual se deu o gesto de ingratid\u00e3o dos outros nove companheiros de infort\u00fanio. Naquele tempo a lepra n\u00e3o s\u00f3 isolava a pessoa da fam\u00edlia e da sociedade, como na verdade a alienava e descartava do mundo e do conv\u00edvio dos seus. Como n\u00e3o podiam se aproximar das pessoas, gritaram de longe ao Mestre, clamando por compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a realidade dos leprosos espirituais do nosso tempo tamb\u00e9m, grupo no qual n\u00f3s todos estamos inclu\u00eddos. N\u00e3o h\u00e1 outra sa\u00edda para a terr\u00edvel lepra do pecado, que condena n\u00e3o s\u00f3 temporalmente, mas eternamente, do que clamar: Mestre, tem compaix\u00e3o! E quando o Mestre interv\u00e9m na hist\u00f3ria, remove a condena\u00e7\u00e3o causada pela lepra do pecado, com o seu sacrif\u00edcio na cruz e sua ressurrei\u00e7\u00e3o, aniquilando a morte, a pergunta \u00e9: onde est\u00e3o os \u201coutros nove que foram curados, resgatados, libertados? Parece t\u00e3o simples exclamar, mas como pode? Mas infelizmente esta \u00e9 a realidade n\u00e3o s\u00f3mente \u201cdos outros,\u201d mas a nossa triste realidade amb\u00e9m. E \u00e9 aqui que focalizamos nossa aten\u00e7\u00e3o naquele um leproso curado que voltou para agradecer a Jesus.<\/p>\n<p>O que distinguia o leproso agradecido dos demais companheiros de sofrimento e infort\u00fanio? Jesus menciona apenas uma coisa que o caracterizava dos demais: ele era samaritano. Conhecendo o que isto sigificava na contenciosa rela\u00e7\u00e3o dos judeus com os samaritanos, n\u00f3s podemos entender a mensagem de Jesus nesta simples caracteriza\u00e7\u00e3o do leproso que voltou para agradecer. Ele n\u00e3o s\u00f3 era rejeitado pela sociedade, como tamb\u00e9m pela comunidade religiosa judaica. A compaix\u00e3o do Mestre para com ele foi algo extraordin\u00e1rio e milagroso que aconteceu em sua vida. Ciente de sua doen\u00e7a corrosiva que o destru\u00eda lenta e inexoravelmente, bem como de sua condi\u00e7\u00e3o de samaritano condenado e rejeitado pelos judeus, ele reconhece a a\u00e7\u00e3o misericordiosa de Deus e volta para agradecer.<\/p>\n<p>Quando aplicamos este texto \u00e0 nossa realidade, facilmente somos levados a focar a aten\u00e7\u00e3o nos nove mal-agradecidos, mostrando como n\u00e3o devemos fazer em nossas vidas como filhos de Deus, e acabamos colocando em segundo plano a mensagem que est\u00e1 contida na a\u00e7\u00e3o e atitude daquele um leproso samaritano que voltou para agradecer a Jesus.<\/p>\n<p>A gratid\u00e3o dos filhos de Deus tem sua base na a\u00e7\u00e3o misericordiosa de Deus no mundo. \u00c9 uma a\u00e7\u00e3o que perpassa a nossa vida em toda a sua dimens\u00e3o. A vida \u00e9 um presente de Deus. Cada dia de nossas vidas \u00e9 parte de um presente imerecido. E n\u00e3o s\u00f3mente a vida neste mundo passageiro marcado pela lepra do pecado, como tamb\u00e9m a f\u00e9 no Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. \u00c9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o e um milagre poder agradecer a Deus pela vida e pela f\u00e9, mesmo que as coisas muitas v\u00eazes pare\u00e7am dificeis e complicadas para n\u00f3s.<\/p>\n<p>Fome e pestil\u00eancia se espalhavam por toda a parte, enquanto a Guerra dos Trinta Anos sacudia a Europa pol\u00edtica e socialmente, no S\u00e9culo 17. Em meio ao caos reinante, o pastor Martin Rinckart escreveu um belo hino de louvor e gratid\u00e3o a Deus. No ano em que escreveu o hino, morreram seis mil pessoas na sua pequena cidade alem\u00e3, incluindo sua esposa e seus filhos. Em meio aos tr\u00e1gicos momentos de sua vida ele escreve um hino de gratid\u00e3o, que seria cantado pelo povo de Deus nos s\u00e9culos vindouros:<\/p>\n<p>\u201cDai Gra\u00e7as ao Senhor, louvai seu nome santo. A Deus, o Criador, al\u00e7ai o vosso canto,<\/p>\n<p>porque jamais cessou de nos aben\u00e7oar, E nunca abandonou quem nele confiar.\u201d (Hin\u00e1rio Luterano, 150)<\/p>\n<p>S\u00f3mente algu\u00e9m que tem a sua f\u00e9 e confian\u00e7a no amor, na gra\u00e7a e no poder de Deus pode escrever um hino de gratid\u00e3o em meio a tamanha dor por t\u00e3o preciosas perdas nesta vida. \u00c9 o milagre da f\u00e9 que produz e manifesta gratid\u00e3o. A gratid\u00e3o que moveu o samaritano leproso a voltar para agradecer \u00e9 a mesma que move os filhos de Deus hoje.<\/p>\n<p>Por certo \u00e9 muito mais f\u00e1cil seguir os nove do que aquele que voltou para agradecer. Nem sempre a maioria est\u00e1 certa, especialmente em se tratando das coisas de Deus. Neste caso, n\u00e3o se trata de maioria ou minoria, mas trata-se do privil\u00e9gio imerecido de \u201cvoltar e dar gl\u00f3ria a Deus.\u201d<\/p>\n<p><strong> Nilo L. Figur<br \/>\n<\/strong><strong>Igreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\n<\/strong><strong>Concordia<\/strong><strong> University<\/strong><br \/>\n<strong>Austin<\/strong><strong> , Texas, USA<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"mailto:Nilo.Figur@concordia.edu\">Nilo.Figur@concordia.edu<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De caminho para Jerusal\u00e9m, passava Jesus pelo meio da Samaria e da Galil\u00e9ia. Ao entrar numa aldeia, sairam-lhe ao encontro dez leprosos, que ficaram de longe e lhe gritaram, dizendo: Mestre, compadece-te de n\u00f3s! Ao v\u00ea-los, disse-lhes Jesus: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. 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