{"id":10155,"date":"2021-02-07T19:49:43","date_gmt":"2021-02-07T19:49:43","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10155"},"modified":"2022-10-03T07:55:38","modified_gmt":"2022-10-03T05:55:38","slug":"lucas-2335-43","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/lucas-2335-43\/","title":{"rendered":"Lucas 23:35-43"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<div>\n<p align=\"left\">35 O povo estava ali e a tudo observava. Tamb\u00e9m as autoridades zombavam e diziam: Salvou os outros; a si mesmo se salve, se \u00e9, de fato, o Cristo de Deus, o escolhido. 36 Igualmente os soldados o escarneciam e, aproximando-se, trouxeram-lhe vinagre, dizendo: 37 Se tu \u00e9s o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo. 38 Tamb\u00e9m sobre ele estava esta ep\u00edgrafe <em>em letras gregas, romanas e hebraicas<\/em>: ESTE \u00c9 O REI DOS JUDEUS. 39 Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: N\u00e3o \u00e9s tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m. 40 Respondendo-lhe, por\u00e9m, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual senten\u00e7a? 41 N\u00f3s, na verdade, com justi\u00e7a, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. 42 E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino. 43 Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estar\u00e1s comigo no para\u00edso. (Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Ferreira de Almeida Revista e Atualizada.)<\/p>\n<p align=\"center\"><strong> Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino! <\/strong><\/p>\n<p>O \u00faltimo Domingo do ano da Igreja \u00e9 por vezes celebrado como o festival de Cristo Rei. Em se tratando de um Domingo dedicado \u00e0s \u00faltimas coisas, e em particular ao julgamento final, a \u00eanfase no retorno de Cristo em gl\u00f3ria para inaugurar o seu reino de eterna bem-aventuran\u00e7a \u00e9 natural. Tamb\u00e9m natural, no contexto do ano eclesi\u00e1stico, que o texto para medita\u00e7\u00e3o neste dia venha das palavras do malfeitor na cruz: \u201cJesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino!\u201d<\/p>\n<p>Estas palavras t\u00e3o \u00f3bvias s\u00e3o, no entanto, um paradoxo da maior magnitude em seu contexto original. Um malfeitor, prestes a morrer, suplica a outro na mesma condi\u00e7\u00e3o: \u201clembra-te de mim quando vieres em teu reino\u201d. Este paradoxo exige investiga\u00e7\u00e3o. Como pode alguem prestes a morrer ser de alguma utilidade? Como pode um conhecido malfeitor pedir para ser lembrado? E mais: como pode um crucificado reinar?<\/p>\n<p><strong> 1. Jesus! <\/strong><\/p>\n<p>Em sua narrativa da crucifix\u00e3o, Lucas destaca a realeza de Cristo. A alega\u00e7\u00e3o de que Jesus se havia apresentado como o Messias restaurador da casa de Davi, o rei prometido, \u00e9 confrontada com zombaria e ironia. Os l\u00edderes de Israel, juntamente com os soldados romanos e um dos malfeitores na cruz, zombavam do rei messi\u00e2nico que nnem sequer podia salvar-se a si mesmo. A pr\u00f3pria inscri\u00e7\u00e3o afixada \u00e0 cruz \u00e9 entendida por Lucas mais como zombaria do que como confiss\u00e3o. Cristo, o Rei? Que bela piada! A sua morte na cruz era a prova de que diante dos l\u00edderes de Israel e das autoridades romanas ele era apenas um perturbador da ordem, um blasfemador revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Contra toda esta zombaria, apenas uma voz se levanta: o malfeitor que repreende seu colega de infort\u00fanio. Ele n\u00e3o pede a Jesus que prove sua divindade. Em sua afli\u00e7\u00e3o, ele pede ajuda n\u00e3o aos soldados, n\u00e3o a um centuri\u00e3o, menos ainda a um membro do sin\u00e9drio. Ele volta-se para o mais desprezado de todos os presentes, e suplica aux\u00edlio. \u201cJesus, lembra-te de mim quando vieres em teu reino!\u201d<\/p>\n<p>A s\u00faplica \u201clembra-te de mim\/n\u00f3s\u201d \u00e9 comum no Antigo Testamento. Especialmente nos Salmos, onde funciona como uma esp\u00e9cie de refr\u00e3o em que se clama por miseric\u00f3rdia, perd\u00e3o e salva\u00e7\u00e3o. Sempre que o verbo \u201clembrar\u201d \u00e9 usado em uma s\u00faplica nas Escrituras, Deus \u00e9 o endere\u00e7ado. Desta forma, as palavras do malfeitor proclamam de modo enf\u00e1tico n\u00e3o s\u00f3 a realeza, mas tamb\u00e9m a divindade de Jesus.<\/p>\n<p>A confiss\u00e3o do malfeitor \u2013 que a partir deste momento passa a ser na verdade um benfeitor! \u2013 introduz uma guinada na narrativa. Daqui para a frente, ao inv\u00e9s de zombaria e arrog\u00e2ncia, Jesus ser\u00e1 referido com louvor e humildade. Os c\u00e9us se escurescem para proclamar a morte do rei do universo. O centuri\u00e3o declara, \u201cVerdadeiramente, esse homem era justo!\u201d As multid\u00f5es batiam-se no peito em lamenta\u00e7\u00e3o pelo acontecido.<\/p>\n<p>Jesus. Rei. Verdadeiro Deus. A quem mais clamar por socorro? \u201cJesus, lembra-te de mim quando vieres em teu reino!\u201d<\/p>\n<p><strong> 2. Lembra-te de mim! <\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 foi dito que a s\u00faplica \u201clembra-te de mim!\u201d \u00e9 comumente usada para apelar a Deus no Antigo Testamento. Mas porque justo um delinq\u00fcente haveria de us\u00e1-la? Onde estavam as pessoas boas e \u00edntegras que acompanhavam a execu\u00e7\u00e3o? Onde estavam os disc\u00edpulos, ou Sim\u00e3o Cireneu, Jos\u00e9 de Arimat\u00e9ia? Por que calaram? Ser\u00e1 poss\u00edvel que somente uma not\u00e1vel criminoso clama pelo salvador? E sob que pretexto, visto ser ele um pecador, um vero merecedor da pena capital?<\/p>\n<p>J\u00e1 foi dito que a s\u00faplica \u201clembra-te de mim!\u201d \u00e9 comumente endere\u00e7ada a Deus. Nos salmos, sobretudo, essa \u00e9 uma s\u00faplica por miseric\u00f3rdia. Em especial o Salmo 25, que segue os salmos reais (15-24). Neste salmo n\u00e3o h\u00e1 a menor esperan\u00e7a de merecer alguma recompensa de Deus. H\u00e1 apenas a dura consci\u00eancia da pr\u00f3pria maldade, da gravidade e quantidade dos pecados que separam o salmista do Deus. A motiva\u00e7\u00e3o para a s\u00faplica vem unicamente da miseric\u00f3rdia e da bondade divinas. O Deus que perdoa, redime e socorre o pecador cobre as suas faltas com justi\u00e7a e verdade. E como cr\u00ea o salmista, assim tamb\u00e9m o malfeitor: os que em ti esperam jamais ser\u00e3o envergonhados. Eis por que o clamor, \u201cJesus, lembra-te de mim!\u201d<\/p>\n<p>Como pode um criminoso receber a aprova\u00e7\u00e3o de Deus? Que Deus \u00e9 esse que inocenta m\u00e3os sanguin\u00e1rias? A resposta para essa quest\u00e3o n\u00e3o encontramos no relato de Lucas. Mas podemos busc\u00e1-la na \u00fanica palavra da cruz registrada por dois evangelistas: \u201cDeus meu, Deus meu, por que me desamparaste?\u201d Nessas palavras o amor de Deus se revela em toda a sua incompreensibilidade. O verdadeiro Deus que se humilhou assumindo a natureza humana, sem contudo conhecer pecado, ele se faz maldito perante o Pai Celestial para que o criminoso, o pecado indigno, para que tu e eu sejamos benditos eternamente. Que gloriosa trroca ocorre aqui: nossos pecados colocados sobre o justo, a justi\u00e7a de Cristo imputada ao n\u00f3s pecadores.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao sacrif\u00edcio de Cristo, o pecador pode suplicar: \u201cJesus, lembra-te de mim!\u201d Pois agora j\u00e1 n\u00e3o somos lembrados por nossos pecados, mas por nossa f\u00e9 nauqele que assumiu a culpa de todo pecado. \u201cLembra-te de mim, Jesus, Deus miseric\u00f3rdioso em quem est\u00e1 a minha salva\u00e7\u00e3o!\u201d<\/p>\n<p><strong> 3. \u00a0 Quando vieres em teu reino! <\/strong><\/p>\n<p>O malfeitor reconhece em Jesus o Deus verdadeiro. Ele entrega toda sua esperan\u00e7a \u00e0 miseric\u00f3rdia e \u00e0 bondade do salvador. E por fim ele expressa a confian\u00e7a na vinda de Cristo como rei do universo. O que tem Cristo a dizer? Como ele responde \u00e0 s\u00faplica do pecador?<\/p>\n<p>Cristo n\u00e3o decepciona quem que nele confia. Ele n\u00e3o deixa que seja envergonhado quem nele deposita sua confian\u00e7a. \u201c Em verdade te digo que hoje estar\u00e1s comigo no para\u00edso. \u201d Essas palavras confirmam uma a uma as expectativas do pecador. Sim, Jesus \u00e9 o Deus verdadeiro, o rei ungido para restaurar o reino de Davi. Sim, a s\u00faplica do pecador \u00e9 recebida e aceita. O cora\u00e7\u00e3o quebrantado e arrependido, Deus n\u00e3o o rejeita. Eis que ele veio para buscar e salvar quem est\u00e1 perdido. Sim, Cristo vir\u00e1 novamente em seu reino. Esse reino j\u00e1 est\u00e1 iniciado, pois o malfeitor crucificado recebe a garantia de que ainda naquele dia ele haveria de estar com Jesus no para\u00edso. E nesse reino Jesus continua a lembrar de n\u00f3s em sua miseric\u00f3rdia, preparando a sua Igreja para o grande dia em que todos os seusser\u00e3o reunidos na Jerusal\u00e9m celeste. Este julgamento podemos podemos esperar e ansiar, pois j\u00e1 fomos declarados justos pelo sangue que Cristo derramou na cruz e que nos \u00e9 dado no Sacramento; j\u00e1 fomos unidos em sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o pelo Santo batismo; e o veredito divino nos \u00e9 repetido cada vez que o ministro do evangelho de Cristo nos declara absolvidos em nome do Deus tri\u00fano.<\/p>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo. O Ano da Igreja se encerra nos lembrando do retorno glorioso de Cristo como rei do universo. O evangelho de hoje, por\u00e9m, nos indica o lugar onde o rei pode ser encontrado. Pois \u00e9 na cruz que encontramos o Deus revelado em gra\u00e7a e miseric\u00f3rdia. Outros o procuram na majestade e gl\u00f3ria do onipotente juiz. O juiz, no entanto, n\u00e3o nos pode salvar. Somente o Deus que tomou sobre si os nossos pecados nos pode resgatar. Na cruz de Cristo est\u00e1 a nossa salva\u00e7\u00e3o e a nossa esperan\u00e7a. Ali o nosso pecado foi esmagado, para que a nossa morte pudesse ser tragada por sua ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas palavras foram escritas para que saibamos que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhamos vida em seu nome: \u201cJesus, lembra-te de mim quando vieres em teu reino!\u201d Am\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"Stil4\">Rev. Gerson L. Flor<br \/>\nLutheran Church &#8211; Canada<br \/>\nGeorgetown , ON, Canada<br \/>\n<a href=\"mailto:gflor@cogeco.ca\"> gflor@cogeco.ca<\/a><\/p>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>35 O povo estava ali e a tudo observava. 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