{"id":10308,"date":"2005-01-07T19:49:24","date_gmt":"2005-01-07T18:49:24","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10308"},"modified":"2025-05-13T14:29:15","modified_gmt":"2025-05-13T12:29:15","slug":"mateus-412-25","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mateus-412-25\/","title":{"rendered":"Mateus 4:12-23"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<div>\n<div align=\"left\">\n<h3>Terceiro Domingo ap\u00f3s Epifania | 23 de Janeiro de 2005 | Mateus 4:12\u201323 | Paulo Proske Weirich |<\/h3>\n<p>Texto:<br \/>\n12 Jesus, por\u00e9m, ouvindo que Jo\u00e3o estava preso, voltou para a Galil\u00e9ia; 13 e, deixando Nazar\u00e9, foi habitar em Cafarnaum, cidade mar\u00edtima, nos confins de Zebulom e Naftali; 14 para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isa\u00edas, que diz: 15 A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, al\u00e9m do Jord\u00e3o, a Galil\u00e9ia das na\u00e7\u00f5es; 16 <em>O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e, aos que estavam assentados na regi\u00e3o e sombra da morte, a luz raiou.<\/em> 17 Desde ent\u00e3o come\u00e7ou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque \u00e9 chegado o reino dos c\u00e9us.<br \/>\n18 E Jesus, andando junto ao mar da Galil\u00e9ia, viu a dois irm\u00e3os, Sim\u00e3o, chamado Pedro, e Andr\u00e9, os quais lan\u00e7avam as redes ao mar, porque eram pescadores; 19 e disse-lhes: Vinde ap\u00f3s mim, e eu vos farei pescadores de homens. 20 Ent\u00e3o eles, deixando logo as redes, seguiram-no. 21 E, adiantando-se dali, viu outros dois irm\u00e3os, Tiago, filho de Zebedeu, e Jo\u00e3o, seu irm\u00e3o, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes; 22 e chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.<br \/>\n23 E percorria Jesus toda a Galil\u00e9ia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e mol\u00e9stias entre o povo. 24 E a sua fama correu por toda a S\u00edria, e traziam-lhe todos os que padeciam, acometidos de v\u00e1rias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lun\u00e1ticos, e os paral\u00edticos, e ele os curava. 25 E seguia-o uma grande multid\u00e3o da Galil\u00e9ia, de Dec\u00e1polis, de Jerusal\u00e9m, da Jud\u00e9ia, e de al\u00e9m do Jord\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo!<br \/>\n<\/em><br \/>\nEm muitos lugares do mundo e em muitos lares ao redor do mundo os fogos de artif\u00edcio que ainda saudaram o ano de 2005 pareceram brilhar muito menos do que em anos anteriores. As cenas da trag\u00e9dia quebraram em muitos o \u00e2nimo de ver a luz explodindo e se derramando pelo c\u00e9u da noite. Pode haver luz que ven\u00e7a esse tipo de escurid\u00e3o, a escurid\u00e3o que cobre a terra de luto?<\/p>\n<p>O evangelista Mateus est\u00e1 falando exatamente desse tipo de luz. A \u00fanica que pode brilhar ainda quando todas as demais luzes perderam for\u00e7a e brilho. A luz que brilhou nas terras da Galil\u00e9ia dos gentios, a luz que se acendeu para aqueles que ouviram:<\/p>\n<p><strong><em>Arrependei-vos, porque est\u00e1 pr\u00f3ximo o reino dos c\u00e9us<\/em>.<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA met\u00e1fora que o contraste luz e trevas estabelece \u00e9 muito comum em toda a literatura e na tradi\u00e7\u00e3o dos povos. Todos, a seu modo, a empregam. O que, em vez de facilitar o seu uso, antes vem dificult\u00e1-lo. Falou-se j\u00e1 das trevas da ignor\u00e2ncia, das trevas do preconceito entre as pessoas e grupos de pessoas, das trevas culturais e mesmo das trevas da intoler\u00e2ncia presentes em manifesta\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Pode-se tamb\u00e9m falar de pessoas que andam em trevas sem terem a consci\u00eancia disso. Algumas perguntas, por isso, se imp\u00f5e. A que trevas pode algu\u00e9m estar-se referindo? S\u00e3o trevas de que natureza, em rela\u00e7\u00e3o a que fatos ou situa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>O povo que andava em trevas, refere-se especificamente ao povo de Israel ou inclui a humanidade como um todo? Qual \u00e9 extens\u00e3o das trevas?<\/p>\n<p>Um indicativo de resposta est\u00e1 nas palavras de Jesus. As palavras de Jesus registradas por Mateus s\u00e3o elas pr\u00f3prias palavras que apontam para uma altera\u00e7\u00e3o no estado de coisas. <em>Arrependei-vos<\/em> \u00e9 a palavra da mudan\u00e7a. O que era j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais. O sentido da promessa de luz sobre as trevas declarada por Isa\u00edas se revela e se concretiza agora.<\/p>\n<p>Voc\u00eas, agora, sejam de <em>outra mentalidade<\/em>. Vejam a vida de acordo com aquilo que a luz revela, a verdadeira luz, a luz que estava anunciada que deveria vir ao mundo. N\u00e3o andem mais como quem anda nas trevas. A realidade n\u00e3o \u00e9 mais andar como cegos que guiam cegos. Ningu\u00e9m vos engane. Ou como o ap\u00f3stolo Paulo diria aos gentios-crist\u00e3os de \u00c9feso: N\u00e3o sejam mais como meninos agitados de um lado para o outro por todo vento de doutrina (Ef 4.14).<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o ponto matem\u00e1tico na exist\u00eancia humana: Assumir a responsabilidade pela sua exist\u00eancia. Mudem de mentalidade \u00e9 a palavra chave. Parem de criar seus pr\u00f3prios deuses. N\u00e3o fujam da pergunta b\u00e1sica que martela o ser humano do nascimento at\u00e9 \u00e0 morte: Que \u00e9 o homem? (Sl 8.4) H\u00e1 momentos em que o ser humano se v\u00ea for\u00e7ado a admitir que nenhuma resposta \u00e9 suficiente. Diante da crueldade e perversidade demonstrada por pessoas que obrigavam c\u00e3es a lutar at\u00e9 \u00e0 morte, o colunista de um jornal di\u00e1rio que circula no estado do Rio Grande do Sul, afirma: \u201cO ser humano decididamente n\u00e3o tem limites na sua maldade.\u201d Perplexidade como essa tamb\u00e9m esteve presente diante da trag\u00e9dia das ondas gigantes. N\u00e3o pela maldade, mas pela pequenez do ser humano diante da natureza.<\/p>\n<p>Antes de chegar nesse ponto o ser humano parte do pressuposto de que em algum momento ter\u00e1 poder sobre si pr\u00f3prio e sobre a natureza, empurrando Deus para um espa\u00e7o fora da sua preocupa\u00e7\u00e3o imediata. Assumir a responsabilidade pela sua arrog\u00e2ncia e maldade \u00e9 o desafio que n\u00e3o pode ser enfrentado. E a\u00ed que Deus, em sua miseric\u00f3rdia e justi\u00e7a se aproxima e diz: Mudem de mentalidade. Assumam a cegueira e as trevas em que tentam encontrar caminho e sa\u00edda para a luz.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Por qu\u00ea? Pergunta-se o ser humano constantemente. E a resposta \u00e9 totalmente inesperada. Uma resposta incapaz de nascer de dentro do ser humano. Ela vem do seu Criador: <strong><em>O reino dos c\u00e9us esta perto de ti.<br \/>\n<\/em><\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 o reino que o ser humano pensou em construir para si pr\u00f3prio enquanto se aventurava a como senhor de si pr\u00f3prio e do seu destino. Os religiosos do tempo de Jesus, que tanto se empenhavam em cultivar a pr\u00f3pria piedade e virtudes pessoais, n\u00e3o se apercebiam do ego\u00edsmo da sua religiosidade. A Auto-satisfa\u00e7\u00e3o de se al\u00e7arem acima do pr\u00f3ximo, ao ponto de, como o fariseu no templo, manifestarem satisfa\u00e7\u00e3o quando podiam apontar o \u201cfracasso\u201d da vida dos que ca\u00edram diante da opini\u00e3o p\u00fablica. Ou quando encontravam satisfa\u00e7\u00e3o com as pr\u00f3prias ora\u00e7\u00f5es e vida devocional, sem se sentirem minimamente solid\u00e1rios com os pobres, os doentes, os condenados, os deca\u00eddos. N\u00e3o lhes custava passar de largo aqueles aos quais rotulavam de \u201cperdidos\u201d.<\/p>\n<p>Mudem de mentalidade, \u00e9 o chamado de Jesus, tirando o v\u00e9u de escurid\u00e3o que cobre a vida do ser humano e muito da sua religiosidade, como tamb\u00e9m da sua irreligiosidade. Por qu\u00ea? <em>O reino dos c\u00e9us est\u00e1 pr\u00f3ximo<\/em>.<\/p>\n<p>Deus est\u00e1 pr\u00f3ximo de cada um. O ser humano, ainda nos seus descaminhos de trevas, sem respostas, ou com respostas pr\u00f3prias que ignoram e ofendem Deus, esse ser humano foi acolhido desde o primeiro momento por Deus e \u00e9 chamado a retornar a Deus em confian\u00e7a filial. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o me lembro das vossas transgress\u00f5es\u201d, \u00e9 a decis\u00e3o redentora de Deus. E Jesus, finalmente, vem revelar diante dos olhos da humanidade, de que natureza \u00e9 esse esquecimento de Deus: \u201cEis o Cordeiro de Deus\u201d anunciara Jo\u00e3o Batista.<\/p>\n<p>O reino dos c\u00e9us come\u00e7a por essa oferta destinada a erguer os humildes e desesperados aos c\u00e9us e a humilhar os poderosos. Na pessoa de Jesus est\u00e1 definida a nova humanidade que Deus criou. Independentemente de como o ser humano se v\u00ea a si pr\u00f3prio, independentemente de como queremos ver o pr\u00f3ximo, a nossa humanidade brota da palavra redentora de Deus pronunciada sobre cada um no batismo. Somos n a nova criatura, a nova humanidade de Deus em Cristo e por causa de Cristo. O reino dos c\u00e9us est\u00e1 perto, portanto, mudem de mentalidade e vejam pelos olhos de Deus que Jesus Cristo desoculta diante de n\u00f3s com o seu convite.<\/p>\n<p>As pequenas e as grandes desgra\u00e7as que constantemente tem se abatido sobre o nosso mundo, todas exp\u00f5e a nu o ser humano na sua impot\u00eancia, sua vaidade e sua cegueira. Nada que fa\u00e7amos ou criemos pode mudar aquilo que Deus reservou para seu exclusivo ju\u00edzo. Entretanto, a vis\u00e3o da vida que vem ao nosso encontro, por causa da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus, essa vida nos motiva a esperar ativamente a revela\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n<p>\u201c<em>E percorria Jesus toda a Galil\u00e9ia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e mol\u00e9stias entre o povo<\/em>.\u201d Chamar pessoas a que conhe\u00e7am essa nova vida, o reino dos c\u00e9us, \u00e9 um plano de vida que os crist\u00e3os tem tentado manter vivo atrav\u00e9s dos tempos, especialmente em tempos de crise e de desgra\u00e7a. \u201cCurar enfermidades e mol\u00e9stias\u201d, ver o mundo como essa fam\u00edlia ferida e fragmentada, que necessita de cuidados \u00e9 tirar diariamente o v\u00e9u da cegueira e das trevas e andar na luz dedo reino dos c\u00e9us e de Cristo.<\/p>\n<p>N\u00e3o dever\u00edamos ter necessidade de sermos acordados de nossa indiferen\u00e7a natural por grandes desgra\u00e7as que se abatem sobre as nossas vidas. A vis\u00e3o do reino permite que Crist\u00e3o antecipem e encontrem for\u00e7as por estarem exatamente \u201cperto\u201d daquele que lhes d\u00e1 a vis\u00e3o maior do sentido que tem a nossa vida nesse mundo. Cada dia \u00e9 oportunidade de mudar de mentalidade e buscar o reino de Deus e essa sua justi\u00e7a que nos permite ent\u00e3o, com a esperan\u00e7a renovada, olhar os p\u00e1ssaros e as flores e ter os olhos da f\u00e9 para descortinar a beleza e as b\u00ean\u00e7\u00e3os que j\u00e1 nos acompanham diariamente. B\u00ean\u00e7\u00e3os que s\u00e3o ainda sombras das coisas que nos aguardam quando Deus finalmente conseguir remover o \u00faltimo grau de cegueira dos nossos olhos. Ent\u00e3o contemplaremos face a face o reino que desfrutamos desde j\u00e1 na f\u00e9 e na esperan\u00e7a.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Paulo Proske Weirich<br \/>\nIgreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\nS\u00e3o Leopoldo<br \/>\n<a href=\"mailto:weirich@ulbranet.com.br\">weirich@ulbranet.com.br<\/a><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceiro Domingo ap\u00f3s Epifania | 23 de Janeiro de 2005 | Mateus 4:12\u201323 | Paulo Proske Weirich | Texto: 12 Jesus, por\u00e9m, ouvindo que Jo\u00e3o estava preso, voltou para a Galil\u00e9ia; 13 e, deixando Nazar\u00e9, foi habitar em Cafarnaum, cidade mar\u00edtima, nos confins de Zebulom e Naftali; 14 para que se cumprisse o que foi [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8543,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36,665,727,157,853,108,211,349,3,1204,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-10308","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-matthaeus","category-3-so-n-epiphanias","category-archiv","category-beitragende","category-bibel","category-current","category-kapitel-4-chapter-4-matthaeus","category-kasus","category-nt","category-paulo-proske-weirich","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10308"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24124,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10308\/revisions\/24124"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10308"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=10308"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=10308"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=10308"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=10308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}