{"id":10429,"date":"2005-03-07T19:49:15","date_gmt":"2005-03-07T18:49:15","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10429"},"modified":"2025-05-15T11:46:26","modified_gmt":"2025-05-15T09:46:26","slug":"joao-19-17-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/joao-19-17-30\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o 19.17-30"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\">Sexta-Feira Santa | 25 de mar\u00e7o de 2005 |\u00a0Jo\u00e3o 19.17-30 | Lindolfo Pieper |<\/h3>\n<div align=\"center\"><strong>A VIT\u00d3RIA DA CRUZ <\/strong><\/div>\n<div align=\"left\">\n<div>\n<p align=\"left\">Jo\u00e3o 19.28-30: <strong>\u201cDepois, vendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embebedaram de vinagre uma esponja e, fixando-a num cani\u00e7o de hissopo, lha chegaram \u00e0 boca. Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Est\u00e1 consumado! E, inclinando a cabe\u00e7a, rendeu o esp\u00edrito\u201d. <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Obras inacabadas para pouco ou nada servem. Uma casa constru\u00edda pela metade, sem o telhado, n\u00e3o serve para moradia. Um curso feito na faculdade, sem se completar todas as mat\u00e9rias, n\u00e3o d\u00e1 direito a diploma a ningu\u00e9m. Uma ro\u00e7a limpa e adubada, sem o plantio ou semeadura, n\u00e3o produz colheita.<\/p>\n<p align=\"left\">Assim tamb\u00e9m acontece no campo espiritual. Se Cristo tivesse apenas come\u00e7ado a obra da salva\u00e7\u00e3o sem, no entanto, conclu\u00ed-la, para nada nos aproveitaria. Continuar\u00edamos ainda perdidos.<\/p>\n<p align=\"left\">Cristo, por\u00e9m, concluiu a obra da salva\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a deixou pela metade. \u00c9 ele mesmo quem nos garante isso. Na Sexta-feira Santa ele publicou esta grande manchete em letras garrafais: <strong>\u201cEst\u00e1 consumado!\u201d<\/strong> \u2013 est\u00e1 tudo acabado, terminou o meu trabalho!<\/p>\n<p align=\"center\"><strong> I <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Aparentemente Cristo fracassou. Desde a sua inf\u00e2ncia at\u00e9 \u00e0 morte, tudo indicava que Cristo era algu\u00e9m incapaz para cumprir a miss\u00e3o para a qual ele foi enviado. Humanamente falando, ele foi um fracasso.<\/p>\n<p align=\"left\">Seu nascimento, inf\u00e2ncia e juventude n\u00e3o tiveram nenhuma express\u00e3o aos olhos do mundo.<\/p>\n<p align=\"left\">Para come\u00e7ar: ele n\u00e3o nasceu num pal\u00e1cio, mas numa estrebaria, num curral de gado. Depois foi perseguido, tendo que fugir para o Egito no lombo de um burro.<\/p>\n<p align=\"left\">Quase nada se sabe sobre a sua juventude. A \u00fanica coisa que nos \u00e9 dito \u00e9 que aos doze anos de idade ele foi ao templo em Jerusal\u00e9m, onde discutiu com os doutores da lei. Depois foi para casa, passando o resto do tempo trabalhando na carpintaria do pai em Nazar\u00e9.<\/p>\n<p align=\"left\">No seu minist\u00e9rio n\u00e3o foi bem aceito. Foi chamado de beber\u00e3o, amigo de publicanos e chefe dos dem\u00f4nios (Belzebu). At\u00e9 os seus pr\u00f3prios irm\u00e3os n\u00e3o criam nele.<\/p>\n<p align=\"left\">Finalmente veio o que se poderia chamar de o fracasso total: foi preso, condenado e morto. Foi preso porque estava perturbando a ordem, foi condenado porque dizia ser uma coisa que aparentemente n\u00e3o era (Deus); e morto porque n\u00e3o ofereceu nenhuma resist\u00eancia aos inimigos. Ele foi cuspido, humilhado e crucificado entre dois criminosos. Muitos daqueles que o aclamaram no Domingo de Ramos, gritaram: <strong>\u201cCrucifica-o, crucifica-o!\u201d <\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong> II <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Aquela sexta-feira no Calv\u00e1rio parecia o fim, o fracasso, a derrota. Mas as apar\u00eancias enganam. Deus escolheu as coisas fracas, humildes e desprezadas para realizar a sua obra.<\/p>\n<p align=\"left\">Aparentemente Cristo fracassou. Por\u00e9m, na verdade, ele triunfou.<\/p>\n<p align=\"left\">Cristo tinha uma miss\u00e3o a cumprir. Esta miss\u00e3o foi estabelecida desde a eternidade: salvar a humanidade, dando a sua vida pelo seu resgate.<\/p>\n<p align=\"left\">Embora parecesse pobre numa estrebaria, ele era o Filho de Deus. E o diabo sabia disso e procurou, atrav\u00e9s do rei Herodes, logo mat\u00e1-lo. Depois, no seu minist\u00e9rio, embora rejeitado pelos homens, continuava sendo o Filho de Deus. E o diabo, sabendo disso, procurava por todos os meios o convencer para que desistisse do seu plano: no deserto lhe ofereceu todos os reinos do mundo; no Gets\u00eamani fez com que uma profunda tristeza tomasse conta do seu cora\u00e7\u00e3o; e na cruz ati\u00e7ou os inimigos para que gritassem: <strong>\u201cSe \u00e9s o Filho de Deus, desce da cruz e salve a si mesmo e a n\u00f3s tamb\u00e9m\u201d.<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Cristo n\u00e3o aceitou a proposta do diabo, n\u00e3o desanimou e nem desceu da cruz. Esta era a vontade de Deus, o seu plano para com ele.<\/p>\n<p align=\"left\">Se ele teve um nascimento humilde, um minist\u00e9rio questionado e uma morte vergonhosa, era porque este era o plano de Deus para com ele, esta era sua miss\u00e3o. Tudo isso j\u00e1 fora predito nas profecias. Diz o profeta Isa\u00edas, no cap\u00edtulo 53 do seu livro:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong> \u201cEra desprezado, e o mais rejeitado entre todos os homens, homem de dores e que sabe o que \u00e9 padecer, e como de que os homens escondem o seu rosto, era desprezado e dele n\u00e3o fizemos caso. Certamente ele levou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e n\u00f3s o reput\u00e1vamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nossas transgress\u00f5es e mo\u00eddo pelas nossas iniq\u00fcidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados\u201d. <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Diante disso, a morte de Cristo n\u00e3o foi um fracasso, mas sim uma vit\u00f3ria. Na cruz Cristo foi castigado em nosso lugar. Na cruz Cristo esmagou a cabe\u00e7a da serpente, venceu a morte e o diabo. Na cruz ele consumou a obra da salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\">Aquilo que n\u00f3s dever\u00edamos sofrer, Cristo sofreu em nosso lugar. Cristo sofreu o castigo, o abandono e o inferno em nosso lugar. Agora Deus n\u00e3o mais est\u00e1 irado conosco. Agora n\u00e3o mais precisamos temer a morte e nem o inferno. Agora as portas dos c\u00e9us est\u00e3o abertas, todos podem ir para l\u00e1. Agora podemos dizer com o aposto Paulo:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong> \u201cOnde est\u00e1, \u00f3 morte, a tua vit\u00f3ria? Onde est\u00e1, \u00f3 morte, o teu aguilh\u00e3o? O aguilh\u00e3o da morte \u00e9 o pecado, e a for\u00e7a do pecado \u00e9 a lei. Gra\u00e7as a Deus que nos d\u00e1 a vit\u00f3ria por interm\u00e9dio de nosso Senhor Jesus Cristo\u201d<\/strong> (1 Cor\u00edntios 15.54-56).<\/p>\n<p align=\"left\">Agora podemos cantar: <strong>\u201cEu n\u00e3o temo nem a morte, pois j\u00e1 dela me livrou. Tem mudado a minha sorte, meu Jesus que me salvou\u201d<\/strong> (LS 34.3).<\/p>\n<p align=\"center\"><strong> III <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Qlhando para a Sexta-feira Santa temos duas rea\u00e7\u00f5es. De um lado ficamos tristes. Ficamos tristes porque sabemos que foram os nossos pecados que levaram Cristo a morrer na cruz. Foram os nossos pecados que fizeram ele sofrer e a clamar: <strong>\u201cDeus meu, Deus meu, porque me desamparaste?\u201d <\/strong>Como o poeta sacro dizemos nesta hora:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong> \u201c\u00d3 fronte ensang\u00fcentada, ferida pela dor, de espinhos coroada, marcada pelo horror! \u00d3 fronte outrora ornada de eterna gl\u00f3ria e luz, agora desprezada \u2013 adoro-te, Jesus! \/\/ O que tens suportado foi minha pr\u00f3pria dor; eu mesmo sou culpado de tua cruz, Senhor. Oh! v\u00ea-me, aflito e pobre: s\u00f3 ira mereci. Com tua gra\u00e7a encobre o mal que cometi!\u201d <\/strong> (HL 88.1,3).<\/p>\n<p align=\"left\">Se de um lado ficamos tristes com a morte de Jesus, de outro lado ficamos alegres. Ficamos alegres porque, embora tenham sido os nossos pecados que levaram a Jesus morrer, a morte de Cristo nos mostra o grande amor de Deus, o quanto ele nos ama.<\/p>\n<p align=\"left\">Deus nos poderia deixar abandonados no pecado, entregues ao diabo e \u00e0 condena\u00e7\u00e3o eterna. Por\u00e9m Deus nos ama e veio ao nosso encontro. Ele preferiu ver o seu pr\u00f3prio Filho sofrer do que nos ver no inferno. Por isso tamb\u00e9m dizemos como o poeta sacro:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong> \u201cMomentos de alegria e grande bem estar, \u00f3 meu divino Guia, eu sinto ao meditar no que por mim fizeste. A fim de me remir a pr\u00f3pria vida deste. Eu quero te servir\u201d<\/strong> (HL 88.5).<\/p>\n<p align=\"left\">E estas duas rea\u00e7\u00f5es devem acompanhar toda a nossa vida.<\/p>\n<p align=\"left\">Cada vez que ca\u00edmos em pecado, que praticamos uma coisa errada, devemos nos lembrar que foram os nossos pecados que levaram Jesus \u00e0 morte. Que, portanto, o pecado \u00e9 uma coisa horr\u00edvel, que devemos odiar.<\/p>\n<p align=\"left\">Quando, por\u00e9m, nos arrependemos dos nossos pecados e confiamos no perd\u00e3o de Deus, os nossos cora\u00e7\u00f5es devem se encher de alegria e gratid\u00e3o. Nessa hora devemos cantar:<\/p>\n<p align=\"left\"><strong> \u201cA ti, meu grande Amigo, tributo gratid\u00e3o. Tu foste bom comigo obtendo o meu perd\u00e3o. Trouxeste a bonan\u00e7a: \u00e9 bom assim morrer. Contigo se descansa, a gl\u00f3ria anelo ver\u201d<\/strong> (HL 94.7).<\/p>\n<p>Que Deus nos conceda neste dia este duplo sentimento e nos fa\u00e7a ver na morte de Cristo na cruz, n\u00e3o um fracasso, mas sim uma vit\u00f3ria. Em nome de Jesus. Am\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong> Lindolfo Pieper<br \/>\nJaru, RO \u2013 Brasil<br \/>\nIgreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\n<a href=\"mailto:pierlin@bol.com.br\">pierlin@bol.com.br<br \/>\n<\/a><a href=\"http:\/\/www.ielb.org.br\">www.ielb.org.br<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta-Feira Santa | 25 de mar\u00e7o de 2005 |\u00a0Jo\u00e3o 19.17-30 | Lindolfo Pieper | A VIT\u00d3RIA DA CRUZ Jo\u00e3o 19.28-30: \u201cDepois, vendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede! Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embebedaram de vinagre uma esponja e, fixando-a num cani\u00e7o de hissopo, lha chegaram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2380,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39,727,157,853,108,298,702,349,493,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-10429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-johannes","category-archiv","category-beitragende","category-bibel","category-current","category-kapitel-19-chapter-19","category-karfreitag","category-kasus","category-lindolfo-pieper","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10429"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10429\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24371,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10429\/revisions\/24371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2380"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10429"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=10429"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=10429"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=10429"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=10429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}