{"id":10577,"date":"2005-06-07T19:49:12","date_gmt":"2005-06-07T17:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10577"},"modified":"2025-07-07T10:25:08","modified_gmt":"2025-07-07T08:25:08","slug":"mateus-10-24-33","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mateus-10-24-33\/","title":{"rendered":"Mateus 10.24-33"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<h3>5\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes | 19.06.2005 |\u00a0Mateus 10.24-33 | Paulo Proske Weirich |<\/h3>\n<p><em>Texto:<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>24 O disc\u00edpulo n\u00e3o est\u00e1 acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. &#8220; <\/em><br \/>\n<em>25 Basta ao disc\u00edpulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus dom\u00e9sti\u00ad cos?<\/em><br \/>\n<em>2 6 Portanto, n\u00e3o os temais; pois nada h\u00e1 encoberto, que n\u00e3o venha a ser revelado; nem ocul\u00ad to, que n\u00e3o venha a ser conhecido. <\/em><br \/>\n<em>27 o que vos digo \u00e0s escuras, dizei-o a plena luz; e o que se vos diz ao ouvido, proclamai-o dos eira\u00ad dos.<\/em><br \/>\n<em>28 N\u00e3o temais os que matam o corpo e n\u00e3o po dem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a a l ma como o corpo.<\/em><br \/>\n<em>29 N\u00e3o se vendem dois pardais por um asse? &#8220; E nenhum deles cair\u00e1 em terra sem o consentimen to de vosso Pai.<\/em><br \/>\n<em>30 E, quanto a v\u00f3s outros, at\u00e9 os cabelos todos da cabe\u00e7a est\u00e3o contados.<\/em><br \/>\n<em>31 N\u00e3o temais, pois! Bem mais valeis v\u00f3s do que muitos pardais.<\/em><br \/>\n<em>32 Portanto, todo aquele que me confessar dian\u00ad te dos homens, tamb\u00e9m eu o confessarei diante de meu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us; <\/em><br \/>\n<em>33 mas aquele que me negar diante dos homens, tamb\u00e9m eu o negarei diante de meu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us.<\/em><\/p>\n<p><em>Irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo!<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Boas not\u00edcias. N\u00f3s queremos ouvir boas not\u00edcias. Especialmente, quando elas apontam para o nosso futuro. A palavra \u00e9 <em>progn\u00f3sticos.<\/em> Quais s\u00e3o as possibilidades de sermos pessoas felizes? De evitarmos males e doen\u00e7as? De construirmos uma estabilidade emocional? De manter uma vis\u00e3o positiva da vida?<\/p>\n<p>Tais questionamentos s\u00e3o determinantes para as pessoas. A partir deles se fazem op\u00e7\u00f5es, se adquirem livros, se assistem programas, se consultam especialistas.<\/p>\n<p>Como se sente um disc\u00edpulo de Jesus quando o assunto \u00e9 o seu futuro, enquanto disc\u00edpulo? Jesus est\u00e1 falando ao seu c\u00edrculo de disc\u00edpulos. O tema \u00e9 o futuro. O assunto s\u00e3o os progn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>O futuro de um disc\u00edpulo de Jesus<\/p>\n<p>A ocasi\u00e3o \u00e9 muito especial: Jesus est\u00e1 revelando aos disc\u00edpulos aquilo que os espera na medida em que forem realizando aquilo que a comunh\u00e3o com Jesus lhes inspira. As perspectivas n\u00e3o s\u00e3o boas. Jesus n\u00e3o est\u00e1 delineando um caminho de sucessos. Dificuldades, rejei\u00e7\u00e3o, sofrimento est\u00e3o no caminho di\u00e1rio previsto e predito por Jesus.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, pode se afirmar que o sofrer di\u00e1rio caracteriza o crist\u00e3o? Tamb\u00e9m nos recusamos a pensar desta maneira. A que Jesus est\u00e1 se referindo?<\/p>\n<p>A resposta a essa pergunta est\u00e1 no contexto que Mateus construiu. Ao serm\u00e3o da montanha segue-se o relato da intensa atividade de Jesus revelando na pr\u00e1tica aquilo que o seu discurso afirmara. Jesus vai ao encontro das necessidades das pessoas que se conheciam como exclu\u00eddas do reino. Jesus leva a bem-aventuran\u00e7a onde j\u00e1 s\u00f3 havia um desesperado conformismo de exclus\u00e3o. O serm\u00e3o do Monte \u00e9 coroado com a cura de um leproso. A Galil\u00e9ia dos gentios, Gadara, s\u00e3o regi\u00f5es que recebem a bem-aventuran\u00e7a do Messias de Israel. Grupos de exclu\u00eddos como os publicanos e pecadores (9.10) s\u00e3o recebidos \u00e0 sua mesa, na sua comunh\u00e3o. At\u00e9 os endemoninhados se tornam bem-aventurados.<\/p>\n<p>Enquanto isso, fariseus questionam o conceito de reino de Deus que se revela na pr\u00e1tica teol\u00f3gica de Jesus (9.11). Finalmente, o veredito: Ele \u00e9 diab\u00f3lico, mensageiro de Satan\u00e1s (9.34).<\/p>\n<p>Exatamente no meio dessa oposi\u00e7\u00e3o (9.9), Mateus situa o seu chamado pessoal na coletoria. Ser\u00e1 que Mateus era um dos curiosos que se aproximaram quando Jesus ensinava os disc\u00edpulos no Monte? Ou ter\u00e1 tido outros contatos com Jesus?<\/p>\n<p>Por que Jesus \u00e9 perseguido? Por que o sofrimento ronda a sua atua\u00e7\u00e3o? Simplesmente porque havia pessoas a quem a sua atua\u00e7\u00e3o incomodava. Jesus incomoda. Quando ele se aproxima dos rejeitados, ele incomoda aqueles que produziram a rejei\u00e7\u00e3o aos publicanos, aos pecadores, a Mateus.<\/p>\n<p>Podemos imaginar com quanto idealismo os disc\u00edpulos iam ao encontro de outros rejeitados levando a palavra da bem-aventuran\u00e7a, da aceita\u00e7\u00e3o, do acolhimento divino tal como o tinham experimentado em Jesus. Mas eles precisavam saber que isso incomoda e perturba o sistema religioso e social gerador de sucata humana.<\/p>\n<p>O cristianismo incomoda pode ser um resumo do que Jesus est\u00e1 dizendo aos disc\u00edpulos. E n\u00e3o incomoda pouco. Ali\u00e1s, quando o cristianismo n\u00e3o incomoda, \u00e9 de se perguntar se ainda pode ser chamado de cristianismo. O ap\u00f3stolo Paulo foi um grande inc\u00f4modo para a igreja estabelecida em Jerusal\u00e9m. E ao escrever aos Romanos ele aponta para o resultado pr\u00e1tico da magn\u00edfica exposi\u00e7\u00e3o dos cap\u00edtulos precedentes: \u201cE n\u00e3o vos conformeis com este s\u00e9culo mas transformai-vos.\u201d (Rm 12.1)<\/p>\n<p>Jesus alerta com outras palavras, reportando-se ao que acontecera h\u00e1 bem pouco quando os fariseus o chamaram de mensageiro de Belzebu, ou o pr\u00f3prio (9.32-34): \u201cSe chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus dom\u00e9sticos?\u201d (10.25)<\/p>\n<p>Como se sente um disc\u00edpulo que est\u00e1 entusiasmado diante deste reino que acolhe exatamente pecadores como eles? Como se sente oi disc\u00edpulo que tem uma mensagem fant\u00e1stica como essa para transmitir, mas \u00e9 perseguido e rejeitado exatamente por causa dessa mesma mensagem? A resposta est\u00e1 na palavra de Jesus: \u201cN\u00e3o temais\u201d. Sim o disc\u00edpulo sente medo. E s\u00e3o muitos os medos que os disc\u00edpulos sentem. Mas o maior dos medos \u00e9 o medo de que essa mensagem possa ser sufocada. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outros medos. O medo da pr\u00f3pria persegui\u00e7\u00e3o. O medo de n\u00e3o resistir ao medo. O medo de se conformar, de se acovardar diante das amea\u00e7as. O medo de estar ao lado dos perdedores, estar ao lado da sucata humana e ser confundido com sucata.<\/p>\n<p>N\u00e3o temais, \u00e9 o encorajamento de Jesus. Em outras palavras, n\u00e3o desistam. N\u00e3o permitam que o vosso entusiasmo seja abatido. Previnam-se contra essa possibilidade. Para tanto, Jesus levanta os olhos dos seus disc\u00edpulos para a realidade final, a dimens\u00e3o escatol\u00f3gica \u00e9 fonte de \u00e2nimo constante. Com os olhos voltados para a bem-aventuran\u00e7a final, lembrem que estou do vosso lado sempre. O pr\u00f3prio Pai cuida de cada um de voc\u00eas.<\/p>\n<p>Assim como os fariseus perseguiram esse Jesus que comia com pecadores, a igreja crist\u00e3 necessita repensar permanentemente a sua postura diante de Deus. A igreja dos fariseus era uma comunidade terap\u00eautica em que os \u201ciguais\u201d se encontravam em sess\u00f5es de auto-ajuda, de m\u00fatuos elogios, e de admira\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria fidelidade e sa\u00fade espiritual. O diferente, o \u201coutro\u201d os incomodava. Era necess\u00e1rio rotular o \u201cdiferente\u201d. Rotulando-o de pecador, de perdido, de endemoninhado, de publicano, de ad\u00faltero, ficavam livres do inc\u00f4modo que sua exist\u00eancia lhes causava. At\u00e9 que veio Jesus.<\/p>\n<p>Quando nos reunimos em nossas igrejas, quando olhamos com alegria para as nossas ofertas e nossos projetos, \u00e9 bom olhar ao nosso redor e perguntar: Quem se alegra conosco? Quem se incomoda conosco? Quem est\u00e1 conosco? Os fariseus, com medo de serem reconhecidos como pecadores, como sucata, reduziram a gra\u00e7a de Deus a sucata. Por isso, \u201cquem me negar diante dos homens\u201d, quem n\u00e3o expuser e praticar essa gra\u00e7a ilimitada diante dos homens, \u201ceu tamb\u00e9m o negarei diante de meu Pai.\u201d<\/p>\n<p>O disc\u00edpulo n\u00e3o est\u00e1 acima do seu mestre. Qual o progn\u00f3stico que se projeta sobre o cristianismo que praticamos?<\/p>\n<p>\u00c9 tempo da gra\u00e7a. Tempo de chamar a aten\u00e7\u00e3o da igreja para o fato de que temos uma miss\u00e3o a realizar: A mesma miss\u00e3o que Jesus realizou conosco: \u201cEle nos recebeu sendo n\u00f3s ainda pecadores\u201d (Rm 5) Essa gra\u00e7a se renove nos nossos cora\u00e7\u00f5es todos os dias e a promessa do Pai espante os medos que a hostilidade de muitos promove e amea\u00e7am amorda\u00e7ar a palavra de salva\u00e7\u00e3o que aquece nossas vidas.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Paulo Proske Weirich<br \/>\nIgreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\nS\u00e3o Leopoldo<br \/>\n<a href=\"mailto:weirich@ulbranet.com.br\">weirich@ulbranet.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>5\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes | 19.06.2005 |\u00a0Mateus 10.24-33 | Paulo Proske Weirich | Texto: 24 O disc\u00edpulo n\u00e3o est\u00e1 acima do seu mestre, nem o servo, acima do seu senhor. &#8220; 25 Basta ao disc\u00edpulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. 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