{"id":10665,"date":"2005-08-07T19:49:28","date_gmt":"2005-08-07T17:49:28","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10665"},"modified":"2025-07-10T16:44:50","modified_gmt":"2025-07-10T14:44:50","slug":"mateus-1617","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mateus-1617\/","title":{"rendered":"Mateus 16:13\u201320"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<h3>D\u00e9cimo quarto Domingo ap\u00f3s Pentecostes | 21 de agosto de 2005 |\u00a0Mateus 16.13-20 | Luisivan Vellar Strelow |<\/h3>\n<p>Gra\u00e7a e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>Estimados(as) no Senhor:<\/p>\n<p>O Evangelho deste Domingo traz a confiss\u00e3o de Pedro, quando respondeu a Jesus dizendo: <strong>\u201cTu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo\u201d<\/strong> (v. 16). Em vista desta confiss\u00e3o de Pedro, Jesus faz tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es, a saber:<\/p>\n<p>1\u00aa &#8211; <em>\u201cN\u00e3o foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d; <\/em><\/p>\n<p>2\u00aa &#8211; <em>\u201cSim\u00e3o Barjonas&#8230; tu \u00e9s Pedro&#8230; Dar-te-ei as chaves do reino dos c\u00e9us\u201d;<\/em><\/p>\n<p>3\u00aa &#8211; <em>\u201cSobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno n\u00e3o prevalecer\u00e3o contra ela\u201d. <\/em><\/p>\n<p>E sobre estas tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es de Jesus, nas quais se mostra a luta entre o poder da morte e o poder da vida, queremos agora meditar.<\/p>\n<p><strong>A &#8211; \u201cN\u00e3o foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d <\/strong><\/p>\n<p>De um lado, \u201ccarne e sangue\u201d, isto \u00e9, de acordo com a linguagem b\u00edblica, o ser humano em sua condi\u00e7\u00e3o de criatura vivente. De outro lado, \u201cmeu Pai, que est\u00e1 nos c\u00e9us\u201d, o Deus vivo e vivificante.<\/p>\n<p>A origem desta linguagem est\u00e1 nas narrativas do G\u00eanesis, da cria\u00e7\u00e3o do ser humano e do dil\u00favio. Na primeira, lemos: <strong>\u201cEnt\u00e3o formou o SENHOR Deus o homem do p\u00f3 da terra e lhe soprou nas narinas o f\u00f4lego de vida, e o homem passou a ser alma vivente\u201d <\/strong>(Gn 2,7). Na segunda, lemos: <strong>\u201cEnt\u00e3o disse o SENHOR: O meu Esp\u00edrito n\u00e3o agir\u00e1 para sempre no homem, pois este \u00e9 carnal; e os seus dias ser\u00e3o cento e vinte anos\u201d<\/strong> (isto \u00e9, abreviados) (Gn 6.3).<\/p>\n<p>No meio, entre a humanidade terrena e mortal e Deus celestial e imortal, est\u00e1 a confiss\u00e3o de Pedro, que diz para Jesus, carne e sangue como ele, <strong>\u201cTu \u00e9s o Cristo, o Filho do Deus vivo\u201d<\/strong> (v. 16).<\/p>\n<p>Tom\u00e9, talvez mais do que todos os disc\u00edpulos, compreendeu que esta confiss\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com todo o conhecimento j\u00e1 elaborado pela raz\u00e3o humana: <strong>\u201cSe eu n\u00e3o vir nas suas m\u00e3os o sinal dos cravos, e ali n\u00e3o puser o dedo, e n\u00e3o puser a m\u00e3o no seu lado, de modo algum acreditarei\u201d<\/strong> (Jo 20.25). Mas, depois, ao ver Jesus, ressuscitado, colocou-se de joelhos e de rosto no ch\u00e3o, e adorou a Jesus dizendo: <strong>\u201cSenhor meu e Deus meu\u201d<\/strong> (v. 28).<\/p>\n<p>Paulo diz, na Primeira Carta aos Cor\u00edntios, que <strong>\u201cos judeus pedem sinais\u201d<\/strong>, isto \u00e9, milagres que confirmem que fala em nome de Deus ao pregar o evangelho, e que <strong>\u201cos gregos buscam sabedoria\u201d<\/strong>, isto \u00e9, querem debater com ele sobre a racionalidade do que prega. Paulo, contudo, afirma, que sua prega\u00e7\u00e3o, por mais sinais que realize e por mais argumentos que apresente, jamais poder\u00e1 ser reduzida a uma mensagem aceit\u00e1vel aos crit\u00e9rios humanos de verdade: <strong>\u201cmas n\u00f3s pregamos a Cristo crucificado, esc\u00e2ndalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. Porque a loucura de Deus \u00e9 mais s\u00e1bia do que os homens; e a fraqueza de Deus \u00e9 mais forte do que os homens\u201d<\/strong> (vv. 23-25).<\/p>\n<p>Pedro e os disc\u00edpulos estavam h\u00e1 quase tr\u00eas anos acompanhando a Jesus, sendo testemunhas tanto do poder como da sabedoria de Jesus. Agora, Jesus come\u00e7a a prepar\u00e1-los para a pr\u00f3xima etapa do caminho, para a qual eles tamb\u00e9m haviam sido escolhidos como testemunhas, o caminho da cruz. Para os acontecimentos que estavam por vir, os conceitos humanos de sabedoria e de poder seriam completamente subvertidos. Era preciso que, para seguir o caminho da cruz, os disc\u00edpulos fossem fortalecidos no conhecimento e no poder de Deus.<\/p>\n<p>A trai\u00e7\u00e3o de Judas, a nega\u00e7\u00e3o de Pedro, o enclausuramento dos disc\u00edpulos, a tristeza das mulheres, o des\u00e2nimo dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas e a incredulidade de Tom\u00e9 mostram de maneira contundente o choque que foi para eles a morte de Jesus na cruz. A carne e o sangue de Jesus, a sua mortalidade, foram expostos publicamente.<\/p>\n<p>N\u00f3s, a partir dos relatos b\u00edblicos, procuramos imaginar o que foi esta exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica da carne e do sangue de Jesus, sua paix\u00e3o e morte. Achamos dif\u00edcil assistir a um filme como A Paix\u00e3o de Cristo, mas apontamos para a fraqueza de Pedro, de Tom\u00e9 e dos outros disc\u00edpulos, em sua perplexidade diante de uma seq\u00fc\u00eancia de fatos, como a trai\u00e7\u00e3o, a pris\u00e3o, os interrogat\u00f3rios, os supl\u00edcios e, por fim, a crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus. E, como \u201ccarne e sangue\u201d que eram, os disc\u00edpulos foram tomados pelo medo, isto \u00e9, pelo medo do que aconteceria a eles pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos fugiram e se esconderam porque temeram os a\u00e7oites, varas, espinhos, cuspes, bofetadas e os pregos da cruz. Temeram os supl\u00edcios f\u00edsicos, o maceramento de sua pr\u00f3pria carne e o derramamento de seu pr\u00f3prio sangue. E aqui est\u00e1 o que temos em comum com eles, porque somos mortais, \u00e9 verdade, mas queremos sempre adiar este confronto com aquela que Paulo, em 1 Co 15.26, chama de o \u00faltimo inimigo a ser destru\u00eddo por Cristo: a morte. Mas \u00e9 o inimigo que nos espreita, dia a dia, e que um dia teremos de enfrentar, como dois gladiadores que se olham diretamente nos olhos e que sabem que apenas um sair\u00e1 da arena vencedor.<\/p>\n<p>\u00c9 sobre esta revela\u00e7\u00e3o que Jesus est\u00e1 falando com os disc\u00edpulos, a revela\u00e7\u00e3o de que enfrentaremos a nossa pr\u00f3pria morte como vencedores e n\u00e3o como derrotados, como herdeiros e n\u00e3o como deserdados da vida. Esse conhecimento \u201ccarne e sangue\u201d n\u00e3o nos podem dar, mas apenas o Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us.<\/p>\n<p>II. <strong>\u201cSim\u00e3o Barjonas&#8230; tu \u00e9s Pedro&#8230; Dar-te-ei as chaves do reino dos c\u00e9us\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Sim\u00e3o, filho de Jonas, tu \u00e9s Pedro.<\/p>\n<p>Em torno dessa palavra, a igreja est\u00e1 dividida, desde s\u00e9culos antes da Reforma Luterana. A quest\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no poder que Jesus reconhece em Pedro a partir do conhecimento que o Pai celestial concedeu a Pedro. Fundamentalmente, o poder \u00e9 da mesma ordem do conhecimento em que ele se baseia. O conhecimento de Pedro n\u00e3o \u00e9 terreno ou carnal, isto \u00e9, humano, mas celestial e divino, e assim \u00e9 o poder que Cristo lhe confere, n\u00e3o um poder sobre pessoas e bens deste mundo, mas um poder sobre as portas da vida.<\/p>\n<p>Quando Pedro \u00e9 retratado com porteiro dos c\u00e9us, essa imagem, embora folcl\u00f3rica e cen\u00e1rio de in\u00fameras piadas, tem uma base verdadeira. Pedro, como pregador do evangelho, foi porteiro dos c\u00e9us, pois abriu as portas da vida para todos os que creram em sua prega\u00e7\u00e3o. Quem prega o evangelho abre as portas da vida para aqueles que est\u00e3o encarcerados na morte.<\/p>\n<p>Pedro e todos os que confessam que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho do Deus Vivo, s\u00e3o detentores das chaves da porta da vida. Essa chave n\u00e3o \u00e9 algum conhecimento secreto, como muito imaginam, nem uma estrutura de poder sobre a terra, como tamb\u00e9m imaginam muitos outros, mas essa chave \u00e9 a mensagem da cruz, a promessa da ressurrei\u00e7\u00e3o e da vida eterna a todos os que recebem a Jesus como o Cristo, o Filho do Deus Vivo.<\/p>\n<p>De Sim\u00e3o, filho de Jonas, um pescador de Cafarnaum, a Pedro, pescador de homens para o reino de Deus e porteiro que abre as portas da salva\u00e7\u00e3o pela sua confiss\u00e3o e prega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O rei Nabucodonozor tivera um sonho, em que via uma grande est\u00e1tua com cabe\u00e7a de ouro, corpo e membros de ferro, prata e bronze, mas p\u00e9s de barro. Daniel revelou o sentido do sonho: uma sucess\u00e3o de imp\u00e9rios: o do pr\u00f3prio Nabucodonozor, a cabe\u00e7a de ouro, os que viriam depois dele, de metais inferiores, mas todos sustentados sobre p\u00e9s de barro.<\/p>\n<p>Sim\u00e3o, filho de Jonas&#8230; filho de Ad\u00e3o, homem feito de barro: <strong>\u201ctu \u00e9s p\u00f3, e ao p\u00f3 tornar\u00e1s\u201d <\/strong> (Gn 3.19). Pedro, o confessor, homem feito de f\u00e9, homem de pedra, homem firmado na pedra, pedra viva edificada sobre Cristo, a pedra angular, como lemos na Primeira Carta de Pedro: <strong>\u201cO Senhor \u00e9 bondoso&#8230; Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, tamb\u00e9m v\u00f3s mesmos como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual\u201d<\/strong> (1 Pe 2.3-5).<\/p>\n<p>De acordo com Jesus, a humanidade se divide em dois grupos de pessoas, os que edificam suas vidas sobre a pedra e os que edificam sobre a areia ou barro. Os que edificam sobre a pedra, edificam para a vida eterna. Os que edificam sobre a areia, edificam para a morte eterna.<\/p>\n<p>De nada adianta, como Nabucodonozor, termos toda a riqueza, sabedoria, poder e gl\u00f3ria deste mundo, se os nossos p\u00e9s s\u00e3o de barro. E de nada adianta tentar misturar ao barro algum metal, porque o material mais fraco \u00e9 que determina a resist\u00eancia final do edif\u00edcio.<\/p>\n<p>A f\u00e9 em Cristo faz de cada um de n\u00f3s pedras vivas de um edif\u00edcio cujo fundamento \u00e9 Cristo. Como ramos da videira, n\u00e3o temos vida em n\u00f3s mesmos, mas nossa vida est\u00e1 em Cristo.<\/p>\n<p>Quem firma sua esperan\u00e7a para o confronto com o \u00faltimo inimigo, a morte, em p\u00e9s de barro, j\u00e1 est\u00e1 derrotado, porque \u201ccarne e sangue\u201d n\u00e3o podem, de si mesmos, vencer a morte. Mas quem firma a sua esperan\u00e7a em Cristo, est\u00e1 firmado na pedra, no fundamento inabal\u00e1vel que \u00e9 Cristo, que venceu o poder da morte e as portas do inferno, que n\u00e3o o puderam conter na morte, porque ele \u00e9 <strong>o Cristo, o Filho do Deus Vivo<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, fui internado no hospital em que eu servia como capel\u00e3o. Do pronto socorro, fui para a UTI, de l\u00e1 para o quarto e, de l\u00e1, para casa. Mas eu conhecia bem os corredores do Hospital do Ex\u00e9rcito, em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 os havia percorrido todos. Conhecia tamb\u00e9m os caminhos que davam para o necrot\u00e9rio, e j\u00e1 havia visto muitos passarem por ele. Mas, ali, na UTI, eu fiz uma grande descoberta, a de que, igual a todos os outros, eu tamb\u00e9m era mortal (o que antes eu at\u00e9 aceitava como uma hip\u00f3tese remota). No mesmo ano, tive uma arma colocada na cabe\u00e7a por um assaltante drogado em uma sinaleira de S\u00e3o Paulo, e descobri que esse mundo \u00e9 mesmo um lugar perigoso de se viver, mesmo com sa\u00fade.<\/p>\n<p>N\u00f3s somos todos como Nabucodonozor, uns com mais ouro e prata do que outros em termos de disfarces terrenos de nossa verdadeira constitui\u00e7\u00e3o, mas todos feitos de barro. Podemos nos cobrir de ouro de todos os tipos e nos julgar seguros diante da vida e da morte, mas em nossos sonhos, isto \u00e9, nos momentos de franqueza, nos lembraremos de que nossos p\u00e9s s\u00e3o de barro.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 nada mais dif\u00edcil na vida do que nos darmos conta de nossa fragilidade diante deste inimigo poderoso que \u00e9 a morte. Somos p\u00f3, e ao p\u00f3 voltaremos. Podemos at\u00e9 nos endeusar, como Nabucodonozor, que construiu est\u00e1tuas de ouro para que em todo o imp\u00e9rio fosse adorado, mas em seus sonhos via que seus p\u00e9s eram de barro.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m somos como Pedro, pessoas de f\u00e9, atra\u00eddos pela bondade de Deus para nos deixarmos edificar como pedras vivas sobre o fundamento que \u00e9 Cristo.<\/p>\n<p><strong>III. \u201cSobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno n\u00e3o prevalecer\u00e3o contra ela\u201d. <\/strong><\/p>\n<p>No Salmo de hoje, lemos a ora\u00e7\u00e3o e c\u00e2ntico de Davi, que termina dizendo: <strong>\u201cn\u00e3o desampares as obras das tuas m\u00e3os\u201d<\/strong> (Sl 138.8). A refer\u00eancia \u00e9 claramente ao relato da Cria\u00e7\u00e3o, e nesta ora\u00e7\u00e3o, \u00e9 como se Davi dissesse: sim, eu sou barro, mas sou barro moldado por tuas m\u00e3os, n\u00e3o me desampares.<\/p>\n<p>A revela\u00e7\u00e3o de Deus n\u00e3o nos d\u00e1 apenas o conhecimento de que somos \u201ccarne e sangue\u201d ou barro, esta mistura de \u00e1gua e p\u00f3, mas que somos criaturas moldadas pelas m\u00e3os do Senhor.<\/p>\n<p>Paulo afirma que os crist\u00e3os s\u00e3o nova cria\u00e7\u00e3o, feitura ou obra das m\u00e3os de Deus, renascidos \u00e0 semelhan\u00e7a de Cristo, como hav\u00edamos nascido \u00e0 semelhan\u00e7a de Ad\u00e3o (Ef 2.10). Diz Paulo: <strong>\u201cO primeiro homem, formado da terra, \u00e9 terreno; o segundo homem \u00e9 do c\u00e9u. Como foi o primeiro homem, o terreno, tais s\u00e3o tamb\u00e9m os demais homens terrenos; e, como \u00e9 o homem celestial, tais tamb\u00e9m os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do que \u00e9 terreno, devemos trazer tamb\u00e9m a imagem do celestial.\u201d <\/strong><\/p>\n<p>Cristo edifica a igreja, isto \u00e9, molda a cada um de n\u00f3s como pedras vivas de um mesmo edif\u00edcio. Cristo nos molda com suas m\u00e3os, molda o celestial a partir do terreno. Cristo \u00e9 o oleiro, n\u00f3s somos o barro em suas m\u00e3os. Estamos sendo remoldados para a vida eterna. E, nesse processo de remoldura, as ferramentas s\u00e3o a palavra de Deus, o batismo, a santa ceia, a comunh\u00e3o da igreja, a vida de ora\u00e7\u00e3o e a cruz.<\/p>\n<p>Somos recriados pela palavra e sacramento, mas remoldados pela cruz e o sofrimento, como cantamos no hino conhecido. Quando pensamos que estamos sendo preparados para a morte, como inimiga poderosa e vitoriosa, Jesus est\u00e1 nos preparando para a vida, para nossa vit\u00f3ria final.<\/p>\n<p>Jesus transforma Sim\u00f5es em Pedros, pescadores humildes em porteiros dos c\u00e9us, e reduz Nabucodonozores a nada, imp\u00e9rios a ru\u00ednas. Esse \u00e9 o sentido mais profundo da confiss\u00e3o de Pedro, Jesus o Filho do Deus vivo faz viver os simples e faz morrer os soberbos. Jesus edifica a igreja, constr\u00f3i o reino dos c\u00e9us, e destr\u00f3i o poder da morte e as portas do inferno.<\/p>\n<p>Jesus Cristo \u00e9 a pedra que, no sonho de Nabucodonozor, esmi\u00fa\u00e7a a est\u00e1tua colossal, isto \u00e9, destr\u00f3i os reinos humanos e estabelece, como pedra fundamental, o reino de Deus.<\/p>\n<p>O Cristo, Filho do Deus Vivo, \u00e9 Senhor da vida e da morte. J\u00e1 o era desde a eternidade, mas se fez homem, padeceu, morreu e foi sepultado, como confessamos no Credo, para ser tamb\u00e9m para cada um de n\u00f3s a pedra que nos vivifica e o oleiro que nos molda para a vida eterna.<\/p>\n<p>Na apar\u00eancia, somos ainda de barro, mas trazemos dentro de n\u00f3s um tesouro indestrut\u00edvel, a nova vida em Cristo, a vida da f\u00e9, que nos faz sermos pedra viva, pedra na igreja em constru\u00e7\u00e3o. Somos uma pequena pedra, mas que n\u00e3o ficar\u00e1 esquecida, pois tem o seu lugar reservado na Igreja de Cristo, hoje e por toda a eternidade. Somos pedra de um edif\u00edcio projetado por Deus, n\u00e3o pedras de ru\u00ednas dos sonhos humanos.<\/p>\n<p>Por isso, podemos louvar a Deus dizendo que nada poder\u00e1 nos separar do amor de Deus em Cristo, nem mesmo a morte (Rm 8.31-39). Ou, como no c\u00e2ntico conhecido, \u201co amor de Deus \u00e9 mais forte do que a morte\u201d.<\/p>\n<p>Somos barro, \u00e9 verdade, mas barro nas m\u00e3os do Senhor. Am\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Luisivan Vellar Strelow<\/strong><\/p>\n<p><strong>Bras\u00edlia, DF &#8211; Brasil<br \/>\nIgreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\n<a href=\"mailto:mbl@vsp.com.br\">lstrelow@hotmail.com<\/a><\/strong><strong> www.ielb.org.br<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00e9cimo quarto Domingo ap\u00f3s Pentecostes | 21 de agosto de 2005 |\u00a0Mateus 16.13-20 | Luisivan Vellar Strelow | Gra\u00e7a e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Am\u00e9m. 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