{"id":10865,"date":"2021-02-07T19:48:56","date_gmt":"2021-02-07T19:48:56","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10865"},"modified":"2023-02-09T18:43:43","modified_gmt":"2023-02-09T17:43:43","slug":"isaias-63-15-64-8","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/isaias-63-15-64-8\/","title":{"rendered":"Isa\u00edas 63.15-64-8"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Terceiro Domingo de Advento \u2013 11 de dezembro de 2005. <\/strong><br \/>\n<strong>Texto B\u00edblico: Isa\u00edas 63.15-64-8 \u2013 Everson Gass<\/strong><\/h3>\n<hr \/>\n<div align=\"center\"><strong>F\u00e9 no tempo de Advento! <\/strong><\/div>\n<div align=\"left\">\n<p><em>\u201cAtenta do c\u00e9u e olha da tua santa e gloriosa habita\u00e7\u00e3o. Onde est\u00e3o o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu cora\u00e7\u00e3o e as tuas miseric\u00f3rdias se det\u00eam para comigo!<\/em><br \/>\n<em>Mas tu \u00e9s nosso Pai, ainda que Abra\u00e3o n\u00e3o nos conhece, e Israel n\u00e3o nos reconhece; tu, \u00f3 SENHOR, \u00e9s nosso Pai; nosso Redentor \u00e9 o teu nome desde a antiguidade.<\/em><br \/>\n<em>\u00d3 SENHOR, por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Por que endureces o nosso cora\u00e7\u00e3o, para que te n\u00e3o temamos? Volta, por amor dos teus servos e das tribos da tua heran\u00e7a. S\u00f3 por breve tempo foi o pa\u00eds possu\u00eddo pelo teu santo povo; nossos advers\u00e1rios pisaram o teu santu\u00e1rio. Tornamo-nos como aqueles sobre quem tu nunca dominaste e como os que nunca se chamaram pelo teu nome. Oh! Se fendesses os c\u00e9us e descesses! Se os montes tremessem na tua presen\u00e7a, como quando o fogo inflama os gravetos, como quando faz ferver as \u00e1guas, para fazeres not\u00f3rio o teu nome aos teus advers\u00e1rios, de sorte que as na\u00e7\u00f5es tremessem da tua presen\u00e7a! Quando fizeste coisas terr\u00edveis, que n\u00e3o esper\u00e1vamos, desceste, e os montes tremeram \u00e0 tua presen\u00e7a. Porque desde a antiguidade n\u00e3o se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus al\u00e9m de ti, que trabalha para aquele que nele espera. Sais ao encontro daquele que com alegria pratica justi\u00e7a, daqueles que se lembram de ti nos teus caminhos; eis que te iraste, porque pecamos; por muito tempo temos pecado e havemos de ser salvos? Mas todos n\u00f3s somos como o imundo, e todas as nossas justi\u00e7as, como trapo da imund\u00edcia; todos n\u00f3s murchamos como a folha, e as nossas iniq\u00fcidades, como um vento, nos arrebatam. J\u00e1 ningu\u00e9m h\u00e1 que invoque o teu nome, que se desperte e te detenha; porque escondes de n\u00f3s o rosto e nos consomes por causa das nossas iniq\u00fcidades. Mas agora, \u00f3 SENHOR, tu \u00e9s nosso Pai, n\u00f3s somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos n\u00f3s, obra das tuas m\u00e3os.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Nossa f\u00e9 \u00e9 constantemente colocada em cheque. A f\u00e9 \u00e9 testada diariamente. E as vezes ficamos em d\u00favida e perguntamos: <em>Mas Deus n\u00e3o pode fazer nada a respeito das coisas? Tudo acontece conforme o \u2018destino\u2019? <\/em><\/p>\n<p>Em setembro de 2002 o mundo assistiu estupefato a queda das torres g\u00eameas do World Trade Center. \u00c9 prov\u00e1vel que as pessoas dentro do avi\u00e3o seq\u00fcestrado clamaram por Deus. Por\u00e9m o avi\u00e3o acabou por colidir contra o edif\u00edcio. Vi, que pessoas ao longe, homens e mulheres desesperavam e clamavam: \u201cDeus, meu Deus\u201d. Alguns estavam de m\u00e3os dadas, gritando a Deus por compaix\u00e3o, mas &#8230; &#8222;Deus n\u00e3o nos ouviu\u201d; e minutos depois o outro avi\u00e3o seria lan\u00e7ado sobre uma das torres. <em>Deus n\u00e3o podia fazer nada a respeito?<\/em><\/p>\n<p>Este ano as cat\u00e1strofes mundiais vitimaram mais de 500 mil pessoas. <em>Ser\u00e1 que Deus n\u00e3o poderia ter feito nada a respeito? <\/em><\/p>\n<p>A mesma pergunta surge quando olhamos para o nosso mundo. Deus n\u00e3o pode fazer nada? N\u00e3o pode interferir? As coisas tem que ser do modo que s\u00e3o? Em nosso texto, Isa\u00edas responde a pergunta de tr\u00eas maneiras. Ele busca uma resposta movendo-se em tr\u00eas tempos: &#8222;Bem, talvez Deus n\u00e3o quer fazer&#8220;, &#8222;Talvez ele vai&#8220;, e ent\u00e3o afirma com convic\u00e7\u00e3o, &#8222;Deus j\u00e1 fez algo sobre isto\u201d.<\/p>\n<p>A viagem pelo nosso texto nos for\u00e7a a sermos honestos com nossas emo\u00e7\u00f5es e pensamentos, providenciando assim um ponto de partida para a prepara\u00e7\u00e3o do nosso Natal. Sendo honestos com o significado do texto n\u00e3o diremos: &#8222;Bem, estou confiante, tudo vai se resolver\u201d. Vem o <strong>tempo<\/strong> quando n\u00e3o estamos confiantes. <em>E podemos pensar que Deus agiu no passado! E n\u00e3o agir\u00e1 agora! <\/em><\/p>\n<p>Isa\u00edas pergunta primeiro: &#8222;Por que Deus deveria fazer alguma coisa para mudar a situa\u00e7\u00e3o?&#8220; O texto cont\u00e9m um lamento forte, um grito para Deus. Algo deu errado, at\u00e9 mesmo quando os olhares do profeta se voltam para tr\u00e1s; a todas as coisas gloriosas que Deus realizou (63.7-14). Ent\u00e3o ele deprecia: &#8222;Mas isso parece t\u00e3o distante&#8220;.<\/p>\n<p>Temos o mesmo sentimento em nossa caminhada de <strong>f\u00e9!<\/strong> Quando pensamos em Jesus que nasceu, viveu, morreu, e ressuscitou como nosso Salvador, vislumbramos estes eventos como tendo acontecido h\u00e1 muito <strong>tempo<\/strong>. <em>H\u00e1 tanto <strong>tempo<\/strong> que hoje n\u00e3o nos oferecem nenhuma esperan\u00e7a de que Deus pode agir em nosso favor? <\/em><\/p>\n<p>O profeta implora: &#8222;Atenta do c\u00e9u, e olha da tua santa e gloriosa habita\u00e7\u00e3o. Onde est\u00e3o o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu cora\u00e7\u00e3o e as tuas miseric\u00f3rdias se det\u00eam para comigo!&#8220; (Is 63.15)<\/p>\n<p>Isa\u00edas questiona a aparente indiferen\u00e7a de Deus em rela\u00e7\u00e3o ao seu povo. E acrescenta: &#8222;Lembra, tu \u00e9s nosso Pai. Abra\u00e3o e Jac\u00f3 n\u00e3o lembram de n\u00f3s, mas tu Senhor, desde os tempos antigos tens sido o nosso Redentor&#8220;. Deus resgatou os patriarcas, e fez uma alian\u00e7a, a qual nos inclui hoje. Deus deve preocupar-se conosco. Mas n\u00f3s podemos desejar saber: <em>Onde est\u00e1 a evid\u00eancia disso?<\/em><\/p>\n<p>\u00c0s vezes podemos ter uma preocupa\u00e7\u00e3o tal que pensamos: <em>Deus n\u00e3o lembra quem n\u00f3s somos!<\/em> A pergunta que surge na mente de Isa\u00edas \u00e9 a mesma que J\u00f3 expressou quando experimentou tantos dissabores e trag\u00e9dias em sua vida: <em> Porque? Por que estas coisas acontecem? Por que Deus permite que estas coisas aconte\u00e7am comigo? <\/em><\/p>\n<p>Isa\u00edas ent\u00e3o adiciona esta quest\u00e3o enigm\u00e1tica da <strong>f\u00e9<\/strong>: &#8222;Por que nos fazes desviar dos teus caminhos? Porque endureces o nosso cora\u00e7\u00e3o, para que te n\u00e3o temamos?&#8220; Em sua raiva, o profeta culpa Deus pelo pecado do seu povo. Ele culpa Deus pelo que est\u00e3o fazendo.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um grito distante de Is 43.1. Um texto bonito onde Deus diz: &#8222;N\u00e3o temas, por que eu te remi. Chamei-te pelo teu nome. Tu \u00e9s meu!&#8220; <em>Deus \u00e9 indiferente? Ele nos esqueceu? O mundo sente a sua falta?<\/em><\/p>\n<p><em>Por que Deus deveria se lembrar de n\u00f3s?<\/em> N\u00f3s n\u00e3o merecemos a aten\u00e7\u00e3o de Deus. Por exemplo: No Brasil as CPI\u00b4s mostram que a desonestidade gra\u00e7a nos meios pol\u00edticos. Mas isso n\u00e3o \u00e9 \u2018privil\u00e9gio\u2019 apenas do alto escal\u00e3o. A desonestidade est\u00e1 presente em todos os segmentos da sociedade. E n\u00e3o s\u00f3 no Brasil mas no mundo todo.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da desonestidade da maioria das pessoas. A desonestidade das pessoas \u00e9 a causa e a raiz da afli\u00e7\u00e3o da frustra\u00e7\u00e3o do Profeta. N\u00f3s temos um Deus honesto que lida com pessoas desonestas. N\u00f3s n\u00e3o temos o direito de esperar que Deus fa\u00e7a qualquer coisa, porque n\u00f3s merecemos apenas a sua raiva, o seu castigo, e a sua rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o Isa\u00edas se lan\u00e7a nos bra\u00e7os misericordiosos de Deus e ousa lhe pedir que aja. \u00c9 como se dissesse, &#8222;Deus, fa\u00e7a um milagre. Realize algo incr\u00edvel e fant\u00e1stico&#8220;. Ele quer que Deus apare\u00e7a e visivelmente intervenha. Quer que Deus se manifeste.<\/p>\n<p>Isa\u00edas sugere a Deus. &#8222;Se fendesses os c\u00e9us&#8230; Se os montes tremessem&#8220;. Deus apareceu a Mois\u00e9s em um arbusto ardente. Pensando nisto, Isa\u00edas acrescenta: &#8222;Eu tenho uma id\u00e9ia bem melhor, Deus. Com um pouco de fogo: Ilumine o c\u00e9u! Ent\u00e3o todo o mundo ver\u00e1 e saber\u00e1: \u00c9 um milagre.&#8220;<\/p>\n<p>Isa\u00edas ora por um milagre inesperado &#8211; algo completamente novo e diferente (Is 64.3,4). Ele anseia por Deus para que revele a sua gra\u00e7a de forma tang\u00edvel. Ele quer um sinal de Deus. Um sinal em que ele pode p\u00f4r a sua <strong>f\u00e9<\/strong>.<\/p>\n<p>E Deus ouve a ora\u00e7\u00e3o de Isa\u00edas e responde. Somos convidados a parar em nossos caminhos apressados. N\u00e3o \u00e9 que aconteceu algo! Deus respondeu as ora\u00e7\u00f5es do seu povo. Ele veio e manifestou-se de um modo sem igual. Deus se tornou carne. O Deus que pensamos n\u00e3o se preocupar e n\u00e3o agir, agiu; porque ele se preocupa. Ele veio a n\u00f3s na pessoa de Jesus, o beb\u00ea nascido em Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Isa\u00edas expressa sua <strong>f\u00e9<\/strong> de que Deus far\u00e1, de alguma maneira, o inesperado. N\u00f3s n\u00e3o merecemos que Deus se preocupe, mas ele o faz. Quando as not\u00edcias chegaram, do naufr\u00e1gio do Tit\u00e2nic em 1912, disseram eles que n\u00e3o conseguiriam recobrar o navio pois estava em profunda escurid\u00e3o. Estava fundo, muito distante para traze-lo \u00e0 superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Podemos nos alegrar, pois o mesmo n\u00e3o \u00e9 verdade sobre n\u00f3s. Apesar de todas as perguntas e frustra\u00e7\u00f5es, apesar de estar com raiva ou m\u00e1goas profundas, a vida n\u00e3o precisa ficar nas \u00e1guas profundas e escuras. As Boas Not\u00edcias v\u00eam de uma maneira celestial a n\u00f3s. Deus se preocupa. Ele fez algo. Ele enviou Jesus Cristo. N\u00f3s nunca estamos t\u00e3o distantes que Deus n\u00e3o possa vir a n\u00f3s e nos tirar da escurid\u00e3o de nossos pecados e nos trazer \u00e0 superf\u00edcie da luz do seu amor e perd\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante Advento somos convidados a vigiar. Somos como sentinelas no alto da fortaleza para anunciar a chegada do rei. Somos indicadores da a\u00e7\u00e3o amorosa de Deus. A\u00e7\u00e3o esta que experimentamos no nascimento do menino Jesus. Durante o Advento nossa f\u00e9 \u00e9 renovada, e isso nos conduz a um compromisso renovado.<\/p>\n<p><em> Isa\u00edas v\u00ea a vida como uma viagem cont\u00ednua, e o primeiro passo \u00e9 o arrependimento (Is 64.5,6) <\/em><\/p>\n<p>Isa\u00edas conclui &#8222;Se Deus est\u00e1 fazendo algo em minha vida, na minha vida em particular durante este Advento, Ele quer que eu esteja alerta. Deus tem o desejo de que eu me prepare para a sua vinda&#8220;. Um esp\u00edrito alerta \u00e9 um esp\u00edrito arrependido. Admitir nossos pecados, nossa imperfei\u00e7\u00e3o (v 6) \u00e9 o primeiro passo para a cura interna e para uma <strong>f\u00e9<\/strong> que confessa aquele Deus que toma conta de n\u00f3s. Todas nossas tentativas para ganhar o favor de Deus s\u00e3o como trapos imundos.<\/p>\n<p><em> Devemos ser mo\u00eddos de forma que Deus pode nos moldar, porque ele \u00e9 o oleiro e n\u00f3s somos o barro. (Is 64.7,8) <\/em><\/p>\n<p>Somos desafiados a esperar, aguardar, e anunciar que Deus agir\u00e1 neste Advento. Primeiro, n\u00f3s somos mo\u00eddos por nossos pecados. Quando n\u00f3s abandonamos todo o esfor\u00e7o para merecer o amor e a compaix\u00e3o de Deus a ponto de sermos nada, ent\u00e3o Cristo pode vir a n\u00f3s e pode nos fazer de novo. Ele refaz-nos nova cristura e nos tornamos a obra das suas m\u00e3os.<\/p>\n<p>O evento de Bel\u00e9m pode parecer diferente a voc\u00ea neste ano. Cada Advento podemos perceber a vinda de Cristo de forma diferente por causa de acontecimentos diferentes que marcaram nossas vidas durante o \u00faltimo ano. Podemos ter problemas novos ou novas alegrias, necessidades novas ou novas expectativas. Como \u00e9 estimulante preparar a <strong>f\u00e9<\/strong> para receber o Menino Deus. Qu\u00e3o excitante \u00e9 estar vigilante, e se antecipar ao seu retorno, n\u00e3o importa quanto tempo pode levar.<\/p>\n<p>Este <strong>Tempo<\/strong> de Advento \u00e9 para nos prepararmos para o Natal. Sabemos e acreditamos que Cristo veio e vir\u00e1 novamente. Ele promete entrar em nossas vidas pela sua Palavra, pelo Batismo e pela Santa Ceia e nos transformar. Transformar o deserto da nossa vida em rios de \u00e1gua viva.<\/p>\n<p>Am\u00e9m!<\/p>\n<p align=\"right\">Traduzido e adaptado de <em>Conc\u00f3rdia Pulpit Resources. <\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"Stil4\"><strong>Pastor Everson Gass <\/strong><br \/>\n<strong>Treze T\u00edlias, SC &#8211; Brasil <\/strong><br \/>\n<strong>Igreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<\/strong><br \/>\n<strong><a href=\"mailto:egass@ielb.brtdata.com.br\">egass@ielb.brtdata.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceiro Domingo de Advento \u2013 11 de dezembro de 2005. 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