{"id":10959,"date":"2021-02-07T19:49:01","date_gmt":"2021-02-07T19:49:01","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=10959"},"modified":"2023-02-06T14:37:08","modified_gmt":"2023-02-06T13:37:08","slug":"1-corintios-7-29-31","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/1-corintios-7-29-31\/","title":{"rendered":"1 Cor\u00edntios 7.29-31"},"content":{"rendered":"<div align=\"left\">\n<h3><strong>3\u00ba Domingo ap\u00f3s Epifania, 22.01.2006 <\/strong><br \/>\n<strong>S\u00e9rie Trienal B \u2013 1 Cor\u00edntios 7.29-31, Paulo Proske Weirich<\/strong><\/h3>\n<p><em>Texto:<br \/>\n<\/em>29 <em>Isto, por\u00e9m vos digo, irm\u00e3os: o tempo se abrevia; o que resta \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 os casados sejam como se o n\u00e3o fossem<\/em>;<br \/>\n<em>30 mas tamb\u00e9m os que choram como se n\u00e3o chorassem; e os que se alegram, como se n\u00e3o se alegrassem; e os que compram, como se nada possu\u00edssem;<br \/>\n<\/em>31 <em>e os que se utilizam do mundo, como se dele n\u00e3o usassem; porque a apar\u00eancia deste mundo passa<\/em>.<\/p>\n<p align=\"center\">Viver fora da realidade<\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais marcantes do pensamento humano \u00e9 a capacidade de sair da realidade e viver fora dela. Em muitos casos, isto \u00e9 bem-vindo e cultivado com alegria. Medita\u00e7\u00e3o oriental, poesia, abstra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, fic\u00e7\u00e3o, sonhos e utopias, s\u00e3o, entre outros, espa\u00e7os que pessoas procuram com insist\u00eancia porque v\u00eaem a\u00ed uma possibilidade de um mundo melhor, uma vida mais aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em alguns espa\u00e7os as pessoas inclusive cr\u00eaem que a verdadeira realidade \u00e9 a realidade perfeita que imaginamos e desejamos alcan\u00e7ar. Em conseq\u00fc\u00eancia, o que \u00e9 concreto deve ser minimizado, e at\u00e9 desprezado como in\u00fatil e prejudicial.<\/p>\n<p>As palavras de Paulo escritas aos Cor\u00edntios do primeiro s\u00e9culo abordam exatamente esta discuss\u00e3o. E faz isto quando responde a perguntas sobre o casamento. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 exatamente o casamento o foco da discuss\u00e3o mas o tema \u00e9 a sexualidade, o desejo sexual.<\/p>\n<p>A sexualidade tem sido um tema que as pessoas em geral t\u00eam dificuldade em abordar. Isto n\u00e3o \u00e9 de agora. J\u00e1 nos tempos apost\u00f3licos havia correntes entre aqueles povos, que a B\u00edblia designa como pag\u00e3os, os n\u00e3o crist\u00e3os, que viam na sexualidade a evid\u00eancia da decad\u00eancia espiritual do ser humano, algo que mais se identificava com instintos de animal. Afirmavam que o ser humano, na medida em que o seu esp\u00edrito evolui, ele pode prescindir do sexo.<\/p>\n<p>Em contrapartida, houve aqueles que, ent\u00e3o, procuraram dar \u00e0 sexualidade contornos positivos. Por exemplo, aliando a sexualidade a deuses e deusas, ligando isto a um templo e ao ato de culto.<\/p>\n<p>Disto decorria que as pessoas em geral n\u00e3o conseguiam estar claras e definidas sobre a sua pr\u00f3pria atitude diante do desejo sexual. Ter desejo sexual latente em si \u00e9 algo inferior, conden\u00e1vel, que \u00e9 preciso reprimir? E se isto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, como agir? O que pensar a respeito de mim pr\u00f3prio? Consci\u00eancias confusas e desinformadas podem, como efetivamente fazem, levar as pessoas a excessos de toda ordem no abafamento da culpa.<\/p>\n<p>Assim, entre os membros da igreja de Corinto, havia tanto aqueles que cultivavam a virgindade como prova de pureza e tamb\u00e9m o celibato, como havia outros que n\u00e3o questionavam as pr\u00f3prias consci\u00eancias a respeito da pr\u00f3pria moral como se o sexo fosse uma necessidade a ser resolvida quando surgisse.<\/p>\n<p>Qual o papel da igreja? Sexo \u00e9 assunto para a igreja resolver? N\u00e3o. Mas as consci\u00eancias enganadas, desinformadas e desenganadas, estas s\u00e3o o pr\u00f3prio da igreja. Paulo poderia ter, como hoje se faz, ter tido um discurso moralista, apontar o certo, condenar o errado. Isto as consci\u00eancias j\u00e1 tinham acusado. Os crist\u00e3os em Corinto estavam divididos, acusando-se mutuamente.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o ainda hoje \u00e9 a mesma. N\u00e3o faltam acusa\u00e7\u00f5es, julgamentos, ju\u00edzos, e, com isto, preconceitos, divis\u00f5es, culpa, e o que mais da\u00ed decorre, como se somente uma parte das pessoas fosse pecaminosa e outra, justa e piedosa.<\/p>\n<p>Lutero nota que o ap\u00f3stolo nesta carta rep\u00f5e tudo na perspectiva da f\u00e9. A f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 alicer\u00e7ada sobre regras de moral nem sobre o que o ser humano decide aceitar como \u00e9tico e moral. A f\u00e9 crist\u00e3 est\u00e1 firmada sobre a f\u00e9 que diz: Somos totalmente incapazes de viver uma vida que agrade a Deus, por mais que nos esforcemos. Cremos na palavra de Deus que afirma que Deus nos acolheu por causa do trabalho que Jesus realizou. Cremos, finalmente, que Deus conduz nossa vida neste aprendizado: Precisamos aprender que realmente n\u00e3o prestamos para nada. Mas, olhando para Jesus, vemos que exatamente os perdidos s\u00e3o chamados a crer que s\u00e3o filhos de Deus.<\/p>\n<p>Por isto, para os crist\u00e3os, casar, ter filhos, empreender qualquer coisa nesta vida, \u00e9 sempre um ato de f\u00e9 em Deus. \u201cSe o Senhor quiser faremos isto ou aquilo\u201d, \u00e9 a linguagem desta nova vida em Cristo.<\/p>\n<p>O Senhor, por isto, nos deixa no mundo, para que tomemos decis\u00f5es. Mas nesta tomada de decis\u00f5es est\u00e1 a m\u00e3o de Deus promovendo o aprendizado deste viver <em>em<\/em> e <em>da<\/em> f\u00e9. Os crist\u00e3os, portanto, v\u00eaem o casamento tamb\u00e9m como um caminhar na f\u00e9. Depende absolutamente de Deus que um casamento seja aben\u00e7oado com amor, perd\u00e3o, paci\u00eancia, perseveran\u00e7a, etc. N\u00e3o depende do ser humano. Se algu\u00e9m tem o casamento ajustado e feliz, isto \u00e9 gra\u00e7a de Deus e n\u00e3o resultado da piedade ou do esfor\u00e7o pessoal. \u00c9 Deus que no Salmo 118 pronuncia a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o sobre a vida comum do matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o \u00e9 aconselh\u00e1vel a afinidade da f\u00e9 no casamento. N\u00e3o como exig\u00eancia ou imposi\u00e7\u00e3o, mas como um acr\u00e9scimo de compreens\u00e3o m\u00fatua do casamento como um presente de Deus. \u201cN\u00e3o \u00e9 bom estar s\u00f3\u201d \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de Deus. Todas as necessidades que o ser humano mais anseia realizar est\u00e3o contempladas neste \u201cestar junto\u201d com algu\u00e9m.<\/p>\n<p>Pela f\u00e9, primeiro Deus funde a sua vida \u00e0 nossa. A vida que temos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a nossa, mas \u00e9 a vida de Deus novamente, apesar de n\u00e3o prestarmos realmente para nada, no que depende de n\u00f3s. Mas Deus decidiu que assim seria. Essa fus\u00e3o divina Deus chama de amor. Mas para que este amor de Deus fique mais concreto, Deus preparou algu\u00e9m, uma pessoa, para que essa pessoa tivesse amor por mim. N\u00e3o s\u00e3o as minhas virtudes pessoais que me tornam am\u00e1vel. Deus traz algu\u00e9m e desperta interesse, gosto, paix\u00e3o e todas as coisas que tornam poss\u00edvel a fus\u00e3o de duas vidas. Porque Deus quer que experimentemos e aprendamos a amar j\u00e1 neste mundo, mesmo que sejamos pessoalmente cheios de defeitos e limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A sexualidade, os bens, o corpo e tudo que nos identifica com esta vida, recebemos de Deus. E Deus distribuiu diferentemente a cada um dons, pessoas, e circunst\u00e2ncias de vida. Por isto tudo que se recebe como presente de Deus traz a felicidade e a vis\u00e3o da vida que Deus reservou para cada um. Nada \u00e9 definitivo. Tudo \u00e9 passageiro. A felicidade completa Deus reservou para a vida que nos aguarda junto dele na eternidade. Em fun\u00e7\u00e3o disto, n\u00e3o esperamos desta vida a perfei\u00e7\u00e3o, a realiza\u00e7\u00e3o completa. Isto fazem os que vivem fora da f\u00e9, porque n\u00e3o conhecem realmente outra realidade e vivem na ilus\u00e3o a respeito de si pr\u00f3prios, julgando-se capazes e no direito de uma felicidade absoluta.<\/p>\n<p>\u00c9 ilus\u00f3rio e mentiroso pensar que somos ou podemos vir a ser pessoas perfeitas e confi\u00e1veis. \u00c9 ilus\u00f3rio e mentiroso esperar, exigir ou impor `pessoas que estejam e se esforcem para estar \u00e0 altura das minhas expectativas pessoais. \u00c9 ilus\u00f3rio e mentiroso agirmos e projetarmos para os outros a id\u00e9ia de que podemos servir de padr\u00e3o de moral e conduta para outras pessoas ou de que alguma pessoa efetivamente o seja. Pelo contr\u00e1rio, busquemos, no esp\u00edrito de Cristo, agir como quem permanentemente necessita e acolhe com humildade a compreens\u00e3o, a paci\u00eancia e o amor que pessoas ao nosso redor t\u00eam por n\u00f3s.<\/p>\n<p>O tempo se abrevia, diz o Ap\u00f3stolo. N\u00e3o queiramos ter mais do que aquilo que est\u00e1 ao nosso alcance. Mas, uma vez que encaramos as limita\u00e7\u00f5es inerentes a esta vida pela f\u00e9, ent\u00e3o tamb\u00e9m aprendemos a usufruir com gratid\u00e3o e alegria os presentes que Deus nos deu.<\/p>\n<p>Por isto, ser ou n\u00e3o casado, exercitar a sexualidade ou n\u00e3o, rir e chorar, s\u00e3o circunst\u00e2ncias e s\u00e3o ambientes pelos quais Deus encaminhou a vida de cada um. Nada \u00e9 absoluto e definitivo, como esta vida n\u00e3o \u00e9 absoluta e definitiva. Est\u00e3o certos todos que desconfiam desta vida.<\/p>\n<p>Mas ao mesmo tempo, esta vida \u00e9 absoluta e definitiva na medida em que \u00e9 vivida na gra\u00e7a de Deus que nos amparou e deu vida em Cristo. Agora vivemos esta mesma vida j\u00e1 em Deus. E nela Deus est\u00e1 derramando suas b\u00ean\u00e7\u00e3os copiosamente sobre cada um. \u00c0s vezes em forma de tribula\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes em clima de festa, mas sempre como b\u00ean\u00e7\u00e3o de um Deus absolutamente envolvido com a nossa vida.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong> Paulo Proske Weirich<br \/>\n<\/strong><strong>Igreja Evang\u00e9lica Luterana do Brasil<br \/>\n<\/strong><strong>S\u00e3o Leopoldo<br \/>\n<\/strong><strong><a href=\"mailto:weirich@ulbranet.com.br\">weirich@ulbranet.com.br<\/a><\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>3\u00ba Domingo ap\u00f3s Epifania, 22.01.2006 S\u00e9rie Trienal B \u2013 1 Cor\u00edntios 7.29-31, Paulo Proske Weirich Texto: 29 Isto, por\u00e9m vos digo, irm\u00e3os: o tempo se abrevia; o que resta \u00e9 que n\u00e3o s\u00f3 os casados sejam como se o n\u00e3o fossem; 30 mas tamb\u00e9m os que choram como se n\u00e3o chorassem; e os que se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16618,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,727,157,120,853,108,668,3,1204,112,109,126,1158],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-10959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-1-korinther","category-archiv","category-beitragende","category-bes_gelegenheiten","category-bibel","category-current","category-kapitel-07-chapter-07-1-korinther","category-nt","category-paulo-proske-weirich","category-port","category-predigten","category-predigtreihen","category-serie-trienal-b"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10959"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10959\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16619,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10959\/revisions\/16619"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10959"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=10959"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=10959"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=10959"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=10959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}