{"id":13637,"date":"2022-09-26T19:28:18","date_gmt":"2022-09-26T17:28:18","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=13637"},"modified":"2022-09-26T19:31:58","modified_gmt":"2022-09-26T17:31:58","slug":"amos-8-4-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/amos-8-4-7\/","title":{"rendered":"Am\u00f3s 8. 4-7"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">\u00abAs filhas e filhos da luz n<em>\u00e3<\/em>o s<em>\u00e3<\/em>o bons nos neg\u00f3cios\u00a0\u00bb | Pr\u00e9dica para o 15. Domingo ap\u00f3s Pentecostes | 18.09.2022 | Texto b\u00edblico: Am\u00f3s 8. 4-7 | Felipe Koch Buttelli |<em>\u00a0<\/em><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs filhas e filhos da luz n\u00e3o s\u00e3o bons nos neg\u00f3cios\u201d. Que frase estranha e, at\u00e9 certa medida, dif\u00edcil de entender ou mesmo de concordar. Principalmente em um tempo em que a maioria das igrejas prega um evangelho da prosperidade, ou seja, se voc\u00ea for fiel, Deus lhe aben\u00e7oar\u00e1 nos neg\u00f3cios e demais dimens\u00f5es da sua vida. A prosperidade, o enriquecimento, bens e posses acabam virando, nessa teologia da prosperidade muito pregada no meio evang\u00e9lico, um sinal de que voc\u00ea \u00e9 uma pessoa aben\u00e7oada. Deus est\u00e1 retribuindo sua f\u00e9 com riqueza! N\u00e3o \u00e0 toa, as igrejas que enriquecem com essa teologia est\u00e3o cheias de pessoas pobres e sofridas, que depositam na f\u00e9 a sua esperan\u00e7a de ter uma vida social e econ\u00f4mica melhor, doando tudo o que t\u00eam sob a promessa de que Deus lhes devolver\u00e1 abundantemente. Pobres coitados, acabam, na verdade, enriquecendo pastores desonestos e atribuindo louvores a pessoas corruptas, que exp\u00f5em sua riqueza como se fosse b\u00ean\u00e7\u00e3o de Deus que transborda em suas vidas. Na verdade, estas igrejas, estes pastores e estes crist\u00e3os que ostentam sua riqueza como se fossem b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus, est\u00e3o muito mais distantes do Evangelho de Jesus e da presen\u00e7a solid\u00e1ria de Deus do que aqueles e aquelas pobres marginalizados e sofridos, que clamam por algum tipo de salva\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, na IECLB, temos que ter muito cuidado com esta teologia da prosperidade e permanecer vinculados ao que Lutero chamava de teologia da cruz: a grande vit\u00f3ria de Deus n\u00e3o est\u00e1 na vit\u00f3ria neste mundo. Jesus foi um condenado que morreu sob o poder do imp\u00e9rio e das lideran\u00e7as religiosas de seu tempo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O texto de Am\u00f3s (8.4-7) previsto para hoje, somado ao evangelho de Lucas (16.1-13) nos oferecem uma cr\u00edtica profundamente contestadora desta l\u00f3gica triunfalista da f\u00e9. Am\u00f3s \u00e9 um profeta que viveu no antigo reino do Norte de Israel. Era um campon\u00eas, homem simples, que n\u00e3o pertencia ao c\u00edrculo dos profetas da corte, que bajulavam o rei e as elites aristocr\u00e1ticas, nem os comerciantes notoriamente corruptos de seu tempo, que ostentavam riqueza. Pelo contr\u00e1rio, dava voz ao sofrimento do povo simples do campo, trabalhadoras e trabalhadores que sofriam sob um sistema social e econ\u00f4mico excruciante, desonesto, que levava muitas pessoas ao endividamento e \u00e0 escravid\u00e3o. Tudo isso acobertado por uma pr\u00e1tica religiosa e uma piedade hip\u00f3critas e falsas, como nos diz o texto, \u201cquem dera que a festa da Lua Nova j\u00e1 tivesse terminado, (&#8230;) como seria bom se o s\u00e1bado j\u00e1 tivesse passado\u201d, assim, poderiam voltar a suas pr\u00e1ticas comerciais corruptas e injustas. O s\u00e1bado e as ocasi\u00f5es festivas religiosas, momentos de descanso, de dedica\u00e7\u00e3o de tempo para a comunh\u00e3o, de tempo para edificar a f\u00e9 e aproveitar os frutos do trabalho tornam-se um inconveniente que atrapalha os neg\u00f3cios. \u00c9 uma obriga\u00e7\u00e3o religiosa enfadonha, que se cumpre apenas para envernizar uma pr\u00e1tica religiosa hip\u00f3crita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As palavras de Am\u00f3s s\u00e3o duras. Nos vers\u00edculos anteriores ao nosso texto, Jav\u00e9 chega a afirmar a Am\u00f3s o seguinte: \u201cChegou o fim\u00a0para o povo de Israel, que est\u00e1 maduro, pronto para ser arrancado como uma fruta madura. Nunca mais vou mudar de ideia e perdo\u00e1-los.\u201d (Am 8.2). E, de fato, assim foi, pois ap\u00f3s o tempo do profeta Am\u00f3s, o Reino de Israel sucumbiu ao imp\u00e9rio Ass\u00edrio. Am\u00f3s traz uma palavra de ju\u00edzo e aponta com muita clareza quais s\u00e3o as pr\u00e1ticas recorrentes no contexto social e econ\u00f4mico de Israel que levaram Jav\u00e9 a anunciar sua destrui\u00e7\u00e3o: Maltratavam os necessitados, exploravam os humildes, superfaturavam cereais, usando de medidas fraudulentas para vender mais caro, vendiam trigo que j\u00e1 n\u00e3o prestava mais, levavam o povo ao endividamento, davam empr\u00e9stimos que, ao n\u00e3o serem pagos, levavam boa parte do povo pobre, como Am\u00f3s, \u00e0 escravid\u00e3o. Jav\u00e9, atrav\u00e9s do profeta Am\u00f3s, promete a esta elite comercial corrupta: nunca me esquecerei do que voc\u00eas t\u00eam feito ao meu povo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Qualquer semelhan\u00e7a com a realidade econ\u00f4mica e social de nosso mundo hoje, em especial do Brasil, seria mera coincid\u00eancia?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Calcula-se que hoje cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira vive de trabalho informal. A reforma trabalhista, reforma da previd\u00eancia e outras medidas econ\u00f4micas, sob a alega\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mica, levaram as pessoas a formas de subempregos. As pessoas pobres e fragilizadas diante das elites comerciais e econ\u00f4micas s\u00e3o levadas \u00e0 cren\u00e7a de que precisam se tornar empreendedoras e oferecem-se \u00e0s poucas oportunidades de emprego como se fossem empres\u00e1rias, apesar de ganharem, em sua maioria, n\u00e3o mais do que dois sal\u00e1rios m\u00ednimos. Estes 40% de trabalhadoras e trabalhadores informais n\u00e3o disp\u00f5e de fim de semana, de f\u00e9rias, de licen\u00e7a sa\u00fade ou qualquer benef\u00edcio ou direito trabalhista. Devem arcar com suas pr\u00f3prias desgra\u00e7as porque n\u00e3o desfrutam de uma lei ou de formas de contrata\u00e7\u00e3o que preservem sua dignidade. Finalmente se realizou aquilo que a elite de Israel esperava: N\u00e3o mais precisamos guardar o s\u00e1bado ou as datas festivas religiosas, o jogo continua e os lucros, para quem possui os meios, n\u00e3o cessam. O povo pobre paga a ostenta\u00e7\u00e3o no mundo cada vez mais desigual, no pa\u00eds cada vez mais desigual em que vivemos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Outro caso que lembra muito a descri\u00e7\u00e3o de Am\u00f3s \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no mundo contempor\u00e2neo. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas recentemente divulgou que h\u00e1 aproximadamente 50 milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de escravid\u00e3o no mundo hoje. Muitas delas trabalhando em situa\u00e7\u00f5es degradantes para grandes grifes e empresas. Ou mesmo no trabalho dom\u00e9stico, sem sal\u00e1rio, sem folga, sem direitos e sem dignidade. Desumanizadas. M\u00eas passado a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio informou que 78% das fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o endividadas. Oito em cada dez fam\u00edlias, enquanto 29% t\u00eam contas atrasadas. E n\u00e3o se trata de d\u00edvida para adquirir bens ou im\u00f3veis, mas o povo est\u00e1 se endividando para comprar comida e pagar as contas. A d\u00edvida \u00e9 certamente uma forma contempor\u00e2nea de escravid\u00e3o. Trabalha-se desesperadamente, quando se est\u00e1 empregado, para pagar d\u00edvidas, enquanto crescem os faturamentos dos bancos, do sistema financeiro, especuladores e investidores.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia que as palavras de Am\u00f3s, apesar de duras, sejam t\u00e3o atuais para n\u00f3s hoje. S\u00e3o palavras prof\u00e9ticas para n\u00f3s tamb\u00e9m. \u201cOu\u00e7am voc\u00eas\u201d, diz o Senhor. Ele tem escutado o clamor do povo pobre e necessitado, tratado com corrup\u00e7\u00e3o e desonestidade, endividado, destitu\u00eddo de direitos, de descanso, de dignidade, escravizado. E promete seu ju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As palavras de Jesus, no evangelho de Lucas previsto para hoje, oferecem uma possibilidade de compreendermos como n\u00f3s, pessoas crist\u00e3s, podemos viver neste mundo, nesta sociedade, de modo condizente com a nossa f\u00e9, vivendo e testemunhando em nosso modo de vida o convite de vida nova que ele nos faz. Certamente um modo de vida que discorda e contraria a l\u00f3gica econ\u00f4mica e social da sociedade em que vivemos. Sempre me intrigou muito esta frase que Jesus diz: \u201c\u2014 As pessoas deste mundo s\u00e3o muito mais espertas nos seus neg\u00f3cios do que as pessoas que pertencem \u00e0 luz\u201d (Lc 16.8). Adam Smith, um dos idealistas do capitalismo liberal afirmou certa vez: \u201cN\u00e3o \u00e9 da benevol\u00eancia do a\u00e7ougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da considera\u00e7\u00e3o que eles t\u00eam pelo seu pr\u00f3prio interesse\u201d. Para o autor, e diversos pensadores de sua \u00e9poca, no\u00e7\u00f5es como ego\u00edsmo positivo e gan\u00e2ncia devem ser libertadas da moral religiosa, que as torna fonte de culpa. Assim, numa sociedade de pessoas livres gananciosas, todas se beneficiariam. Ser\u00e1 mesmo? \u00c9 isso que temos visto e experimentado em tantos anos de desenvolvimento deste sistema econ\u00f4mico? Jesus, na verdade, responde, em sua par\u00e1bola do administrador desonesto, \u00e0 realidade da gan\u00e2ncia que levou o servo a desperdi\u00e7ar e desviar recursos de seu empregador.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No entanto, a amea\u00e7a de demiss\u00e3o e o medo de ficar sem trabalho, levou o administrador desonesto a perdoar as d\u00edvidas de seus compradores por um pre\u00e7o muito mais baixo, de modo que angariaria empatia daquelas pessoas, que poderiam lhe oferecer hospedagem, quando estivesse desempregado. Este procedimento, dentro de uma mentalidade de neg\u00f3cios, n\u00e3o faz sentido. Quando a gente empresta recursos, cobra juros e recebe muito mais do que se empresta como lucro. Mas Jesus elogia o perd\u00e3o da d\u00edvida, ou melhor, a negocia\u00e7\u00e3o que torna o valor mais acess\u00edvel aos devedores. O homem rico da par\u00e1bola perdeu dinheiro, no fim das contas. Mas, ainda assim, Jesus considerou a atitude digna de elogios. Ainda que talvez pelas raz\u00f5es erradas, j\u00e1 que o administrador queria apenas garantir seu bem estar ap\u00f3s a demiss\u00e3o. Mas seu gesto oportunizou \u00e0s outras pessoas sa\u00edrem da condi\u00e7\u00e3o de devedoras, e gerou empatia entre o credor e o endividado. Para Jesus, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas n\u00e3o t\u00eam outra fun\u00e7\u00e3o do que fazer amigos: \u201cusem as riquezas deste mundo para conseguir amigos a fim de que, quando as riquezas faltarem, eles recebam voc\u00eas no lar eterno\u201d (Lc 16. 9). Nada mais contr\u00e1rio do que a l\u00f3gica que entende que tudo que fazemos deve gerar benef\u00edcios aos nossos interesses individuais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Jesus sabia que isso contrariava as normas sociais e econ\u00f4micas de seu tempo. Assim como contrariava a l\u00f3gica cruel e explorat\u00f3rio do tempo de Am\u00f3s. E \u00e9 por isso que Jesus entende que os filhos e as filhas da luz nunca ser\u00e3o \u201cos mais espertos\u201d no mundo dos neg\u00f3cios. Porque cultivam valores de solidariedade e de justi\u00e7a. De respeito \u00e0 dignidade da outra pessoa, n\u00e3o colocando seus interesses de lucro acima do bem estar de sua irm\u00e3 ou de seu irm\u00e3o. Jesus resume este dilema da seguinte maneira: \u201cVoc\u00eas n\u00e3o podem servir a Deus e tamb\u00e9m servir ao dinheiro\u201d (Lc 16.13). Simples assim. Quem serve a Deus n\u00e3o diviniza o lucro e o capital. Quem serve a Deus, n\u00e3o incorre em pr\u00e1ticas comerciais que prejudiquem as outras pessoas, que explorem os necessitados, que oprimam as pessoas pobres, que gerem endividamento e escravid\u00e3o alheios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se quisermos ouvir e levar a s\u00e9rio o an\u00fancio prof\u00e9tico de ju\u00edzo de Am\u00f3s, temos que ser consequentes com o convite de Jesus. \u201cPois, se voc\u00eas n\u00e3o forem honestos com as riquezas deste mundo, quem vai p\u00f4r voc\u00eas para tomar conta das riquezas verdadeiras?\u201d, diz ele. N\u00f3s, filhas e filhos da luz, sabemos que nossa riqueza n\u00e3o \u00e9 deste mundo. Tamb\u00e9m sabemos que Deus n\u00e3o negocia com a nossa f\u00e9, n\u00e3o oferece bens, b\u00ean\u00e7\u00e3os e prosperidade para aqueles que nele creem. Pelo contr\u00e1rio, sabe que seus filhos e filhas nunca prosperar\u00e3o realmente num mundo desigual e injusto. Viver\u00e3o bem, talvez, \u00e0 medida que perceberem que irm\u00e3os e irm\u00e3s que vivem necessitados, t\u00eam sua dignidade e seu bem estar respeitados. Se conseguirmos viver a nossa vida assim, talvez n\u00e3o fiquemos ricos, mas certamente poderemos ter esperan\u00e7a diante do an\u00fancio de ju\u00edzo prof\u00e9tico que ouvimos hoje. Porque podemos sempre decidir se queremos servir ao dinheiro ou servir a Deus, confiantes na heran\u00e7a daquilo que tem valor verdadeiro e que Deus nos oferece por seu amor e gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">L\u00e2mpada para os meus p\u00e9s \u00e9 a tua Palavra, Senhor, e luz para o meu caminho. Am\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<p>P. Dr. Felipe Koch Buttelli<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Goi\u00e2nia \u2013 GO<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">felipebuttelli@yahoo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abAs filhas e filhos da luz n\u00e3o s\u00e3o bons nos neg\u00f3cios\u00a0\u00bb | Pr\u00e9dica para o 15. Domingo ap\u00f3s Pentecostes | 18.09.2022 | Texto b\u00edblico: Am\u00f3s 8. 4-7 | Felipe Koch Buttelli |\u00a0 \u201cAs filhas e filhos da luz n\u00e3o s\u00e3o bons nos neg\u00f3cios\u201d. 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