{"id":16976,"date":"2023-02-15T16:51:35","date_gmt":"2023-02-15T15:51:35","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=16976"},"modified":"2023-02-15T16:51:35","modified_gmt":"2023-02-15T15:51:35","slug":"mateus-27-46b","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mateus-27-46b\/","title":{"rendered":"Mateus 27.46b"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">REFLEX\u00d5ES PARA O \u00daLTIMO DOMINGO AP\u00d3S EPIFANIA | 19 de fevereiro de 2023 | Harald Malschitzky |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cEli, Eli, lema sabactani?\u201d Essas palavras querem dizer: \u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d (Mt 27.46b).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem sou eu? \u201cInquieto, saudoso, doente, como um p\u00e1ssaro na gaiola, respirando com dificuldade, como se me apertassem a garganta, faminto de cores, de flores, do canto dos p\u00e1ssaros, sedento de palavras boas, de proximidade humana, tremendo de ira por causa da arbitrariedade e ofensa mesquinha, irrequieto \u00e0 espera de grandes coisas, em ang\u00fastia impotente pela sorte de amigos distantes, cansado e vazio at\u00e9 para orar, para pensar,\u00a0 para criar, desanimado e pronto para me despedir de tudo?\u201d.\u00a0 (Dietrich Bonhoeffer)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Harald Malschitzky<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os, amigas e amigos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Eu arrisco fugir dos textos b\u00edblicos e do tema previstos para o \u00faltimo domingo ap\u00f3s Epifania.\u00a0 Quero me aliar e solidarizar com muita gente que se pergunta pela aus\u00eancia de Deus nos momentos t\u00e3o tenebrosos\u00a0 pelos quais o mundo passa,\u00a0 e com aqueles que j\u00e1 jogaram a toalha da f\u00e9 enveredando, quem sabe, por um ceticismo radical e sofrido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Onde est\u00e1 Deus em sucessivos terremotos que j\u00e1 mataram em torno de 30 mil pessoas e deixaram ao relento e no frio muito mais gente? Temos respostas cient\u00edficas sobre a forma\u00e7\u00e3o de terremotos, mas n\u00e3o temos a resposta do porqu\u00ea, a resposta \u00faltima pela morte e sobreviv\u00eancia prec\u00e1ria de popula\u00e7\u00f5es inteiras. Deus nos abandonou? N\u00e3o bastasse a cat\u00e1strofe natural,\u00a0 ainda continua acesa a chama\u00a0 o \u00f3dio e da guerra, em nome dos quais grupos tentam impedir ou no m\u00ednimo dificultar a chegada de ajuda humanit\u00e1ria para as necessidades primeiras dos sobreviventes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A estupidez da guerra na Ucr\u00e2nia j\u00e1 n\u00e3o tem nome: Morte, destrui\u00e7\u00e3o, mis\u00e9ria, fugitivos ao desconhecido. De ambos os lados as juras de que se quer a paz e de ambos os lados se busca aumentar o poder b\u00e9lico. O desfile pomposo de l\u00edderes eclesi\u00e1sticos n\u00e3o precisa significar a presen\u00e7a de Deus! Mas, de repente, diante dos terremotos, ambos os pa\u00edses oferecem ajuda humanit\u00e1ria para salvar vidas! Ao mesmo tempo, por\u00e9m, recrudescem a guerra, o \u00f3dio, o poder b\u00e9lico. Deus, um discurso vazio em ambos os lados?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E no Brasil dever\u00edamos estar perplexos pela situa\u00e7\u00e3o criminosa de descaso com os povos\u00a0 origin\u00e1rios, no momento os Yanomamis, desprovidos de suas matas, envenenados pelo merc\u00fario e outros produtos usados na busca do vil metal. Agora h\u00e1 esfor\u00e7o e empenho grandes para cuidar da sa\u00fade dos ind\u00edgenas e salv\u00e1-los da morte prematura e para cortar o mal pela raiz: Impedir terminantemente o garimpo naquelas terras. Garimpeiros fogem, s\u00e3o retirados, s\u00e3o detidos, avi\u00f5es, m\u00e1quinas combust\u00edvel, tudo \u00e9 destru\u00eddo. No entanto, muitos deles j\u00e1 desembarcaram em outra\u00a0\u00e1rea para novo garimpo. Em notici\u00e1rio do dia 9.02.23, um l\u00edder garimpeiro declarou que, passados dois meses, tudo volta ao \u201cnormal\u201d. A gan\u00e2ncia fala mais alto! A vida, a flora e a fauna n\u00e3o interessam diante do fasc\u00ednio do metal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Diante desses tr\u00eas cen\u00e1rios reais volta o grito: \u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d E \u00e9 de compreender quem n\u00e3o mais aguenta ver e viver tanta desgra\u00e7a, injusti\u00e7a e estupidez.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o temos resposta para o \u201csil\u00eancio\u201d de Deus diante das cat\u00e1strofes naturais. Mas temos tentativas de ler a maldade, a viol\u00eancia e a\u00a0 trucul\u00eancia dos seres humanos. &#8230; \u201c\u00e9 mau o des\u00edgnio \u00edntimo do ser humano desde a sua mocidade\u201d (Gn 8. 21b). E ali mesmo Deus assume o compromisso de n\u00e3o mais castigar a terra pelas maldades humanas (Gn 8. 21a), o que ele confirmaria no Cristo que, na cruz, se viu abandonado por Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No entanto, isso n\u00e3o responde \u00e0 pergunta pela aus\u00eancia de Deus. Me parece que ele s\u00f3 pode ser encontrado em pessoas, encarnado em gente, assim como Jesus se tornou carne e habitou entre n\u00f3s (Jo 1. 14) e foi encontrado no meio das pessoas, cuidando, entre outros de suas dores. Me parece que aqui h\u00e1 uma pista: Neste momento, nos cen\u00e1rios mencionados e em tantos outros, Deus est\u00e1 presente nas pessoas, naquelas pessoas que, \u00e0 revelia de sua sa\u00fade e seguran\u00e7a, est\u00e3o buscando vivos e mortos nos escombros\u00a0 da Turquia e da S\u00edria, que levam mantimentos tamb\u00e9m sob o risco de vida; Deus se faz presente nas pessoas que socorrem ucranianos com um m\u00ednimo para sobreviver ou que os recebem aos milhares como refugiados em seus pa\u00edses; Deus se faz presente nas pessoas que se embrenham na floresta para salvar os yanomamis e destruir a estrutura mortal do garimpo, que em busca do metal, destr\u00f3i e mata povos inteiros, roubando-lhes a identidade e as condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia e a dignidade. Esp\u00edritos puristas talvez levantem a cr\u00edtica de que nem todos \u2013 talvez a maioria \u2013 que socorrem, que ajudam, se empenham, nem s\u00e3o crist\u00e3os. \u00a0Exatamente, Deus se faz presente nas pessoas, suas criaturas, que colocam sua vida e seus dons \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da vida de outros sem nada pedir, sem recompensa esperar. Para diz\u00ea-lo em palavras mais bonitas: \u201cQuando o p\u00e3o que partilhamos florescer como uma rosa e a palavra que dizemos ressoar como um c\u00e2ntico, ent\u00e3o Deus j\u00e1 ter\u00e1 constru\u00eddo sua morada entre n\u00f3s, ent\u00e3o ele j\u00e1 estar\u00e1 morando em nosso mundo. Sim, a\u00ed veremos o seu semblante no amor que tudo abarca\u201d (Claus-Peter M\u00e4rz). Deus quer morar\u00a0 no mundo e n\u00e3o em lugares supostamente sagrados. Essa afirma\u00e7\u00e3o levanta outra pergunta: Ser\u00e1 que Deus sempre est\u00e1 presente nas igrejas, leia-se, em seus membros?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Finalmente mais duas coisas: Um profundo lamento pelo que est\u00e1 acontecendo, um lamento diante de Deus que parece que est\u00e1 ausente e, diante do mesmo Deus, \u00a0um agradecimento pelas milhares \u2013 ou ser\u00e3o milh\u00f5es? \u2013 de pessoas que n\u00e3o desistem de ajudar \u00e0 vida, \u00e0 revelia de todas as for\u00e7as contr\u00e1rias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que\u00a0 o Deus que parece ausente nos revele suas pegadas no mundo sofrido e sofredor e nos fa\u00e7a seguir essas pegadas. Am\u00e9m<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8212;<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">em. Harald Malschitzky<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o Leopoldo \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:harald.malschtzky@gmail.com\">harald.malschtzky@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REFLEX\u00d5ES PARA O \u00daLTIMO DOMINGO AP\u00d3S EPIFANIA | 19 de fevereiro de 2023 | Harald Malschitzky | \u201cEli, Eli, lema sabactani?\u201d Essas palavras querem dizer: \u201cMeu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?\u201d (Mt 27.46b). 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