{"id":17034,"date":"2023-02-20T19:44:14","date_gmt":"2023-02-20T18:44:14","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=17034"},"modified":"2023-02-20T19:44:14","modified_gmt":"2023-02-20T18:44:14","slug":"mateus-6-1-6-16-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mateus-6-1-6-16-21\/","title":{"rendered":"Mateus 6.1-6, 16-21"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">Quarta-feira de Cinzas |\u00a022\/02\/2023 | Mateus 6.1-6, 16-21 | Bianca Bartsch |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Pr\u00e9dica: Mateus 6.1-6, 16-21<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Leitura: Joel 2.1-2, 12-17<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Amados irm\u00e3os e amadas irm\u00e3s em Cristo<\/strong>,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">cinzas (pode-se ter uma por\u00e7\u00e3o de cinzas em um recipiente, pegar um punhado a fim de expor para a comunidade). As cinzas nos comunicam que algo que era, j\u00e1 n\u00e3o existe mais. Grandes \u00e1rvores, grandes constru\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo pessoas podem se resumir a alguns punhados de cinzas. Cinzas n\u00e3o se parecem muito com gl\u00f3ria, esplendor, mas bem mais com fim.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje celebramos Quarta-feira de Cinzas. Em nosso pa\u00eds, depois de tanto colorido e excessos do per\u00edodo de Carnaval, voltamos nossos olhos ao cinza das cinzas, que marcam o fim desses dias, mas para a Igreja Crist\u00e3 tamb\u00e9m o come\u00e7o do per\u00edodo de Quaresma.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O texto do Evangelho nos convida a refletirmos sobre finais e come\u00e7os. Convido a realizarmos a leitura de <strong>Mateus 6.1-6, 16-21.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os primeiros ouvintes de Jesus, do trecho que lemos que integra o \u201cSerm\u00e3o do Monte\u201d eram familiarizados com as pr\u00e1ticas sobre as quais Jesus se refere. Esmola, ora\u00e7\u00e3o e jejum eram as tr\u00eas formas com as quais os judeus expressavam seu amor e compromisso com Deus. Eram obriga\u00e7\u00f5es cultuais judaicas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A pr\u00e1tica da doa\u00e7\u00e3o de esmolas era muito difundida entre os judeus. O doador era for\u00e7ado a essa generosidade ao ter de fazer doa\u00e7\u00f5es em p\u00fablico. Por estar sendo observado, o ofertante sentia-se medido enquanto pessoa religiosa, ou seja, na pr\u00e1tica da sua justi\u00e7a. Era h\u00e1bito ap\u00f3s o encontro na sinagoga as pessoas levantarem e anunciarem qual valor pretendiam ofertar. Se a doa\u00e7\u00e3o era expressiva, o ofertante poderia sentar pr\u00f3ximo ao rabino. O auxiliar da celebra\u00e7\u00e3o na sinagoga tocava uma trombeta, com o prop\u00f3sito de chamar a aten\u00e7\u00e3o dos seres celestiais, porque havia acontecido um ato de benefic\u00eancia especial.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A condena\u00e7\u00e3o de Jesus est\u00e1 justamente voltada para o espet\u00e1culo que se tornava a a\u00e7\u00e3o de miseric\u00f3rdia. \u201c<em>A m\u00e3o esquerda n\u00e3o deve saber o que a direita faz<\/em>\u201d, ou seja, o impulso para a atitude deve ser o fruto do aut\u00eantico amor, ou seja, ofertar em benef\u00edcio do pr\u00f3ximo, n\u00e3o na expectativa do m\u00e9rito pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m a ora\u00e7\u00e3o deve estar no \u00e2mbito do que \u00e9 privado. Entre os judeus, a pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o era semelhante \u00e0 concess\u00e3o de esmolas. Como havia hor\u00e1rios determinados para a ora\u00e7\u00e3o, era comum que a pessoa fizesse sua ora\u00e7\u00e3o no meio da rua. Desse modo cumpriria pontualmente o hor\u00e1rio da ora\u00e7\u00e3o. Em tais circunst\u00e2ncias, a ora\u00e7\u00e3o era um murm\u00fario, ou ainda, recitada em voz alta, acompanhada de performance corporal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na mentalidade de muitos da \u00e9poca, as ora\u00e7\u00f5es seriam um m\u00e9todo m\u00e1gico para merecer o c\u00e9u. Pois acabava sendo o mais importante apenas cumprir a regra. Jesus condena veementemente a ora\u00e7\u00e3o vazia, repleta apenas de v\u00e3s repeti\u00e7\u00f5es, permeada de supersti\u00e7\u00e3o. Por outro lado, Cristo n\u00e3o pensa de modo algum em interditar uma ora\u00e7\u00e3o longa, fervorosa e confiante. Apesar disso, continua v\u00e1lido que a ora\u00e7\u00e3o sem cessar \u00e9 e permanecer\u00e1 sendo o of\u00edcio da pessoa crist\u00e3. Pois orar n\u00e3o significa apenas dedicar de manh\u00e3 e \u00e0 noite alguns minutos \u00e0 ora\u00e7\u00e3o. Orar significa que a vida toda se tornou um di\u00e1logo com Deus. Quem vive nesse di\u00e1logo incessante n\u00e3o recebe sem refletir os acontecimentos de sua vida. A pessoa que ora recebe tudo de Deus e relaciona tudo com ele, o acontecimento maior e o menor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Jesus ainda lan\u00e7a luz para a pr\u00e1tica do jejum. Em seu tempo, os judeus observavam dois dias de jejum para todo o povo: o dia da expia\u00e7\u00e3o (Lv 16) e o 9\u00ba dia do m\u00eas <em>abib<\/em>. Tamb\u00e9m acontecia o decreto de jejuns coletivos em situa\u00e7\u00f5es de calamidades. O mais severo era o jejum no dia da expia\u00e7\u00e3o. Nesse dia sequer era permitido lavar-se. Tamb\u00e9m se devia deixar de ungir o corpo. As pessoas se aspergiam com cinzas, andavam descal\u00e7as e adotavam uma express\u00e3o facial triste. Normalmente o jejum durava do nascer ao p\u00f4r do sol. Alguns devotos espontaneamente se encarregavam de outros jejuns particulares. Esse jejum espont\u00e2neo era tido em alt\u00edssima considera\u00e7\u00e3o. Acreditava-se que, com o jejum se conquistaria junto de Deus um m\u00e9rito especial. Por isso se jejuava tamb\u00e9m pelos pecados do povo, a fim de afastar do povo a ira de Deus. Muitas vezes essa atividade do jejum era feita para chamar a aten\u00e7\u00e3o, para concentrar sobre si os olhares das pessoas. Jesus afirma: Um jejum desses \u00e9 hipocrisia, e por isso conden\u00e1vel! O jejum correto \u00e9 um pensamento \u00edntimo de arrependimento e um cora\u00e7\u00e3o curvado diante de Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As palavras de Jesus lan\u00e7am luz ao que move nossas atitudes diante de Deus. Qualquer esfor\u00e7o por conquistar a salva\u00e7\u00e3o, seja cumprindo a Lei de Deus, ou at\u00e9 mesmo dedicando-se aos pobres, longas e repetidas ora\u00e7\u00f5es, at\u00e9 mesmo se abstendo de algo \u00e9 in\u00fatil e descart\u00e1vel, tal como as cinzas. A Lei s\u00f3 tem valor na medida em que nos mostra o que realmente somos e que n\u00e3o podemos cumpri-la. Por n\u00e3o poder cumprir a Lei, dever\u00edamos ser descartados e jogados fora, tal como as cinzas. Por\u00e9m a nossa esperan\u00e7a, est\u00e1 na f\u00e9 em Jesus Cristo, \u00e9 por meio da cruz que temos possibilidade de novo come\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto n\u00e3o for Cristo o nosso mais precioso tesouro, nosso cora\u00e7\u00e3o estar\u00e1 voltado para as mais variadas e equivocadas tentativas de reden\u00e7\u00e3o. A Quarta-feira de Cinzas vem nos convidar para percebermos nossa transitoriedade e nos darmos conta da pr\u00f3pria morte. O tempo de Quaresma nos convida por meio da Palavra de Deus a refletir da inutilidade dos pr\u00f3prios esfor\u00e7os para a salva\u00e7\u00e3o. Um tempo para criar dentro em n\u00f3s um espa\u00e7o de liberdade para acolher o real significado da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo. A demonstrarmos por a\u00e7\u00f5es motivadas por um cora\u00e7\u00e3o que confia na salva\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em Jesus Cristo e n\u00e3o em si mesmo, os sinais do Reino de Deus e da Sua justi\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por qu\u00ea e para qu\u00ea voc\u00ea veio ao culto hoje? O que lhe motiva viver o tempo de quaresma? Que em Cristo, seja tempo do que precisa findar em ti morrer, para pela f\u00e9, renascer para nova vida. \u201cSe j\u00e1 morremos com Cristo, cremos que tamb\u00e9m com ele viveremos.\u201d (Rm 6.8) Am\u00e9m.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Pastora Bianca Bartsch<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Curitiba \u2013 Paran\u00e1 \u2013 Brasil \u2013 IECLB<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:Bartsch_bianca@hotmail.com\"><strong>Bartsch_bianca@hotmail.com<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarta-feira de Cinzas |\u00a022\/02\/2023 | Mateus 6.1-6, 16-21 | Bianca Bartsch | Pr\u00e9dica: Mateus 6.1-6, 16-21 Leitura: Joel 2.1-2, 12-17 Amados irm\u00e3os e amadas irm\u00e3s em Cristo, cinzas (pode-se ter uma por\u00e7\u00e3o de cinzas em um recipiente, pegar um punhado a fim de expor para a comunidade). 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