{"id":17854,"date":"2023-03-21T15:07:13","date_gmt":"2023-03-21T14:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=17854"},"modified":"2023-03-21T15:07:13","modified_gmt":"2023-03-21T14:07:13","slug":"ezequiel-37-1-14","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/ezequiel-37-1-14\/","title":{"rendered":"Ezequiel 37.1-14"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">PR\u00c9DICA PARA O 5\u00b0 DOMINGO NA QUARESMA | 26 de\u00a0 mar\u00e7o de 2023 |\u00a0Ezequiel 37. 1 \u2013 14 | Leon\u00eddio Gaede |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Prezada Comunidade<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">I<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conta-se que tr\u00eas monges faziam uma caminhada matinal, como parte de seu exerc\u00edcio de medita\u00e7\u00e3o. Enxergaram uma bandeira hasteada, e um deles comentou: &#8211; Vejam como a bandeira se move. O segundo retrucou: &#8211; A bandeira n\u00e3o se move, \u00e9 o vento que o faz. E o terceiro arrematou: &#8211; O assunto aqui n\u00e3o \u00e9 se a bandeira se move ou se o vento move a bandeira. O assunto \u00e9 como a mente de voc\u00eas est\u00e1 se movendo por causa da bandeira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 certas situa\u00e7\u00f5es na vida em que se faz necess\u00e1rio esclarecer o que ou quem se move e o que ou quem faz mover. Me arrisco a dizer que Deus moveu o profeta Ezequiel para levantar um assunto perante o povo de Jud\u00e1, cativo na Babil\u00f4nia no s\u00e9culo VI antes de Cristo, e, atrav\u00e9s da Sagrada Escritura, Deus move o profeta tamb\u00e9m hoje perante n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">II<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vi que uma B\u00edblia traz o seguinte t\u00edtulo sobre o cap\u00edtulo 37 de Ezequiel: \u201cA vis\u00e3o de um vale de ossos secos\u201d. Parece-me que este t\u00edtulo pode ser equiparado ao coment\u00e1rio do primeiro monge. O t\u00edtulo n\u00e3o expressa conhecimento de causa e efeito. \u00c9 como o monge que v\u00ea a bandeira tremulando e simplesmente conclui que ela se move. Referente ao profeta Ezequiel, seu assunto n\u00e3o \u00e9 uma vis\u00e3o. A vis\u00e3o \u00e9 o resultado de um assunto que o profeta quer abordar. Esse assunto faz Deus mover o profeta para a cria\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio muito impactante. Muito mais do que ver, Ezequiel frequenta um local. Ele visita uma realidade. Pisa onde seus p\u00e9s n\u00e3o alcan\u00e7am o ch\u00e3o sem tomar contato com ossadas humanas. Essas ossadas s\u00e3o de corpos de pessoas mortas e descartadas aos montes. Sobre o campo, os ossos est\u00e3o muito pr\u00f3ximos uns dos outros. Ao caminhar entre eles, o profeta ouve um som ritmado de osso batendo em osso, como baquetas produzindo m\u00fasica f\u00fanebre que, contraditoriamente, inspira o profeta a anunciar novidade de vida, a partir de um esp\u00edrito que sopra dos quatro lados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em outra B\u00edblia vi o t\u00edtulo \u201cIsrael, o campo da morte, \u00e9 revivido pelo sopro de Deus\u201d. Pareceu-me o segundo monge se manifestando. A profecia existe por causa de uma situa\u00e7\u00e3o vivida pelo povo de Deus. A den\u00fancia do profeta apresentava Israel como um campo de morte: o povo levado cativo pelo ex\u00e9rcito de Nabucodonosor, no in\u00edcio do s\u00e9culo VI a.C., n\u00e3o agia, estava im\u00f3vel, era um povo morto.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo Ezequiel, dizer que essa morte tinha como causa a deporta\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, tinha como causa o fato de o povo ter sido deslocado de Jerusal\u00e9m para a Babil\u00f4nia, era tamb\u00e9m ainda uma vis\u00e3o superficial. \u00c9 como se fosse a vis\u00e3o do segundo monge. Para o profeta, apesar da grande movimenta\u00e7\u00e3o ocorrida nesse deslocamento, a morte do povo n\u00e3o estava no abandono for\u00e7ado de uma terra recebida de Deus (Israel), no abandono de uma cidade destacada por Deus nessa terra (Jerusal\u00e9m) e nem no abandono de um local nesta cidade, local consagrado por Deus para a adora\u00e7\u00e3o (o templo). A morte do povo estava na imobilidade que acontecia na atual situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No livro de Ezequiel podemos seguir a quest\u00e3o da mobilidade como um fio condutor de sua an\u00e1lise. Deus \u00e9 m\u00f3vel, \u00e9 vivo. A morte est\u00e1 na imobilidade. Segundo o profeta, havia sinais de imobilidade na grande movimenta\u00e7\u00e3o que transportou a lideran\u00e7a israelita de um lugar visto como central para um acampamento na beira de um rio desconhecido. Os corpos tinham sido movidos e as mentes continuavam im\u00f3veis (Ez 2.4). O profeta, que tinha comido um livro, era movido por palavras doces como o mel (Ez 3.3) e podia estar no templo (Ez 40-42) ou \u00e0s margens do rio Quebar (Ez 1.1). O profeta, para quem Deus tinha se revelado como quem pode ir em todas as dire\u00e7\u00f5es (Ez 1.17-18), percebia que o assunto n\u00e3o \u00e9 a bandeira que se move e nem o vento que move a bandeira, mas \u00e9 a mente im\u00f3vel criada por um movimento t\u00e3o grande como foi o Ex\u00edlio da Babil\u00f4nia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Figuradamente podemos dizer que Ezequiel questionava: como pode algu\u00e9m passar sede na beira de um rio? \u00c9 evidente que h\u00e1 saudades da terra. H\u00e1 saudades da cidade. H\u00e1 saudades do templo. Mas a saudade n\u00e3o justifica a imobilidade. A \u00e1gua que sacia a sede de Deus no Si\u00e3o, tamb\u00e9m a pode saciar a sede no Quebar. A verdade que vale no ex\u00edlio \u00e9 que, com sede, n\u00e3o se vai a lugar algum. O esp\u00edrito dos quatro ventos haver\u00e1 de hidratar os ossos secos para que haja mobilidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">III<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pela f\u00e9 em Jesus Cristo, somos, nos dias de hoje, continuadores do povo para quem Ezequiel profetizou. E, como povos, como grupos e como indiv\u00edduos, sofremos os nossos ex\u00edlios, as nossas deporta\u00e7\u00f5es. Por isso a palavra de Deus nos alcan\u00e7a hoje atrav\u00e9s de Ezequiel. E ela alerta para a tend\u00eancia de engessamento de nossa mobilidade nos dias de hoje. Uma dessas tend\u00eancias est\u00e1 diante de um grande movimento humano ao redor do mundo. \u00c9 o movimento das multid\u00f5es \u00e0 procura de ref\u00fagio em p\u00e1trias alheias. No outro lado desse grande movimento, nas p\u00e1trias procuradas, reina ainda um amor exclusivista \u00e0 terra natal, um patriotismo avesso \u00e0 justi\u00e7a social e uma xenofobia. Isso \u00e9 um gesso imobilizador do bom samaritano, da vi\u00fava pobre e do jovem rico que tamb\u00e9m vivem nessa p\u00e1tria. Esse gesso imobiliza inclusive a garganta que se nega a tomar a \u00e1gua do Quebar, alegando saudade dos bons tempos de \u00e1gua pura em Si\u00e3o. H\u00e1, inclusive, a tend\u00eancia de imobilizar o pr\u00f3prio Deus no templo, negando aos os quatro ventos o direito de reidratar os ossos secos e ligar tend\u00e3o com tend\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m como grupos atuantes nessas p\u00e1trias exiladas no planeta-casa-comum, nos apartamos da coletividade. Tornamo-nos uma parte da sociedade. Partidarizamos as a\u00e7\u00f5es grupais. Atuando como partido, convencemo-nos de que somos o soldadinho do passo certo e estancamos o sentido de tudo aquilo que outros realizam. A vida comunit\u00e1ria perde o sentido comum e torna-se bandeira que tremula por for\u00e7a pr\u00f3pria. E diga-se: a bandeira do meu grupo que se move pela pr\u00f3pria \u00e2nima \u00e9 a \u00fanica admiss\u00edvel. N\u00e3o depende dos quatro ventos. O vento dos outros que fique im\u00f3vel no casulo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Em terceiro lugar, como indiv\u00edduos, encapamos de traumas passados que nos fizeram sofrer. N\u00e3o compartilhamos nossas dores encapsuladas. Procuramos, n\u00f3s mesmos, n\u00e3o acessar nossas dores e ainda nos propomos a bloquear o acesso de qualquer outra pessoa. Alegamos que somos capazes, que n\u00e3o dependemos, que nossa dor \u00e9 problema nosso. E bradamos: \u201cJ\u00e1 vencemos, em nome de Jesus!\u201d Privatizamos nossa dor e, a respeito de quem n\u00e3o o faz, conclu\u00edmos: \u201c\u00c9 fraco na f\u00e9\u201d. Assim cada qual carrega a sua capsula de sofrimento coletivo dos ex\u00edlios de hoje. \u201cO que vem para n\u00f3s n\u00e3o podemos colocar na porta do outro\u201d, disse-me algu\u00e9m em dificuldade. A imobilidade diante de dificuldades s\u00f3 nos d\u00e1 uma chance: aguardar passivamente o grande dia do retorno para a nossa sonhada Jerusal\u00e9m eterna. Desta forma, negamos a mensagem prof\u00e9tica de Ezequiel, que nos mostra Deus n\u00e3o s\u00f3 como um drone que voa em qualquer dire\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mas que tamb\u00e9m povoa nosso ser em qualquer dimens\u00e3o. Que os quatro ventos mobilizem os ossos secos nos campos do cativeiro e liguem tend\u00e3o com tend\u00e3o num ritmo de congra\u00e7amento e \u201ctodo ser que respira louve ao Senhor\u201d (Sl 150). Am\u00e9m!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8212;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pe.Me. Leon\u00eddio Gaede<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Itati \u2013 Rio Grande\u00a0 do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:leonidiogaede@hotmail.com\">leonidiogaede@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O 5\u00b0 DOMINGO NA QUARESMA | 26 de\u00a0 mar\u00e7o de 2023 |\u00a0Ezequiel 37. 1 \u2013 14 | Leon\u00eddio Gaede | Prezada Comunidade I Conta-se que tr\u00eas monges faziam uma caminhada matinal, como parte de seu exerc\u00edcio de medita\u00e7\u00e3o. Enxergaram uma bandeira hasteada, e um deles comentou: &#8211; Vejam como a bandeira se move. 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