{"id":18241,"date":"2023-05-31T11:30:31","date_gmt":"2023-05-31T09:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=18241"},"modified":"2023-06-02T08:27:51","modified_gmt":"2023-06-02T06:27:51","slug":"mateus-28-16-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mateus-28-16-20\/","title":{"rendered":"Mateus 28. 16-20"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">PR\u00c9DICA PARA 0 1\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES | 4 de junho de 2023 | Texto b\u00edblico: Mateus 28. 16-20 | Harald Malschitzky |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, querida comunidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Conta-se que em uma cidade n\u00e3o muito grande, onde todos se conhecia em boa parte,\u00a0 havia uma f\u00e1brica de sab\u00e3o de respeito. O dono da f\u00e1brica n\u00e3o tinha l\u00e1 grande simpatia pela igreja em geral e costumava descontar o seu jeito no pastor local. Sempre que se encontravam ele vinha com muitas cr\u00edticas, pondo em xeque principalmente o efeito pr\u00e1tico da igreja crist\u00e3 e dos seus dois mil anos de prega\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00a0Em um desses encontros entre pastor e empres\u00e1rio, este colocou a quest\u00e3o em uma frase: <em>A igreja prega o amor, o perd\u00e3o, a solidariedade, a aceita\u00e7\u00e3o m\u00fatua, o respeito por criaturas e cria\u00e7\u00e3o. Mas basta olhar o mundo e as pessoas para ver que h\u00e1 \u00f3dio, desrespeito destrui\u00e7\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o. <\/em>\u00a0O pastor ouviu, pensou e respondeu: <em>O senhor est\u00e1 certo, ainda h\u00e1 muito que fazer, \u00a0e o pecado continua rondando e fascinando as pessoas. Mas eu pergunto: H\u00e1 quantos s\u00e9culos se fabrica sab\u00e3o, quantas toneladas de sab\u00e3o s\u00f3 a sua f\u00e1brica produz e distribui, mas as pessoas continuam se sujando!<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A verdade \u00e9 que tanto o fabricante de sab\u00e3o quanto o pastor t\u00eam raz\u00e3o. Martim Lutero, l\u00e1 pelo s\u00e9culo XVI, acertou em cheio caracterizando o crist\u00e3o como simultaneamente justo e pecador. Ele n\u00e3o tinha nenhuma ilus\u00e3o sobre o ser humano; ele sabia que o ser humano era capaz de coisas muito boas, de a\u00e7\u00f5es altru\u00edstas, de solidariedade, de dedica\u00e7\u00e3o total pelos outros; mas ele sabia tamb\u00e9m que o mesmo ser humano \u00e9 capaz de odiar at\u00e9 \u00e0 morte, de destruir vida, de praticar maldades inimagin\u00e1veis&#8230; \u00a0Por isso a sua f\u00f3rmula certeira: <em>Simultaneamente justo e pecador! <\/em>\u00a0Algo semelhante se pode dizer ao fabricante de sab\u00e3o: Sim, sab\u00e3o limpa e \u00e9 de suma import\u00e2ncia para a limpeza. No entanto, \u201cfilhotes\u201d do\u00a0 sab\u00e3o em forma de detergentes poluem rios e natureza,\u00a0 e matam&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas o que tudo isso tem a ver com o nosso culto de hoje? Vamos ouvir o texto b\u00edblico, um texto muito conhecido, ali\u00e1s, de Mateus 28, os vers\u00edculos 16-20.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o texto cl\u00e1ssico do envio dos disc\u00edpulos ao mundo para levar e ensinar o evangelho. Tradu\u00e7\u00f5es mais antigas lhe d\u00e3o o t\u00edtulo de \u201cA grande comiss\u00e3o\u201d. \u00a0O envio \u00e9 para o mundo inteiro com dupla tarefa:\u00a0 Divulgar o evangelho e ajudar para que as pessoas obede\u00e7am\u00a0 ao que Jesus ensinou. \u00a0Vejamos se o fabricante de sab\u00e3o est\u00e1 certo: Na verdade (ainda) n\u00e3o chegamos \u00e0 fronteira \u00faltima da terra. Entre as muitas raz\u00f5es, eu lembro apenas duas: 1) Os confins da terra n\u00e3o eram apenas povoados, mas tinham e t\u00eam sua pr\u00f3pria religi\u00e3o. Quer dizer, a\u00ed tem barreiras! Mas n\u00e3o \u00e9 isso que mais impediu e impede que n\u00f3s atinjamos os confins da terra. Durante s\u00e9culos a igreja crist\u00e3 estava mais preocupada com o luxo, a riqueza, a opul\u00eancia; para atingir tudo isso se inventaram as cruzadas, guerras santas, indulg\u00eancias, povos origin\u00e1rios foram batizados \u00e0 for\u00e7a;\u00a0 e sinais desses pecados continuam por a\u00ed! Em um livro escrito por um crist\u00e3o convicto, \u00a0que visitou povos origin\u00e1rios, dispersos e long\u00ednquos, h\u00e1 uma afirma\u00e7\u00e3o muito forte e chocante feita por um habitante de um pa\u00eds africano. Ele disse: <em>Antigamente n\u00e3o conhec\u00edamos a B\u00edblia, mas t\u00ednhamos nossa terra; hoje conhecemos a B\u00edblia e n\u00e3o mais temos terras!<\/em>\u00a0 Quantas vezes se confundiu miss\u00e3o com invas\u00e3o e conquista! Os mandamentos de Deus, tudo aquilo que Jesus efetivamente ensinou e est\u00e1 na B\u00edblia, foi esquecido. \u00a0Mencionar e repetir essa dura verdade n\u00e3o \u00e9 vingan\u00e7a ou o que o valha, mas para nos lembrar de que certos caminhos nada t\u00eam a ver com o evangelho. Mas \u00e9 s\u00f3 isso que podemos dizer?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 alguns anos uma personalidade de renome na Europa fez a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: <em>Eu prefiro dezenas de vezes um mundo crist\u00e3o com defeitos do que um mundo ateu sem defeito algum. <\/em>\u00a0E essa pessoa mencionou algumas coisas que t\u00eam \u00a0liga\u00e7\u00e3o com a f\u00e9 crist\u00e3: Escolas abertas a todos, hospitais, redes de socorro em cat\u00e1strofes, o respeito pela vida de enfermos cr\u00f4nicos, o respeito e acolhimento de pessoas portadoras e alguma defici\u00eancia. No nosso mundo cada vez mais marcado e determinado pelo dinheiro (antes do Natal, da P\u00e1scoa, do Dia das M\u00e3es, para citar alguns, s\u00f3 se fala no percentual de neg\u00f3cios a maior!), num mundo que, contrariamente ao seu desenvolvimento, tem sempre mais pobres e miser\u00e1veis, a mensagem do Cristo, o evangelho tem papel muito importante e cabe a n\u00f3s, crist\u00e3s e crist\u00e3os, transformar essa mensagem em pr\u00e1ticas para a vida e contra tudo o que tira a dignidade dos seres humanos e de seu maio ambiente. O fabricante de sab\u00e3o est\u00e1 certo: \u00a0Estamos longe de ter alcan\u00e7ado aquilo que o evangelho prop\u00f5e e temos que continuar a repetir e repetir o seu conte\u00fado, porque, como o diz Lutero, o \u201cvelho Ad\u00e3o\u201d continua presente em n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pois bem, os s\u00e9culos e as toneladas de sab\u00e3o j\u00e1 produzidas, n\u00e3o conseguiram eliminar a sujeira que causa doen\u00e7as e que mata. O fato de, em campanhas de roupa e alimentos, se pedir tamb\u00e9m sab\u00e3o tem sua raz\u00e3o de ser.\u00a0 N\u00e3o, n\u00e3o estou pensando em todos os produtos de beleza e cosm\u00e9ticos que prometem milagres que n\u00e3o conseguem cumprir, mas no verdadeiro sab\u00e3o que ajuda a eliminar sujeira. Um exemplo pode nos ajudar: Em uma grande\u00a0 maternidade era comum morrerem parturientes e crian\u00e7as. Isso era intrigante. Um dos m\u00e9dicos \u00a0descobriu a raz\u00e3o. Tanto m\u00e9dicos como enfermeiras e enfermeiros atendiam as\u00a0 parturientes e beb\u00eas uns em seguida dos outros sem lavar as m\u00e3os. Esse m\u00e9dico comprovou que, lavando as m\u00e3os com sab\u00e3o entre um atendimento e outro, a mortalidade foi reduzida em muito. Hoje qualquer centro cir\u00fargico tem \u00e1gua corrente e sab\u00e3o. Quantas vidas o sab\u00e3o ajudou a preservar a gente n\u00e3o sabe, mas \u00e9 certo que s\u00e3o inumer\u00e1veis. Desgra\u00e7adamente \u201cfilhotes\u201d de sab\u00e3o poluem, matam e destroem&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O envio de Jesus continua de p\u00e9 e h\u00e1 muito o que fazer, tamb\u00e9m para corrigir. O \u00fanico crit\u00e9rio para o nosso agir \u00e9 o pr\u00f3prio evangelho. O espa\u00e7o continua sendo o mundo que carece de testemunhos claros em favor da vida, da dignidade, do cuidado e da conserva\u00e7\u00e3o do nosso planeta, pois \u00e9 ali que o \u201cvelho Ad\u00e3o\u201d\u00a0 se manifesta com for\u00e7a. Nossa tarefa est\u00e1 muito bem descrita no lema da IECLB para este ano: Ser sal da terra e luz do mundo! Sal n\u00e3o pode ficar no saleiro \u2013 se ele n\u00e3o sair e se misturar n\u00e3o tem serventia; luz apagada, que n\u00e3o alumia caminhos, n\u00e3o vale nada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pe\u00e7amos que Deus nos agracie com seu Esp\u00edrito Santo como o fez com seus disc\u00edpulos no dia de Pentecostes para que continuemos teimando em levar\u00a0 o evangelho\u00a0 a todos os confins da terra. Am\u00e9m<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>P.em. Harald Malschitzky<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>S\u00e3o Leopoldo \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong><a href=\"mailto:harald.malschitzky@gmail.com\">harald.malschitzky@gmail.com<\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA 0 1\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES | 4 de junho de 2023 | Texto b\u00edblico: Mateus 28. 16-20 | Harald Malschitzky | Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, querida comunidade. Conta-se que em uma cidade n\u00e3o muito grande, onde todos se conhecia em boa parte,\u00a0 havia uma f\u00e1brica de sab\u00e3o de respeito. O dono da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18242,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36,157,853,108,264,305,349,3,387,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-18241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-matthaeus","category-beitragende","category-bibel","category-current","category-harald-malschitzky","category-kapitel-28-chapter-28","category-kasus","category-nt","category-pfingstsonntag","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18241"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18241\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18243,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18241\/revisions\/18243"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18242"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18241"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=18241"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=18241"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=18241"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=18241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}