{"id":1848,"date":"2020-02-21T17:13:40","date_gmt":"2020-02-21T16:13:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=1848"},"modified":"2020-02-21T17:57:58","modified_gmt":"2020-02-21T16:57:58","slug":"ultima-domingo-apos-epifania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/ultima-domingo-apos-epifania\/","title":{"rendered":"\u00daltimo Domingo ap\u00f3s&#8230;"},"content":{"rendered":"<h3>\u00daltimo Domingo ap\u00f3s Epifania | 2 Pedro 1:16-21, Romeu Ruben Martini |<\/h3>\n<p>Desde a inf\u00e2ncia n\u00f3s aprendemos. Dois exemplos de aprendizado: (1) aprendemos a import\u00e2ncia da higiene: tomar banho, escovar os dentes, vestir roupa limpa; (2) aprendemos regras de conviv\u00eancia: ceder o lugar \u00e0 pessoa mais velha, n\u00e3o levar o que n\u00e3o nos pertence, parar o carro quando a sinaleira est\u00e1 vermelha. Se n\u00e3o obedecermos ao que aprendemos, teremos problemas pessoais e na conviv\u00eancia em sociedade.<\/p>\n<p>Esses exemplos de aprendizado nos ajudam a entender o que o texto da pr\u00e9dica deste culto transmite. O texto \u00e9 da segunda carta de Pedro, 1.16-21. Vamos recordar: Pedro foi um dos disc\u00edpulos de Jesus. Se fosse nos dias atuais, poder\u00edamos dizer que Pedro v\u00e1rias vezes sentou com Jesus, tomou cafezinho e conversou sobre distintos assuntos com ele. Conforme os Evangelhos, Pedro presenciou a transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus (Mt 17.1-5). Pedro andou com Jesus. N\u00e3o por acaso Pedro tornou-se pregador do Evangelho. E uma das suas formas de pregar o Evangelho foi escrever duas cartas para comunidades crist\u00e3s rec\u00e9m fundadas.<\/p>\n<p>Lendo as duas pequenas cartas que Pedro escreveu para comunidades crist\u00e3s ainda jovens, l\u00e1 no s\u00e9culo I, logo descobrimos por que ele as escreveu. Na primeira carta, Pedro diz: Bendito seja Deus! Atrav\u00e9s da vinda de Jesus Cristo, Deus Pai \u201enos regenerou para uma viva esperan\u00e7a\u201c (1.3), esperan\u00e7a que em n\u00f3s \u00e9 sustentada \u201emediante a f\u00e9\u201c (v. 5). Por causa disso que Deus em Jesus fez por voc\u00eas, e que voc\u00eas aprenderam e aceitaram mediante a f\u00e9, \u201evoc\u00eas s\u00e3o ra\u00e7a eleita, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz\u201c (2.9).<\/p>\n<p>Vamos comparar a mensagem de Pedro com nosso aprendizado desde a inf\u00e2ncia. Aprendemos regras sobre higiene para viver vida saud\u00e1vel, e aprendemos regras de conviv\u00eancia para que a vida em conjunto seja vi\u00e1vel. Pedro lembrou para as jovens comunidades o que elas tinham aprendido: &#8211; Isso que voc\u00eas ouviram sobre Jesus e que voc\u00eas creram e abra\u00e7aram por meio da f\u00e9, isso mudou a vida de voc\u00eas e vai se concretizar no seu jeito de viver e conviver. Em meio as trevas, voc\u00eas agora s\u00e3o como l\u00e2mpada que ilumina com a luz de Deus.<\/p>\n<p>Lutero, referindo-se \u00e0s cartas de Pedro, disse: Pedro escreveu para alertar que a f\u00e9 crist\u00e3 sem obras n\u00e3o existe. Na carta de Tiago 2.17 lemos: Assim tamb\u00e9m a f\u00e9, se n\u00e3o tiver as obras, \u00e9 morta em si mesma. Por isso \u00e9 que Pedro, segundo Lutero, \u201eexorta para que as jovens<\/p>\n<p>comunidades se examinem por meio de boas obras e que tenham a certeza da f\u00e9, assim como se reconhecem as \u00e1rvores pelos frutos\u201c (B\u00edblia com coment\u00e1rios de Lutero, p. 1191).<\/p>\n<p>J\u00e1 que mencionamos Lutero, vamos tamb\u00e9m recordar um ponto central da Teologia Luterana quando o assunto s\u00e3o a f\u00e9 e as obras. Podemos traduzir esse ponto central assim: Deus nos ama, Deus quer o nosso bem e Deus nos perdoa n\u00e3o por causa das nossas obras, mas porque Ele decidiu assim. As obras \u2013 aquilo que fazemos como pessoas crist\u00e3s \u2013 s\u00e3o a nossa resposta de gratid\u00e3o ao que Deus fez e faz por n\u00f3s.<\/p>\n<p>Dito isso, ou\u00e7amos agora o texto escolhido para a pr\u00e9dica deste culto. [leitura do texto]<\/p>\n<p>O que Pedro quer dizer \u00e0s jovens comunidades com esses seis vers\u00edculos?<\/p>\n<p>Por um lado, Pedro diz: voc\u00eas, jovens comunidades crist\u00e3s, voc\u00eas tiveram a oportunidade de \u201econhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo\u201c (v.16). E Pedro recorda que as comunidades receberam esse conhecimento de pessoas como ele, ele que foi testemunha ocular de Jesus. Lembram, Pedro tomou cafezinho com Jesus! Pedro recorda: &#8211; Eu estive com Jesus l\u00e1 no morro quando veio a voz do c\u00e9u que disse \u201eEste \u00e9 meu Filho amado\u201c (v. 17). Eu e outros profetas ensinamos a voc\u00eas sobre esse Jesus.<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que essa segunda carta de Pedro trata desde o in\u00edcio de conhecimento e lambran\u00e7a. Voc\u00eas t\u00eam o \u201epleno conhecimento de Deus\u201c (1.2), o \u201econhecimento do Senhor\u201c (2.20). E Pedro afirma que escreve esta carta para \u201elembrar dessas coisas\u201c (1.12), para \u201edespertar [os membros] com [essas] lembran\u00e7as\u201c (1.13, 3.1).<\/p>\n<p>Como dito acima, isso \u00e9 o que Pedro lembra por um lado: que as comunidades tiveram a oportunidade de ouvir e receber pela f\u00e9 o verdadeiro conhecimento de Deus. POR\u00c9M, lamentavelmente, as comunidades correm o risco de seguir \u201ef\u00e1bulas engenhosamente inventadas\u201c (v. 16); e s\u00e3o f\u00e1bulas\u00a0 que prov\u00eam de \u201eparticular elucida\u00e7\u00e3o\u201c (v. 20), s\u00e3o fruto de \u201eprofecia dada por vontade humana\u201c (v. 21), escreve Pedro..<\/p>\n<p>Prezada comunidade! H\u00e1 quem diz que n\u00f3s, luteranos e luteranas, temos pouco conhecimento b\u00edblico. N\u00e3o quero discutir isso agora. Ainda que isso seja verdade, \u00e9 fato que luteranos e luteranas majoritariamente tivemos a oportunidade de frequentar o Ensino Confirmat\u00f3rio. (daria para perguntar: Quem lembra desse per\u00edodo da sua vida?) Aprendemos, por exemplo, os Dez Mandamentos, o Pai Nosso, o Credo Apost\u00f3lico. Temos esse conhecimento. E esse conhecimento nos \u00e9 lembrado no Culto, no sepultamento, em programas de r\u00e1dio das nossas Par\u00f3quias, nos Devocion\u00e1rios. Mesmo assim, sejamos sinceros: ao inv\u00e9s de orientar nossa vida por esse aprendizado, gostamos de ouvir f\u00e1bulas \u2013 est\u00f3rias \u2013 as mais absurdas a respeito de Deus e da sua vontade, e arriscamos acreditar nelas e seguir quem as<\/p>\n<p>conta, embora tais f\u00e1bulas e est\u00f3rias sejam indefens\u00e1veis com base naquilo que aprendemos no Ensino Confirmat\u00f3rio. Vejamos com dois exemplos.<\/p>\n<p>Vivemos num tempo em que vozes insistem que a paz ser\u00e1 fruto do uso de armas. Pensem comigo: Jesus ensinou algo que pudesse ser usado como argumento para defender o uso de armas como meio de alcan\u00e7ar a paz? (Sil\u00eancio) \u201eBem-aventudaras s\u00e3o as pessoas pacificadoras\u201c (Mt 5.9), pregou Jesus. (Sil\u00eancio) Na sua entrada em Jerusal\u00e9m, mesmo sabendo do risco de vida que corria, Jesus n\u00e3o pediu aos seus disc\u00edpulos para providenciar um comboio do Comando de Opera\u00e7\u00f5es Especiais, mas solicitou que trouxessem para ele montar uma jumenta (Mt 21,1ss).<\/p>\n<p>Um segundo exemplo. H\u00e1 hoje um bombardeio de not\u00edcias sobre curas e outros atos milagrosos em nome de Deus. Desde o c\u00e2ncer, at\u00e9 unha encravada, passando pela fartura em dinheiro, bens, amores. Promete-se curar e resolver tudo, usando a sele\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria de vers\u00edculos da Escritura. Sim, Jesus curou e n\u00e3o seremos n\u00f3s a duvidar que Deus ainda hoje fa\u00e7a milagres. Mas, quando Jesus deu a entender que ele era um milagreiro? Ao inv\u00e9s de assumir o papel de milagreiro, Jesus ensinou o que na hist\u00f3ria da Igreja passou a ser chamado as sete obras de miseric\u00f3rdia: alimentar os famintos, dar de beber aos quem t\u00eam sede, vestir os despidos, abrigar os sem abrigo, visitar os doentes, visitar os presos e sepultar os mortos (Mt 25).<\/p>\n<p>No entendimento do evangelista Marcos (Mc 10.45), Jesus traduziu as obras de miseric\u00f3rdia com o verbo servir, diaconar no original, de onde deriva o termo Diaconia, o servi\u00e7o diaconal, o servi\u00e7o de amor junto a quem sofre, que \u00e9 uma das prioridades da Miss\u00e3o na IECLB. Jesus ensinou o milagre que decorre das obras do amor, fruto da nossa f\u00e9!<\/p>\n<p>Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Jesus, Deus Emanuel! \u00c9 tempo de darmos aten\u00e7\u00e3o ao que Pedro recordou \u00e0s comunidades crist\u00e3s do seu tempo. Eu sei, \u00e9 atrativo ouvir e seguir f\u00e1bulas e est\u00f3rias que, aparentemente, resolvem todos os problemas da vida num passe de m\u00e1gica. Mas essas f\u00e1bulas e est\u00f3rias n\u00e3o condizem com o ensinamento do Evangelho de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Para o nosso pr\u00f3prio bem, para mais clareza sobre aquilo que cremos, para discernir qual \u00e9 o verdadeiro papel da Igreja, para que possamos ser verdadeira luz nesse mundo de tantas trevas, conv\u00e9m dedicarmos tempo para recordar e compreender o que \u00e9 mesmo a vontade de Deus. Para isso, nada melhor do que usar como ferramentas o estudo da Palavra, recordar o que nos foi ensinado no Ensino Confirmat\u00f3rio, dialogar fraternalmente sobre isso, pedindo em ora\u00e7\u00e3o pela ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardar\u00e1 o vosso cora\u00e7\u00e3o em Cristo Jesus (Fp 4.7). Am\u00e9m.<\/p>\n<div id=\"fuss\">P.Dr. Romeu Ruben Martini<br \/>\nPorto Alegre \u2013 Rio Grande do Sul, Brasil<br \/>\nE-Mail: <a href=\"mailto:romeurubenmartini@gmail.com\">romeurubenmartini@gmail.com <\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00daltimo Domingo ap\u00f3s Epifania | 2 Pedro 1:16-21, Romeu Ruben Martini | Desde a inf\u00e2ncia n\u00f3s aprendemos. 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