{"id":18994,"date":"2023-10-27T12:13:03","date_gmt":"2023-10-27T10:13:03","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=18994"},"modified":"2023-10-27T12:13:03","modified_gmt":"2023-10-27T10:13:03","slug":"galatas-51-9","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/galatas-51-9\/","title":{"rendered":"G\u00e1latas 5,1-9"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">PR\u00c9DICA NO DIA DA REFORMA | 31.10.2023\u00a0|\u00a0G\u00e1latas 5,1-9 |\u00a0Harald Malschitzky |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, comunidade reunida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel estar aqui hoje, na comunidade que nos acolheu por quase uma d\u00e9cada&#8230;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Uma de nossas netas \u00e9 ilustradora. Ela recebe textos e at\u00e9 livros inteiros e, com seus tra\u00e7os, cuida das ilustra\u00e7\u00f5es. Mas ela tamb\u00e9m escreve seus pr\u00f3prios livros, muitos deles com mais ilustra\u00e7\u00f5es do que textos. N\u00e3o \u00e9 diferente com seu \u00faltimo livro em quadrinhos. A hist\u00f3ria \u00e9 simples: Uma pessoa que \u00a0\u00a0adora o confinamento, mas que vai descobrindo um vazio que a leva a inventar mil coisas. N\u00e3o s\u00f3 isso, ela descobre tamb\u00e9m que na casa tem mil coisas a fazer: Pia cheia de lou\u00e7a, m\u00e1quina de lavar roupa estourando da carga, vassoura e p\u00e1 do lixo no meio do caminho, sala de estar bagun\u00e7ada, cama por fazer; o trabalho \u00e9 escravizante. Passado um tempo de auto confinamento, finalmente a liberta\u00e7\u00e3o e o final com a pergunta: E agora, o que \u00e9 que eu vou fazer?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Liberdade de \u00a0qu\u00ea? Liberdade pra qu\u00ea? Na verdade a liberdade absoluta \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe. Tanto n\u00f3s mesmos com o mundo que nos cerca delimitam a liberdade, qualquer um de n\u00f3s faz a experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O ap\u00f3stolo Paulo, na medida em que\u00a0 a difus\u00e3o da boa nova de Cristo, a boa nova que proclama liberdade\u00a0 ia reunindo comunidades, teve que enfrentar a quest\u00e3o. Ocorre que as pessoas traziam na sua bagagem de origem tradi\u00e7\u00f5es, costumes, ritos, pr\u00e1ticas. \u00a0Os de origem judaica, por exemplo, traziam consigo o rito da circuncis\u00e3o. A pergunta que se fazia era se, para ser crist\u00e3o, era preciso observar primeiro esse rito. E no correr dos anos Paulo teve que responder a ainda outras quest\u00f5es: leis de pureza, leis de alimenta\u00e7\u00e3o (animais puros ou impuros), pr\u00e1tica da idolatria (Diana de \u00c9feso), fragilidade da pr\u00f3pria sa\u00fade&#8230; Em todos os lugares e a todas as pessoas era preciso dizer e proclamar: <em>Cristo nos libertou\u00a0 para que n\u00f3s sejamos realmente livres!(v.1). <\/em>\u00a0Cristo nos libertou do que, de quem? Antes de mais nada,\u00a0 de n\u00f3s mesmos, do nosso olhar para dentro de n\u00f3s, da preocupa\u00e7\u00e3o com a pr\u00f3pria salva\u00e7\u00e3o, de ritos e costumes que escravizam e tolhem a vis\u00e3o para o mundo e para os outros seres humanos. Tudo \u00e9 relativizado, pois <em>o que importa \u00e9 a f\u00e9 que age no amor (v.6).<\/em> A liberta\u00e7\u00e3o pelo Cristo\u00a0 nos abre para os outros, para as causas dos outros, para as dores dos outros, tendo como fio condutor o amor que \u00e9 mais do que s\u00f3 amor rom\u00e2ntico e po\u00e9tico (que tem o seu valor!), que \u00e9 solid\u00e1rio, que aceita o diferente e que tenta desfazer continuamente aquilo que escraviza, sejam eles costumes e pr\u00e1ticas religiosas ou\u00a0 costumes e pr\u00e1ticas seculares, amor que admoesta, corrige e consola, \u00a0pois a vida \u00e9 uma s\u00f3. Em uma de suas cartas o ap\u00f3stolo tematiza o amor como o maior de todos os dons (1 Cor\u00edntios 13).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para Martim Lutero, no seu momento hist\u00f3rico no s\u00e9culo XVI, a descoberta da \u201cliberdade para a qual Cristo nos libertou\u201d causou uma reviravolta inimagin\u00e1vel. Seus olhos e seu cora\u00e7\u00e3o foram abertos para o emaranhado de leis, normas, costumes, desmandos que haviam enredado a sua igreja. A liberta\u00e7\u00e3o pelo Cristo o desafiou a abrir caminho na pr\u00f3pria igreja. Na sociedade civil ele viu a pobreza, o analfabetismo, o mau uso dos recursos financeiros,\u00a0 e ele n\u00e3o teve d\u00favidas de se dirigir aos governantes, por vezes com duras palavras. Sua mensagem e sua a\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m levantaram muitas perguntas sobre o cotidiano e a forma de novas comunidades, bem como do celibato, da fam\u00edlia, do papel da mulher&#8230; A liberdade para a qual Cristo o libertou, deu muito trabalho para o resto da vida!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nosso mundo \u00e9 diferente da realidade de Paulo dois mil anos atr\u00e1s e \u00e9 tamb\u00e9m diferente do mundo de Lutero de 500 anos atr\u00e1s. O Evangelho, por\u00e9m \u00e9 o mesmo e o fio condutor \u00e9 o amor, nas palavras do lema desta celebra\u00e7\u00e3o, A F\u00c9 \u00c9 LIVRE NO AMOR. Como podemos concretizar isso?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tento exemplificar em alguns pontos. Como n\u00f3s nos relacionamos na fam\u00edlia e na sociedade? Somos capazes de nos olhar, olho no olho, abra\u00e7o no abra\u00e7o apesar de diferen\u00e7as de origem e ideologias? Prezamos o encontro pessoal ou estamos transferindo sempre mais rela\u00e7\u00f5es para pequenas m\u00e1quinas? H\u00e1 muitos relatos de pessoas que s\u00e3o visitadas somente por caminhos eletr\u00f4nicos. Se conta que um av\u00f4 dava mensalmente cem reais ao neto, dinheiro que ele tinha que buscar. Dia desses o av\u00f4 contou que tinha entrado no mundo eletr\u00f4nico at\u00e9 nas contas banc\u00e1rias. O neto vibrou com a not\u00edcia: <em>Oba, agora podes me mandar o dinheiro diretamente! <\/em>\u00a0O av\u00f4 continuou: <em>A aparelhagem que comprei tem tamb\u00e9m um scanner: Vou escanear mensalmente uma nota de 100 reais e te mando a c\u00f3pia por e-<\/em>mail! A liberdade para a qual Cristo nos libertou nos aproxima uns dos outros em amor e solidariedade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como est\u00e3o nossas comunidades, como est\u00e1 nossa igreja? Para evitar mal-entendidos: Comunidades e igreja est\u00e3o dentro do mundo marcado e dominado pela tecnologia. E n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que essa tecnologia oferece ferramentas muito boas para nos organizarmos. Eu, pessoalmente, um semianalfabeto tecnol\u00f3gico,\u00a0 me sinto perdido, tanto no trabalho como em particular quando, como se diz, \u201ccai o sistema\u201d. Ent\u00e3o: \u00c9 claro que precisamos ir nos atualizando tecnologicamente! No entanto, ai de n\u00f3s se cairmos no canto da sereia que promete solucionar tudo por via eletr\u00f4nica. Ai de n\u00f3s, se s\u00e3o ouvidas e vistas somente aquelas pessoas \u00a0que a dominam, se quem n\u00e3o a domina n\u00e3o l\u00ea o que escrevemos e n\u00e3o consegue ouvir o que dizemos porque no caminho est\u00e3o links e plataformas como \u00fanico acesso. Fomos libertados para usar o que \u00e9 bom e que nos ajuda, tamb\u00e9m os avan\u00e7os da ci\u00eancia, desde que nada substitua o amor e n\u00e3o prejudique criaturas e cria\u00e7\u00e3o. Uma palavra direta, um conselho, um ombro amigo, uma ora\u00e7\u00e3o e at\u00e9 um momento de sil\u00eancio junto ao outro s\u00e3o imprescind\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estamos vivendo em um mundo cada vez mais amea\u00e7ado, n\u00e3o tanto pela natureza \u2013 tamb\u00e9m por ela, sem d\u00favida \u2013 mas pelo pr\u00f3prio ser humano, que com suas habilidades e conhecimentos cient\u00edficos transformou o nosso planeta em um enorme barril de p\u00f3lvora prestes a explodir, criando armas cada vez mais letais. A liberdade para a qual Cristo nos libertou nos desafia a fazer coro com todas as pessoas e institui\u00e7\u00f5es que protestam contra as guerras. N\u00f3s, tamb\u00e9m chamados de protestantes, temos que protestar contra as guerras e as matan\u00e7as em favor da PAZ. N\u00e3o se trata apenas de desculpar uns e criminalizar os outros, mas sim, se trata de dizer que o \u00fanico caminho ainda vi\u00e1vel \u00e9 parar a viol\u00eancia, a matan\u00e7a, a destrui\u00e7\u00e3o. Porque Cristo nos libertou para a liberdade e n\u00e3o para a morte protestamos contra qualquer guerra e protestamos em favor da paz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estamos prestes a celebrar 200 anos de presen\u00e7a luterana em terras brasileiras. A hist\u00f3ria pode ajudar-nos a tra\u00e7ar um panorama de tudo o que aconteceu e de tudo o que se fez como igreja. Nesse espelho \u2013 se dermos um pouco de aten\u00e7\u00e3o \u2013 veremos tamb\u00e9m onde falhamos e onde transformamos a liberdade em nova escravid\u00e3o. O fio condutor do evangelho, o amor,\u00a0 pode e deve nos ajudar a reter o que \u00e9 bom e a abandonar o que nos impede na pr\u00e1tica da liberdade.\u00a0 A f\u00e9 que \u00e9 livre no amor deve ser o crit\u00e9rio para nos guiar e tamb\u00e9m nos admoestar quando\u00a0colocamos nossos projetos, nossas ideias, nossas ideologias no caminho. Registremos em nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es uma frase lapidar atribu\u00edda a Agostinho, te\u00f3logo amado por Lutero, que viveu entre os anos 354 e 430: <strong><em>AMA E FAZE O QUE QUERES! <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8212;<\/p>\n<ol>\n<li>em. Harald Malschitzky<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o Leopoldo \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA NO DIA DA REFORMA | 31.10.2023\u00a0|\u00a0G\u00e1latas 5,1-9 |\u00a0Harald Malschitzky | Irm\u00e3s e irm\u00e3os em Cristo, comunidade reunida. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel estar aqui hoje, na comunidade que nos acolheu por quase uma d\u00e9cada&#8230; Uma de nossas netas \u00e9 ilustradora. Ela recebe textos e at\u00e9 livros inteiros e, com seus tra\u00e7os, cuida das ilustra\u00e7\u00f5es. 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