{"id":19713,"date":"2024-03-24T08:10:34","date_gmt":"2024-03-24T07:10:34","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=19713"},"modified":"2024-03-26T14:14:20","modified_gmt":"2024-03-26T13:14:20","slug":"joao-19-16-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/joao-19-16-30\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o 19. 16-30"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">Pr\u00e9dica para a Sexta feira da Paix\u00e3o | 29 de mar\u00e7o 2024 | Texto b\u00edblico: Jo\u00e3o 19. 16-30 | Breno Carlos Willrich |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A b\u00edblia tem uma paisagem central, e essa \u00e9 o G\u00f3lgota, <\/strong>dizia o P. dr. Lindolfo Weing\u00e4rtner. Vale a pena repetir pra nunca esquecer: <strong>A b\u00edblia tem uma paisagem central, e essa \u00e9 o G\u00f3lgota.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sendo assim, quando lemos a b\u00edblia nossos olhos n\u00e3o devem se distanciar de Jesus, especialmente do Jesus crucificado. Toda a leitura da b\u00edblia, de qualquer parte dela, deve passar pelo crivo de Cristo. A pergunta que devemos fazer para entendermos a escritura \u00e9: \u201cComo, a partir de olhar para o Cristo da cruz, podemos entender tal passagem b\u00edblica?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem quiser conhecer o rosto de Deus n\u00e3o poder\u00e1 deixar de olhar para a paisagem central, o Cristo do G\u00f3lgota. L\u00e1, pendurado no madeiro, est\u00e1 o nosso Deus misericordioso. Quem deseja viver de forma coerente com o evangelho deve se deixar guiar pelo Cristo crucificado, afinal, \u201cquem quer falar do amor, n\u00e3o poder\u00e1 calar da cruz\u201d. Quem espera alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o e a vida eterna saiba que essas nos foram presenteadas pela morte daquele que levou sobre si os nossos pecados. Olhar para o g\u00f3lgota \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para o fazer teol\u00f3gico e para a viv\u00eancia da f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A celebra\u00e7\u00e3o da sexta feira da paix\u00e3o no ano em que celebramos 200 anos de presen\u00e7a Luterana em solo brasileiro \u00e9 uma oportunidade \u00edmpar para refletirmos sobre a contribui\u00e7\u00e3o da Teologia Luterana para a religiosidade e a vida em nosso pa\u00eds. N\u00e3o devemos perguntar somente pela import\u00e2ncia dessa teologia nos 200 anos passados, mas tamb\u00e9m hoje, quando tantas influ\u00eancias teol\u00f3gicas disputam lugar na sociedade brasileira.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A teologia Luterana sempre apontou e dever\u00e1 continuar apontando para Cristo, de forma mais enf\u00e1tica quando a religiosidade crist\u00e3 corre perigo de distanciar o olhar dele.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o vamos dirigir nosso olhar agora para a paisagem central. O que vemos ali?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Um Rei tra\u00eddo, abandonado, fragilizado, crucificado entre criminosos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na placa no alto da cruz, onde constava o \u201ccrime\u201d cometido por Jesus, lia-se REI DOS JUDEUS. Mas que rei \u00e9 esse? Como uma ovelha sendo levada para o matadouro ele carregava sua cruz. Fora tra\u00eddo e abandonado. Ele, que n\u00e3o tinha pecado, foi pendurado entre dois criminosos como se um fosse. Esse que ai vemos t\u00e3o fr\u00e1gil \u00e9 o mesmo rei que nascera sem lugar e foi deitado em um ber\u00e7o de palhas. \u00c9 o mesmo que transformou o mundo n\u00e3o com o poder das armas e ex\u00e9rcitos, mas com palavras e gestos de amor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse rei n\u00e3o se enquadra nas teologias que pregam que na vida dos verdadeiros crist\u00e3os s\u00f3 h\u00e1 ben\u00e7\u00e3os e que tempestades n\u00e3o se abatem sobre eles.\u00a0 A teologia da prosperidade, por exemplo, t\u00e3o conhecida em nosso tempo tamb\u00e9m em terras brasileiras assim o pensa. Para esse pensar teol\u00f3gico, quem \u00e9 fiel a Deus e o honra com sua fidelidade e seus d\u00edzimos n\u00e3o conhece doen\u00e7as, nem dificuldade financeira, nem crise familiar, nem depress\u00e3o&#8230; Para esse pensar, quem \u00e9 abatido por qualquer infort\u00fanio, \u00e9 porque falhou na f\u00e9 e na fidelidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas no G\u00f3lgota vemos algo diferente. Vemos o grande Deus que se fez pequeno e compreende nossa pequenez, nossas lutas, nossas mis\u00e9rias humanas e se coloca ao nosso lado. Mas do que isso, o rei da cruz nos convida a olharmos para os pequenos e praticarmos solidariedade. E \u00e9 nessa solidariedade de Deus por n\u00f3s e na nossa m\u00fatua solidariedade que a vida floresce.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Tamb\u00e9m a mais nova variante da teologia da prosperidade, a chamada \u201cTeologia Coaching\u201d n\u00e3o olha para a fragilidade da cruz. Seus expoentes tentam convencer que, atrav\u00e9s de uma postura de auto confian\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o o crist\u00e3o alcan\u00e7a tudo o que deseja. Para esse pensar basta acreditar nas pr\u00f3prias capacidades concedidas por Deus e manifestarmos confian\u00e7a que seremos vitoriosos em tudo. E \u00e9 assim tentam justificar um mundo dividido entre fortes e fracos, entre vitoriosos e derrotados, entre ricos e pobres&#8230; definitivamente \u00e9 uma teologia que desviou o olhar do Cristo crucificado. Ele que, em meio a sofrimento e dor fortaleceu os la\u00e7os de sua m\u00e3e Maria com o disc\u00edpulo amado. Jesus n\u00e3o deseja vitoriosos e derrotados, mas cumplicidade, compromisso e amor.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>No G\u00f3lgota tamb\u00e9m vemos um rei que se fez servo, e nunca um rei dominador.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Hino Cristol\u00f3gico, em Filipenses lemos sobre Jesus: \u201cEle tinha a natureza de Deus, mas n\u00e3o tentou ser igual a Deus. Pelo contr\u00e1rio, ele abriu m\u00e3o de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus at\u00e9 a morte &#8211; morte de cruz. Por isso Deus deu a Jesus a mais alta honra e p\u00f4s nele o nome que \u00e9 mais importante de todos os nomes&#8230;\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Difere absolutamente dessa f\u00e9 no Jesus servo, a chamada \u201cTeologia do dom\u00ednio\u201d, que ganha espa\u00e7o na espiritualidade do povo brasileiro. Essa, tem sua base numa interpreta\u00e7\u00e3o equivocada do convite divino no livro de G\u00eanesis para que o ser humano domine a terra. A mesma teologia tamb\u00e9m \u00e9 constru\u00edda inspirada nas hist\u00f3rias v\u00e9tero testament\u00e1rias do\u00a0 Rei Davi que, com sua lideran\u00e7a e seu ex\u00e9rcito, dominou povos e ampliou o poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico, religioso e territorial do povo de Israel. Com base nesse olhar a teologia defende que crist\u00e3os devam dominar. Dominar sobre n\u00e3o crist\u00e3os, sobre os recursos naturais e inclusive defendem a necessidade de crist\u00e3os dominarem as pautas do Estado, n\u00e3o concebendo a realidade de que vivemos em um Estado laico.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O desejo de domina\u00e7\u00e3o resultou no abandono do servo Jesus. H\u00e1 um hino que expressa isso com as seguintes palavras: \u201cEles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador, e por isso n\u00e3o creram nele, e mataram o salvador\u201d. Jesus n\u00e3o veio na inten\u00e7\u00e3o de dominar, mas de servir. O dom\u00ednio exclui, o servi\u00e7o inclui. O dom\u00ednio quer derrotar o diferente, o servi\u00e7o respeita a todos. Jesus n\u00e3o \u00e9 dominador, mas servo<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Naquela cruz, antes de morrer, Jesus exclamou : \u201cEst\u00e1 consumado\u201d.<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como podemos compreender essa express\u00e3o? Uma interpreta\u00e7\u00e3o poderia ser simplesmente que a vida de Jesus havia chegado ao fim. Mas ela \u00e9 muito mais profunda. As \u00faltimas palavras de Jesus segundo o relato do evangelista Jo\u00e3o significam que a miss\u00e3o de Jesus estava completa; a salva\u00e7\u00e3o estava dada. Sim. Com a morte de Jesus para a remiss\u00e3o de nossos pecados a salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 completa. Nada mais precisa nem pode ser feito. Jesus fez a obra completa.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Muitas vezes a religiosidade se torna opressora e exigente. Muitos crist\u00e3os vivem como se necessitassem aplicar-se em constante esfor\u00e7o atrav\u00e9s de uma vida santificada e de boas obras para alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o. Vivem como se boas obras e comportamento fossem degraus de uma escada que leva ao c\u00e9u. Essa ideia de meritocracia \u00e9 opressora porque erros s\u00e3o considerados como degraus que perdemos em nossa escalada para a vida eterna. Nesse contexto ouvir as palavras \u201cest\u00e1 consumado\u201d \u00e9 libertador e consolador. Elas nos dizem que a salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende de n\u00f3s. Elas expressam que Jesus \u00e9 o \u00fanico Salvador, que tudo est\u00e1 feito. A salva\u00e7\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a, e a n\u00f3s cabe aceitar de bra\u00e7os abertos a obra que ele realizou por n\u00f3s no G\u00f3lgota.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas erra, por outro lado, quem vive a gra\u00e7a barata, que \u00e9 o extremo contr\u00e1rio da meritocracia. Como se eu pudesse viver a vida completamente sem compromisso com o discipulado, uma vida desregrada e sem amor para com o pr\u00f3ximo. \u00a0 N\u00e3o d\u00e1 pra olhar para o sofrimento, a humilha\u00e7\u00e3o, o desprezo e a dor de Jesus sem compreender que ele fez isso por mim, por ti,\u00a0 e por n\u00f3s. Nossa salva\u00e7\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a, mas ela custou muito caro, foi comprada n\u00e3o por prata nem por ouro, mas pelo precioso sangue do filho de Deus. Por isso quero crer nesse senhor, quero servi-lo com dedica\u00e7\u00e3o, quero amar o pr\u00f3ximo como Jesus me amou e quero abra\u00e7ar uma miss\u00e3o em favor da vida no mundo em resposta de gratid\u00e3o ao que o Jesus conquistou para mim no g\u00f3lgota.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que a paisagem central da b\u00edblia nos inspire. Que convidemos outros dirigir para Jesus o seu olhar. Que esse olhar pr\u00f3prio da teologia luterana continue fazendo diferen\u00e7a em nossa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Breno Carlos Willrich<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Blumenau \u2013 Santa Catarina (Brasilien)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:pastorbreno@terra.com.br\">pastorbreno@terra.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dica para a Sexta feira da Paix\u00e3o | 29 de mar\u00e7o 2024 | Texto b\u00edblico: Jo\u00e3o 19. 16-30 | Breno Carlos Willrich | A b\u00edblia tem uma paisagem central, e essa \u00e9 o G\u00f3lgota, dizia o P. dr. Lindolfo Weing\u00e4rtner. 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