{"id":19963,"date":"2024-05-28T11:00:52","date_gmt":"2024-05-28T09:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=19963"},"modified":"2024-05-28T11:00:52","modified_gmt":"2024-05-28T09:00:52","slug":"deuteronomio-5-12-15","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/deuteronomio-5-12-15\/","title":{"rendered":"Deuteron\u00f4mio 5.12-15"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">PR\u00c9DICA PARA O2.DOMINGO DE PENTECOSTES | 2 DE JUNHJO DE 2024 |\u00a0Texto b\u00edblico: Deuteron\u00f4mio 5.12-15 | Martin Dietz |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cA gra\u00e7a de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo sejam com todos n\u00f3s. Am\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><sup>12\u00a0<\/sup>\u2014 &#8222;Guarde o dia de s\u00e1bado, para o santificar, como o\u00a0Senhor, seu Deus, lhe ordenou.<sup>13\u00a0<\/sup>Seis dias voc\u00ea trabalhar\u00e1 e far\u00e1 toda a sua obra,<sup>14\u00a0<\/sup>mas o s\u00e9timo dia \u00e9 o s\u00e1bado dedicado ao\u00a0Senhor, seu Deus; n\u00e3o fa\u00e7a nenhum trabalho nesse dia, nem voc\u00ea, nem o seu filho, nem a sua filha, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento ou qualquer outro dos seus animais, nem o estrangeiro das suas portas para dentro, para que o seu servo e a sua serva descansem como voc\u00ea.<sup>15\u00a0<\/sup>Lembre-se de que voc\u00ea foi escravo na terra do Egito e que o\u00a0Senhor, seu Deus, o tirou de l\u00e1 com m\u00e3o poderosa e bra\u00e7o estendido. Por isso o\u00a0Senhor, seu Deus, ordenou que voc\u00ea guardasse o dia de s\u00e1bado.&#8220;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Prezada Comunidade, irm\u00e3s e irm\u00e3os,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cDevemos temer e amar a Deus e, por isso, n\u00e3o desprezar a prega\u00e7\u00e3o e a sua palavra; mas devemos ter respeito por ela, ouvi-la e estud\u00e1-la com gosto\u201d. Assim, Martim Lutero explica aquele que, na contagem dos Catecismos do Reformador, \u00e9 o terceiro Mandamento. Pelo menos a um primeiro olhar, n\u00f3s, pessoas que se encontram no culto e que, hoje, ouvem a prega\u00e7\u00e3o sobre Dt 5.12-15, parecemos estar entre os bons cumpridores do preceito divino. Embora o texto deixe transparecer que o pr\u00f3prio descanso j\u00e1 constitui a santifica\u00e7\u00e3o do \u201cs\u00e1bado\u201d, o aspecto religioso da santifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa (nem deve) ser esquecido. \u00c9 salutar estarmos reunidos como Comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Igualmente bom, por\u00e9m, \u00e9 que observemos o car\u00e1ter evang\u00e9lico tanto do Mandamento divino quanto do culto. Culto \u00e9 oportunidade, gra\u00e7a, presente concedido a n\u00f3s, Comunidade; n\u00e3o \u00e9 obriga\u00e7\u00e3o a ser cumprida com Deus ou at\u00e9 com o pastor. Quem falta ao culto, n\u00e3o falha com uma obriga\u00e7\u00e3o, mas deixa de receber a b\u00ean\u00e7\u00e3o de louvor, comunh\u00e3o, reflex\u00e3o etc. que ao culto est\u00e1 associada.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse destaque \u00e0 compreens\u00e3o evang\u00e9lica do Mandamento conecta Dt 5.12-15 ao Evangelho deste domingo, Mc 2.23-3.6. No Evangelho, Jesus permite a seus disc\u00edpulos que, em dia de s\u00e1bado, colham espigas; tamb\u00e9m em um s\u00e1bado, Jesus cura um doente, o que, para os mestres da Lei do seu tempo, era considerado como trabalho. Ao assim fazer, Jesus n\u00e3o transgrediu apenas a assim chamada \u201ctradi\u00e7\u00e3o dos anci\u00e3os\u201d (cf. Mc 7.1-13), mas ousou desobedecer a um expl\u00edcito mandamento de Deus. E n\u00f3s, de que lado ficamos: de Jesus ou da lei divina, conforme anunciada em Dt 5? A atitude de Jesus, em todo o caso, n\u00e3o deve servir de bem-vinda desculpa para que n\u00f3s arbitrariamente ignoremos o texto b\u00edblico que estamos meditando. Por outro lado, ao fazer o que fez, em pleno s\u00e1bado, Jesus ensinou de que maneira devemos observar o preceito divino: n\u00e3o de forma cega e legalista; mas orientados pelo duplo mandamento do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Foi essa orienta\u00e7\u00e3o no chamado duplo mandamento do amor que deu ao Reformador Martim Lutero a liberdade de, nos seus Catecismos, chamar o \u201cs\u00e1bado\u201d de \u201cdia de descanso\u201d. Afinal, embora o pr\u00f3prio Lutero compreenda os Dez Mandamentos como preceitos que exigem, cobram e, por isso, tamb\u00e9m condenam os seus transgressores, ele tamb\u00e9m percebeu o aspecto evang\u00e9lico dos Mandamentos. No caso espec\u00edfico do Mandamento\u00a0 que ordena a observ\u00e2ncia do dia de descanso, Lutero enxerga nele um ind\u00edcio e um an\u00fancio salutar de que n\u00e3o somos resultado de nosso esfor\u00e7o e m\u00e9rito, mas nos devemos por inteiro \u00e0 gra\u00e7a, \u00e0 bondade e \u00e0 generosidade de Deus, nosso Pai Criador e Mantenedor da vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Enquanto no Antigo Testamento o s\u00e9timo dia da semana \u00e9 o dia de descanso, para a Igreja Crist\u00e3 o primeiro dia da semana passou a ser o Dia do Senhor, <em>dies dominicus<\/em>. Essa mudan\u00e7a do dia de descanso do \u00faltimo para o primeiro dia da semana coloca um acento bem espec\u00edfico na rela\u00e7\u00e3o entre trabalho e descanso. O domingo como dia de descanso testifica que, antes do nosso trabalho (que realizamos do segundo ao sexto ou s\u00e9timo dia), vem o descanso. \u00c0 sua maneira, o domingo se torna, portanto, uma forma de, semanalmente, sermos lembrados do que significa o \u201cser crian\u00e7a\u201d ensinado por Jesus: primeiro, \u201cmamamos e dormimos\u201d para, depois, com o tempo, sermos capacitados \u00e0 atividade produtiva. Algo parecido ensina o dia judaico, que inicia com o anoitecer, ou seja: com o per\u00edodo de descanso.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Mandamento ordena o descanso no s\u00e9timo dia da semana. Em nosso mundo (p\u00f3s-)moderno, nem todas as pessoas possuem a o direito e a possibilidade do repouso dominical. Quando \u00a0possuem, n\u00e3o raro preferem (e precisam) aproveitar o dia para o descanso exatamente para repousar ou se ocupar de outra forma, em vez de fazer uso da oferta do culto. N\u00f3s que, neste fim de semana, estamos reunidos, como Comunidade crist\u00e3, podemos nos dar por felizes, por nos ser concedida a gra\u00e7a de nos encontrarmos, como irm\u00e3s e irm\u00e3os, para sermos lembrados de que n\u00e3o somos frutos do nosso trabalho, mas nos devemos \u00e0 bondade de Deus. Se alguns n\u00e3o podem e outros n\u00e3o querem participar do culto, o sino que convida para a celebra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9, continuamente, lembrete e sinal dessa oferta que continuamente nos \u00e9 dirigida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">De segunda- a sexta-feira, mas mesmo no s\u00e1bado e no domingo, somos cobrados e exigidos de todos os lados, por meio da press\u00e3o por produtividade que nos alcan\u00e7a pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pela sociedade. Mas tamb\u00e9m cada um de n\u00f3s imp\u00f5e a si mesmo a sua taxa de cobran\u00e7a. Formulado em linguagem religiosa: o anseio por salva\u00e7\u00e3o pelas obras, t\u00e3o condenado pelos Reformadores, segue nos rondando de todos os lados; atualmente, n\u00e3o mais como esperan\u00e7a por reden\u00e7\u00e3o eterna, mas terrena. N\u00e3o estamos mais em busca de ir para o c\u00e9u, mas de sermos felizes. Nesse intuito de nos autoconstruir, nos sobrecarregamos; ficamos cansados, esgotados. Sobrecarregados do trabalho, depositamos expectativas igualmente absolutas sobre o lazer, que n\u00e3o pode ser \u00f3cio, mas necessita de constante ocupa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m ele, por\u00e9m, \u00e9 incapaz de conferir sentido \u00e0 exist\u00eancia; resta, ent\u00e3o, a decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Mandamento que ordena a observ\u00e2ncia do dia de descanso possui car\u00e1ter profundamente evang\u00e9lico. Ele \u00e9 boa not\u00edcia, porque nos permite repousar. Lembra, como j\u00e1 comentamos, que n\u00e3o somos produto do nosso trabalho, mas da bondade divina, da gra\u00e7a do Deus que liberta. O culto deveria ser espa\u00e7o em que essa mensagem \u00e9 pregada e vivida. N\u00e3o ignoramos, por\u00e9m, que tamb\u00e9m pastores e padres est\u00e3o continuamente tentados a ati\u00e7ar pessoas ao ativismo, das mais diferentes esp\u00e9cies. Afinal, como Igreja, n\u00e3o queremos ser taxados de acomodados ou mesmo de irrelevantes. O ano da Igreja oferece incont\u00e1veis oportunidades de chamado \u00e0 pr\u00e1tica de boas obras. Se, todavia, o sinal indicado por Dt 5.12-15 n\u00e3o for observado por n\u00f3s, permaneceremos ref\u00e9ns das ideologias que nos ceram e que julgamos combater.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Mandamento divino \u00e9, temos dito, Evangelho, boa-not\u00edcia, gra\u00e7a, presente. Por outro lado, n\u00e3o deixa de ser aquilo que Martim Lutero caracterizou como \u201cLei\u201d, pois lembra da limita\u00e7\u00e3o daquilo que fazemos. Mais tardar a morte colocar\u00e1 um fim ao nosso labor; essa \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o apenas o tempo, mas tamb\u00e9m nosso conhecimento \u00e9 limitado; por mais que o tenhamos ampliado, ele n\u00e3o \u00e9 infinito. N\u00e3o por \u00faltimo, o pecado configura o limite por excel\u00eancia: n\u00e3o estamos acima de toda a cr\u00edtica, mas continuamente sujeito a erros e, por isso, constantemente carentes de perd\u00e3o. Somente isso, j\u00e1 deveria ser raz\u00e3o suficiente para buscarmos a comunh\u00e3o semanal de irm\u00e3s e irm\u00e3os para ouvir, de cont\u00ednuo, a mensagem da nossa salva\u00e7\u00e3o, terrena e eterna, em Cristo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Resumindo e concluindo: temos motivo de sobra para dar a devida aten\u00e7\u00e3o ao mandamento divino e, quando e onde possu\u00edmos essa possibilidade, \u201cguardar o \u2018s\u00e1bado\u2019 para o santificar\u201d. Quem tem ouvidos para ouvir, ou\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cE a paz de Deus, que excede todo o nosso entendimento, guardar\u00e1 nossos cora\u00e7\u00f5es e mentes em Cristo Jesus. Am\u00e9m.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8212;<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">P.Dr. Martin Tim\u00f3teo Dietz<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Novo Hamburgo &#8211; Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:martin.dietz@hotmail.com\">martin.dietz@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O2.DOMINGO DE PENTECOSTES | 2 DE JUNHJO DE 2024 |\u00a0Texto b\u00edblico: Deuteron\u00f4mio 5.12-15 | Martin Dietz | \u201cA gra\u00e7a de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo sejam com todos n\u00f3s. 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