{"id":20036,"date":"2024-06-21T10:26:13","date_gmt":"2024-06-21T08:26:13","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=20036"},"modified":"2024-06-21T10:26:13","modified_gmt":"2024-06-21T08:26:13","slug":"mc-4-35-41","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/mc-4-35-41\/","title":{"rendered":"Mc 4.35-41"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">PR\u00c9DICA PRAO 5\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes: 23\/06\/24 | Texto de pr\u00e9dica: Mc 4.35-41 | Claudio Kupka |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>T\u00edtulo: O poder de Jesus e a nossa f\u00e9<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Quando a gente percebe que a vida \u00e9 mais complexa que imagin\u00e1vamos, podemos ter duas rea\u00e7\u00f5es. Uma negativa porque algo dentro de n\u00f3s prefere simplificar para resolver logo a quest\u00e3o e ir em frente. A positiva vem da bela experi\u00eancia de n\u00e3o querer dar a \u00faltima palavra sobre nada. De ficar na expectativa de aprender algo novo, de conhecer perspectivas novas e mais profundas sobre a vida. A sabedoria muitas vezes. <em>\u201cA quem sabe esperar, o tempo abre as portas&#8220;<\/em>, diz um Prov\u00e9rbio Chin\u00eas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nada que Jesus tenha dito, feito, ou vivenciado desde seu nascimento, tem somente uma simples leitura narrativa ou interpreta\u00e7\u00e3o. Tudo tem um forte aspecto simb\u00f3lico. Ou seja, cada texto possui muitas camadas de interpreta\u00e7\u00e3o, preservando assim \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras a possibilidade de interpret\u00e1-los \u00e0 luz de diferentes contextos e perspectivas diferentes daquelas dos protagonistas originais. Para depreendermos estas outras camadas de interpreta\u00e7\u00e3o, precisamos come\u00e7ar nos aproximando do significado imediato e original aos disc\u00edpulos de Jesus.<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Pode-se dizer com seguran\u00e7a que Jesus, na medida em que vai desenvolvendo seu minist\u00e9rio, atrai e envolve cada vez mais pessoas. Essa popularidade cresce na medida em que Jesus se aproxima de comunidades mais pobres e marginais do \u00e2mbito judaico no imp\u00e9rio romano. Quanto mais perto de Jerusal\u00e9m, ao contr\u00e1rio, ele vivencia mais sinais de questionamento e desconfian\u00e7a. Quanto mais perto da Galileia, mais popularidade e um clima at\u00e9 de euforia cerca seu minist\u00e9rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 poss\u00edvel imaginar que a prega\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e0 beira do lago de Genesar\u00e9 tenha animado\u00a0 bastante os seus disc\u00edpulos. A multid\u00e3o que o queria ouvir e a press\u00e3o at\u00e9 f\u00edsica dela sobre o Mestre os obrigou a buscar um ref\u00fagio. Lembraram de buscar um barco, aquele velho conhecido de alguns deles, para Jesus sentar-se e se comunicar melhor a partir dele da beira do lago.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando Jesus decidiu encerrar a fala, os disc\u00edpulos se organizaram para a travessia do lago. Os pescadores do grupo certamente puxaram a frente. Jesus nem voltou a pisar no solo firme. J\u00e1 saiu da prega\u00e7\u00e3o direto para a travessia. Quem se despediu do povo foram os disc\u00edpulos.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Depois daquele momento de popularidade e ao mesmo tempo calmo, era f\u00e1cil imaginar que a travessia aconteceria no mesmo clima. No entanto, a narrativa estava prestes a revelar uma primeira mudan\u00e7a de clima; apresentaria um primeiro contraste.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O vento come\u00e7ou ent\u00e3o a soprar mais forte e o mar a se agitar. Isso \u00e9 comum naquele lago. H\u00e1 fatores topogr\u00e1ficos e clim\u00e1ticos que promovem estas mudan\u00e7as bruscas no clima em pontos espec\u00edficos do lago. Ele pode inclusive apresentar instabilidades compar\u00e1veis ao ambiente mar\u00edtimo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O clima de preocupa\u00e7\u00e3o foi aumentando especialmente entre os menos experientes em navega\u00e7\u00e3o. Com a piora dos fatores clim\u00e1ticos creio que a situa\u00e7\u00e3o chegou ao ponto de preocupar at\u00e9 os experientes pescadores do grupo. Apesar de haver supostamente v\u00e1rios barcos envolvidos, a hist\u00f3ria \u00e9 contada pela \u00f3tica de quem est\u00e1 no barco de Jesus.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o \u00e9 descrito um novo contraste. Os disc\u00edpulos n\u00e3o podem deixar de reparar que Jesus est\u00e1 deitado na proa do barco dormindo enquanto o caos se instala pela tempestade que se formou. N\u00e3o demorou para ele comentarem sobre o fato. O questionamento entre os disc\u00edpulos cresceu a tal ponto de decidirem acordar Jesus. O Mestre n\u00e3o poderia ficar alheio \u00e0 sua agonia. Acordaram ent\u00e3o a Jesus perguntando se ele fazia pouco caso da morte deles.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vejam como a percep\u00e7\u00e3o das amea\u00e7as que sofriam os faziam ter medo e fortalecer somente a perspectiva do pior cen\u00e1rio de suas vidas! Eles se alimentavam desta perspectiva e, por conseguinte, sua ansiedade dava lugar \u00e0 agonia e ao desespero.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o enseja-se um novo contraste na narrativa. Os gritos e o barulho do vento e das ondas d\u00e3o lugar \u00e0 ordem de Jesus, que se coloca de p\u00e9 no barco e dizendo para o vento e \u00e1gua se aquietarem. E impressionantemente tudo se acalmou imediatamente.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A rea\u00e7\u00e3o de Jesus n\u00e3o se dirigiu somente \u00e0 natureza, mas tamb\u00e9m aos disc\u00edpulos. Ele perguntou sobre sua timidez e sua falta de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No entanto, os disc\u00edpulos pareciam n\u00e3o ter a capacidade de regir \u00e0s palavras de Jesus, porque ainda estavam fixados no momento anterior. Eles ainda estavam tentando entender melhor a grandeza daquele que tinha a capacidade de mandar calar ventos e ondas.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Aqui residiu um primeiro problema da f\u00e9 de seus disc\u00edpulos. Ela facilmente sucumbe aos temores provocados pelas amea\u00e7as da vida. Ela n\u00e3o os aproximava de Jesus para que ele os confortasse ou, pelo menos, os ajudasse a lidar com seu medo. Eles o acordaram do sono especialmente porque estranharam que Jesus n\u00e3o compartilhava de sua agonia e, ainda mais, dormia.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sua f\u00e9 n\u00e3o os aproximou do Jesus, o Filho de Deus, nem os ajudou a tirar as conclus\u00f5es mais profundas dessa constata\u00e7\u00e3o. Se ele ajudou tantas pessoas, n\u00e3o poderia ser solid\u00e1rio a eles em sua agonia? Se o Filho de Deus cura as pessoas, ressuscita mortos, porque n\u00e3o poderia tamb\u00e9m acalmar ventos e ondas?<\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Agora podemos transportar a reflex\u00e3o deste texto de uma maneira bem mais clara \u00e0 nossa realidade humana hoje. \u00c9 poss\u00edvel que a presen\u00e7a de Jesus em um momento nos traga uma paz e uma alegria \u00edmpar. Mas \u00e9 poss\u00edvel que noutro haja uma reviravolta e nos encontremos envolvidos em tormentas agonizantes.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esse fato indicaria nossa falta de f\u00e9 em si? N\u00e3o exatamente, nos revelaria a dimens\u00e3o mais humana de nossa vida, sua imprevisibilidade. A falta de f\u00e9 se mostraria na nossa incapacidade de reagir aos diferentes contextos como pessoas que confiam sempre na presen\u00e7a amorosa e protetora de Jesus em nossa vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas creio que h\u00e1 outra camada de interpreta\u00e7\u00e3o neste texto que vale a pena aprofundar. Diz respeito \u00e0 demonstra\u00e7\u00e3o de Jesus ao interferir nos fen\u00f4menos f\u00edsicos da natureza. Cabe aqui ressaltar seu poder divino e lembrar que Jesus estava com o Pai na cria\u00e7\u00e3o do mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 como se Jesus nos dissesse: Meus queridos, lembrem sempre que eu tenho o poder soberano de mudar qualquer situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 nada que esteja longe de meu poder. N\u00e3o h\u00e1 poder humano, de pessoas maliciosas, de ex\u00e9rcitos violentos e cru\u00e9is, de for\u00e7as destrutivas da cria\u00e7\u00e3o que n\u00e3o possam ser vencidos pela minha simples palavra. O nosso texto deu um dos exemplos desse poder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 como se Jesus dissesse na sequ\u00eancia: Mesmo que eu pudesse mudar tudo ao seu redor, n\u00e3o o fa\u00e7o necessariamente. Eu lhes dou, no lugar, a f\u00e9. O que liga voc\u00eas, seres humanos vulner\u00e1veis, a mim \u00e9 a f\u00e9. O que lhes servir\u00e1 como media\u00e7\u00e3o com qualquer realidade ser\u00e1 simplesmente a f\u00e9. A f\u00e9 em mim. E \u00e9 com esta f\u00e9 que devem viver cada dia. \u00c9 a f\u00e9 que ser\u00e1 mediadora de sua humanidade contradit\u00f3ria e limitada \u00e0 dimens\u00e3o \u00faltima de supera\u00e7\u00e3o do mal, do pecado, da falta de liberdade e da morte.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c0 primeira vista, o mundo os ver\u00e1 como quem sucumbe ao sofrimento, ao mal e \u00e0 morte. Por\u00e9m, aos olhos da f\u00e9, n\u00e3o. A f\u00e9 os colocar\u00e1 sempre ao alcance do que \u00e9 intang\u00edvel, do eterno e da plenitude. Pela f\u00e9 crer\u00e3o at\u00e9 o fim no meu amor e no meu poder.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8212;<\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400;\">Claudio Kupka<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Porto Alegre \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:claudio@paroquiamatriz.org.br\">claudio@paroquiamatriz.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PRAO 5\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes: 23\/06\/24 | Texto de pr\u00e9dica: Mc 4.35-41 | Claudio Kupka | T\u00edtulo: O poder de Jesus e a nossa f\u00e9 Quando a gente percebe que a vida \u00e9 mais complexa que imagin\u00e1vamos, podemos ter duas rea\u00e7\u00f5es. Uma negativa porque algo dentro de n\u00f3s prefere simplificar para resolver logo a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19492,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37,157,853,773,108,149,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-20036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-markus","category-beitragende","category-bibel","category-claudio-kupka","category-current","category-kapitel-4-chapter-4-markus","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20037,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20036\/revisions\/20037"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19492"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20036"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=20036"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=20036"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=20036"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=20036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}