{"id":20116,"date":"2024-07-04T19:55:14","date_gmt":"2024-07-04T17:55:14","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=20116"},"modified":"2024-07-21T20:00:30","modified_gmt":"2024-07-21T18:00:30","slug":"marcos-6-1-13-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/marcos-6-1-13-2\/","title":{"rendered":"Marcos 6.1-13"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"font-weight: 400;\">PR\u00c9DICA Para o 7\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES | 07.07.2024 | Marcos 6.1-13 | Valdir Hobus |<\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Estimada comunidade,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Gra\u00e7a e paz da parte de nosso bondoso Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Nosso texto nos convida para passar um dia com Jesus. Normalmente imaginamos a vida cotidiana de Jesus com seus disc\u00edpulos com um ar de conto de fadas. Jesus caminhando por belas paisagens, encontrando pessoas, realizando seus milagres, sempre acompanhado por um grupo de pessoas sol\u00edcitas e receptivas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Contudo, esta n\u00e3o \u00e9 a realidade. Muito mais frequente que momentos de tranquilidade e alegrias, s\u00e3o os momentos de tens\u00e3o, de confronto e de desafios na caminhada de Jesus rumo \u00e0 cruz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Marcos nos traz de volta \u00e0 terra. Nem tudo s\u00e3o flores, sonhos e encantos. Jesus est\u00e1 de volta \u00e0 sua terra natal, onde cresceu e viveu boa parte de sua vida. L\u00e1 ele ensina na sinagoga, e muitos se admiram com sua sabedoria. Contudo, h\u00e1 questionamentos: \u201cN\u00e3o \u00e9 este o carpinteiro, filho de Maria, e irm\u00e3o de Tiago, e de Jos\u00e9, e de Judas e de Sim\u00e3o? e n\u00e3o est\u00e3o aqui conosco suas irm\u00e3s? E escandalizavam-se nele.\u201d V.3<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 nesse contexto que Jesus chama os seus disc\u00edpulos para um momento decisivo de seu discipulado: O envio. \u00c9 num dos momentos menos gloriosos, marcado por questionamentos, que Jesus decide que chegou a hora de enviar os doze para um est\u00e1gio pr\u00e1tico. O pano de fundo \u00e9 exatamente este: \u201cN\u00e3o pensem que vai ser f\u00e1cil. N\u00e3o esperem ser recebidos e acolhidos por todos que vos encontrarem. Estejam preparados para a rejei\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Este envio traz consigo algumas recomenda\u00e7\u00f5es importantes:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">1: N\u00e3o levem nada de valor<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O reino de Deus \u00e9 fundamentalmente oposto \u00e0 cultura do m\u00e9rito, do pensamento de barganha ou conquista. A mensagem do Reino traz uma nova vis\u00e3o, a gratuidade. A orienta\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 que seus disc\u00edpulos n\u00e3o levem nada de valor. Mateus registra at\u00e9 que eles deveriam ir descal\u00e7os. (Mateus 10.9)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quem conhece a regi\u00e3o da Palestina sabe das dificuldades encontradas: Terrenos hostis, pedras e espinhos, deserto, escassez, noites geladas e dias escaldantes. Al\u00e9m, \u00e9 claro, da dificuldade de encontrar alimento e \u00e1gua. N\u00e3o \u00e9 um passeio no parque num domingo de manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Talvez algum dos disc\u00edpulos tenha perguntado: \u201cMestre, como vamos sobreviver? Como vamos nos manter? O que vamos comer?\u201d E a resposta \u00e9 muito clara: \u201cO trabalhador \u00e9 digno de seu alimento.\u201d (Mateus 10.10) Contem com a hospitalidade, com o cuidado daqueles que vos acolherem.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mas, para completar o desfio, eles est\u00e3o sendo enviados sem nada que pudesse despertar qualquer interesse por parte de quem os encontrasse. N\u00e3o tinham nada que despertasse a menor inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 hospitalidade. N\u00e3o tinham nem ouro, nem prata, nem belas t\u00fanicas, sem status ou posi\u00e7\u00e3o social que fizesse deles pessoas desej\u00e1veis como companhia. Eram muito mais parecidos com um andarilho do que com aqueles vendedores bem apresentados que aparecem em nossas portas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Daquela maneira, absolutamente vazios, tudo o que podiam fazer e esperar que acontecesse, era despertar nas pessoas o espirito da gratuidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Esta \u00e9 a l\u00f3gica do funcionamento do Reino de Deus. Estamos vazios de tudo aquilo que possa parecer moeda de troca, de negocia\u00e7\u00e3o ou de merecimento. Mas, as pessoas s\u00e3o chamadas a nos receber e acolher assim mesmo. Ent\u00e3o, quando nos encontramos assim, despojados de tudo aquilo que nos traz seguran\u00e7a e orgulho, \u00e9 que podemos realmente experimentar o cuidado de Deus.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aqueles disc\u00edpulos que mais pareciam andarilhos, ofereciam a mensagem do Reino de Deus, que de gra\u00e7a receberam e de gra\u00e7a repartiam. O Reino de Deus \u00e9 o que traz verdadeiro sentido, preenche o vazio, sustenta e d\u00e1 vida plena. Como um tesouro de inestim\u00e1vel valor embrulhado em um saco de papel, assim era a mensagem do Reino nas m\u00e3os daqueles homens.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Quando acolhemos o Reino de Deus que nos \u00e9 oferecido de gra\u00e7a, pela Gra\u00e7a, ent\u00e3o se percebe o milagre: a cultura do m\u00e9rito, da conquista, do com\u00e9rcio s\u00e3o vencidas pela l\u00f3gica da gratuidade e da generosidade.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">Contem com a hospitalidade<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Aqueles disc\u00edpulos sa\u00edram pelas cidades e vilas despojados, sem recursos e eram recebidos e hospedados por pessoas de boa vontade. Hospitalidade sempre foi um tema valiosos nos relatos b\u00edblicos, desde os tempos de Abra\u00e3o, que acolheu o anjo do Senhor na hora mais quente do dia e preparou um banquete.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Evangelista Lucas, ao contar esse mesmo epis\u00f3dio de Marcos, ressalta que os disc\u00edpulos deveriam \u00a0se alimentar de tudo aquilo que as pessoas colocavam \u00e0 mesa. Assim, a tarefa deles \u00e9 distribuir de gra\u00e7a a boa not\u00edcia do Reino, e de gra\u00e7a eles seriam sustentados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No Reino de Deus n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para a compra e venda, a barganha. O que fazemos pelo Reino, o fazemos porque sabemos que \u00e9 o que devemos fazer como disc\u00edpulos de Cristo. Porque temos um compromisso com o Reino. Nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 impulsionado pelo amor de Deus. Como diz em Atos 4.20: \u201cN\u00e3o podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Trabalhar no Reino de Deus n\u00e3o \u00e9 profiss\u00e3o, \u00e9 voca\u00e7\u00e3o. Os disc\u00edpulos sabem que quem trabalha \u00e9 digno de seu sal\u00e1rio, mas n\u00e3o \u00e9 o sal\u00e1rio que os motiva a trabalhar, e sim seu comprometimento com a mensagem do Reino. Por isso, a hospitalidade \u00e9 sem d\u00favidas uma marca do Reino.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li style=\"font-weight: 400;\">A mensagem dos enviados<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Jesus deixa claro, por\u00e9m, que a tarefa n\u00e3o seria f\u00e1cil. Assim como ele foi rejeitado, incompreendido e at\u00e9 hostilizado, tamb\u00e9m os disc\u00edpulos o seriam. A mensagem do Reino n\u00e3o seria bem-vinda em todos os lugares. Especialmente por ser uma mensagem contr\u00e1ria \u00e0 l\u00f3gica do mundo. Em um sistema de lucros, de disputa por poder, de barganhas e negociatas, falar de gra\u00e7a, generosidade e bondade se torna uma afronta.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os disc\u00edpulos s\u00e3o inclusive autorizados a manifestarem seu desagrado sacudindo o p\u00f3 da sand\u00e1lia ao sa\u00edrem das cidades onde n\u00e3o foram recebidos. Esse gesto, fazendo refer\u00eancia ao profete Ezequiel, \u00e9 um testemunho contra aqueles que rejeitaram a mensagem do Reino e tem um aviso pesado de ju\u00edzo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mateus, em sua narrativa, por\u00e9m acrescenta que eles encontrariam casas onde seriam bem-vindos. Ali os disc\u00edpulos deveriam deixar sua paz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Acolher os disc\u00edpulos significava acolher o pr\u00f3prio Jesus. Acolher aqueles que anunciam a mensagem do Reino de Deus equivale a acolher o pr\u00f3prio reino anunciado. E por isso, aos que o fazem, \u00e9 anunciada a paz.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O termo hebraico <em>shalom<\/em> que traduzimos como paz \u00e9 muito mais do que paz. Shalom \u00e9 prosperidade, fartura, abund\u00e2ncia. Ou seja, Shalom \u00e9 o Reino de Deus, e onde o Reino de Deus se faz presente, h\u00e1 plenitude, fraternidade e generosidade.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Receber a Paz de Deus \u00e9 quest\u00e3o de hospitalidade, partilha, vida plena e gratuidade.\u00a0 Aqueles que acolhes os portadores dessa mensagem passam a viver na perspectiva da comunh\u00e3o, da busca por uma vida plena, justa e digna para todas as pessoas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Concluindo<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pouca coisa mudou daquele tempo at\u00e9 hoje. A mensagem do Reino ainda encontra dificuldades de ser acolhida. Talvez n\u00e3o com a mesma intensidade ou obviedade. Mas, o desafio continua o mesmo. Anunciar o Reino de Deus continua sendo um ato de oposi\u00e7\u00e3o ao sistema de barganhas, de m\u00e9ritos e negocia\u00e7\u00f5es. O Reino de Deus continua sendo marcado pelo espirito de gratuidade, generosidade e partilha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Que Deus nos fortale\u00e7a, e que encontremos hospitalidade em nosso caminho. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8212;<\/p>\n<p>P. Valdir Hobus<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Iju\u00ed \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"mailto:vhobus@gmail.com\">vhobus@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA Para o 7\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES | 07.07.2024 | Marcos 6.1-13 | Valdir Hobus | Estimada comunidade, Gra\u00e7a e paz da parte de nosso bondoso Deus. Nosso texto nos convida para passar um dia com Jesus. Normalmente imaginamos a vida cotidiana de Jesus com seus disc\u00edpulos com um ar de conto de fadas. 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