{"id":2066,"date":"2020-03-04T17:42:54","date_gmt":"2020-03-04T16:42:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=2066"},"modified":"2020-03-04T17:42:54","modified_gmt":"2020-03-04T16:42:54","slug":"2o-domingo-na-quaresma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/2o-domingo-na-quaresma\/","title":{"rendered":"2\u00ba Domingo na Quaresma"},"content":{"rendered":"<h3>G\u00eanesis 12:1-4a | Roberto E. Zwetsch |<\/h3>\n<p>Prezada comunidade de Jesus, irm\u00e3s e irm\u00e3os na f\u00e9,<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias antigas como esta que ouvimos do G\u00eanesis s\u00e3o encantadoras. Se as escutamos com aten\u00e7\u00e3o, fazem com que viajemos pelo mundo da utopia, da fantasia, do milagre. E na comunidade crist\u00e3 dos nossos dias n\u00e3o seria diferente. Ainda assim, esta e outras narrativas do G\u00eanesis nos causam certo constrangimento, considerando a nossa experi\u00eancia hist\u00f3rica como gente da cidade, como pessoas completamente inseridas num outro mundo do que aquele de Abr\u00e3o, de sua fam\u00edlia e dos seus interesses mais imediatos.<\/p>\n<p>Assim, proponho que nos acheguemos a essa hist\u00f3ria \u2013 em parte bem conhecida para quem l\u00ea a B\u00edblia ou frequenta a igreja desde a inf\u00e2ncia \u2013 com certa estranheza. Que hist\u00f3ria \u00e9 essa de sair da terra, deixar a fam\u00edlia paterna e toda a parentela, e ir em busca de uma outra terra, um outro lugar para viver e constituir um povo? N\u00e3o parece uma utopia desmedida para um criador de ovelhas e cabras e que vinha de uma experi\u00eancia de migrantes pelas plan\u00edcies do Oriente, entre a Mesopot\u00e2mia e o Egito?<\/p>\n<p>Para captar algo da mensagem dessa hist\u00f3ria precisamos ler e reler o texto com cuidado. Procurar seu sentido nas palavras e por tr\u00e1s das palavras, como escreveu certa vez Carlos Mesters, um famoso biblista no Brasil. \u00c9 que uma leitura atenta poder\u00e1 nos ajudar a perceber, mesmo em diferentes tradu\u00e7\u00f5es, que aqui temos dois tipos de linguagem, mas que se completam. A primeira frase \u00e9 tipicamente um exemplo de prosa, pois conta o in\u00edcio de uma caminhada. Ali\u00e1s, seria importante voltar ao final do cap\u00edtulo 11 para constatar que esta ordem que Jav\u00e9, o Deus do futuro Israel, d\u00e1 a Abr\u00e3o, j\u00e1 havia sido dada ao seu pai, Ter\u00e1. Ter\u00e1 tivera tr\u00eas filhos: Abr\u00e3o, Naor e Har\u00e3. Foi Ter\u00e1 que recebeu pela primeira vez a ordem de sair da terra de Ur dos caldeus para ir \u00e0 terra de Cana\u00e3.<\/p>\n<p>Abr\u00e3o deu continuidade a esta busca. Ele \u00e9 filho de migrante e depois tamb\u00e9m continuar\u00e1 esta tradi\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria do cap\u00edtulo 12 nos leva da Mesopot\u00e2mia para a terra de Cana\u00e3, mas como houve fome nesta terra, o cl\u00e3 de Abr\u00e3o seguiu adiante e foi rumo ao Egito. S\u00f3 depois retornou \u00e0 Cana\u00e3. Mas aten\u00e7\u00e3o: a mensagem de Jav\u00e9 chega a essas pessoas n\u00e3o num templo como este, mas na caminhada, mais ou menos como testemunham seguidamente hoje em dia no Brasil pessoas crist\u00e3s que participa\u00e7\u00e3o do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) ou as pessoas de f\u00e9 que fazem as famosas Romarias da Terra no Brasil. Suas celebra\u00e7\u00f5es s\u00e3o magn\u00edficas e de longe superam nossos cultos ou eventos realizados em espa\u00e7os seguros como templos e catedrais.<\/p>\n<p>Isto nos adverte que a mensagem do texto tem a ver com migrantes, com gente que caminha muito, vai longe, n\u00e3o tem seguran\u00e7a, vive na depend\u00eancia de encontrar bons pastos para os seus rebanhos de animais pequenos, portanto, uma hist\u00f3ria maravilhosa, mas de gente pequena, que depois vai acabar \u2013 no olhar dos redatores da narrativa \u2013 enfrentando o poderoso imperador do Egito, o fara\u00f3.<\/p>\n<p>\u00c9 no meio dessa hist\u00f3ria de um grupo de migrantes que vamos ouvir palavras de b\u00ean\u00e7\u00e3o e palavras de promessa. Na verdade, se trata de uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que tem a ver com descend\u00eancia, com filhos e filhas e de uma promessa de sobreviv\u00eancia digna: a terra. O pastor brasileiro<\/p>\n<p>Milton Schwantes, grande exegeta do Primeiro Testamente, escreveu que nesta parte do G\u00eanesis (de 11.27 at\u00e9 12.20) temos a reafirma\u00e7\u00e3o de duas dimens\u00f5es insepar\u00e1veis da f\u00e9 do povo de Deus: terra e dignidade. Para que um povo possa viver com dignidade \u00e9 preciso ter acesso \u00e0 terra, ao campo para cuidar dos pequenos rebanhos e \u00e0 terra de agricultura para produzir gr\u00e3os que v\u00e3o alimentar as pessoas. De prefer\u00eancia, a agricultura sustent\u00e1vel, org\u00e2nica, que n\u00e3o utiliza venenos.<\/p>\n<p>A gente poderia dizer para as pessoas de hoje em dia o seguinte: para que uma fam\u00edlia viva com dignidade, \u00e9 preciso ter possibilidades de trabalho e condi\u00e7\u00f5es de sustentar a fam\u00edlia com relativa garantia de alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, reconhecimento p\u00fablico e solidariedade coletiva. Um povo que se preza n\u00e3o pode dispensar estes direitos b\u00e1sicos para todas as pessoas, de modo especial, para as mais vulner\u00e1veis e sem recursos, objetivos democr\u00e1ticos que ali\u00e1s devem estar registrados nas Constitui\u00e7\u00f5es dos nossos pa\u00edses.<\/p>\n<p>Pois bem, ocorre que na segunda parte da hist\u00f3ria temos uma nova forma de linguagem que se assemelha \u00e0 poesia. \u00c9 justamente a parte que fala da b\u00ean\u00e7\u00e3o, estranhamente vinculada a uma aspira\u00e7\u00e3o nacionalista: \u201cde ti farei uma grande na\u00e7\u00e3o e te aben\u00e7oarei e engrandecerei o teu nome\u201d. N\u00e3o parece a voc\u00eas que este tipo de linguagem \u00e9 t\u00edpica para aspira\u00e7\u00f5es imperialistas? Hoje em dia temos algumas grandes na\u00e7\u00f5es, com poderosos ex\u00e9rcitos espalhados pelo mundo, que pensam apenas em engrandecer o seu nome, isto \u00e9, o seu poder, desprezando as na\u00e7\u00f5es pequenas e submetendo-as aos seus interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos e culturais. Ser\u00e1 que \u00e9 deste tipo de \u201cb\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d que a hist\u00f3ria de Abr\u00e3o estaria falando? A frase parece uma conhecida inser\u00e7\u00e3o num relato muito antigo.<\/p>\n<p>Ora, esta \u00e9 uma das raz\u00f5es para a gente ler e reler o texto com paci\u00eancia. E meditar sobre o que ele diz. Por isso, uma boa tradu\u00e7\u00e3o, de quem conhece a l\u00edngua hebraica, a l\u00edngua original da tradi\u00e7\u00e3o de onde procede a narrativa, \u00e9 muito importante. S\u00f3 tal tradu\u00e7\u00e3o, a mais fiel poss\u00edvel ao texto antigo, pode nos ajudar para alcan\u00e7armos uma compreens\u00e3o nova ou mais justa dessa hist\u00f3ria bem conhecida.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 interessante observar que junto com a b\u00ean\u00e7\u00e3o vem tamb\u00e9m a maldi\u00e7\u00e3o. A voz de Jav\u00e9 afirma: \u201cS\u00ea uma b\u00ean\u00e7\u00e3o! Aben\u00e7oarei os que te aben\u00e7oarem e os que te amaldi\u00e7oarem, eu amaldi\u00e7oarei\u201d. Vejam que o texto b\u00edblico \u00e9 duro, n\u00e3o enfeita as rela\u00e7\u00f5es conflituosas que se d\u00e3o no cotidiano da vida e da hist\u00f3ria. Quem poder\u00e1 ser objeto de tamanha maldi\u00e7\u00e3o? Especialmente, depois daquelas palavras grandiosas que apontam para uma na\u00e7\u00e3o poderosa que dever\u00e1 surgir no futuro?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de responder. Por isso, aqui temos de ser cuidadosos. H\u00e1 um evidente conflito de interesses no texto. E este interesse coloca em confronto gente pequena, migrantes que vivem de cuidar e negociar rebanhos de pequenos animais, pequenos neg\u00f3cios. Isto \u00e9, gente que precisa caminhar muito sempre em busca de bons pastos e \u00e1gua, isto \u00e9, de sua sobreviv\u00eancia. Mas, como os cap\u00edtulos seguintes ir\u00e3o mostrar, estes migrantes que saem em busca de uma nova terra, a terra de Cana\u00e3, terra da liberdade, terra da paz, do shalom, ter\u00e3o de enfrentar poderosos, no limite, o pr\u00f3prio fara\u00f3, imperador do Egito, o pretenso dono de todas as terras.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Abr\u00e3o toma sua fam\u00edlia, o sobrinho L\u00f3 e sua fam\u00edlia, e o grupo ampliado sai da terra de Har\u00e3 e vai para um lugar desconhecido, mas por isso mesmo lugar de promessa, lugar de esperan\u00e7a, lugar da utopia. Nessa caminhada Abr\u00e3o, o patriarca, recebe a promessa: \u201cem ti ser\u00e3o benditas todas as fam\u00edlias da ro\u00e7a!\u201d Surpreendente esta \u00faltima palavra, que encontrei na bela tradu\u00e7\u00e3o do pastor Schwantes. Ele explica que a palavra hebraica do original n\u00e3o se refere a uma \u201cterra gen\u00e9rica\u201d, como se fosse um s\u00edmbolo da humanidade ou a terra dos poderosos. N\u00e3o se trata disso. Aqui a b\u00ean\u00e7\u00e3o \u00e9 prometida ao povo da ro\u00e7a, aos agricultores que trabalham<\/p>\n<p>diariamente a sua terra de agricultura, a terra de plantio, a terra que produz alimentos saud\u00e1veis que alimentam a mesa de todas as pessoas. Jamais aquelas imensas terras submetidas \u00e0 monocultura movida a m\u00e1quinas, adubos qu\u00edmicos e venenos para produzir soja para a exporta\u00e7\u00e3o. Este tipo de plantation, para me valer de um termo dos especialistas, nada tem a ver com a b\u00ean\u00e7\u00e3o da terra da ro\u00e7a feita a Abr\u00e3o e sua fam\u00edlia extensa.<\/p>\n<p>Nessa diferencia\u00e7\u00e3o temos uma mensagem escondida no texto e que nos poderia fazer pensar, embora vivamos num contexto completamente diferente e distante do velho Abr\u00e3o, da velha Sara e de sua parentela. O Deus Jav\u00e9, o Deus do \u00eaxodo, pois esta hist\u00f3ria foi constru\u00edda com os elementos t\u00edpicos da hist\u00f3ria da liberta\u00e7\u00e3o do Egito, este Jav\u00e9 libertador est\u00e1 a\u00ed falando para gente pequena, mesmo que \u00e0s vezes vamos encontrar um Abr\u00e3o que se imagina poderoso e at\u00e9 flerta acordos inconfess\u00e1veis com o verdadeiramente poderoso fara\u00f3 eg\u00edpcio, em troca da sua bela esposa, com o fim de enriquecer, de aumentar seus rebanhos e de voltar para Cana\u00e3 como um homem grande, forte e famoso.<\/p>\n<p>Entre b\u00ean\u00e7\u00e3o e maldi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 que escutar novamente o desafio que vem de Jav\u00e9: \u201cSai do teu lugar, vence a tua acomoda\u00e7\u00e3o, vai para a terra que mostrarei, confia mim e n\u00e3o te deixes dominar pelo medo do risco ou a for\u00e7a do imp\u00e9rio\u201d. Ora, viver \u00e9 sempre arriscado. E quem n\u00e3o est\u00e1 disposto a p\u00f4r os p\u00e9s na estrada n\u00e3o chegar\u00e1 a lugar nenhum. Se isto vale para as pessoas, muito mais valer\u00e1 para a comunidade crist\u00e3! Sair de si, eis uma dimens\u00e3o irrecus\u00e1vel da miss\u00e3o crist\u00e3 nos dias de hoje. Mas um segundo aspecto \u00e9 t\u00e3o importante quanto este. Na fala de Jav\u00e9, que acompanha o seu povo, ouve o seu clamor e v\u00ea o seu sofrimento, h\u00e1 uma promessa no envio. Ele diz: \u201cEu te aben\u00e7oarei e amaldi\u00e7oarei quem te amaldi\u00e7oar, mas saiba de uma coisa: em ti a b\u00ean\u00e7\u00e3o dever\u00e1 incluir todas as fam\u00edlias pequenas que vivem da ro\u00e7a, todos os pequenos deste mundo profundamente desigual e injusto\u201d.<\/p>\n<p>Em suma, sair, caminhar, tornar-se b\u00ean\u00e7\u00e3o para as pessoas ao nosso redor, come\u00e7ando pelas mais sofridas e esquecidas nos c\u00e1lculos da sociedade afluente. Eis o desafio para tornar-se povo de Deus, povo de Jav\u00e9, comprometido com a justi\u00e7a restaurativa, com a terra libertada dos venenos, com a vida em plenitude de que falou muito mais tarde o profeta Jesus. Am\u00e9m<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"fuss\">\nP.Dr. Roberto E. Zwetsch<br \/>\nPelotas, Rio Grande do Sul, Brasil<br \/>\nE-Mail: <a href=\"mailto:rzwetsch@gmail.com \">rzwetsch@gmail.com <\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00eanesis 12:1-4a | Roberto E. Zwetsch | Prezada comunidade de Jesus, irm\u00e3s e irm\u00e3os na f\u00e9, Hist\u00f3rias antigas como esta que ouvimos do G\u00eanesis s\u00e3o encantadoras. Se as escutamos com aten\u00e7\u00e3o, fazem com que viajemos pelo mundo da utopia, da fantasia, do milagre. E na comunidade crist\u00e3 dos nossos dias n\u00e3o seria diferente. 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