{"id":2412,"date":"2020-04-08T11:06:14","date_gmt":"2020-04-08T09:06:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=2412"},"modified":"2020-04-08T11:06:14","modified_gmt":"2020-04-08T09:06:14","slug":"eu-vi-o-senhor-ele-vive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/eu-vi-o-senhor-ele-vive\/","title":{"rendered":"Eu vi o Senhor! Ele vive!"},"content":{"rendered":"<h3><span lang=\"PT-BR\">Pr\u00e9dica para o Domingo de P\u00e1scoa &#8211; 12 de Abril de 2020 | sobre Jo\u00e3o 20.1-18 | por Anelise Lengler Abentroth |<\/span><\/h3>\n<p>Mais uma vez \u00e9 P\u00e1scoa! Celebramos a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Ele vive! Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s. Mas \u00e9 preciso perguntar: \u201cQue diferen\u00e7a este an\u00fancio, esta boa-nova faz em nossa vida, hoje? \u201d Estamos vivendo tempos dif\u00edceis, onde uma pandemia amea\u00e7a a vida em todo o planeta. A morte nos espreita. Recolhidos em nossas casas, com medo do contato social, com muitas not\u00edcias alarmantes e at\u00e9 mentirosas que testam nossa lucidez. Fam\u00edlias est\u00e3o passando pela apreens\u00e3o de amados\/as doentes. Outros ainda, pela perda de seus queridos\/as. A humanidade est\u00e1 perplexa!<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, mas quem sabe, o sentimento \u00e9 semelhante. Naquele domingo de manh\u00e3 bem cedo, ainda escuro, Maria Madalena foi ao t\u00famulo. Mataram Jesus. Sentimento de impot\u00eancia, de raiva, de tristeza profunda se misturam com a vontade de fazer algo para honrar o amigo amado. Era preciso fazer a \u00faltima homenagem. Ela n\u00e3o queria abandon\u00e1-lo assim. Por\u00e9m, ao chegar, viu a pedra removida. Mais uma decep\u00e7\u00e3o. Violaram o sepulcro de Jesus. Quanta dor! J\u00e1 n\u00e3o bastou tudo o que Ele passou? J\u00e1 n\u00e3o bastou todo o sofrimento? Mais isso&#8230;. Ela corre at\u00e9 onde est\u00e3o os disc\u00edpulos e lhes d\u00e1 mais essa triste not\u00edcia.<\/p>\n<p>Desse momento em diante, h\u00e1 pelo menos dois relatos que foram colocados lado a lado. Atitudes diferentes. Com consequ\u00eancias bem diferentes. Todos estavam profundamente abalados, arrasados pelos acontecimentos. Pedro e o disc\u00edpulo que Jesus amava foram ao t\u00famulo. Olharam para dentro e viram os len\u00e7\u00f3is e o sud\u00e1rio. Chegaram mais perto e tiveram a certeza de que Jesus n\u00e3o estava l\u00e1. Diz o texto: \u201cEle viu e creu. \u201d Jesus havia dito que ressuscitaria. Suas palavras se confirmaram. Ele disse a verdade. Seus cora\u00e7\u00f5es devem ter se enchido de espanto, de consolo, de grande alegria! \u00a0Por\u00e9m, diz o texto que os dois voltaram para casa. Simples assim: voltaram para casa!<\/p>\n<p>Nos domingos de P\u00e1scoa, normalmente as igrejas ficavam repletas de pessoas. A maioria das fam\u00edlias crist\u00e3s tratava de ir ao culto. Celebravam e at\u00e9 se emocionavam revivendo os principais acontecimentos da f\u00e9 crist\u00e3. Mas, depois disso, voltavam para suas casas! Como os disc\u00edpulos: creram que Jesus ressuscitou, mas esta f\u00e9 ainda n\u00e3o convence, ela fica sem consequ\u00eancia. A vida continua, o almo\u00e7o vai ser preparado, os chocolates s\u00e3o presenteados, votos e mensagens de \u201cFeliz P\u00e1scoa! \u201d s\u00e3o distribu\u00eddos, mas no outro dua, \u00a0tudo volta a ser igual. N\u00e3o h\u00e1 manifesta\u00e7\u00e3o de verdadeira alegria, nem testemunho da ressurrei\u00e7\u00e3o. Tudo fica no \u00edntimo, no cora\u00e7\u00e3o, no \u201ceu me sentir bem, porque Jesus me salvou\u201d.<\/p>\n<p>Cara comunidade, irm\u00e3os e irm\u00e3s! A f\u00e9 no ressuscitado que n\u00e3o se traduz em atitudes concretas fica inerte, n\u00e3o modifica, n\u00e3o transforma vidas. Ela n\u00e3o produz o seguimento para o qual o ressuscitado nos chama na P\u00e1scoa. Ainda est\u00e1 faltando algo que \u00e9 essencial. Talvez por isto o texto continua e h\u00e1 um outro relato.<\/p>\n<p>Maria Madalena ficou fora chorando. Sua dor era tanta&#8230; Dor que tantas vezes sentimos, que nos tira o ch\u00e3o, nos faz apenas olhar para baixo, sem perspectivas, sem saber direito o que sentimos, o que pensamos. \u00c9 neste momento que Deus se manifesta e seus anjos perguntam: \u201cMulher, por que voc\u00ea est\u00e1 chorando? \u201d \u00a0\u00c9 importante que ela identifique a sua dor e a coloque em palavras. Palavras s\u00e3o libertadoras! Dizem os especialistas que identificar o motivo da dor e traduzi-la em palavras \u00e9 a boa parte do processo de cura. Os anjos perguntam, Jesus pergunta. Mas ser\u00e1 que a resposta dada por Maria foi completa? Seria esse o real motivo da sua dor? Ent\u00e3o, Jesus aparece na sua frente e repete a mesma pergunta, por\u00e9m vai al\u00e9m: \u201cQuem \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 procurando? \u201c Ela o reconhece quando Ele a chama pelo seu nome.<\/p>\n<p>Um pouco antes, Jesus tinha dito: \u201c Mas quem entra pela porta \u00e9 o pastor do rebanho. O porteiro abre a porta para ele, e as suas ovelhas ouvem a sua voz quando ele as chama pelo nome. \u201d Jo\u00e3o 10.2-3. Maria Madalena estava quase cega pelo seu sofrimento, pela sua dor. Mas agora vem a palavra da vida que mexe com o mais profundo desta mulher. Jesus a chama pelo nome. Ele A conhece. E ela tamb\u00e9m O conhece, pois o chama carinhosamente de Rabbouni, que quer dizer: meu Mestre, nosso Mestre! Aquele que parecia ter sucumbido \u00e0 maldade, \u00e0 inveja, ao esc\u00e1rnio, \u00e0 injusti\u00e7a, \u00e0 mais terr\u00edvel viol\u00eancia que os seres humanos s\u00e3o capazes de fazer, agora est\u00e1 na sua frente, chamando-a pelo nome e lhe dando uma tarefa: \u201cV\u00e1 e diga aos meus irm\u00e3os&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Poder\u00edamos parar por aqui e nos admirar com o acontecido com Maria Madalena, mas ainda n\u00e3o compreendemos o inusitado, o inesperado, o libertador desta Boa-nova. Jesus ressuscitado aparece para Maria Madalena, uma mulher. Aquela mulher que foi curada por Jesus e de quem saiu sete dem\u00f4nios. Mulheres por si s\u00f3 n\u00e3o eram consideradas como os homens. Elas n\u00e3o serviam de testemunhas em julgamentos. Mulheres, crian\u00e7as, pessoas com defici\u00eancias, doentes eram considerados seres de menos valor. Por isto, com toda a certeza, disc\u00edpulos e a sociedade da \u00e9poca encontrariam muitos motivos para apontar o dedo para esta mulher. Como ainda fazem hoje, quando querem desqualificar as atitudes e as determina\u00e7\u00f5es das mulheres. Quando n\u00e3o agradam, parte-se para desqualific\u00e1-las pessoalmente. Essa pr\u00e1tica \u00e9 recorrente ainda em nossos tempos. Por isto, \u00e9 t\u00e3o libertador ver que uma mulher se torna a primeira testemunha p\u00fablica do ressuscitado. Ela fica tomada de alegria, tudo se modifica em seu ser. Ela vai e testemunha aos disc\u00edpulos: \u201c Eu vi o Senhor! \u201c E qual a rea\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos? O texto n\u00e3o diz, mas podemos imaginar. Todos acreditaram nas suas palavras? O que fizeram a partir desta mensagem? Creram tamb\u00e9m?<\/p>\n<p>Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s! N\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o vimos o Senhor ressuscitado. N\u00f3s temos o testemunho de Maria Madalena. O que este testemunho modifica o nosso ser e fazer? Jesus disse a ela que n\u00e3o o segurasse. Mas que era para ela ir e dizer aos seus irm\u00e3os. Sua presen\u00e7a n\u00e3o era mais a mesma de antes da crucifica\u00e7\u00e3o. Agora, a rela\u00e7\u00e3o pessoal com o Mestre se d\u00e1 em comunh\u00e3o com irm\u00e3os e irm\u00e3s. \u00c9 vida comunit\u00e1ria!<\/p>\n<p>Cristo Vive! Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s. Ele pergunta pela nossa dor. Ele quer saber o que se passa conosco. Ele v\u00ea e ouve o clamor da humanidade de geme, chora, est\u00e1 com medo, angustiada com tudo que est\u00e1 acontecendo. Ele nos chama pelo nosso nome, nos aben\u00e7oa, nos empodera e nos envia para uma nova comunh\u00e3o. Da Sua Comunidade Cristo espera um testemunho atuante, n\u00e3o de super-her\u00f3is ou hero\u00ednas, mas de pessoas solid\u00e1rias, sens\u00edveis \u00e0s dores e sofrimentos das outras pessoas. H\u00e1 tantas Marias Madalenas entre n\u00f3s que, por causa da sua f\u00e9, agem, trabalham, se dedicam ao servi\u00e7o comunit\u00e1rio com responsabilidade, com profundo carinho e d\u00e3o o melhor de si. A pergunta que precisamos fazer \u00e9: isto nos motiva? Mexe com nossa in\u00e9rcia? Ou tamb\u00e9m tratamos de desqualificar estas mulheres e estes homens no seu fazer? Dever\u00edamos nos perguntar se n\u00e3o estamos sendo aqueles disc\u00edpulos que viram, creram, mas voltaram para casa&#8230; H\u00e1 muito por fazer, pois h\u00e1 muita dor em nossa sociedade. Crer que Cristo vive, nos faz mais sens\u00edveis e corajosos quando necess\u00e1rio denunciar e buscar transformar as injusti\u00e7as e as mazelas humanas.<\/p>\n<p>Que esta P\u00e1scoa, seja um momento de renovo pessoal, para nos voltar ao principal da f\u00e9 crist\u00e3, de tal forma que o an\u00fancio de que \u201c Cristo vive! \u201c se torne um sinal de uma nova caminhada de f\u00e9, onde rememoramos o nosso Batismo e o amor que recebemos de Deus e aprendemos a vivenciar este amor a cada dia de nossas atribuladas exist\u00eancias. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pa. Anelise Lengler Abentroth<\/p>\n<p>Santa Cruz do Sul \u2013 Rio Grande do Sul, Brasilien<\/p>\n<p><a href=\"mailto:anelisevilmar@gmail.com\">anelisevilmar@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dica para o Domingo de P\u00e1scoa &#8211; 12 de Abril de 2020 | sobre Jo\u00e3o 20.1-18 | por Anelise Lengler Abentroth | Mais uma vez \u00e9 P\u00e1scoa! 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