{"id":2691,"date":"2020-05-07T09:08:48","date_gmt":"2020-05-07T07:08:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=2691"},"modified":"2020-05-07T09:08:48","modified_gmt":"2020-05-07T07:08:48","slug":"5o-domingo-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/5o-domingo-da-pascoa\/","title":{"rendered":"5\u00ba Domingo da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<h3>10 de maio de 2020 &#8211;\u00a0Dia das M\u00e3es |\u00a0Pr\u00e9dica sobre\u00a0Jo\u00e3o 14.1-14 |\u00a0Gottfried Brakemeier |<\/h3>\n<p>Prezada comunidade!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O texto previsto para servir de base para a pr\u00e9dica no domingo de hoje tem n\u00edtidas caracter\u00edsticas de um testamento. Jesus se est\u00e1 se despedindo de seus disc\u00edpulos e os prepara para o tempo ap\u00f3s a sua morte. Com este cap\u00edtulo do evangelho de Jo\u00e3o inicia o ciclo dos discursos de despedida de Jesus. Ele diz que voltar\u00e1 a seu Pai, ali\u00e1s, do qual ele veio, deixando \u00f3rf\u00e3os seus seguidores. Doravante eles ter\u00e3o que arranjar-se sozinhos num mundo hostil, sem a presen\u00e7a f\u00edsica de seu mestre. Jesus ser\u00e1 preso, condenado e crucificado. \u00c9 disto que o evangelista vai falar a partir do cap\u00edtulo 18. \u00c9 porque esse testamento inicia com um alerta: \u201c&#8230; que o cora\u00e7\u00e3o de voc\u00eas n\u00e3o fique angustiado&#8230;\u201d A paix\u00e3o de Jesus n\u00e3o \u00e9 motivo de medo e pavor. Apesar de todos os horrores da crucifica\u00e7\u00e3o a comunidade crist\u00e3 pode encarar o futuro com \u00e2nimo e confian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Isto porque Jesus tem promessa. Ele vai preparar lugar para seus disc\u00edpulos na casa de seu Pai. L\u00e1 existem muitas moradas. N\u00e3o vai faltar espa\u00e7o. Ent\u00e3o, quem cr\u00ea em Jesus tem futuro garantido. Ser\u00e1 acolhido no mundo vindouro depois de encerrada a jornada terrestre. Ser\u00e1 este um consolo convincente? Confesso que tenho dificuldades com este tipo de discurso. Como imaginar estas \u201cmoradas\u201d celestiais? Trata-se de algo semelhante a \u201capartamentos\u201d no reino dos c\u00e9us a serem ocupados pelas almas dos falecidos? Isto \u00e9 maneira humana de falar de coisas divinas que ningu\u00e9m conhece. Portanto, cuidado com ideias fantasiosas! E, com efeito, auscultando o texto devidamente, percebe-se que Jesus quer dizer algo bem diferente. Usa, isto sim, a imagem da morada para designar o lugar onde Deus est\u00e1. Mas n\u00e3o abusa dela para satisfazer curiosidades. \u00c9 ali, na casa de Deus, que tamb\u00e9m os fi\u00e9is estar\u00e3o em casa. \u00c9 esta a promessa testament\u00e1ria de Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E ela cumpre ardente anseio humano. Nada pior do que sentir-se \u00f3rf\u00e3o neste mundo, sem amparo, sem abrigo, sem lar. Pessoas sem teto t\u00eam sorte cruel. Vivem debaixo de pontes, s\u00e3o obrigadas a dormir ao relento, expostos \u00e0s intemp\u00e9ries do clima. O ap\u00f3stolo Felipe expressa sua ang\u00fastia, quando pede a Jesus: \u201cSenhor! Mostra-nos o Pai, e isto nos basta!\u201d Ele quer ver Deus, perceber sua presen\u00e7a, ter evid\u00eancias de que existe. Aquele ap\u00f3stolo sofre sob o abandono, sob a solid\u00e3o, sob a falta de sentido. \u201cDeus, onde est\u00e1s?\u201d A pergunta voltou inquietar justamente hoje diante da onda de viol\u00eancia que assola a humanidade, bem como diante da pandemia que tranca as pessoas em quarentena e que, n\u00e3o obstante, ceifa in\u00fameras vidas inocentes, para n\u00e3o falar dos preju\u00edzos econ\u00f4micos que provoca. Deus parece estar ausente. O ser humano \u2013 um \u00f3rf\u00e3o neste mundo, sem pai, sem m\u00e3e, sozinho com suas dores e seu sofrimento, entregue a um destino cego e brutal? A flagrante aus\u00eancia de Deus est\u00e1 na raiz de muita descren\u00e7a no mundo moderno. \u201cSenhor! Mostra-nos o Pai, e isto nos basta.\u201d \u00a0A s\u00faplica de Felipe \u00e9 tamb\u00e9m a nossa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a\u00ed Jesus interv\u00e9m. Ele lamenta a cegueira de Felipe, e pergunta: \u201cH\u00e1 tanto tempo estou com voc\u00eas, e voc\u00ea, Felipe, ainda n\u00e3o me conhece?\u201d E ele conclui: \u201cQuem v\u00ea a mim, v\u00ea o Pai\u201d. \u00c9 este o segredo da pessoa de Jesus Cristo, a saber que \u201cDeus estava em Cristo\u201d (conf. (2 Co 5.19) e que nele se revelou. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 verdade que Deus esteja ausente neste mundo. Trata-se de grande e tr\u00e1gico engano. Deus se fez e ainda se faz presente na pessoa de Jesus Cristo. Quem quiser conhecer Deus, deve contemplar sua vida, ouvir sua voz, estudar sua mensagem. Ningu\u00e9m enfatiza a unidade de Pai e Filho de tal maneira como o faz o evangelista Jo\u00e3o, muito embora n\u00e3o seja ele a \u00fanica testemunha desta verdade. Desde o batismo por Jo\u00e3o Batista a comunidade crist\u00e3 sabe ser este Jesus de Nazar\u00e9 o filho amado de Deus, enviado para a salva\u00e7\u00e3o da criatura (Mt 3.17). Por ele Deus chega perto das pessoas. Ele \u00e9 o caminho usado por Deus para mostrar o seu rosto. Consequentemente, Jesus afirma: \u201cEu sou o caminho, a verdade e a vida.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o inverso tamb\u00e9m vale: Jesus \u00e9 o nosso caminho a Deus. \u201cNingu\u00e9m vem ao Pai sen\u00e3o por mim\u201d. Portanto, quem busca Deus neste mundo, n\u00e3o pode desprezar este atalho. Sem ele certamente vamos encontrar muitas assim chamadas \u201cdivindades\u201d, muitos personagens importantes, muitos s\u00e1bios e exemplos impressionantes em nosso contexto religioso e social. Mas quem passa ao largo de Jesus Cristo, jamais vai achar o \u201cPai\u201d, o Deus verdadeiro. Todo conhecimento aut\u00eantico de Deus est\u00e1 condicionado ao discipulado de Jesus Cristo, \u00e0 f\u00e9 em sua pessoa, \u00e0 aten\u00e7\u00e3o a este mestre, crucificado e ressuscitado, enviado por Deus para redimir a humanidade. N\u00e3o h\u00e1 religi\u00e3o aut\u00eantica al\u00e9m da f\u00e9 crist\u00e3. Ser\u00e1 verdade?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu sei que isto soa mal nos ouvidos de nossos contempor\u00e2neos. Consideram escandaloso o\u00a0 exclusivismo em evid\u00eancia em afirma\u00e7\u00f5es como essas. Vivemos em sociedade plurirreligiosa. Porventura, existe uma s\u00f3 verdade? Um s\u00f3 caminho? Um s\u00f3 acesso a Deus? Estamos comprometidos com a liberdade religiosa, portanto, com o direito do cidad\u00e3o de optar pelo credo de sua livre escolha. Repudiamos a tutela exercida por institui\u00e7\u00f5es e autoridades religiosas. Nada mais justo do que isto. Tirania religiosa reduz o ser humano a um miser\u00e1vel escravo. E, no entanto, h\u00e1 uma ressalva a fazer: Importa que nossa op\u00e7\u00e3o seja bem pensada, consistente, libertadora. \u00c9 preciso aprender a discernir. Pois existe por demais refugo entre as ofertas do mercado. Nem todos os caminhos conduzem ao mesmo destino. Jesus conduz a um s\u00f3, ou seja ao Deus que ele chama de \u201cPai\u201d. Est\u00e1 a\u00ed a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que Deus \u00e9 este? Ora, \u00e9 o Deus que sabe ser misericordioso; que perdoa pecados; que cura enfermidades; que ama seus filhos. Ent\u00e3o, preferimos outros deuses? Mais simp\u00e1ticos, mais poderosos, mais atrativos? Nesses caso devemos procurar por outros mediadores, por outros caminhos, ver propostas religiosas alternativas. Mas j\u00e1 n\u00e3o mais podemos orar juntos o \u201cPai Nosso\u201d. Pois o Deus a quem dirigimos nossas preces, \u00e9 exatamente este, a saber, o \u201cPai de Jesus Cristo\u201d. Ningu\u00e9m vem ao Pai, sen\u00e3o por ele, Jesus Cristo. Que grande verdade!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E este Deus n\u00e3o vai deixar \u00f3rf\u00e3os aqueles e aquelas que nele confiam. Ele vai conduzi-los com a sua m\u00e3o, orient\u00e1-los nos impasses da vida, conceder-lhes for\u00e7as para resistir ao mal. Disse Jesus: \u201cEis que estou com voc\u00eas todos os dias at\u00e9 o fim dos tempos\u201d (Mt 28.20). \u00c9 uma promessa que sempre de novo se confirmou. Pode ser que Jesus \u00e0s vezes esteja oculto. Quando os disc\u00edpulos enfrentaram terr\u00edvel tempestade no lago de Genezar\u00e9, estranharam que Jesus estivesse dormindo em meio \u00e0s \u00e1guas agitadas. Mesmo assim, Jesus estava a\u00ed. O barco no qual lutavam contra as ondas n\u00e3o afundou. Deus n\u00e3o abandona a quem nele deposita a confian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Celebramos neste domingo o \u201cdia das m\u00e3es\u201d. Admito ser dif\u00edcil relacionar este texto com a oportunidade de hoje. Mesmo assim, n\u00e3o vamos deixar passar a mem\u00f3ria das m\u00e3es em brancas nuvens. Creio n\u00e3o ser oportuno falar numa \u201chomenagem\u201d das m\u00e3es. Para tanto existem outros dias e outros momentos. Tal homenagem deveria consistir antes de mais nada no veemente protesto contra a viol\u00eancia, \u00e0 qual a mulher continua exposta. Lamentavelmente. N\u00e3o vamos homenagear e, sim, agradecer. O texto do evangelho de Jo\u00e3o nos convida a agradecer a Deus por enviar Cristo como caminho, verdade e a vida. Convido a agradecer tamb\u00e9m \u00e0s m\u00e3es por incont\u00e1veis benef\u00edcios que delas recebemos. Sem o engajamento da m\u00e3e n\u00e3o existe perspectiva de desenvolvimento sadio para os filhos, raz\u00e3o para valorizar essa atividade bem mais do que costumeiramente o fazemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim sendo, podemos nos juntar no louvor a Deus e rogar a ele que nos d\u00ea a sua b\u00ean\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P.Dr.Gottfried Brakemeier<\/p>\n<p>Nova Petr\u00f3polis, Rio Grande do Sul, Brasilien<\/p>\n<p><a href=\"mailto:brakemeier@terra.com.br\">brakemeier@terra.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10 de maio de 2020 &#8211;\u00a0Dia das M\u00e3es |\u00a0Pr\u00e9dica sobre\u00a0Jo\u00e3o 14.1-14 |\u00a0Gottfried Brakemeier | Prezada comunidade! &nbsp; O texto previsto para servir de base para a pr\u00e9dica no domingo de hoje tem n\u00edtidas caracter\u00edsticas de um testamento. Jesus se est\u00e1 se despedindo de seus disc\u00edpulos e os prepara para o tempo ap\u00f3s a sua morte. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1392,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39,157,108,359,345,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-2691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-johannes","category-beitragende","category-current","category-gottfried-brakemeier","category-kapitel-14-chapter-14-johannes","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2691"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2692,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2691\/revisions\/2692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1392"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2691"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=2691"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=2691"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=2691"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=2691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}