{"id":2943,"date":"2020-06-23T10:17:19","date_gmt":"2020-06-23T08:17:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=2943"},"modified":"2020-06-23T10:26:14","modified_gmt":"2020-06-23T08:26:14","slug":"4o-domingo-apos-pentecostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/4o-domingo-apos-pentecostes\/","title":{"rendered":"4\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes"},"content":{"rendered":"<h3>Pr\u00e9dica para o 4\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes \u2013 28 de junho de 2020 |\u00a0Mateus 10. 40-42 | Leon\u00eddio Gaede |<\/h3>\n<p>Prezada Comunidade<\/p>\n<p>Certa vez fui presenteado com um banquinho de tr\u00eas pernas. O que me chamou \u00e0 aten\u00e7\u00e3o no presente n\u00e3o foi o fato de se tratar de uma cadeira, um utens\u00edlio para sentar-se, mas o fato de ter tr\u00eas pernas. Desta forma percebi que, em minha concep\u00e7\u00e3o, uma cadeira normal \u00e9 uma cadeira de quatro pernas. Meu amigo explicou que se trata de um m\u00f3vel mais relacionado ao passado, a um estilo de vida r\u00fastico. Conclu\u00ed ent\u00e3o que houve uma evolu\u00e7\u00e3o: o conceito de cadeira evoluiu de tr\u00eas para quatro pernas. A observar a quantidade de moveis existentes com quatro pontos de apoio, julgo que a evolu\u00e7\u00e3o desse m\u00f3vel quase extinguiu o seu antecedente. Em algum momento e por algum motivo ficou estabelecido que, para descansar as duas pernas de um ser humano, o utens\u00edlio mais adequado \u00e9 uma cadeira com quatro pernas. O mercado passou a priorizar o assento com quatro pontos de apoio. Feita essa constata\u00e7\u00e3o, me veio a pergunta: por que fui presenteado com algo quase em desuso ou superado pela evolu\u00e7\u00e3o no conceito de cadeira. A resposta veio pela explica\u00e7\u00e3o do meu amigo: o banco de tr\u00eas pernas se adapta a uma superf\u00edcie irregular. <strong>(1)<\/strong><\/p>\n<p>(Ler o texto de Mateus 10. 40-42)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2945 aligncenter\" src=\"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.20.43-281x300.png\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>Via de regra, cada empresa, institui\u00e7\u00e3o ou organiza\u00e7\u00e3o tem relatada a sua miss\u00e3o em um planejamento estrat\u00e9gico. A miss\u00e3o relatada deve condensar a natureza da empresa, institui\u00e7\u00e3o ou organiza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m hoje aqui, na proclama\u00e7\u00e3o do evangelho, Jesus relata a miss\u00e3o dos disc\u00edpulos que se tornam ap\u00f3stolos. Essa miss\u00e3o cria uma unidade natural entre <em>Ap\u00f3stolo<\/em>, <em>Messias<\/em> e <em>Deus<\/em>. <strong>(2)<\/strong><\/p>\n<p>Em meu tempo de inf\u00e2ncia, no interior de Minas Gerais, Brasil, nem todos os cultos da comunidade eram oficiados pelo pastor. Existia uma pessoa da comunidade designada, provavelmente pela dire\u00e7\u00e3o da par\u00f3quia, para dirigir um encontro comunit\u00e1rio chamado <em>culto de leitura<\/em>. O oficiante era chamado de <em>pregador leigo<\/em>. Nesse culto n\u00e3o aconteciam batismos e n\u00e3o era celebrada a Ceia do Senhor. Este culto era menos frequentado pelos membros. Provavelmente, no chamado senso comum, existia uma escala de valores que mobilizava as pessoas mais para um culto e menos para outro. O valor maior ou menor podia tanto estar vinculado ao tipo de culto como tamb\u00e9m a quem o oficiava. Pode\u00a0\u00a0 parecer que ocorria a\u00ed um desvio da miss\u00e3o de Deus, conforme relatada por Jesus em Mt 10. Que os membros daquela comunidade n\u00e3o estavam sequer oferecendo \u201cum copo de \u00e1gua fria\u201d ao pregador leigo. A miss\u00e3o de Deus, relatada por Jesus evita, por\u00e9m, colocar mission\u00e1rios e missionados em polos opostos. N\u00e3o h\u00e1 o conceito de que os receptores da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria s\u00e3o as pessoas erradas e que o agente da a\u00e7\u00e3o \u00e9 o dono do que \u00e9 correto. N\u00e3o est\u00e1 dito que o mission\u00e1rio correto leva corre\u00e7\u00e3o aos incorretos de sua \u00e1rea de miss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2950 aligncenter\" src=\"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.25.19-278x300.png\" alt=\"\" width=\"278\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.25.19-278x300.png 278w, https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.25.19.png 281w\" sizes=\"auto, (max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/><\/p>\n<p>Jesus afirma que entre os tr\u00eas \u2013 Deus, Enviado e Ap\u00f3stolo &#8211; aquilo que \u00e9 de um \u00e9 tamb\u00e9m de outro: \u201cQuem vos recebe, recebe a mim; e quem me recebe, recebe quem me enviou\u201d (v 40).<\/p>\n<p>O que \u00e9 isto que \u00e9 comum aos tr\u00eas? \u00c9 o <em>poder<\/em> de realizar, a capacidade de absorver o<em> sofrimento<\/em> da\u00ed decorrente e a <em>recompensa<\/em>. <strong>(3)<\/strong><\/p>\n<p>O poder n\u00e3o \u00e9 o poder em si, como proemin\u00eancia, mas poder que significa <em>poder fazer<\/em>. Cada pessoa batizada pode. Cada crente pode. O poder n\u00e3o requer a institui\u00e7\u00e3o de uma quarta perna. O poder vincula-se ao sofrimento no sentido da capacidade de absorver as consequ\u00eancias de um fazer.<\/p>\n<p>Quem anda por comunidades conhece pessoas que, do ponto de vista cl\u00ednico, convivem com um maior sofrimento e t\u00eam um maior poder de realiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria do que outras pessoas que alegam o sofrimento como causa da falta de poder fazer. E justamente as pessoas com poder de realiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria t\u00eam a recompensa do al\u00edvio do sofrimento. \u201cSe a lamentarmos, nossa dor somente ficar\u00e1 maior\u201d diz o hino que, assim, testemunha a respeito da recompensa trazida pelo engajamento na miss\u00e3o proposta por Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2948 aligncenter\" src=\"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.24.10-260x300.png\" alt=\"\" width=\"260\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.24.10-260x300.png 260w, https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Screen-Shot-2020-06-23-at-10.24.10.png 321w\" sizes=\"auto, (max-width: 260px) 100vw, 260px\" \/><\/p>\n<p>Por isso a miss\u00e3o dos pequenos, a miss\u00e3o relatada por Jesus conforme Mateus 10, \u00e9 a tarefa do poder de realiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. O ap\u00f3stolo e a ap\u00f3stola, o mission\u00e1rio e a mission\u00e1ria est\u00e3o na comunidade realizando a miss\u00e3o de Deus. Toda a miss\u00e3o acontece na comunidade, tamb\u00e9m aquela que consiste em ofertar dinheiro para sustentar a miss\u00e3o \u201cat\u00e9 os confins da terra\u201d (At 1.8). As tr\u00eas partes dessa miss\u00e3o s\u00e3o: <em>viver<\/em>, <em>proclamar<\/em> e <em>testemunhar<\/em> o Reino de Deus. A miss\u00e3o \u00e9 viver o Reino; a miss\u00e3o \u00e9 afirmar a sua exist\u00eancia; a miss\u00e3o \u00e9 anunci\u00e1-lo a outras pessoas, para que estas tamb\u00e9m possam viv\u00ea-lo, afirm\u00e1-lo e anunci\u00e1-lo. <strong>(4)<\/strong><\/p>\n<p>Em linguagem de nossos dias podemos dizer que a miss\u00e3o de Deus consiste na <em>viv\u00eancia pr\u00e1tica<\/em>, na <em>defesa te\u00f3rica (ret\u00f3rica<\/em> <em>e parlamentar)<\/em> e no <em>marketing<\/em> do Reino. Se pretendemos ser seguidores e seguidoras de Jesus na miss\u00e3o de Deus, tornando-nos ap\u00f3stolos nos dias de hoje, \u00e9 necess\u00e1rio que o nosso jeito de viver testemunhe a exist\u00eancia do reino de Deus. N\u00e3o podemos viver por a\u00ed como se o reino de Deus fosse apenas um sonho pregado por Jesus; como se o reino de Deus fosse uma ideia interrompida pela condena\u00e7\u00e3o e morte de Jesus de Nazar\u00e9; como se o reino de Deus fosse apenas algo para depois de nossa morte. A miss\u00e3o de Deus relatada por Jesus em Mt 10 ensina a viver o reino de Deus em meio ao tumultuado mundo de hoje. Em segundo lugar, o nosso falar n\u00e3o pode s\u00f3 testemunhar a respeito de uma suspeita ou de uma hip\u00f3tese de exist\u00eancia do Reino, mas pode proclamar a sua exist\u00eancia j\u00e1 agora. Nosso falar afirma que o reino de Deus \u00e9 uma realidade dada, apesar da dimens\u00e3o do ainda n\u00e3o plenamente realizado. E em terceiro lugar, nossa rela\u00e7\u00e3o com outras pessoas n\u00e3o pode criar desconfian\u00e7a quanto \u00e0s implica\u00e7\u00f5es de viver a realidade do Reino, mas pode despertar vontade de experimentar a viv\u00eancia dos seus sinais ou, dito de outra forma, pode despertar saudades do para\u00edso perdido.<\/p>\n<p>Pelo menos uma causa de dificuldades mission\u00e1rias nos dias de hoje consiste na evolu\u00e7\u00e3o do conceito de miss\u00e3o de um banco de tr\u00eas pernas para um banco de quatro pernas. \u00c0s tr\u00eas pernas \u00e9 acrescentada uma quarta, o que quer dizer uma esp\u00e9cie de terceiriza\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o, uma profissionaliza\u00e7\u00e3o do fazer mission\u00e1rio. Evidentemente podemos fazer parte de uma miss\u00e3o, sem \u201cbotar as m\u00e3os na massa\u201d, apenas ofertando dinheiro para uma institui\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria que atua onde n\u00e3o podemos estar presentes fisicamente. Isto, por\u00e9m, n\u00e3o nos libera de sermos um banquinho de tr\u00eas pernas que se adapta ao terreno irregular no qual estamos postos. A miss\u00e3o de Deus relatada por Jesus aos seus ap\u00f3stolos, conforme Mateus 10, inclui a viv\u00eancia de sinais do reino em nossa vida particular, familiar e social. Apesar de nossa consci\u00eancia de que as obras n\u00e3o nos salvam, existem obras de miseric\u00f3rdia a serem vividas no nosso cotidiano. Apesar de o contexto de vida colocar em quest\u00e3o a exist\u00eancia de um reino de justi\u00e7a e paz, cada dia aguarda de n\u00f3s, n\u00e3o uma suspeita da exist\u00eancia do reino de Deus, mas sua proclama\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca. O ch\u00e3o onde vivenciamos a f\u00e9 crist\u00e3 certamente tem irregularidades, e isso nos motiva a formular convites insistentes e permanentes para que outra gente experimente essa viv\u00eancia conosco. Por isso permane\u00e7amos com o nosso banquinho de tr\u00eas pernas. Deixemos a quarta para o terreno plano das institui\u00e7\u00f5es bem planejadas, que v\u00e3o onde n\u00e3o podemos ir.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>P. Me. Leon\u00eddio Gaede<\/p>\n<p>Itati \u2013 Rio Grande do Sul, Brasilien<\/p>\n<p><a href=\"mailto:leonidiogaede@hotmail.com\">leonidiogaede@hotmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dica para o 4\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes \u2013 28 de junho de 2020 |\u00a0Mateus 10. 40-42 | Leon\u00eddio Gaede | Prezada Comunidade Certa vez fui presenteado com um banquinho de tr\u00eas pernas. 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