{"id":2987,"date":"2020-07-01T10:12:31","date_gmt":"2020-07-01T08:12:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=2987"},"modified":"2020-07-01T10:12:31","modified_gmt":"2020-07-01T08:12:31","slug":"5-domingo-apos-pentecostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/5-domingo-apos-pentecostes\/","title":{"rendered":"5\u00b0 Domingo ap\u00f3s Pentecostes"},"content":{"rendered":"<h3>Pr\u00e9dica para o 5\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes \u2013 5 de julho de 2020 |\u00a0Romanos 7.15-25a | Nilo Christmann |<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Possivelmente em nenhum outro momento da hist\u00f3ria da humanidade tantas pessoas, \u00a0em tantos lugares diferentes, \u00a0falaram sobre doen\u00e7a e morte. Isso tudo tendo uma \u00fanica causa: a presen\u00e7a da COVID-19 entre n\u00f3s h\u00e1 cerca de seis ou sete meses. Entre as an\u00e1lises poss\u00edveis de serem feitas at\u00e9 aqui, uma \u00e9 praticamente incontest\u00e1vel: os pa\u00edses que levaram o problema a s\u00e9rio desde o in\u00edcio e tomaram medidas, com base em planejamentos bem feitos, obtiveram \u00eaxito no controle da pandemia, preservando muitas vidas. Tal fato pode ser comprovado na Europa, na \u00c1sia e na Am\u00e9rica. Mais: o \u00eaxito alcan\u00e7ado n\u00e3o est\u00e1, em primeiro lugar, relacionado ao fato de o pa\u00eds ser mais rico ou mais pobre. O ponto chave est\u00e1 em <strong>levar o problema a s\u00e9rio.<\/strong><\/p>\n<p>No coment\u00e1rio ao cap\u00edtulo 7 de Romanos, Lutero em determinado momento diz que os crist\u00e3os s\u00e3o como pessoas doentes sob os cuidados de um m\u00e9dico. Eles n\u00e3o est\u00e3o curados. Est\u00e3o, isto sim, em via de serem curados. E o Reformador faz o alerta: a <strong>presun\u00e7\u00e3o de j\u00e1 estarem sadios<\/strong> \u00e9 extremamente prejudicial, pois uma reca\u00edda pode tornar tudo muito pior! A tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 a pessoa crist\u00e3 minimizar a gravidade do problema e achar que pode dar alta a si mesma.<\/p>\n<p>Uma das discuss\u00f5es entre os estudiosos da B\u00edblia \u00e9 se alguns textos deveriam ser considerados mais importantes do que os outros. A reflex\u00e3o \u00e9 pertinente porque pode ocorrer que Deus use justamente uma passagem que, aos nossos olhos, seja menos relevante para falar conosco em determinado momento. Contudo, n\u00e3o dever\u00edamos deixar de reconhecer que alguns textos s\u00e3o verdadeiras preciosidades. Rm 7.15-25a certamente \u00e9 um deles. O ap\u00f3stolo Paulo aprofunda a luta interior da pessoa crist\u00e3 quando se trata de cumprir a Lei de Deus, simplificadamente, os mandamentos e seus desdobramentos.<\/p>\n<p>O que torna o texto t\u00e3o precioso? Uma primeira raz\u00e3o \u00e9 que Paulo foge do que hoje se consideraria correto numa prega\u00e7\u00e3o, ao escrever na primeira pessoa. Ele n\u00e3o emite um ju\u00edzo sobre a comunidade que vai receber a carta, colocando-se de forma arrogante como sendo melhor do que os crist\u00e3os de Roma. Ao contr\u00e1rio, n\u00e3o tem receio de olhar para si mesmo e dizer: \u201cnem eu mesmo compreendo o meu pr\u00f3prio modo de agir, pois n\u00e3o fa\u00e7o o que prefiro, e sim o que detesto\u201d (v. 15). Trata-se do come\u00e7o do que poder\u00edamos chamar de um exame de consci\u00eancia, \u00e0 luz do mandamento de Deus, mesmo que ele, Paulo, tenha tido uma experi\u00eancia singular de convers\u00e3o na estrada de Damasco.<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o segue, constatando que n\u00e3o se trata de ser avesso e de n\u00e3o gostar dos mandamentos. Ao contr\u00e1rio, eles s\u00e3o, como dir\u00edamos, tudo de bom. Ocorre, por\u00e9m, que dentro de n\u00f3s trava-se uma luta entre aquela parte que quer sinceramente cumprir com a vontade de Deus e a outra parte de n\u00f3s que pende para o pecado, que quer atender aquilo que \u00e9 da natureza humana. Dessa luta interior resulta, nas palavras do ap\u00f3stolo, uma genu\u00edna confiss\u00e3o: \u201cn\u00e3o fa\u00e7o o bem que prefiro, mas o mal que n\u00e3o quero, esse fa\u00e7o\u201d (v. 19). Aparentemente, tudo se encaminha para um beco sem sa\u00edda, assim formulado: \u201cDesventurado homem que sou! Quem me livrar\u00e1 do corpo desta morte?\u201d (v. 24).<\/p>\n<p>Na forma como Paulo desenvolve o seu pensamento, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil deduzir a realidade na qual o ser humano se encontra. Se ele quiser se agarrar aos mandamentos, na suposi\u00e7\u00e3o de que pode cumpri-los, haver\u00e1 de reconhecer, diante de uma an\u00e1lise sincera, que isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Se quiser simplesmente se afastar de Deus, vivendo com se ele n\u00e3o existisse, ainda assim pender\u00e1 para o mal. E, mesmo que seja pessoa batizada e confesse a Jesus Cristo, ainda assim n\u00e3o estar\u00e1 livre do pecado, pois a luta interior a acompanhar\u00e1 pela vida. Diante do dilema, o que o crist\u00e3o pode dizer ou responder? \u201cGra\u00e7as a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor\u201d (v. 25a).<\/p>\n<p>Pode n\u00e3o parecer, mas \u00e9 muito precioso quando somos ajudados a analisar a nossa vida sem fazer uso de qualquer maquiagem e ilus\u00e3o. Como j\u00e1 disse algu\u00e9m, a desilus\u00e3o conosco mesmos \u00e9 o come\u00e7o da f\u00e9. O que nos aproxima de Deus n\u00e3o \u00e9 qualquer m\u00e9rito que tenhamos para apresentar. Ningu\u00e9m \u00e9 melhor do que ningu\u00e9m. A palavra b\u00edblica permite que <strong>levemos a s\u00e9rio<\/strong>a nossa condi\u00e7\u00e3o humana de pecadores. Como j\u00e1 dizia Lutero, o pior caminho \u00e9 o da presun\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o precisamos mais de m\u00e9dico por j\u00e1 estarmos curados. No sentido inverso, \u00e0 medida que temos a humildade de reconhecer a nossa fragilidade, somos envolvidos pela gra\u00e7a de Deus, nos sentimos agraciados e, por isso, agradecidos.<\/p>\n<p>Qual o espa\u00e7o que tal prega\u00e7\u00e3o encontra junto \u00e0s pessoas do nosso tempo? Melhor n\u00e3o alimentar grandes ilus\u00f5es. Vivemos numa \u00e9poca em que a satisfa\u00e7\u00e3o das vontades e prazeres individuais se sobrep\u00f5e a quase tudo. A palavra b\u00edblica \u00e9 inc\u00f4moda ao escancarar o resultado. Enquanto a pessoa olha apenas para si mesma em busca do que lhe conv\u00e9m, continuar\u00e1 andando em c\u00edrculo, ref\u00e9m do mal que nela habita, ref\u00e9m da sua presun\u00e7\u00e3o e arrog\u00e2ncia. Ref\u00e9m do pecado. \u00c9, contudo, um modo de vida, que torna o ser humano perigoso, n\u00e3o apenas para si mesmo, mas tamb\u00e9m para aqueles com quem convive ou que est\u00e3o sob a sua responsabilidade. E aqui o exemplo de como lidar com COVID-19 \u00e9 oportuno, pertinente e, mesmo, necess\u00e1rio. Levar o problema a s\u00e9rio e cuidar bem de si \u00e9 tamb\u00e9m cuidar dos familiares, dos vizinhos, dos membros da comunidade, dos colegas de trabalho&#8230; No caso dos governantes, trata-se de cuidar dos cidad\u00e3os do seu munic\u00edpio, estado ou pa\u00eds.<\/p>\n<p>Somos convidados a olhar para os mandamentos e fazer deles o nosso espelho para reconhecer, assim como fez o ap\u00f3stolo Paulo e assim como fez Lutero, que somos um potencial perigo neste mundo se apostamos as fichas em n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o podemos nos lan\u00e7ar nos bra\u00e7os de Deus e dizer com alegria: \u201cGra\u00e7as a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor\u201d. \u00c9 do pertencer a Cristo e de ser agradecido a ele que vem o impulso que valoriza e que cuida da vida. E isso n\u00e3o \u00e9 algo que a gente aprende de uma vez para sempre. \u00c9 verdade preciosa a ser lembrada a cada novo dia. Afinal, enquanto estamos neste mundo, somos t\u00e3o somente pacientes em via de serem curados! Que Deus nos afaste da tenta\u00e7\u00e3o de querermos nos dar alta e nos presenteie sempre com a sua gra\u00e7a, revelada em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>P. Nilo Orlando Christmann<\/p>\n<p>Blumenau \u2013 Santa Catarina, Brasilien<\/p>\n<p>niloch@uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dica para o 5\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes \u2013 5 de julho de 2020 |\u00a0Romanos 7.15-25a | Nilo Christmann | &nbsp; Possivelmente em nenhum outro momento da hist\u00f3ria da humanidade tantas pessoas, \u00a0em tantos lugares diferentes, \u00a0falaram sobre doen\u00e7a e morte. 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