{"id":3112,"date":"2020-07-30T14:45:24","date_gmt":"2020-07-30T12:45:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=3112"},"modified":"2020-07-30T14:45:24","modified_gmt":"2020-07-30T12:45:24","slug":"9o-domingo-apos-pentecostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/9o-domingo-apos-pentecostes\/","title":{"rendered":"9\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes"},"content":{"rendered":"<h3>Pr\u00e9dica para o 9\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes\u00a0\u2013 02.08.2020 |\u00a0Texto da pr\u00e9dica: Mateus 14.13-21 | Vera Maria Immich |<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>QUE A GRA\u00c7A DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O AMOR DE DEUS E A COMUNH\u00c3O DO ESP\u00cdRITO SANTO SEJAM COM TODOS. AM\u00c9M!!!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Irm\u00e3os e irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Imaginem a seguinte cena: \u201cum dia de muito calor em meio ao deserto. O sol brilha forte. A poeira \u00e9 intensa. H\u00e1 ali milhares de pessoas \u00e0 procura de algu\u00e9m, de alguma coisa. Estas pessoas procuram por vida. Elas est\u00e3o famintas por p\u00e3o. Aos poucos o Sol vai se pondo. Mas ningu\u00e9m naquela multid\u00e3o quer partir. Um pequeno grupo de 12 pessoas se re\u00fane. S\u00e3o pessoas sens\u00edveis e preocupadas com aquele cen\u00e1rio. Perguntam-se sobre o que fazer.\u201d <strong>Vamos mand\u00e1-los para casa<\/strong>. Dizem uns. <strong>Deixemos que eles mesmos busquem ao seu sustento<\/strong>, afirma o outro. Outra voz, contudo, diz: <strong>\u201cdai-lhe v\u00f3s mesmos de comer.\u201d <\/strong>Inicia ent\u00e3o um grande milagre, ou melhor, uma sequ\u00eancia de milagres. Naquele deserto surge uma grandiosa vis\u00e3o. Uma vis\u00e3o para a qual ainda hoje olhamos. A vis\u00e3o de uma vida farta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Prezada comunidade!<\/p>\n<p>Comida partilhada, fome saciada, fartura. Esta passagem n\u00e3o \u00e9 apenas o relato de um milagre, mas de v\u00e1rios milagres. Milagres que s\u00e3o uma vis\u00e3o do reino de Deus e que s\u00e3o aperitivos para a vida comunit\u00e1ria. Milagre que mostra que um pouco de p\u00e3o e peixe podem ser transformados em muito, em fartura. Estes milagres mostram que a solu\u00e7\u00e3o para os problemas estava com aquelas pessoas reunidas, tal como a solu\u00e7\u00e3o para os nossos problemas est\u00e1 em n\u00f3s mesmos, em meio \u00e0 sociedade. Seja por mudan\u00e7a de vida, de h\u00e1bitos, de atitudes. Tudo passa por n\u00f3s mesmos.\u00a0 A transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7a conosco, com nossa a\u00e7\u00e3o e envolvimento. O primeiro milagre acontece quando Jesus encarrega os disc\u00edpulos, para que eles mesmos <strong>\u201cdeem de comer \u00e0quela multid\u00e3o ali reunida\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta narrativa, h\u00e1 duas propostas para resolver a fome das multid\u00f5es:\u00a0 Os disc\u00edpulos, e n\u00f3s hoje, muitas vezes seguimos a l\u00f3gica do dinheiro:\u00a0<em>despedir<\/em>\u00a0a quem tem fome para que, de forma individualista,\u00a0<em>compre<\/em>\u00a0comida para si, como lemos em \u00a0Mt 14.15. Essa n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o justa, pois certamente eram poucos os que tinham dinheiro. E o projeto dos que controlam o dinheiro n\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para a fome do povo, como constatamos ainda hoje em nossa realidade.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que Jesus prop\u00f5e \u00e9 outra. E ela est\u00e1 em nossas m\u00e3os:\u00a0<em>Dai-lhes v\u00f3s mesmos de comer<\/em>\u00a0 (Mt 14.16). Jesus n\u00e3o permite passar o problema pra frente. Lavar as m\u00e3os e fazer de conta que n\u00e3o me diz respeito. A solu\u00e7\u00e3o que Jesus prop\u00f5e passa pelas pessoas, pela generosidade, pela liberalidade que tamb\u00e9m est\u00e1 ao nosso alcance, passa pelo envolvimento:\u00a0<em>temos aqui cinco p\u00e3es e dois peixes<\/em>\u00a0 (Mt 14.17). E todos sabemos que\u00a0<em>sete<\/em>\u00a0(cinco p\u00e3es e dois peixes somados) significam <em>que as multid\u00f5es se sentassem na relva<\/em>\u00a0(Mt 14.19). E nos tempos que enfrentamos esse desafio tem enorme valor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tempos bicudos, de crise econ\u00f4mica sem precedentes, de quarentena que quer preservar vidas, mas ao interromper a cadeia econ\u00f4mica produtiva deveria tamb\u00e9m propor uma solu\u00e7\u00e3o contra a fome e mis\u00e9ria crescentes. Como Igreja somos chamados a colaborar com campanhas e doa\u00e7\u00e3o de alimentos e outros g\u00eaneros urgentes. Desde nosso lar abastecido de alimentos e esperan\u00e7a, devemos encorajar, animar e fortalecer na f\u00e9 e na esperan\u00e7a todo aquele que carrega um fardo maior que seus ombros enfraquecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos logo perceberam que ali estava em jogo algo mais do que o simples ato de saciar a fome daquela multid\u00e3o. Ali, estava em jogo o sentido de comunidade. Comunidade que deveria ser criada, incentivada e fortalecida. Comunidade que necessita de pessoas e de confian\u00e7a m\u00fatuas. Comunidade que precisa se envolver e ter papel na transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos perceberam que se tratava da proposta de uma nova perspectiva diaconal vinda de Jesus. As palavras de Jesus soavam fortes: <strong>\u201cdeem v\u00f3s mesmos de comer\u201d <\/strong>foi e \u00e9 um sinal de que o Reino de Deus torna-se real, concreto e percept\u00edvel, j\u00e1 hoje em nosso meio. E isto, os disc\u00edpulos entenderam, tomando para si este compromisso. Eles estavam dispostos a lan\u00e7ar m\u00e3o de todos os esfor\u00e7os, a fim de mostrar um pouco da plenitude da vida e do amor de Deus. Estavam dispostos a mostrar que o amor de Deus tamb\u00e9m pode ser tornado real para outras pessoas.\u00a0 Ali onde pessoas sentem necessidade e onde ent\u00e3o pessoas auxiliam, seja com alimentos, seja com roupas, seja fazendo visitas a enfermos, ou outras formas, ali se mostra a forma real e concreta do amor de Deus, tal como feito e demonstrado pelos disc\u00edpulos de Jesus. Quando ajudamos a outra pessoa, ajudamos concretamente a mostrar o amor de Deus. Isto \u00e9 parte do grande milagre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Creio que n\u00f3s hoje, antes de doarmos algo ficamos imaginando que n\u00e3o ser\u00e1 o suficiente, que n\u00e3o \u00e9 bom o suficiente ou mesmo duvidamos sobre o bom uso que o receptor da doa\u00e7\u00e3o dar\u00e1 aquilo que doamos. Percebemos nisso a nossa mesquinhez, que \u00a0nos faz ser limitados e que limita as possibilidades de outras pessoas e que at\u00e9 mesmo limita a possibilidade da a\u00e7\u00e3o de Deus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os disc\u00edpulos compreenderam que Jesus necessitava dos dons e das capacidades de todos. Compreenderam que Jesus necessitava daquilo que as pessoas tinham consigo, no caso um pouco de p\u00e3o ou peixe. Isto Deus precisava para fazer vis\u00edvel e vivenciar o amor de Deus. Aqueles p\u00e3es e peixes na m\u00e3o de Jesus, aben\u00e7oados, vieram suprir as necessidades, saciando toda a multid\u00e3o. Aqui encontramos o milagre maior. Ap\u00f3s a confian\u00e7a e ao n\u00e3o se assustar, vem o milagre de sentir-se saciado. Isto \u00e9 bem diferente do que a realidade na qual hoje vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vivemos numa \u00e9poca em que o avan\u00e7o da ci\u00eancia \u00e9 significativo, mas, no qual, infelizmente, ainda muitos permanecem com fome, \u00e0 procura. Jesus disse: <strong>\u201cEu sou o p\u00e3o da vida.\u201d <\/strong>Isto \u00e9 bem diferente do que dizer: Eu lhes dou o p\u00e3o. Jesus n\u00e3o falou de p\u00e3o que ao ser consumido \u00e9 doce e que rapidamente sacia, mas que em pouco tempo novamente permite a fome retornar. Ele falou e repartiu um p\u00e3o que \u00e9 mais do que alimento que sacia a nossa fome f\u00edsica. Seu falar de p\u00e3o trata de comunh\u00e3o e de acolhida. E por isto Jesus distribuiu este p\u00e3o no passado e ainda hoje. O fez por meio de sua palavra, dos seus ensinamentos, da santa ceia que celebraremos daqui a pouco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jesus \u00e9 o p\u00e3o da vida que a todos sacia. Para tal, somos chamados a\u00a0 segui-lo e a praticar o que ele ensinou. Foi exatamente isso que Jesus fez quando acomodou aquela multid\u00e3o em <strong>grupos<\/strong>. Foi o primeiro sinal da amizade e da comunh\u00e3o. Este \u00e9 um passo importante para resolver os problemas. Vale para todos n\u00f3s hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foram milagres. Milagres da confian\u00e7a. Milagre do n\u00e3o se assustar da tarefa recebida. Milagre do saciar. Estes milagres n\u00e3o querem deixar em n\u00f3s somente a admira\u00e7\u00e3o. Mas, querem tamb\u00e9m nos presentear uma vis\u00e3o. Uma vis\u00e3o, um aperitivo do Reino de Deus para toda a sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sabemos que a f\u00e9 em Jesus Cristo \u00e9 conectada \u00e0 dimens\u00e3o social e diaconal. N\u00e3o posso ser indiferente \u00e0 fome do irm\u00e3o e da irm\u00e3. Mas, justamente sobre este aspecto que muitas vezes somos questionados e \u00e9 onde falhamos.\u00a0 O texto em quest\u00e3o \u00e9 significativo perante este sentimento. Quer nos deixar preparados para vermos com outros olhos as possibilidades, os chamados que recebemos. O pouco de p\u00e3o e peixe do qual fala o texto quer nos dar a certeza, a confian\u00e7a da gra\u00e7a de Deus e do seu imenso amor por cada um de n\u00f3s e pelo mundo e a sua cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aquele pouco de peixe e p\u00e3o faz-nos recordar que a saciedade se torna real por meio da partilha daquilo que dispomos. E, ao falar de partilhar deve tamb\u00e9m ficar claro que n\u00e3o somente partilhamos p\u00e3o, agasalho, etc. Devemos tamb\u00e9m partilhar perguntas, preocupa\u00e7\u00f5es, esperan\u00e7as, dor, medo e sofrimento. Partilhar comunh\u00e3o. Isto \u00e9 o grande milagre de nosso tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desta forma, o relato da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e peixes, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um relato de milagre. \u00c9 tamb\u00e9m o relato de um incentivo e de \u00e2nimo. Ele nos incentiva a continuar gerando milagres em nossos dias, superando as car\u00eancias desta sociedade. No texto em quest\u00e3o somos incentivados a buscar sempre o seguimento da palavra de Deus em resposta a tudo o que Ele nos tem dado e permitido. Somos incentivados a partilhar tanto material quanto espiritualmente. Muito recebemos, s\u00f3 um pouco somos chamados a partilhar<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No relato da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, Deus nos mostra todo o seu amor, resumido em Jo\u00e3o 10.10. Quando Jesus mesmo nos diz: <strong>\u201cEu vim para que tenham vida e a tenham em abund\u00e2ncia.\u201d <\/strong>AM\u00c9M.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pa. Vera Maria Immich<\/p>\n<p>Curitiba \u2013 Paran\u00e1, Brasilien<\/p>\n<p><a href=\"mailto:veraodair@gmail.com\">veraodair@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dica para o 9\u00ba Domingo ap\u00f3s Pentecostes\u00a0\u2013 02.08.2020 |\u00a0Texto da pr\u00e9dica: Mateus 14.13-21 | Vera Maria Immich | &nbsp; QUE A GRA\u00c7A DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, O AMOR DE DEUS E A COMUNH\u00c3O DO ESP\u00cdRITO SANTO SEJAM COM TODOS. AM\u00c9M!!! &nbsp; Irm\u00e3os e irm\u00e3s! 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