{"id":3359,"date":"2020-09-09T11:13:08","date_gmt":"2020-09-09T09:13:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=3359"},"modified":"2020-09-09T11:18:33","modified_gmt":"2020-09-09T09:18:33","slug":"predica-para-o-15o-domingo-apos-pentecostes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/predica-para-o-15o-domingo-apos-pentecostes\/","title":{"rendered":"PR\u00c9DICA PARA O 15\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES"},"content":{"rendered":"<p><strong>13 de setembro de 2020 |Texto da pr\u00e9dica: Mateus 18, 21-35 |verfasst von Osmar Luiz Witt|<\/strong><\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7a a v\u00f3s outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.\u201d (Rm 1.7b).<\/p>\n<p>Oremos: Senhor, aben\u00e7oa a prega\u00e7\u00e3o da tua Palavra. Permite que ela nos encontre em nossas alegrias ou tristezas e nos conceda aquilo de que temos necessidade. Pedimos em nome de Jesus, nosso Senhor. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>Querida comunidade de Jesus Cristo!<\/p>\n<p>Todo o cap\u00edtulo dezoito do Evangelho segundo Mateus \u00e9 um grande \u201cdiscurso sobre a Igreja\u201d. Ele oferece instru\u00e7\u00f5es sobre como deve ser a vida em comunidade: come\u00e7a com os disc\u00edpulos perguntando a Jesus sobre quem \u00e9 o maior no Reino dos c\u00e9us. E ele responde que maior \u00e9 a pessoa que se tornar como crian\u00e7a. Depois ensina a n\u00e3o escandalizar os pequeninos. A seguir, Jesus conta a hist\u00f3ria do pastor de ovelhas que deixa as noventa e nove no pasto para ir atr\u00e1s daquela uma que se perdeu. Ele n\u00e3o quer que nenhum dos pequeninos se perca. Ensina ainda como realizar a disciplina fraterna entre irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9: \u201cse teu irm\u00e3o pecar, vai corrigi-lo a s\u00f3s contigo. Se n\u00e3o te ouvir toma contigo algumas testemunhas, se ainda n\u00e3o for resolvida a quest\u00e3o, leve o assunto para a reuni\u00e3o da comunidade\u201d. Faz o que estiver ao alcance para viver em paz e reconciliado com o semelhante. No trecho seguinte do cap\u00edtulo 18, Jesus ensina sobre a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria: \u201cSe dois de voc\u00eas estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que queiram pedir, isto lhes ser\u00e1 concedido por meu pai.\u201d E, para concluir, Pedro \u00e9 instru\u00eddo sobre a quest\u00e3o do perd\u00e3o. Sem a pr\u00e1tica do perd\u00e3o, vida em comunidade se torna imposs\u00edvel!<\/p>\n<p>Pedro parece generoso: est\u00e1 disposto a perdoar seu irm\u00e3o at\u00e9 sete vezes. E pergunta a Jesus se isto \u00e9 suficiente. Sabemos que o n\u00famero sete tem um valor simb\u00f3lico nos textos do NovoTestamento. Ele d\u00e1 uma id\u00e9ia de perfei\u00e7\u00e3o. Pedro est\u00e1 disposto a buscar esta perfei\u00e7\u00e3o. Mas, ser\u00e1 a vida em comunidade uma quest\u00e3o de matem\u00e1tica? Qual \u00e9 a matem\u00e1tica do amor? Pode a bondade ou a generosidade ser calculada? A resposta de Jesus parece mostrar-nos que o amor extrapola a matem\u00e1tica: os disc\u00edpulos devem aprender a perdoar sempre que algu\u00e9m busca seu perd\u00e3o. E, para ilustrar o que est\u00e1 ensinando, Jesus conta a \u201cpar\u00e1bola do devedor e credor implac\u00e1vel\u201d, a qual ouvimos.<\/p>\n<p>\u00c9 comum a gente ouvir que neste mundo tudo tem seu pre\u00e7o. Tudo tem um valor pelo qual pode ser medido. \u00c9 necess\u00e1rio que tudo seja quantificado, para saber se estamos tendo preju\u00edzo ou n\u00e3o. Achamos fundamental levar vantagem em tudo o que fazemos. Na l\u00f3gica do mundo parece que n\u00e3o h\u00e1 lugar para o perd\u00e3o, pois ele implica que devemos admitir um preju\u00edzo. O servo, inferiorizado pela d\u00edvida diante do seu rei, clama por compreens\u00e3o; pede um prazo maior, tenta renegociar a d\u00edvida, como se diz na linguagem econ\u00f4mica. E ele obt\u00e9m mais do que pede (e isto j\u00e1 supera a l\u00f3gica de nossas rela\u00e7\u00f5es!). \u00a0N\u00e3o s\u00f3 recebe um prazo maior, mas o perd\u00e3o de sua d\u00edvida!<\/p>\n<p>Ao reler esta passagem do Novo Testamento, lembrei-me de um p\u00f4ster que vi h\u00e1 muito tempo, e no qual se podia ler: \u201cPerdoar \u00e9 devolver ao outro o direito de ser feliz\u201d. O que o servo recebeu de seu rei foi a restaura\u00e7\u00e3o de sua dignidade, a possibilidade de recome\u00e7ar a vida, o direito de ser feliz! Uma d\u00edvida de 10 mil talentos era uma coisa t\u00e3o vultosa, que era imposs\u00edvel qualquer pagamento. (Um den\u00e1rio correspondia ao sal\u00e1rio de um dia de trabalho. Um talento correspondia a 6 mil den\u00e1rios. Uma d\u00edvida de 10 mil talentos era algo absurdo). E, no entanto, o rei usou de generosidade. J\u00e1 o servo, que teve restaurada sua vida e a de sua fam\u00edlia, n\u00e3o mostrou disposi\u00e7\u00e3o para agir do mesmo modo com seu companheiro, n\u00e3o aceitou ficar no preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Jesus conta uma breve est\u00f3ria tirada do dia-a-dia dos seus ouvintes. Ele demonstra conhecer bem a natureza humana. N\u00f3s somos \u00a0assim mesmo: buscamos o perd\u00e3o de Deus, mas temos dificuldades de praticar o perd\u00e3o nas nossas rela\u00e7\u00f5es. Queremos a vantagem: receber al\u00e9m do que temos direito. Mas, fugimos do preju\u00edzo de passar o perd\u00e3o adiante. A gente deveria dar-se conta de que sempre oramos \u201cPai, perdoa-nos as nossas d\u00edvidas assim como n\u00f3s tamb\u00e9m perdoamos aos nossos devedores\u201d. O servo que n\u00e3o soube perdoar ao seu devedor acabou perdendo o perd\u00e3o recebido. Uma antiga can\u00e7\u00e3o expressava isso mais ou menos assim:<\/p>\n<p><em>Se, ao trazeres tua oferta perante o altar, lembrares que teu irm\u00e3o tem algo contra ti, deixa ali a tua oferta e vai primeiro buscar teu irm\u00e3o. Deus n\u00e3o aceita a oferta de quem n\u00e3o quer ofertar perd\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>O minist\u00e9rio\/o servi\u00e7o que envolve toda a comunidade crist\u00e3 foi assim resumido pelo ap\u00f3stolo Paulo: \u201cNo poder do Esp\u00edrito proclamamos a reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d. Porque Deus nos reconciliou consigo, pagou e apagou a nossa d\u00edvida, restituiu-nos a vida, somos enviados e enviadas a proclamar e vivenciar a reconcilia\u00e7\u00e3o entre n\u00f3s no mundo. Nem sempre ser\u00e1 uma tarefa f\u00e1cil: ser\u00e1 preciso superar rancores e orgulho ferido. Mas, podemos estar certos, n\u00e3o ser\u00e1 nenhum preju\u00edzo para a nossa vida, pelo contr\u00e1rio, ser\u00e1 um ganho enorme. Pois, nada \u00e9 mais importante do que a gente poder olhar nos olhos das pessoas e encontrar compreens\u00e3o, amizade, cora\u00e7\u00e3o aberto. O perd\u00e3o que recebemos e que damos adiante possibilita nova vida, reconcilia\u00e7\u00e3o, paz ao cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que tamb\u00e9m podemos experimentar quando somos servidos e servidas pelo nosso Senhor em sua Palavra reconciliadora. E a paz de Deus, que \u00e9 maior do que o nosso entendimento, guarde nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es em Cristo Jesus. Am\u00e9m.<\/p>\n<ol>\n<li><em> Dr. Osmar Luiz Witt<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><em>S\u00e3o Leopoldo \u2013 Rio Grande do Sul, Brasilien<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"mailto:olwitt@est.edu.br\">olwitt@est.edu.br<\/a> <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>13 de setembro de 2020 |Texto da pr\u00e9dica: Mateus 18, 21-35 |verfasst von Osmar Luiz Witt| \u201cGra\u00e7a a v\u00f3s outros e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.\u201d (Rm 1.7b). Oremos: Senhor, aben\u00e7oa a prega\u00e7\u00e3o da tua Palavra. 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