{"id":3539,"date":"2020-10-21T08:38:51","date_gmt":"2020-10-21T06:38:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=3539"},"modified":"2020-10-21T08:38:51","modified_gmt":"2020-10-21T06:38:51","slug":"o-que-e-mais-importante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/o-que-e-mais-importante\/","title":{"rendered":"\u201cO que \u00e9 mais importante?\u201d"},"content":{"rendered":"<h3>\u00a0Texto da pr\u00e9dica: Mateus 22.34-46<b> |<\/b> Pr\u00e9dica para o\u00a0 21\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES \u2013 25 de outubro de 2020. | Luis Henrique Sievers |<\/h3>\n<p>Estimada comunidade, estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo,<\/p>\n<p>V\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es na vida nos levam a fazer esta pergunta: \u201cO que \u00e9 mais importante?\u201d. N\u00e3o queremos perder o foco com coisas secund\u00e1rias. Buscamos o que \u00e9 fundamental, decisivo, em uma determinada situa\u00e7\u00e3o e momento. E quando se trata de fundamentar e estruturar toda uma vida, queremos firmeza, um fundamento que resista \u00e0s tempestades, um farol que nos oriente pelas ondas revoltas do viver.<\/p>\n<p>Para grupos religiosos como os fariseus, por exemplo, seguir \u00e0 risca as Leis e os Mandamentos do seu povo, era algo do qual n\u00e3o se deveria abrir m\u00e3o. A princ\u00edpio, n\u00e3o h\u00e1 nenhum problema nisso. Precisamos de regras de conviv\u00eancia, que estabelecem direitos e deveres. Elas visam a promover a vida. Tornam-se, por\u00e9m, obsoletas quando n\u00e3o servem mais a esse objetivo, esse fundamento. Em linguagem b\u00edblica, o dia de descanso foi feito para servir ao ser humano e n\u00e3o o contr\u00e1rio ( Mc 2.27).<\/p>\n<p>Segundo o evangelista Mateus, os fariseus eram um grupo que estava constantemente questionando Jesus. Queriam peg\u00e1-lo em contradi\u00e7\u00e3o e desmoraliz\u00e1-lo diante do povo e das autoridades com perguntas maliciosas. Esse \u00e9 o caso do texto da prega\u00e7\u00e3o de hoje. Um dos seus representantes fez a seguinte perguntou a Jesus: <em>\u201c- Mestre, qual \u00e9 o mais importante de todos os mandamentos da Lei?\u201d<\/em> A primeira parte da sua resposta foi: <em>\u201cAme o Senhor, seu Deus, com todo o cora\u00e7\u00e3o, com toda a alma e com toda a mente.&#8220;<\/em> Resposta certa (Dt 6.5). Nenhuma surpresa. Toda pessoa devota conhecia essa parte da Lei.<\/p>\n<p>Para a surpresa dos fariseus, Jesus deu continuidade \u00e0 sua resposta e acrescentou: <em>\u201cAme os outros como voc\u00ea ama a voc\u00ea mesmo.&#8220;<\/em> Esse \u00e9 \u201co segundo mais importante\u201d e \u201cparecido com o primeiro\u201d mandamento, explicou Jesus. Est\u00e1 igualmente na Lei que todo devoto deveria conhecer (Lv 19.18). Mas, no geral, as pessoas lembram mais do amor a Deus do que do amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Na sua resposta, Jesus mostrou que estava por dentro do assunto. Em primeiro lugar, alertou os fariseus de que o mesmo amor que tinham por Deus tamb\u00e9m deveria ser dedicado ao pr\u00f3ximo. N\u00e3o d\u00e1 para descolar um do outro. No contexto do livro de Lev\u00edtico, esse amor ao pr\u00f3ximo se expressa no julgar com justi\u00e7a, sem parcialidade, no n\u00e3o espalhar mentiras entre as pessoas ou dar falso testemunho, bem como no n\u00e3o guardar \u00f3dio no cora\u00e7\u00e3o e rejeitar a vingan\u00e7a ( Lv 19.15-18). T\u00e3o pr\u00e1tico pode ser o amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, Jesus alertou o grupo dos fervorosos fariseus, seguidores da Lei e da ordem, que todo amor pr\u00f3prio vira orgulho, arrog\u00e2ncia e ego\u00edsmo, se n\u00e3o passar pelo crivo do amor ao pr\u00f3ximo. Eles correm o risco de se encantarem pela sua pr\u00f3pria espiritualidade e amarem apenas a si mesmos. Assim como na lenda grega de Narciso, que amou a sua pr\u00f3pria imagem refletida na lagoa de Eco. O amor saud\u00e1vel se revela em uma trilogia: a Deus, ao pr\u00f3ximo e a si mesmo. Ele enfraquece e adoece fora dessa trilogia. Fica desfigurado.<\/p>\n<p>Jesus tamb\u00e9m explica que esses dois mandamentos s\u00e3o a chave, o crit\u00e9rio, de leitura da Lei e dos profetas (v. 40). O que promove o amor a Deus e o amor ao pr\u00f3ximo \u00e9 mais importante. O resto \u00e9 \u201cpalha\u201d, como diria Lutero. Faltava aos fariseus ler com os olhos do amor os textos sagrados que eles conheciam e seguiam. Aparentemente temiam e amavam a Deus, estudando a sua palavra e guardando os seus mandamentos. Entretanto, n\u00e3o expressavam esse mesmo fervor e zelo no amor ao pr\u00f3ximo, na pr\u00e1tica da miseric\u00f3rdia e da compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>Jesus motivou os fariseus a reconsiderarem a vis\u00e3o que tinham a respeito do Messias. O mais importante n\u00e3o \u00e9 a sua descend\u00eancia, \u201cde Davi\u201d (v.42). O mais importante \u00e9 que ele revela o mais profundo amor de Deus pela sua cria\u00e7\u00e3o: \u201cPorque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unig\u00eanito, para que todo que nele cr\u00ea n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna\u201d (Jo 3.16). O verdadeiro Messias n\u00e3o vem para ser servido, mas para servir e dedicar a sua vida e sua morte para resgatar pessoas das suas afli\u00e7\u00f5es, suas opress\u00f5es (Mt 20.28).<\/p>\n<p>O amor que se expressa na rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo, faz parte daquilo que \u00e9 fundamental, importante: \u201cN\u00f3s amamos porque ele nos amou primeiro\u201d (1 Jo 4.19). Separar o amor a Deus do amor ao pr\u00f3ximo n\u00e3o \u00e9, portanto, evang\u00e9lico. Aqui cabe o alerta da primeira carta de Jo\u00e3o: <em>\u201cSe algu\u00e9m diz: \u2018Eu amo a Deus\u2019, mas odeia o seu irm\u00e3o, \u00e9 mentiroso. Pois ningu\u00e9m pode amar a Deus, a quem n\u00e3o v\u00ea, se n\u00e3o amar o seu irm\u00e3o, a quem v\u00ea.\u201d (1 Jo\u00e3o 4.20)<\/em><\/p>\n<p>Aquilo que n\u00f3s chamamos de \u201cespiritualidade\u201d, \u201cdiscipulado\u201d, \u201cseguimento de Jesus Cristo\u201d, passa pelas atitudes concretas de amor \u00e0s outras pessoas, que s\u00e3o vis\u00edveis, pr\u00f3ximas ou distantes. \u00a0N\u00e3o \u00e9 b\u00edblico e n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o cultivar uma espiritualidade descolada das rela\u00e7\u00f5es concretas que temos com as outras pessoas e com toda a cria\u00e7\u00e3o de Deus. Espiritualidade n\u00e3o \u00e9 apenas a express\u00e3o de um fervor religioso, de louvor profundo e lembran\u00e7a dos mandamentos, coisas que n\u00e3o faltavam aos fariseus. Espiritualidade saud\u00e1vel \u00e9, em seu sentido mais profundo, uma viv\u00eancia da f\u00e9 em todos os n\u00edveis de nossa exist\u00eancia, que se expressa no amor a Deus, ao pr\u00f3ximo, como a si mesmo.<\/p>\n<p>Nas palavras do ap\u00f3stolo Paulo: \u201cPoderia (&#8230;) ter tanta f\u00e9, que at\u00e9 poderia tirar as montanhas do seu lugar, mas, se n\u00e3o tivesse amor, eu n\u00e3o seria nada\u201d (1 Cor\u00edntios 13.2). A mais profunda espiritualidade fica capenga, vazia, se ela deixar de fora o amor ao pr\u00f3ximo, o servi\u00e7o desinteressado pelo bem-estar das outras pessoas e de toda a cria\u00e7\u00e3o de Deus. O amor revoluciona a realidade, quando ele \u00e9 vivido em plenitude em cada recanto do nosso cotidiano, das nossas rela\u00e7\u00f5es com o pr\u00f3ximo, especialmente na pr\u00e1tica da justi\u00e7a e da solidariedade com os mais necessitados. Por isso, \u201camemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus (&#8230;) Aquele que n\u00e3o ama n\u00e3o conhece a Deus, pois Deus \u00e9 amor\u201d (1 Jo 4.7 e 8). Am\u00e9m.<\/p>\n<p>Pastor Luis Henrique Sievers<\/p>\n<p>Lajeado, Rio Grande do Sul, Brasilien<\/p>\n<p>luishenrique.sievers@yahoo.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Texto da pr\u00e9dica: Mateus 22.34-46 | Pr\u00e9dica para o\u00a0 21\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES \u2013 25 de outubro de 2020. | Luis Henrique Sievers | Estimada comunidade, estimados irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo, V\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es na vida nos levam a fazer esta pergunta: \u201cO que \u00e9 mais importante?\u201d. N\u00e3o queremos perder o foco com coisas secund\u00e1rias. 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