{"id":3582,"date":"2020-10-27T11:05:26","date_gmt":"2020-10-27T10:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/static\/wp\/?p=3582"},"modified":"2020-10-27T11:05:26","modified_gmt":"2020-10-27T10:05:26","slug":"predica-para-o-dia-da-reforma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/predica-para-o-dia-da-reforma\/","title":{"rendered":"PR\u00c9DICA PARA O DIA DA REFORMA"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA O DIA DA REFORMA \u2013 31 de outubro de 2020 | Texto b\u00edblico: G\u00e1latas 5. 1-11 | Geraldo Graf |<\/h3>\n<p>Neste dia em que celebramos 503 anos da Reforma, eu sa\u00fado as irm\u00e3s e os irm\u00e3os com a palavra de Jesus contida em Lucas 4.18-19: \u201cO Senhor me deu o seu Esp\u00edrito. Ele me escolheu para levar boas not\u00edcias aos pobres e me enviou para anunciar a liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, libertar os que est\u00e3o sendo oprimidos e anunciar que chegou o tempo em que o Senhor salvar\u00e1 o seu povo.\u201d<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e queridas irm\u00e3s em Cristo!<\/p>\n<p>O texto b\u00edblico de G\u00e1latas 5.1-11 inicia com as seguintes palavras: \u201c<u>Cristo nos libertou para que sejamos definitivamente livres<\/u>\u201d. Podemos observar que a palavra-chave do texto \u00e9 LIBERDADE. Por\u00e9m, antes de tecermos conceitos pessoais, precisamos descobrir de qual liberdade o ap\u00f3stolo Paulo est\u00e1 falando, j\u00e1 que existem muitas interpreta\u00e7\u00f5es diferentes e contradit\u00f3rias do que vem a ser liberdade.<\/p>\n<p>Existe o desejo individual inato, que faz com que a pessoa queira se ver livre de qualquer tipo de autoridade, jugo, condu\u00e7\u00e3o ou interfer\u00eancia em sua vida. \u00c9 o caso t\u00edpico de adolescentes em rela\u00e7\u00e3o aos seus pais, de pessoas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s conven\u00e7\u00f5es sociais. Quando existe uma placa dizendo \u201cn\u00e3o pise na grama\u201d, a\u00ed mesmo que as pessoas pisam de prop\u00f3sito para mostrar que ningu\u00e9m manda nelas. As pessoas querem decidir sozinhas sobre o que querem e podem fazer. Por isso, acabam repetindo erros e transgress\u00f5es por causa de atitudes ego\u00edstas e anti- sociais, que s\u00e3o confundidas com liberdade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para muitas pessoas, ser livre \u00e9 ser como um passarinho solto, que pode voar aonde e quando bem entender, sem precisar dar satisfa\u00e7\u00e3o de seus atos para ningu\u00e9m. Podemos chamar este comportamento de <u>liberdade individualista<\/u>. De longe, ela ainda n\u00e3o \u00e9 a liberdade crist\u00e3 da qual fala o texto b\u00edblico.<\/p>\n<p>Segundo os dicion\u00e1rios, liberdade \u00e9 o grau de independ\u00eancia que uma pessoa, um povo ou uma na\u00e7\u00e3o elegem como bem supremo. Liberdade \u00e9 o conjunto de direitos reconhecidos ao indiv\u00edduo, isoladamente ou em grupo. \u00c9 o poder que a pessoa tem de exercer sua vontade dentro dos limites que lhe faculta a lei. Ou seja: sou livre para fazer o que eu quero, desde que isso n\u00e3o prejudique a conviv\u00eancia com outras pessoas, provoque esc\u00e2ndalo ou ameace a vida do pr\u00f3ximo. Sou livre, mas preciso me ater \u00e0s regras sociais estabelecidas. Por exemplo, preciso respeitar a vida, a propriedade legitimamente adquirida e, por exemplo, n\u00e3o posso sair nu passeando pela rua afora. \u00c9 como afirma o ap\u00f3stolo Paulo em 1 Cor\u00edntios 6.12: <em>Posso fazer qualquer coisa, mas nem tudo \u00e9 bom\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Liberdade \u00e9 a palavra de ordem de quem se sente escravizado, oprimido e explorado. \u00c9 a bandeira das revolu\u00e7\u00f5es (veja a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, a Inconfid\u00eancia Mineira, etc.). \u00c9 o grito por direitos e oportunidades iguais para todas as pessoas.<\/p>\n<p>A liberdade \u00e9 um direito inviol\u00e1vel. Na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos da ONU, tamb\u00e9m assinado pelo Brasil, fica estabelecido que:<\/p>\n<p>Art. 1\u00ba &#8211; Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.<\/p>\n<p>Art. 2\u00ba &#8211; Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e a liberdade estabelecidos nesta Declara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Art. 3\u00ba &#8211; Toda pessoa tem direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal.<\/p>\n<p>Na Constitui\u00e7\u00e3o Brasileira est\u00e1 garantido que:<\/p>\n<p>Art. 3\u00ba &#8211; Constituem objetivos fundamentais da Rep\u00fablica Federativa do Brasil:<\/p>\n<p>I \u2013 Construir uma sociedade livre, justa e solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Art. 5\u00ba &#8211; Todas as pessoas s\u00e3o iguais perante a lei&#8230; garantindo-se a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao falar de liberdade crist\u00e3, o ap\u00f3stolo Paulo vai um pouco al\u00e9m dos direitos fundamentais da liberdade humana:<\/p>\n<p>Paulo escreveu a Carta por volta de 54-56 a. D. para uma comunidade na Gal\u00e1cia, regi\u00e3o central da \u00c1sia Menor, atual Turquia. A maioria dos membros da comunidade era de origem gent\u00edlica, ou seja, n\u00e3o era proveniente do Juda\u00edsmo. Paulo ficou sabendo que crist\u00e3os de origem judaica estavam convencendo os G\u00e1latas da necessidade de se submeterem \u00e0s leis judaicas se quisessem obter a gra\u00e7a divina. Deveriam seguir as leis do Pentateuco, e entre as quais estavam a observ\u00e2ncia do s\u00e1bado e a pr\u00e1tica da circuncis\u00e3o. Paulo esclareceu aos G\u00e1latas que, o que Jesus Cristo fez por todas as pessoas na cruz, \u00e9 suficiente para aproxim\u00e1-las do amor de Deus. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o \u00e9 aceitar esta liberta\u00e7\u00e3o por meio da f\u00e9.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aquilo que Paulo escreveu aos G\u00e1latas tamb\u00e9m vale para nossos dias. Precisamos estudar e interpretar o Antigo Testamento a partir da nova alian\u00e7a que Deus fez conosco por meio de Jesus Cristo. Precisamos olhar para as leis do Pentateuco com os \u00f3culos do Evangelho. Descobriremos que Jesus deu total import\u00e2ncia aos dez mandamentos, que s\u00e3o leis \u00e9ticas universais, e submeteu as demais regras ao Grande Mandamento do amor a Deus e do amor ao pr\u00f3ximo (Mateus 22.36-40). Que regras s\u00e3o essas? Leis morais sobre comidas e bebidas, vestimentas, dias festivos, sacrif\u00edcios, costumes, etc: <em>Comida, bebida, dias santos, lua nova, s\u00e1bado<\/em> (Colossenses 2.16). Os judeus haviam desdobrado toda a lei em 613 regras, cada vez mais dif\u00edceis para serem cumpridas pelo povo (veja as discuss\u00f5es de Jesus com os fariseus). Tornou-se uma decis\u00e3o dif\u00edcil socorrer uma pessoa doente ou machucada em dia de s\u00e1bado, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fazendo a leitura correta do Evangelho de Cristo, sobretudo do Serm\u00e3o do Monte, Paulo deixou claro que, para ser crist\u00e3 e se sentir agraciada por Deus, a pessoa n\u00e3o precisava se submeter \u00e0s regras judaizantes. Vivenciar a f\u00e9 em Jesus Cristo era suficiente. Fazendo uma compara\u00e7\u00e3o, imaginem uma pessoa aqui no Brasil, para se tornar luterana, tivesse que aprender primeiro a falar alem\u00e3o e assumir todos os costumes germ\u00e2nicos. Algo parecido a isto estava sendo proposto aos G\u00e1latas e que Paulo corrigiu.<\/p>\n<p>O ap\u00f3stolo Paulo testemunha que a justi\u00e7a de Deus, que nos \u00e9 oferecida por meio de Jesus Cristo, \u00e9 suficiente para nos libertar e salvar. Ter f\u00e9 \u00e9 confiar plenamente na gra\u00e7a e no amor de Deus, que nos liberta e salva. \u201c<u>Jesus Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres<\/u>\u201d \u2013 G\u00e1latas 5.1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os crist\u00e3os do s\u00e9culo XVI novamente viviam debaixo do jugo de regras, que extrapolavam os ensinamentos b\u00edblicos: adora\u00e7\u00e3o de rel\u00edquias, compra de indulg\u00eancias, autoridade da Igreja, etc.\u00a0 Apontando para o centro libertador do Evangelho, que \u00e9 Jesus Cristo, e para a pr\u00e1tica desta liberdade, em 1520, Martim Lutero escreveu o livro \u201c<strong>Da Liberdade Crist\u00e3<\/strong>\u201d. No mesmo, ele afirma: \u201c<strong><em>Uma pessoa crist\u00e3 \u00e9 senhora livre sobre todas as coisas e a ningu\u00e9m submissa. Mas ao mesmo tempo, uma pessoa crist\u00e3 \u00e9 serva prestativa em todas as coisas e est\u00e1 sujeita a todos<\/em><\/strong>\u201d. Em outras palavras: <u>N\u00f3s somos livres de tudo por meio da f\u00e9 em Jesus Cristo. Mas, simultaneamente estamos a servi\u00e7o uns dos outros por meio do amor ao pr\u00f3ximo<\/u>. Por um lado, somos totalmente livres atrav\u00e9s do grande presente que recebemos por meio do sacrif\u00edcio de Cristo na cruz. Por isso, n\u00e3o precisamos mais nos submeter aos rituais escravizantes para conquistar a gra\u00e7a de Deus. O que Cristo fez \u00e9 suficiente. Por outro lado, somos orientados a n\u00e3o cruzar os bra\u00e7os numa atitude de liberdade ego\u00edsta, individualista. Somos libertados e enviados para usar nossa liberdade, investindo-a no amor ao pr\u00f3ximo. Em 1 Jo\u00e3o 4.19 est\u00e1 escrito: \u201c<em>N\u00f3s amamos porque Deus nos amou primeiro<\/em>\u201d. \u00c9 exatamente isto que nos aproxima da recomenda\u00e7\u00e3o de G\u00e1latas 5.6: \u201c<em><u>A f\u00e9 se torna ativa por meio do amo<\/u><\/em>r\u201d. Martim Lutero concluiu em seu livro: \u201c<strong><em>Uma pessoa crist\u00e3 n\u00e3o vive para si mesma, mas para Cristo e para o pr\u00f3ximo, Para Cristo, por meio da f\u00e9; para o pr\u00f3ximo, por meio do amor<\/em><\/strong><em>\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Portanto, a liberdade crist\u00e3 \u00e9 relacional e nos compromete. N\u00f3s s\u00f3 nos sentiremos verdadeiramente livres na uni\u00e3o com Jesus Cristo pela f\u00e9, e na partilha desta liberdade por meio da pr\u00e1tica do amor ao pr\u00f3ximo. A liberdade crist\u00e3 existe porque Deus quebra todas as correntes pecaminosas que nos escravizam. Por\u00e9m, ela \u00e9 uma liberdade que compromete. Em Romanos 6.18, o ap\u00f3stolo Paulo escreve: \u201c<em>Voc\u00eas foram libertados do pecado e agora est\u00e3o inteiramente a servi\u00e7o de Deus para fazer o que \u00e9 direito<\/em>\u201d. Portanto, somos livres de todas as amarras pela f\u00e9 em Jesus Cristo, mas, por amor, n\u00f3s nos submetemos \u00e0s regras sociais de conviv\u00eancia humana, que visam ao bem-estar das pessoas, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da vida (das pessoas e de toda a natureza). E o fazemos por amor e gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na condi\u00e7\u00e3o de comunidade crist\u00e3 luterana, vivenciamos os prop\u00f3sitos da Reforma ao aceitarmos o chamado de n\u00e3o permanecermos indiferentes ou trancados no ego\u00edsmo de uma falsa liberdade; mas de crermos firmemente que somos libertados por meio de Jesus Cristo. Nisto nos ancoramos. Como resultado disso, vivenciamos uma f\u00e9 ativa no amor. <u>Somos livres para amar e servir!<\/u><\/p>\n<p>Resumindo: Liberdade crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 liberdade individualista, Liberdade crist\u00e3 \u00e9 relacional e comprometida:<\/p>\n<p>Pela f\u00e9, vivemos em uni\u00e3o com Jesus Cristo, que nos liberta de todos os jugos. Somos livres para crer!<\/p>\n<p>Pelo amor, vivemos em uni\u00e3o com o pr\u00f3ximo, com quem partilhamos as d\u00e1divas divinas. Somos livres para amar e servir!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Concluo com mais uma palavra de Martim Lutero:<\/p>\n<p><strong>Eu devo ser para o pr\u00f3ximo aquilo que Cristo \u00e9 para mim e oferecer-lhe tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio, \u00fatil e aben\u00e7oado, assim como eu tenho plenitude das coisas pela f\u00e9 em Cristo. Da f\u00e9 jorra o amor a Deus, e do amor jorra uma vida marcada pela liberdade, pela boa vontade e pela alegria em servir ao pr\u00f3ximo. Pois, da mesma forma como nosso pr\u00f3ximo passa dificuldades e necessita daquilo que temos de sobra, assim n\u00f3s passamos necessidade diante de Deus e somos dependentes de sua gra\u00e7a. Por isso, assim como Cristo nos ajudou gratuitamente, assim n\u00e3o devemos fazer outra coisa que ajudar nosso pr\u00f3ximo atrav\u00e9s de nosso corpo e suas obras<\/strong>.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p><strong>Pastor Em. Geraldo Graf<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"mailto:g.graf@uol.com.br\"><strong>g.graf@uol.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto\/S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O DIA DA REFORMA \u2013 31 de outubro de 2020 | Texto b\u00edblico: G\u00e1latas 5. 1-11 | Geraldo Graf | Neste dia em que celebramos 503 anos da Reforma, eu sa\u00fado as irm\u00e3s e os irm\u00e3os com a palavra de Jesus contida em Lucas 4.18-19: \u201cO Senhor me deu o seu Esp\u00edrito. Ele [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3583,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[44,157,108,171,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-3582","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-galater","category-beitragende","category-current","category-geraldo-graf","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3582"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3582\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3584,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3582\/revisions\/3584"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3582"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=3582"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=3582"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=3582"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=3582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}