{"id":4533,"date":"2021-02-23T08:40:25","date_gmt":"2021-02-23T07:40:25","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=4533"},"modified":"2021-02-23T08:40:25","modified_gmt":"2021-02-23T07:40:25","slug":"2o-domingo-na-quaresma-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/2o-domingo-na-quaresma-2\/","title":{"rendered":"2\u00ba DOMINGO NA QUARESMA"},"content":{"rendered":"<h3>Marcos 8.31-38 | 28 de fevereiro de 2021 | Teobaldo Witter |<\/h3>\n<p>Texto b\u00edblico: Marcos 8.31-38<\/p>\n<p>E disse-lhes Jesus: \u2018tende f\u00e9 em Deus\u2019 (Mc 11.22b).<\/p>\n<p>Estava tudo muito bom. Bem, estava \u00f3timo. \u00c9 o pensamento geral entre os disc\u00edpulos. Jesus andou com seus de vila em vila. Pregou em sua terra, Nazar\u00e9. Havia um estranhamento entre Jesus e pessoas de sua vila (Mc 6.1s). Mas vai adiante, nas aldeias das circunvizinhan\u00e7as para ensinar. Envia os disc\u00edpulos de dois a dois para miss\u00e3o. Percebe que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil. O amigo Jo\u00e3o Batista \u00e9, interesseiramente, assassinado por gente do pal\u00e1cio (Mc 6.27). \u00c9 um alerta para o grupo. Mas Jesus e o seus continuam na caminhada. No encontro com famintos, h\u00e1 multiplica\u00e7\u00e3o e partilha dos alimentos. Para chegar ao outro lado do mar, h\u00e1 turbul\u00eancias. Naufr\u00e1gio? O medo \u00e9 uma realidade entre dos disc\u00edpulos.\u00a0 No entanto, Jesus caminha sob as \u00e1guas. E a paz voltou no barco (Mc 6.41, 48).<\/p>\n<p>Em Genesar\u00e9, apesar de uma e outra discuss\u00e3o com anci\u00e3os, escribas e fariseus, a situa\u00e7\u00e3o continua sob controle, na vis\u00e3o dos disc\u00edpulos. Nas terras de Tiro e Sidom, aconteceram encontros com doentes (mulher, surdo, gago). Jesus qualificou a miss\u00e3o. Ensinou e curou. Os disc\u00edpulos se animaram. Os fariseus reapareceram. Pediram um sinal do c\u00e9u (Mc 7.11). Mas Jesus n\u00e3o lhes deu sinal. E afirmou que \u201cesta gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e1 nenhum sinal\u201d, Mc 8.12. Jesus alertou os seus sobre o fermento dos fariseus. Os fariseus e os saduceus viviam em torno de Jesus, n\u00e3o para aprender os seus ensinamentos, mas para terem uma oportunidade de acusar, prender e conden\u00e1-lo. Parece que Jesus se refere ao fermento da hipocrisia. Foi para Betsaida. Encontrou um cego que implorou que lhe tocasse. Atendido, Jesus recomendou que ele n\u00e3o entrasse na aldeia, mas fosse para sua casa.<\/p>\n<p>No caminho para as aldeias de Cesareia, Jesus faz uma pesquisa de opini\u00e3o. Pergunta sobre as narrativas populares:\u00a0 \u201cQue dizem as pessoas que sou eu?\u201d. Mc 8.27. As respostas dos disc\u00edpulos s\u00e3o: \u201cJo\u00e3o Batista, Elias, um dos profetas\u201d. \u00a0E Jesus faz a pergunta derradeira: \u201cE voc\u00eas, quem voc\u00eas dizem que sou eu? Resposta de Pedro: \u201cTu \u00e9s o Cristo? \u201d, Mc. 8.29. Tudo estava bem, sob controle. Na zona de conforte.\u00a0 Assim, junto a Jesus poderoso e glorioso, os disc\u00edpulos nada temem. E est\u00e3o bem satisfeitos.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o haviam entendido que essa seguran\u00e7a que viviam n\u00e3o estava na dimens\u00e3o de Deus. No caminho para Jerusal\u00e9m, Jesus informa e ensina. Narra sobre sua pris\u00e3o, rejei\u00e7\u00e3o, sofrimento, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o.\u00a0 No entendimento dos disc\u00edpulos, Jesus estaria mudando a narrativa. Ele teria condi\u00e7\u00f5es para n\u00e3o permitir que isso aconte\u00e7a, isto \u00e9, \u201c&#8230; que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anci\u00e3os, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de tr\u00eas dias, ressuscitasse\u201d (Mc 8.31). A narrativa n\u00e3o est\u00e1 de acordo com suas pretens\u00f5es de poder. Nesse momento Pedro, o l\u00edder do grupo, se indigna. E adverte Jesus. Chamando-o \u00e0 parte, ao lado, o repreende. Diz que isso n\u00e3o vai lhe acontecer. \u201cTenha compaix\u00e3o de ti, Senhor. Isso de modo nenhum vai te acontecer\u201d (Mt 16.22). Talvez os disc\u00edpulos nem estivessem preocupados com conforto, uma vida est\u00e1vel. Mas pensavam que Jesus n\u00e3o teria necessidade de passar por sofrimentos, dores e morte. \u00a0No entanto, Jesus reprova, categoricamente, seus disc\u00edpulos. As palavras de Jesus contra a Pedro s\u00e3o duras: \u201cArreda, Satan\u00e1s. Tu n\u00e3o cogitas das coisas de Deus, mas das dos homens\u201d (Mc 8.33). Pedro foi o pacato amigo de Jesus. Ele apresentava passividade e indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dores e sofrimentos. Expressa-se assim: por que o que caminho da cruz, se tu podes curar doentes, saciar a fome, desarmar teus advers\u00e1rios com bons argumentos? Tudo podes tu. N\u00e3o caiam nesse caminho da cruz\u201d.\u00a0 Por\u00e9m, Jesus tem outro entendimento.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre dif\u00edcil entender a posi\u00e7\u00e3o de pessoas, como a de Pedro, diante das dores e dos sofrimentos. \u00a0Ele foi o principal presb\u00edtero de Jesus. A decep\u00e7\u00e3o com ele foi profunda ao ponto de Jesus ver nas suas palavras cogita\u00e7\u00e3o de satan\u00e1s. Diante dessa not\u00edcia, o mesmo Pedro que pouco antes, com clareza e convic\u00e7\u00e3o, confessara que Jesus era o enviado Filho de Deus, contraria o Cristo. Esse mesmo Pedro, ap\u00f3s ouvir de Jesus o an\u00fancio de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o e como sofreria nas m\u00e3os das lideran\u00e7as religiosas e dos romanos, chamou Jesus para o lado e o repreendeu pela declara\u00e7\u00e3o feita. Buscou convenc\u00ea-lo do contr\u00e1rio. O ap\u00f3stolo colocou em d\u00favida a declara\u00e7\u00e3o de Jesus e os prop\u00f3sitos de Deus para o Filho amado e a humanidade. A manifesta\u00e7\u00e3o de Pedro representa, aos seus olhos, uma esp\u00e9cie de consolo e encorajamento. Era um incentivo para que Jesus prosseguisse, indefinidamente, o seu minist\u00e9rio bem-sucedido, vitorioso, apesar da oposi\u00e7\u00e3o. O ap\u00f3stolo havia se acostumado tanto com a presen\u00e7a preciosa de Jesus que se achou na condi\u00e7\u00e3o de lhe sugerir um novo posicionamento ministerial. Por\u00e9m, o caminho da cruz era necess\u00e1rio. Pedro queria vit\u00f3ria sem sofrimento. Por todo o bem que havia feito, o Senhor Jesus n\u00e3o merecia terminar os seus dias desse modo. Pedro estava na contram\u00e3o das Escrituras. Ele n\u00e3o entendeu, nem compreendeu as dores humanas e as de Jesus. A maioria das pessoas exclui o sofrimento de suas vidas com pensamento positivo, achando que sempre se pode dar um jeito. \u00c9 um jeitinho que Pedro cogita para Jesus. \u00a0Segundo Bonhoeffer \u00a0\u201c[&#8230;] h\u00e1 uma espantosa incapacidade da maioria das pessoas para uma a\u00e7\u00e3o preventiva de qualquer tipo \u2013 cada uma continua acreditando que vai escapar do perigo at\u00e9 que acaba sendo tarde demais; e h\u00e1 uma enorme insensibilidade diante do sofrimento alheio\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. A recusa de Pedro em aceitar o caminho da cruz de Jesus Cristo, significa, tamb\u00e9m, em se negar a se capacitar para ser solid\u00e1rio com as pessoas que sofrem. Em outras palavras, n\u00e3o amar, incondicionalmente, a Deus e \u00e0s outras pessoas.<\/p>\n<p>Jesus diz \u00e0 multid\u00e3o que se candidatava para ser disc\u00edpulo: \u201cSe algu\u00e9m quer vir ap\u00f3s mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me\u201d (Mc 8.34b). \u00a0Seguir a Jesus, ser seu disc\u00edpulo, requer vis\u00e3o de vida, vis\u00e3o do sofrimento, amor, trilhar o dif\u00edcil caminho da cruz. Este \u00e9 o convite que Jesus nos faz. Cabe a n\u00f3s aceit\u00e1-lo ou rejeit\u00e1-lo. Se reconhecermos que Jesus \u00e9 o \u201cO Cristo (Mc 8.29b)\u201d, ent\u00e3o ele deve ocupar lugar em nossa vida, mente e cora\u00e7\u00e3o. Nosso pensar e agir devem estar focado nele. E de seus substitutos na sociedade, ou seja, \u201c[&#8230;] os pequenos irm\u00e3os[..]\u201d (Mt 25.40b) de Jesus Cristo, ou seja, o povo que sofre.\u00a0 \u00a0\u00c9 para isso que Ele indica, quando afirma: \u201c Quem quiser, pois, salvar a sua vida perd\u00ea-la-\u00e1; e quem perder a sua vida por mim e do Evangelho salv\u00e1-la-\u00e1\u201d (Mc 8.35). Mais: \u201cO que adianta algu\u00e9m ganhar o mundo inteiro, mas perder a vida? \u201d (Marcos 8.36). Qual \u00e9 o valor da vida? Dias mais, dias menos nos confrontaremos com essa pergunta. E qual ser\u00e1 a resposta que daremos? Tentaremos valoriz\u00e1-la com as nossas conquistas? Pode ser que tenhamos sucesso em nossos empreendimentos, mas o vazio existencial provocado pela trag\u00e9dia do pecado que nos afastou de Deus e do pr\u00f3ximo n\u00e3o ser\u00e1 preenchido. Talvez at\u00e9 l\u00e1 tenha se ido o nosso tempo, a fam\u00edlia, a sa\u00fade e ficado apenas o amargo sentimento de que o tempo passou e desgastou da vida.<\/p>\n<p>O sofrimento e as dores n\u00e3o s\u00e3o perif\u00e9ricos ou ignorados por Jesus. Para Bonhoeffer, o tema do sofrimento \u00e9 centro da miss\u00e3o e a pr\u00e1tica teol\u00f3gica. \u201cTemos de aprender a olhar as pessoas menos pelo que fazem e deixam de fazer e mais pelo que sofrem. A \u00fanica rela\u00e7\u00e3o fecunda com as pessoas- e especialmente com as fracas &#8211; \u00e9 o amor, isto \u00e9, a vontade de ter comunh\u00e3o com elas. O pr\u00f3prio Deus n\u00e3o desprezou os seres humanos, mas tornou-se ser humano por causa delas\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Ent\u00e3o, por amor \u00e0 humanidade ca\u00edda Jesus Cristo foi conduzido \u00e0 cruz, sofreu cal\u00fanias,\u00a0 foi preso e morto. Foi por amor que Deus ressuscitou-o entre os mortos. Por amor, Deus deseja contar conosco e com os outras e as outras no seu governo de perd\u00e3o, vida e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fermento dos fariseus sempre ronda a comunidade (Mc 8.15). E faz estragos profundos. Veja a hist\u00f3ria: bem antigamente, numa vila pouco habitada, um cachorro estava amarrado com uma corda numa \u00e1rvore. Ent\u00e3o, veio o tentador, qual Pedro se aproximou de Jesus (Mc 8.32b). Ele era amigo do dono do cachorro.\u00a0 E soltou o canino. O mesmo saiu a caminhar pelas estradas. Entrou num cercado onde havia galinhas poedeiras. Atacou e matou as galinhas. Comeu os ovos.\u00a0 A mulher do s\u00edtio, vendo tudo destru\u00eddo, pegou a arma e matou o cachorro. O dono do cachorro, quando chegou em casa, vendo o animal morto, matou a mulher do s\u00edtio. O marido dela, quando chegou em casa, matou o dono do cachorro. Os filhos do dono do cachorro se uniram, queimaram a casa e os cercados onde estavam os animais da fam\u00edlia. Ent\u00e3o, chegou algu\u00e9m e disse ao tentador que soltou o cachorro: viu o que voc\u00ea fez? Mas ele respondeu: A culpa n\u00e3o \u00e9 minha. Eu n\u00e3o fiz nada. Eu somente soltei o cachorro. O resto foi a maldade humana que fez. E assim, o tentador seduz para matar e destruir, mas n\u00e3o assume seus erros.<\/p>\n<p>Neste tempo na quaresma, Deus quer nos libertar da indiferen\u00e7a, da neglig\u00eancia, da vingan\u00e7a. O sofrimento de Cristo se encontra com o sofrimento humano. Em tempos recentes as dores humanas s\u00e3o provocadas pela pandemia com milh\u00f5es de pessoas infectadas. E tamb\u00e9m, milh\u00f5es de mortos. Aumenta o abismo entre ricos e pobres. Aumenta o consumismo. Aumenta a indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dores do mundo. A viol\u00eancia contra mulheres, crian\u00e7as, jovens, especialmente, negros expressam a morte e a indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida. \u00a0A crise sanit\u00e1ria nos educa para a percep\u00e7\u00e3o da fragilidade humana, da natureza, das \u00e1guas, das coisas, das rela\u00e7\u00f5es, do amor. Onde estamos? Quem somos? Onde queremos ir? Onde chegaremos?<\/p>\n<p>No tempo da quaresma, prop\u00f5e-se jejum. \u00c9 o amor que significa a vontade de lutar junto com quem est\u00e1 sofrendo e apoiando em solidariedade os povos empobrecidos, doentes, idosos, crian\u00e7as. O jejum que Deus espera \u00e9 praticar a solidariedade, o amor, o cuidado dos sofredores e das sofredoras, a justi\u00e7a.\u00a0 S\u00e3o as coisas de Deus que estamos sendo chamados para cogitar. Nesse tempo, estamos sendo colocados diante da realidade do sofrimento. At\u00e9 onde o amor nos conduz? Decisivo para a vida, f\u00e9 e esperan\u00e7a \u00e9 o chamado de Deus. No amor, na quaresma nos encontramos com Deus e o povo na P\u00e1scoa de Jesus.<\/p>\n<p>A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: <strong>Este \u00e9 meu Filho amado; a Ele ouvi<\/strong> (Mc 9.7). Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Pas. Teobaldo Witter<\/p>\n<p>Cuiab\u00e1-Mato Grosso, Brasilien<\/p>\n<p><a href=\"mailto:maninha.pancinha@hotmail.com\">maninha.pancinha@hotmail.com<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> BONHOEFFER, Dietrich. Resist\u00eancia e Submiss\u00e3o: Cartas e anota\u00e7\u00f5es escritas na pris\u00e3o. S\u00e3o Leopoldo, RS: Sinodal&amp;EST, 2003, p. 39.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> BONHOEFFER, 2003, p.35.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcos 8.31-38 | 28 de fevereiro de 2021 | Teobaldo Witter | Texto b\u00edblico: Marcos 8.31-38 E disse-lhes Jesus: \u2018tende f\u00e9 em Deus\u2019 (Mc 11.22b). Estava tudo muito bom. 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