{"id":4698,"date":"2021-03-24T20:50:46","date_gmt":"2021-03-24T19:50:46","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=4698"},"modified":"2021-03-24T20:52:43","modified_gmt":"2021-03-24T19:52:43","slug":"domingo-de-ramos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/domingo-de-ramos-2\/","title":{"rendered":"DOMINGO DE RAMOS"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA O DOMINGO DE RAMOS \u2013 28 DE MAR\u00c7O DE 2021. | Texto b\u00edblico: <strong>\u00a0<\/strong>Jo\u00e3o 12.12-16 |\u00a0Nilo Orlando Christmann |<\/h3>\n<p>Estimados irm\u00e3os e estimadas irm\u00e3s!<\/p>\n<p>Que a gra\u00e7a do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, o Pai, e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Em algumas vertentes da religiosidade popular brasileira o tempo de Quaresma ou Paix\u00e3o termina na Sexta-feira Santa com a encena\u00e7\u00e3o da crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus e a malha\u00e7\u00e3o de Judas. Afinal, como \u00e9 da caracter\u00edstica humana, algu\u00e9m (outro) precisa ser o culpado. O que mais chama a aten\u00e7\u00e3o, contudo, nessa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 a quase aus\u00eancia da P\u00e1scoa. A festa da ressurrei\u00e7\u00e3o fica esquecida. Para alguns estudiosos do fen\u00f4meno, a realidade sofrida de muita gente se imp\u00f5e. A grande not\u00edcia da vit\u00f3ria sobre a morte fica em segundo plano.<\/p>\n<p>Nas comunidades de tradi\u00e7\u00e3o luterana isso \u00e9 diferente, ao menos, tomando o Brasil como refer\u00eancia. A celebra\u00e7\u00e3o da P\u00e1scoa tamb\u00e9m \u00e9 valorizada. Na comunidade onde sou pastor e em outras em que j\u00e1 estive, \u00a0o culto da P\u00e1scoa ocorre \u00e0s 6 da manh\u00e3, seguido de um caf\u00e9 compartilhado. A alegria e a comunh\u00e3o se manifestam intensamente. Entretanto, hoje, neste Domingo de Ramos de 2021, como olhamos para a Sexta-Feira da Paix\u00e3o e a P\u00e1scoa que se aproximam? Conseguimos vislumbrar a alegria da P\u00e1scoa ou vamos \u201cestacionar\u201d na crucifica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O relato b\u00edblico previsto para este Domingo de Ramos est\u00e1 envolto nos preparativos de Jerusal\u00e9m para a grande festa da P\u00e1scoa, que aconteceria dali a uma semana. O povo de Deus peregrina, em grande n\u00famero, fazendo longas viagens e caminhadas para poder participar. Afinal, mesmo tanto tempo depois, ainda era preciso celebrar e festejar a liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Egito, mantendo viva a mem\u00f3ria e igualmente a esperan\u00e7a de que liberta\u00e7\u00e3o semelhante pudesse acontecer em rela\u00e7\u00e3o ao dom\u00ednio romano. Muitos alimentavam a expectativa pela vinda de algu\u00e9m que pudesse, \u00a0em nome de Deus, anunciar esse novo tempo.<\/p>\n<p>E eis que neste domingo, n\u00e3o por acaso, tamb\u00e9m Jesus chega a Jerusal\u00e9m. J\u00e1 n\u00e3o se tratava de um desconhecido. A sua fama tinha se espalhado, alimentando a esperan\u00e7a de muita gente e preocupando outros, em especial, as lideran\u00e7as religiosas e pol\u00edticas. A recente ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro por Jesus, narrada no Evangelho de Jo\u00e3o, s\u00f3 fez crescer a admira\u00e7\u00e3o de seguidores e simpatizantes e, na mesma propor\u00e7\u00e3o, fez crescer a inquieta\u00e7\u00e3o e os planos para silenci\u00e1-lo. Na reuni\u00e3o dos fariseus e dos chefes dos sacerdotes com o Conselho Superior, a pergunta tinha sido de clara preocupa\u00e7\u00e3o: \u201cO que vamos fazer? Esse homem est\u00e1 fazendo muitos milagres. Se deixarmos que ele continue fazendo essas coisas, todos v\u00e3o crer nele\u201d (Jo 11.47-48).<\/p>\n<p>A entrada de Jesus em Jerusal\u00e9m \u00e9 tida como triunfal. Foi um grande momento. Ele \u00e9 acolhido pela multid\u00e3o. O clima \u00e9 de festa e esperan\u00e7a. Os ramos de palmeira no caminho sinalizavam a honraria e o reconhecimento. Mais do que isso, entendeu-se que aquele homem n\u00e3o vinha por decis\u00e3o pr\u00f3pria. Era algu\u00e9m enviado por Deus. Afinal, quem pode ressuscitar algu\u00e9m que j\u00e1 estava morto h\u00e1 quatro dias, assim como ocorreu com L\u00e1zaro? E, por isso, o povo canta o refr\u00e3o: \u201cHosana a Deus! Que Deus aben\u00e7oe aquele que vem em nome do Senhor! Que Deus aben\u00e7oe o Rei de Israel!\u201d (v. 13).<\/p>\n<p>Interessante perceber neste texto dois aspectos importantes. O primeiro deles \u00e9 a aparente aus\u00eancia daqueles que tinham decidido que aquele homem j\u00e1 tinha ido longe demais e come\u00e7ava a incomodar. Mas, mesmo que n\u00e3o estejam citados, podemos imaginar homens \u00e0 espreita ou disfar\u00e7ados na multid\u00e3o para depois relatar aos l\u00edderes religiosos o que tinham visto e ouvido. Essas eram informa\u00e7\u00f5es importantes para os estrategistas da morte.<\/p>\n<p>O segundo aspecto a ser percebido s\u00e3o as expectativas presentes entre aqueles que faziam a acolhida calorosa. Podemos imaginar na multid\u00e3o pessoas agradecidas por algum milagre realizado por Jesus na sua vida ou da sua fam\u00edlia. Havia tamb\u00e9m, \u00a0com certeza, os\u00a0 que estavam encantados com a mensagem daquele homem e por isso o seguiam. Outras pessoas simplesmente entraram na onda do momento, porque sempre \u00e9 mais f\u00e1cil navegar na dire\u00e7\u00e3o em que o vento sopra mais forte. Outros tantos ou quase todos alimentavam a esperan\u00e7a que Jesus seria aquele que, a exemplo do rei Davi, de fato se tornaria o rei do povo, instalando um governo justo e devolvendo o orgulho e a autonomia para Israel. Basta de pagar pesados impostos e de viver sob o jugo do Imp\u00e9rio Romano!<\/p>\n<p>Parece que, em meio a isso tudo e levados pela emo\u00e7\u00e3o do momento, poucos ou ningu\u00e9m percebeu que havia algo errado. Que rei \u00e9 esse que vai para o centro do poder religioso e pol\u00edtico montado num jumentinho? Seria o equivalente para n\u00f3s de estarmos esperando uma pessoa muito importante vir num carro reluzente, e o sujeito aparece montado numa bicicleta velha. Para um rei que se dignasse ou que quisesse desafiar algu\u00e9m caberia ter, ao menos, um cavalo como montaria, expressando poder e for\u00e7a. Caberia por \u00f3bvio portar uma espada para enfrentar quem ousasse det\u00ea-lo. No entanto, nessa aparente contradi\u00e7\u00e3o, se confirmavam as escrituras que j\u00e1 diziam: \u201cPovo de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o tenha medo! Veja! A\u00ed vem o seu Rei, montado num jumentinho!\u201d (v. 15).<\/p>\n<p>Por mais estranho que fosse, tudo era muito coerente. Aquele que nasceu humilde na estrebaria; que viveu na simplicidade; que pregou a paz, a justi\u00e7a e a miseric\u00f3rdia; que desafiou poderosos apenas com palavras; que teve olhar diferenciado para pessoas simples e exclu\u00eddas&#8230; \u00c9 esse que agora entra em Jerusal\u00e9m para manifestar o poder de Deus, poder que se manifesta na aparente fraqueza. Se o cavalo era o s\u00edmbolo da for\u00e7a, o jumentinho era o s\u00edmbolo do servi\u00e7o. Tudo a ver com Jesus. Afinal, o pr\u00f3prio Jesus j\u00e1 tinha dito: \u201cO Filho do Homem n\u00e3o veio para ser servido, mas para servir&#8230;\u201d (Mc 10.45). E, por isso, mesmo sabendo de tudo o que aconteceu nos dias seguintes, cala fundo o cumprimento da profecia: \u201cPovo de Jerusal\u00e9m, n\u00e3o tenha medo!\u201d Palavra que ecoa nas Escrituras Sagradas e \u00e9 anunciada nesse Domingo de Ramos para n\u00f3s: \u201cPovo de Deus, povo de Jesus Cristo, n\u00e3o tenha medo\u201d.<\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o se trata de consolo barato. \u00c9 esse \u201cn\u00e3o temas\u201d e apenas esse que nos ajuda a olhar para a realidade com a necess\u00e1ria coragem, sem ignor\u00e1-la. \u00c9 esse \u201cn\u00e3o temas\u201d que n\u00e3o minimiza a dor de milhares de pessoas nesse que \u00e9 o pior momento da pandemia em nosso pa\u00eds. \u00c9 esse \u201cn\u00e3o temas\u201d e apenas esse que haver\u00e1 de nos ajudar a fazer a parte que nos cabe, no cuidado, na empatia e na solidariedade. \u00c9 esse \u201cn\u00e3o temas\u201d e apenas esse que vai nos fazer refletir profundamente na Sexta-feira Santa que se aproxima. \u00c9 esse \u201cn\u00e3o temas\u201d e apenas esse que nos far\u00e1 celebrar a P\u00e1scoa, n\u00e3o com a alegria de outros anos, mas com a serenidade que Deus presenteia aos seus filhos e filhas mesmo em tempos sombrios. \u201cEm tuas m\u00e3os, \u00f3 Senhor, sempre estamos. Sempre estamos, Senhor. Sempre estamos\u201d.<\/p>\n<p>Que assim seja e que Deus nos ajude.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>P. Nilo Orlando Christmann<\/p>\n<p>Blumenau \u2013 Santa Catarina, Brasilien<\/p>\n<p><a href=\"mailto:niloch@uol.com.br\">niloch@uol.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O DOMINGO DE RAMOS \u2013 28 DE MAR\u00c7O DE 2021. | Texto b\u00edblico: \u00a0Jo\u00e3o 12.12-16 |\u00a0Nilo Orlando Christmann | Estimados irm\u00e3os e estimadas irm\u00e3s! Que a gra\u00e7a do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, o Pai, e a comunh\u00e3o do Esp\u00edrito Santo estejam com todos n\u00f3s. 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