{"id":4892,"date":"2021-04-13T21:41:21","date_gmt":"2021-04-13T19:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=4892"},"modified":"2021-04-13T21:41:21","modified_gmt":"2021-04-13T19:41:21","slug":"3o-domngo-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/3o-domngo-da-pascoa\/","title":{"rendered":"3\u00ba DOMNGO DA P\u00c1SCOA"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA 3\u00ba DOMNGO DA P\u00c1SCOA \u2013 18 DE ABRIL DE 2021 | Texto b\u00edblico: Lucas 24, 36b \u2013 48 | Harald Malschitzky |<\/h3>\n<p>Querida comunidade.<\/p>\n<p>Voltemos no tempo; tentemos fazer de conta que nada sabemos da P\u00e1scoa; fa\u00e7amos de conta de que a \u00faltima not\u00edcia que temos do nosso maior amigo e mestre Jesus \u00e9 de algu\u00e9m executado\u00a0 como pessoa perigosa tanto para os l\u00edderes judeus como para l\u00edderes romanos que, de alguma forma temiam que ele poderia estar tramando algum golpe. \u00a0Para os executores o fim de uma suposta amea\u00e7a, para os amigos e seguidores, chamados disc\u00edpulos e disc\u00edpulas \u2013 \u00e9 havia muitas mulheres no grupo! \u2013 uma grande decep\u00e7\u00e3o! Havia tantas esperan\u00e7as, havia\u00a0 uma hist\u00f3ria \u2013 curta, \u00e9 verdade \u2013 de relacionamentos radicalmente novos, onde o ser humano era respeitado pelo simples fato de ser criatura de Deus e n\u00e3o por suas posses, sua sabedoria, sua esperteza ou o poder que exercia. Uma coisa totalmente inacredit\u00e1vel no mundo que se vivia, este mundo cheio de preconceitos, cheio de \u201cmais iguais\u201d, cheio de miser\u00e1veis e desprezados \u2013 agora, aquele que inaugurou essa novidade morreu executado do jeito que nem o pior bandido romano deveria ser executado!<\/p>\n<p>Acho que ao menos\u00a0 conseguimos sentir um pouco da decep\u00e7\u00e3o que esses amigos estavam sentindo. Para piorar, entrou em vigor uma lei que proibia o uso ou men\u00e7\u00e3o do nome do Nazareno. Um pequeno grupo continuou reunido, meio acuado, outros sa\u00edram em busca de outro destino. \u00c9 verdade que algumas mulheres vieram contar que Jesus estava vivo e que ele tinha mandado um recado aos seus amigos. Mas a\u00ed j\u00e1 surgiu um novo problema: Naquela \u00e9poca (s\u00f3 naquela?) uma mulher n\u00e3o podia depor em ju\u00edzo ou outro lugar. Sua palavra simplesmente n\u00e3o valia nada! Embora as mulheres pertencessem ao grupo dos disc\u00edpulos\/as, amigos\/as de Jesus, seu depoimento estava \u201csob suspeita\u201d simplesmente pelo fato de serem mulheres. \u00a0Sem d\u00favida tamb\u00e9m entre os disc\u00edpulos esse senso comum deixava suas marcas. E tem ainda a outra cena, passagem muito bonita, \u00a0dos disc\u00edpulos que iam embora e foram alcan\u00e7ados por Jesus, mas n\u00e3o o reconheceram. Quando os seus olhos lhes foram abertos e reconheceram a Jesus, voltaram para Jerusal\u00e9m. A\u00ed estavam os demais disc\u00edpulos ainda desarrumados com a morte de Jesus, as mulheres que contaram o que viram, mas n\u00e3o foram tomadas a s\u00e9rio&#8230; Quem toma a palavra \u00e9 o pr\u00f3prio visitante: Paz seja convosco! Os disc\u00edpulos ficam apavorados, pensando que estavam vendo algum esp\u00edrito. Foi preciso que Jesus se identificasse \u2013 como anteriormente aos que iam a Ema\u00fas &#8211;\u00a0\u00a0 de forma muito humana, pedindo alguma coisa de comer, para em seguida lembrar o que j\u00e1 lhes havia falado sobre seu caminho para o perd\u00e3o dos pecados humanos. E pela a\u00e7\u00e3o e presen\u00e7a \u00a0de Jesus, o vivo, eles foram sendo transformados de medrosos e assustados em testemunhas da novidade de vida e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Na verdade n\u00f3s hoje n\u00e3o estamos t\u00e3o distantes desse cen\u00e1rio. O sofrimento e a crucifica\u00e7\u00e3o de Jesus s\u00e3o humanamente imagin\u00e1veis. Historiadores desde os prim\u00f3rdios de nosso calend\u00e1rio o atestam. Mas falar da ressurrei\u00e7\u00e3o j\u00e1 foge aos crit\u00e9rios verific\u00e1veis de historiadores e de nossa pura e simples racionalidade. E a hist\u00f3ria da teologia de dois mil\u00eanios \u00e9 marcada pelos tra\u00e7os da busca dessa compreens\u00e3o. Para grande parte n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil seguir as pegadas do nazareno, ainda que a gente nem sempre concorde com ele e nem se esteja disposto de com ele caminhar at\u00e9 o fim. Quanta gente em nosso pa\u00eds invoca Jesus, mas maquina o \u00f3dio, \u00e9 a favor de armar a popula\u00e7\u00e3o e divide o povo entre amigos e inimigos? Isso n\u00e3o se sustenta no que o Nazareno ensinou! Nem todos os que exclamam Senhor, Senhor, entrar\u00e3o no reino dos c\u00e9us, significa, n\u00e3o est\u00e3o vivendo j\u00e1 aqui e agora a vontade do Nazareno!<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 \u201cadoradores\u201d que preferem deixar o ressurreto no c\u00e9u, confinado a igrejas e catedrais. A gente o reverencia em determinados momentos mais como um \u00eddolo de religiosidade difusa, sem maiores consequ\u00eancias para a vida cotidiana. Aqui vale lembrar a voz que os disc\u00edpulos ouviram no momento da transfigura\u00e7\u00e3o (Lucas 9.28s), quando eles propuseram construir tendas, pois \u201c\u00e9 bom estarmos aqui\u201d, a voz que deu outro rumo \u00e0s suas vidas: \u201cEste \u00e9 o meu Filho, o meu eleito, a ele ouvi\u201d.<\/p>\n<p>A passagem que ouvimos une magistralmente as duas imagens que muitas vezes se t\u00eam de Jesus: O ressurreto, que at\u00e9 foi tido como um fantasma por seus amigos, \u00e9 o mesmo Jesus de Nazar\u00e9 com quem conviveram, discutiram e que nem sempre compreenderam.<\/p>\n<p>Isso significa que n\u00e3o podemos ter apenas uma das imagens de Jesus. Ele \u00e9 um todo e a partir da ressurrei\u00e7\u00e3o suas palavras e sua viv\u00eancia t\u00eam car\u00e1ter definitivo. Ser crist\u00e3o \u00e9 adorar, ouvir e se deixar p\u00f4r em d\u00favida pelo Cristo todo. \u00a0Ningu\u00e9m \u00e9 dono do Cristo. Por isso falar de um pa\u00eds crist\u00e3o como se ouve por a\u00ed, \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 temer\u00e1rio, mas blasfemo. Jesus quer sentar-se \u00e0 nossa mesa, ter comunh\u00e3o n\u00e3o para confirmar o que n\u00f3s pensamos, mas para confirmar a sua miss\u00e3o, a raz\u00e3o de sua vinda, a novidade de vida que ele veio inaugurar e que temos tanta dificuldade de aceitar, porque o velho Ad\u00e3o em n\u00f3s n\u00e3o quer arrependimento e nem perd\u00e3o, porque receber o perd\u00e3o implica em arrependimento e mudan\u00e7a de vida. Pe\u00e7amos que Jesus, o Cristo, entre sempre de novo em nossas portas com a sauda\u00e7\u00e3o: \u201cPaz seja convosco\u201d, aquela paz que n\u00e3o se sustenta com armas, mas concede plenitude de vida a todas as criaturas. O amor e a paz de Deus estejam e permane\u00e7am conosco. Am\u00e9m<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>P.em. Harald Malschitzky<\/p>\n<p>S\u00e3o Lepoldo \u2013 Rio Grande do Sul, Brasilien<\/p>\n<p>harald.malschitzky@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA 3\u00ba DOMNGO DA P\u00c1SCOA \u2013 18 DE ABRIL DE 2021 | Texto b\u00edblico: Lucas 24, 36b \u2013 48 | Harald Malschitzky | Querida comunidade. 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