{"id":5120,"date":"2021-05-13T15:44:32","date_gmt":"2021-05-13T13:44:32","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=5120"},"modified":"2021-05-13T15:48:42","modified_gmt":"2021-05-13T13:48:42","slug":"7o-domingo-da-pascoa-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/7o-domingo-da-pascoa-2\/","title":{"rendered":"7\u00ba DOMINGO DA P\u00c1SCOA"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA O 7\u00ba DOMINGO DA P\u00c1SCOA | 16 de maio de 2021 |\u00a0Texto b\u00edblico: 1 Jo\u00e3o 5.9-13 |\u00a0 Renato K\u00fcntzer |<\/h3>\n<p>Paz e bem!<\/p>\n<p>Aceitar o testemunho de pessoas ou o testemunho de Deus? Esse \u00e9 o tema central da carta escrita para uma comunidade ou leitores espec\u00edficos e com problemas pontuais, mas tem, ao mesmo tempo, a caracter\u00edstica de ser uma mensagem v\u00e1lida em qualquer tempo e lugar. Sua origem provavelmente foi em \u00c9feso, na \u00c1sia Menor, por volta do ano 100. Seu objetivo \u00e9 auxiliar as comunidades a retomarem o testemunho da afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9: \u00a0Deus se fez humano (1 Jo\u00e3o 1.1-3) em Jesus Cristo<\/p>\n<p>Como uma imagem importante, para ser adequadamente apreciada e entendida, necessita de moldura e torne-se um quadro atrativo aos olhos, assim os textos anteriores e posteriores, ajudam a entender essa parte da carta que temos em vista, para que n\u00e3o fa\u00e7amos uma interpreta\u00e7\u00e3o alheia \u00e0s suas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o que cerca nosso texto envolve o tema de um caminhar na luz. Deus \u00e9 luz. Portanto h\u00e1 um caminhar orientado por Deus, na vida de Jesus, e que culmina com a experiencia de comunh\u00e3o com as outras pessoas. H\u00e1 tamb\u00e9m um caminhar nas trevas, que n\u00e3o \u00e9 de Deus. Esse caminhar baseia-se na mentira e na falta da verdade. Assim quem ama o seu irm\u00e3o e a sua irm\u00e3, permanece na luz e nele n\u00e3o h\u00e1 trope\u00e7o. Quem odeia o seu irm\u00e3o e a sua irm\u00e3, caminha nas trevas e n\u00e3o sabe aonde vai. Essa discuss\u00e3o \u00e9 a moldura que envolve a comunidade concreta, de pessoas empobrecidas e marginalizadas, que se torna um espa\u00e7o de acolhida, comunh\u00e3o e amor, por andar na luz. \u00a0Assim o agir solid\u00e1rio e amoroso de Jesus em favor dos mais fracos e marginalizados \u00e9 testemunhado no agir da comunidade. Isso n\u00e3o isenta essa comunidade pequena e fr\u00e1gil de estar envolvida em um conflito que provocava divis\u00f5es internas.<\/p>\n<p>Havia controv\u00e9rsias quanto ao testemunho de como viver a comunh\u00e3o com Deus e com Jesus. Come\u00e7ava por colocar em d\u00favida a historicidade e a import\u00e2ncia da vida, paix\u00e3o e morte de Jesus na viv\u00eancia da f\u00e9. Havia uma corrente que afirmava que o corpo de Jesus era uma ilus\u00e3o e que sua crucifica\u00e7\u00e3o teria sido s\u00f3 aparente. N\u00e3o conseguiam aceitar Deus crucificado. Outros afirmavam que a revela\u00e7\u00e3o de Deus e a salva\u00e7\u00e3o viriam pelo conhecimento e especula\u00e7\u00e3o intelectual e por revela\u00e7\u00f5es espirituais elevadas, que desvendavam assim o mist\u00e9rio. Nessa conjuntura religiosa era necess\u00e1rio testemunhar que o verdadeiro conhecimento de Deus se d\u00e1 por meio da<\/p>\n<p>vida concreta de Jesus Cristo e da pr\u00e1tica do amor aos irm\u00e3os e irm\u00e3s com gestos e a\u00e7\u00f5es de amor (1 Jo\u00e3o 3.17-18).<\/p>\n<p>O tema \u00e9 dar testemunho. No v.9 aparece a express\u00e3o \u201ctestemunho dos homens\u201d em oposi\u00e7\u00e3o ao \u201ctestemunho de Deus\u201d. Aponta-se para o conflito: um grupo tinha o testemunho dos homens e outro o testemunho de Deus. Envolvida no conflito, a comunidade pr\u00f3xima ao autor da carta, se identifica como quem tem o testemunho de Deus. Essa afirma\u00e7\u00e3o e confirma\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia, do valor e da verdade do testemunho, est\u00e1 baseada no fato de que \u201cEle nos deixou um testemunho de seu Filho\u201d. Aqui est\u00e1 o cerne do testemunho: \u201cO testemunho \u00e9 este: Deus nos deu a vida eterna\u201d. N\u00e3o h\u00e1 nada especulativo ou de uma revela\u00e7\u00e3o espiritual elevada em rela\u00e7\u00e3o ao que seja a vida eterna. \u00c9 bem simples a afirma\u00e7\u00e3o: \u201cEsta vida est\u00e1 em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida e quem n\u00e3o tem o Filho, n\u00e3o tem a vida\u201d (v.11)<\/p>\n<p>Esse testemunho claro e sem rodeios j\u00e1 se encontra no Evangelho de Jo\u00e3o 17.3 quando diz: \u201cora, a vida eterna \u00e9 esta: que eles conhe\u00e7am a ti, o \u00fanico Deus verdadeiro, e aquele que tu enviaste, Jesus Cristo.\u201d Vida eterna \u00e9 o conhecimento de Deus e esse conhecimento \u00e9 testemunhado por um evento e um gesto na hist\u00f3ria, o envio e a presen\u00e7a viva e real de Jesus Cristo. A vida p\u00fablica de Jesus \u00e9 o verdadeiro testemunho que d\u00e1 conhecimento de Deus. Estar em comunh\u00e3o com Deus, testemunhar a Jesus Cristo como Filho de Deus e amar aos irm\u00e3os e irm\u00e3s com gestos e a\u00e7\u00f5es de partilha \u00e9 ter parte na vida eterna, j\u00e1, aqui e agora.<\/p>\n<p>Em Jesus Cristo est\u00e1 o conhecimento de Deus. O amor de Deus manifestado nas a\u00e7\u00f5es concretas de Jesus se d\u00e1 neste mundo. Os crist\u00e3os seguidores de Jesus, a seu exemplo, buscam dar testemunho dessa a\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. O agir de Deus acontece na hist\u00f3ria de seu povo em particular dos pobres e marginalizados. O agir solid\u00e1rio de Deus em favor dos mais fracos tem continuidade no agir da comunidade joanina e entre seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>O texto nos desperta para a urg\u00eancia da pr\u00e1tica do amor como consequ\u00eancia da f\u00e9 e o enfrentamento ao testemunho da mentira.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma hostilidade \u00e0 confiss\u00e3o da f\u00e9 crist\u00e3 e um desvio no v\u00ednculo entre f\u00e9 e amor. Essa hostilidade est\u00e1 presente na falta de compromisso da pr\u00e1tica da justi\u00e7a (3.7,10), ao amor incondicional a outra pessoa (2.9,11; 3.10ss; 4.20) e a ajuda concreta aos pobres (3.17).<\/p>\n<p>O testemunho da verdade \u00e9 urgente e determinante para a exist\u00eancia da comunidade. \u00c9 uma exorta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para os nossos tempos em que, sem constrangimento nenhum, h\u00e1 um testemunho de pessoas e que n\u00e3o \u00e9 o testemunho de Deus, querendo se impor nas narrativas que envolvem o enfrentamento \u00e0 pandemia, ao racismo institucionalizado, ao preconceito di\u00e1rio e \u00e0 viol\u00eancia seletiva. Enfrentar a mentira, que recebeu um nome p\u00f3s-moderno de Fake News, e a defesa intransigente da verdade \u00e9<\/p>\n<p>um compromisso que cabe a comunidade de f\u00e9, seguidora da Jesus. Passou da urg\u00eancia, quando estamos nos aproximando do sacrif\u00edcio de 500 mil vidas, resultado da neglig\u00eancia, do descaso e do negacionismo. Passou do limite da toler\u00e2ncia a interven\u00e7\u00e3o seletiva do Estado quando age de maneira violenta em territ\u00f3rios de popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena. Tomado pelos acontecimentos recentes e em vista de uma hist\u00f3ria mal contada que \u00e9 o da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, identificado como o dia 13 de maio, a rela\u00e7\u00e3o entre pessoas diferentes na cor da pele, cultura, espiritualidade, condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas \u00e9 permeada de preconceitos, julgamentos e viol\u00eancia. S\u00e3o as ra\u00edzes de 350 anos de escravid\u00e3o negra e ind\u00edgena que configurou nossa sociedade, nossas opini\u00f5es, nossos julgamentos de valores e de moral. A promessa de Jesus no dia da ascens\u00e3o, celebrada esse ano no dia 13 de maio, parece ser dita ao vazio quando afirma que \u201cvoc\u00eas receber\u00e3o poder e ser\u00e3o minhas testemunhas\u201d (Atos 1.8). \u00c9 vergonhosa a pol\u00edtica de porteira aberta \u201cpara que a boiada passe\u201d quando se trata da explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria dos recursos naturais, da invas\u00e3o de territ\u00f3rios dos povos ind\u00edgenas e da libera\u00e7\u00e3o sem controle de agrot\u00f3xicos para o lucro do agroneg\u00f3cio local e de empresas multinacionais. \u00c9 inaceit\u00e1vel a naturaliza\u00e7\u00e3o da misoginia e viol\u00eancia di\u00e1ria contra as mulheres, fruto de uma sociedade patriarcal e de uma religiosidade crist\u00e3 fundamentalista.<\/p>\n<p>O testemunho da verdade precisa expor e visibilizar as quest\u00f5es de vida e morte que envolvem o compromisso da f\u00e9 com o amor: \u201caquele que possuir recursos deste mundo e vir o seu irm\u00e3o padecer necessidade e fechar-lhe o cora\u00e7\u00e3o, como pode permanecer nele o amor de Deus?\u201d (3.17). Isso n\u00e3o \u00e9 mera ret\u00f3rica. P\u00f5e o dedo em uma ferida s\u00e9ria da comunidade. Aqui est\u00e1 a sua responsabilidade e a sua identidade quando afirma ser testemunha da verdade. Todas as pessoas se encontram em situa\u00e7\u00e3o de necessidade da radical solidariedade e miseric\u00f3rdia de Deus. Todas as pessoas s\u00e3o, em sua condi\u00e7\u00e3o humana, receptoras indignas da miseric\u00f3rdia de Deus.\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 aqui privil\u00e9gio, vantagem nem m\u00e9rito pessoal. Para Deus n\u00e3o h\u00e1 quem tenha mais valor, raz\u00e3o pela qual a outra pessoa possa estar na condi\u00e7\u00e3o de ser algo, um objeto do qual se possa dispor ou descartar.<\/p>\n<p>\u00c9 no testemunho da verdade que o amor de Deus enxerga necessidades. O amor necessariamente se solidariza com os injusti\u00e7ados, ajuda os mais fracos, defende os exclu\u00eddos da vida digna. O amor d\u00e1 prioridade a quem est\u00e1 em perigo e sofre preju\u00edzo na sua dignidade. O amor de Deus exige como resposta o amor das pessoas entre si.\u00a0 Isso \u00e9 um alto padr\u00e3o de conduta humana. Ainda que a pessoa seja justificada pela f\u00e9 e n\u00e3o por suas boas obras, \u00e9 inimagin\u00e1vel uma f\u00e9 que n\u00e3o se torne ativa no amor.<\/p>\n<p>P. Renato K\u00fcntzer<\/p>\n<p>Boa Vista do Buric\u00e1 \u2013 Rio Grande do Sul, Brasilien<\/p>\n<p>renatok06@hotmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O 7\u00ba DOMINGO DA P\u00c1SCOA | 16 de maio de 2021 |\u00a0Texto b\u00edblico: 1 Jo\u00e3o 5.9-13 |\u00a0 Renato K\u00fcntzer | Paz e bem! Aceitar o testemunho de pessoas ou o testemunho de Deus? Esse \u00e9 o tema central da carta escrita para uma comunidade ou leitores espec\u00edficos e com problemas pontuais, mas tem, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3868,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[56,157,108,741,3,112,109,740],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-5120","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-1-johannes","category-beitragende","category-current","category-kapitel-05-chapter-05-1-johannes","category-nt","category-port","category-predigten","category-renato-kuentzer"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5120","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5120"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5120\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5123,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5120\/revisions\/5123"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3868"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5120"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5120"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5120"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=5120"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=5120"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=5120"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=5120"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}