{"id":5454,"date":"2021-07-15T18:08:34","date_gmt":"2021-07-15T16:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=5454"},"modified":"2021-07-15T18:11:43","modified_gmt":"2021-07-15T16:11:43","slug":"efesios-2-11-22","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/efesios-2-11-22\/","title":{"rendered":"Ef\u00e9sios 2. 11-22"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA\u00a0 O 8 \u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES\u00a0 | 8 de julho de 2021 | Texto b\u00edblico: Ef\u00e9sios 2. 11-22 | Kurt Rieck |<\/h3>\n<p>Outrora<strong> exclu\u00eddo, agora inclu\u00eddo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQue a gra\u00e7a e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com voc\u00eas!\u201d (Ef 2.2)<\/p>\n<p>Essas palavras de sauda\u00e7\u00e3o s\u00e3o um convite para que todos se sintam inclu\u00eddos nesse momento de reflex\u00e3o inspirados no texto da ep\u00edstola aos Ef\u00e9sios cap\u00edtulo 2, vers\u00edculos 11 a 22.<\/p>\n<p>Sermos exclu\u00eddos ou inclu\u00eddos s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es corriqueiras em nossa exist\u00eancia. Em meio \u00e0 pandemia de COVID 19, constantemente estamos sendo informados do n\u00famero de pessoas que j\u00e1 foram inclu\u00eddas na vacina\u00e7\u00e3o. A alegria \u00e9 enorme quando da chegada da sua vez de ser inclu\u00eddo. Redobra a esperan\u00e7a de n\u00e3o ser molestado por esse mal.<\/p>\n<p><strong>Outrora a exclus\u00e3o &#8211; v.11 e 12<\/strong><\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 se sentiu exclu\u00eddo? \u00c9 um sentimento nada agrad\u00e1vel. Ao pensar sobre essa pergunta lembrei-me de quando tinha 13 anos. Fui ao grupo de jovens da igreja para aprender a jogar pingue-pongue. Entrei na roda por duas vezes e depois me exclu\u00edram. Eu jogava muito mal e estragava o jogo dos \u201cbons\u201d. Na oportunidade havia prometido nunca mais p\u00f4r os p\u00e9s naquele grupo que se dizia crist\u00e3o, mas que n\u00e3o era capaz de aceitar algu\u00e9m com as suas limita\u00e7\u00f5es. Hist\u00f3rias de exclus\u00e3o acontecem em todos os segmentos e em todas as faixas et\u00e1rias. Ainda bem que a raiva que senti daqueles que me rejeitaram foi passageira, pois ali onde fui rejeitado, tornou-se espa\u00e7o de vida onde o amor de Deus chegou ao meu encontro e me incluiu.<\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno ocorre frequentemente na esfera religiosa. \u00c9 o que se passa na ep\u00edstola lida. Os judeus desconsideravam os demais povos, chamando-os de gentios na carne, pag\u00e3os, deixando de compartilhar com eles o conhecimento que tinham de Deus. A circuncis\u00e3o era sinal vis\u00edvel da f\u00e9 judaica. Os incircunsisos \u00a0eram considerados pessoas sem Deus, pois lhes faltava o \u201csinal do pacto abra\u00e2mico\u201d.<\/p>\n<p>Desprezar toda uma hist\u00f3ria vivida pelo povo judeu, marcada pela circuncis\u00e3o, negando seu valor institucional, seria cometer o mesmo erro apontado nestes vers\u00edculos. Certamente os judeus fazem parte do povo de Deus. Mas o povo de Deus n\u00e3o se restringe ao antigo estado teocr\u00e1tico de Israel.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o carregamos pesos semelhantes aos do povo judeu? Facilmente nos fechamos em n\u00f3s mesmos. Temos dificuldade de chegar naqueles que se encontram sem rumo, sem Deus.<\/p>\n<p><strong>Agora a Inclus\u00e3o \u2013 v. 13a18<\/strong><\/p>\n<p>Em Cristo iniciou um novo ciclo.Os que outrora eram julgados de estar sem Deus, agora s\u00e3o \u201c&#8230; trazidos para perto dele pela morte de Cristo na cruz\u201d (NTLH). \u201c Men\u00e7\u00e3o semelhante verificamos em Ef\u00e9sios 1.7 que diz: \u201c&#8230; pela morte de Cristo na cruz, n\u00f3s somos libertados, isto \u00e9, os nossos pecados s\u00e3o perdoados\u201d (NTLH).<\/p>\n<p>O que separa as pessoas de Deus \u00e9 o pecado. Cristo na cruz opera a reden\u00e7\u00e3o. Quem nos restaura \u00e9 a gra\u00e7a de Deus. A reden\u00e7\u00e3o tem um pre\u00e7o. O pre\u00e7o apontado no texto \u00e9 o sangue de Cristo. N\u00e3o h\u00e1 valor maior que a pessoa do Messias. No pensamento judaico, a reden\u00e7\u00e3o do povo escravizado no Egito, celebrada na P\u00e1scoa, estava relacionada a um sacrif\u00edcio. \u201cPecado requeria sacrif\u00edcio; \u201csem derramamento de sangue n\u00e3o h\u00e1 remiss\u00e3o\u201d (Lv 17.11, Hb 9.22). \u201cO pecado implica escravid\u00e3o da mente, vontade e membros, ao passo que remiss\u00e3o \u00e9 liberdade, \u00e9 <em>aphesis<\/em>, &#8230; que literalmente significa a soltura de uma pessoa de algo que a prenda. \u201d (Francis Foulkes) A morte de Cristo na cruz \u00e9 o elemento que altera padr\u00f5es.<\/p>\n<p>A morte questiona e nos faz reavaliar a vida. Em meio \u00e0 pandemia, a vacina\u00e7\u00e3o em massa mostra a sua efic\u00e1cia. Semelhante a inquietante busca por uma sa\u00edda contra esse v\u00edrus que espalha a morte, Cristo torna-se a poderosa vacina contra a maldade humana.<\/p>\n<p>Cito o te\u00f3logo V\u00edtor Westhelle:\u00a0 \u201cUma teologia da cruz tem, por assim dizer, um princ\u00edpio alop\u00e1tico em seu cerne; um veneno \u00e9, ao mesmo tempo, um rem\u00e9dio (ambos denotados pelo mesmo termo grego <em>pharmakon<\/em>). \u00c9 em face da morte que a vida \u00e9 uma d\u00e1diva; \u00e9 em face da cruz que a ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 uma palavra de gra\u00e7a; \u00e9 no sofrimento que a salva\u00e7\u00e3o (sa\u00fade) \u00e9 recebida gratuitamente\u201d. Da mesma forma como ocorre com a vacina\u00e7\u00e3o da humanidade, Jesus opera na inclus\u00e3o de todos em favor da vida, concedendo o perd\u00e3o dos pecados, promovendo uma vida santificada.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o \u00e9 tema sempre atual. A Igreja Evang\u00e9lica de Confiss\u00e3o Luterana no Brasil \u00e9 constitucionalmente uma Igreja ecum\u00eanica, que lamentavelmente tamb\u00e9m sofreu cis\u00f5es motivadas por orienta\u00e7\u00e3o de ordem carism\u00e1tica. Respeitamos as igrejas pentecostais, sem a necessidade de precisarmos das suas \u00eanfases. Cada denomina\u00e7\u00e3o deve manter a sua identidade sem desmerecer a forma de ser do outro. As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o fr\u00e1geis, s\u00e3o humanas. Se por desapontamento quisermos criar a institui\u00e7\u00e3o perfeita, certamente a nossa participa\u00e7\u00e3o a tornar\u00e1 imperfeita.<\/p>\n<p>\u201cA obra redentora de Cristo, de reconciliar todas as coisas com Deus, de justificar gratuitamente os pecadores pela media\u00e7\u00e3o da nova alian\u00e7a, est\u00e1 inteiramente contida nesta palavra: Paz \u201d (J.J. von Allmen).<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Igreja: a fam\u00edlia de Deus &#8211; v. 19 a 22<\/strong><\/p>\n<p>A f\u00e9 monote\u00edsta deixa de ser exclusividade dos circuncidados. Estrangeiros e peregrinos, pessoas que eram tratadas com antipatia e desconfian\u00e7a s\u00e3o reclassificadas socialmente. Lhes \u00e9 dada a dignidade de serem membros da fam\u00edlia de Deus.<\/p>\n<p>Brota uma figura de linguagem: um edif\u00edcio. Ele \u00e9 constru\u00eddo. \u00c9 uma obra que se encontra em movimento. Seu alicerce s\u00e3o os ap\u00f3stolos e os profetas. A pedra angular \u00e9 uma: Jesus Cristo. O par\u00e2metro desta constru\u00e7\u00e3o \u00e9 Jesus quem d\u00e1.<\/p>\n<p>Deus espera que sejamos como uma casa, tijolo por tijolo posto em ordem, unidos, juntos, onde Cristo vive por meio de seu Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o somos um amontoado de pedras que n\u00e3o tem vida. Somos vidas que se somam a outras vidas, tornando-se um corpo. \u00c9 preciso se deixar encaixar. \u00c9 preciso querer fazer parte. Os cora\u00e7\u00f5es conquistados por Cristo somar\u00e3o num mesmo prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos uma analogia com a constru\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio chamado Igreja com um quebra cabe\u00e7a, na quantidade de pe\u00e7as que representam o n\u00famero de pessoas que integram a sua comunidade. Entregue uma pe\u00e7a para cada participante. Valorize a import\u00e2ncia de cada parte. Monte o que for poss\u00edvel nessa celebra\u00e7\u00e3o. As pe\u00e7as que ainda n\u00e3o tem seu encaixe aguardar\u00e3o a sua vez. Deixe o desafio para que ao longo de determinado tempo o quebra cabe\u00e7a possa ser constru\u00eddo. Cada pessoa encaixa apenas a sua pe\u00e7a. Exponha num lugar vis\u00edvel, compondo-o, seja nos cultos, seja nos grupos existentes. Cada pe\u00e7a ter\u00e1 seu espa\u00e7o no quebra cabe\u00e7a, tal qual cada membro ser\u00e1 motivado a ocupar o seu espa\u00e7o em sua comunidade. Quanto tempo ser\u00e1 necess\u00e1rio para finalizar este quebra cabe\u00e7a (edif\u00edcio)? Essa din\u00e2mica quer mostrar de forma pl\u00e1stica a import\u00e2ncia de cada um na constru\u00e7\u00e3o do todo de uma comunidade crist\u00e3.<\/p>\n<p>A Igreja tem a oferecer uma palavra que estrutura as pessoas, que faz elas se encontrarem consigo mesmas, que lhes auxilia a chegar \u201cat\u00e9 a presen\u00e7a do Pai\u201d (v.18 NTLH), que faz elas descobrirem o valor da solidariedade, da fraternidade, do amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u201cUbi Christus ibi Ecclesia\u201d. Onde est\u00e1 Cristo ali est\u00e1 a Igreja. A Igreja est\u00e1 para ser morada onde habita o Esp\u00edrito de Cristo e onde todos os que amam a Cristo podem encontrar-se em seu Esp\u00edrito. (William Barclay)<\/p>\n<p>Toda essa reflex\u00e3o converge no terceiro artigo do Credo Apost\u00f3lico que confessa: \u201cCreio no Esp\u00edrito Santo, na santa Igreja crist\u00e3, a comunh\u00e3o dos santos, na remiss\u00e3o dos pecados, na ressurrei\u00e7\u00e3o do corpo e na vida eterna.\u201d<\/p>\n<p>Ser Igreja de Cristo, ser comunidade crist\u00e3: eis o desafio que nunca se encerra. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>P. Kurt Rieck<\/p>\n<p>Porto Alegre \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p><a href=\"mailto:kurtrieck@gmail.com\">kurtrieck@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA\u00a0 O 8 \u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES\u00a0 | 8 de julho de 2021 | Texto b\u00edblico: Ef\u00e9sios 2. 11-22 | Kurt Rieck | Outrora exclu\u00eddo, agora inclu\u00eddo \u201cQue a gra\u00e7a e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com voc\u00eas!\u201d (Ef 2.2) Essas palavras de sauda\u00e7\u00e3o s\u00e3o um convite [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5372,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[45,157,108,769,768,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-5454","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-epheser","category-beitragende","category-current","category-kapitel-02-chapter-02-epheser","category-kurt-rieck","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5454"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5456,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5454\/revisions\/5456"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5372"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5454"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=5454"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=5454"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=5454"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=5454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}