{"id":5497,"date":"2021-07-22T18:16:39","date_gmt":"2021-07-22T16:16:39","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=5497"},"modified":"2021-07-22T18:18:55","modified_gmt":"2021-07-22T16:18:55","slug":"joao-6-1-21","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/joao-6-1-21\/","title":{"rendered":"Jo\u00e3o 6. 1-21"},"content":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O 9\u00b0 DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES\u00a0 | 25 de julho de 2021 | Texto b\u00edblico: Jo\u00e3o 6. 1-21 | Cl\u00e1udio Kupka |<\/p>\n<p>Estamos diante da vers\u00e3o do Evangelho de Jo\u00e3o sobre dois epis\u00f3dios centrais na atua\u00e7\u00e3o de Jesus com seus disc\u00edpulos, o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e o momento quando Jesus anda sobre as \u00e1guas. S\u00e3o dois milagres que acontecem um ap\u00f3s o outro.<\/p>\n<p>Jesus buscou refugiar-se do ass\u00e9dio da multid\u00e3o usando velho recurso da navegar pelo Lago Tiber\u00edades. Mesmo assim, a multid\u00e3o conseguiu alcan\u00e7\u00e1-lo e ele, nesta oportunidade, \u00a0subiu numa parte mais alta e se assentou com os disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, a quest\u00e3o da alimenta\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o se tornou importante. Jesus, em vez de resolver isso de imediato, colocou a quest\u00e3o aos seus disc\u00edpulos. Primeiro a Felipe. Este respondeu segundo uma l\u00f3gica bastante material e at\u00e9 financeira. Ele fez as contas e apresentou o valor necess\u00e1rio: custaria duzentos den\u00e1rios de p\u00e3o para a alimentar a multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Andr\u00e9, por sua vez, informa talvez meio descrente, que h\u00e1 um rapaz oferecendo um lanche de cinco p\u00e3es de cevada e dois peixinhos.<\/p>\n<p>Jesus pede que o povo se assente na relva. Ele segura o alimento ofertado, d\u00e1 gra\u00e7as, e o distribui \u00e0 multid\u00e3o dos cinco mil. O povo come \u00e0 vontade e se farta. \u00c9 dada a ordem que se recolha o que sobrou, para que nada se perca. Isso corresponde a 12 cestos cheios.<\/p>\n<p>Depois disso comentaram: Este \u00e9, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo. A empolga\u00e7\u00e3o foi tamanha ao ponto de querem proclam\u00e1-lo rei. Pressentindo isto, Jesus se afasta e vai sozinho a um monte, provavelmente para orar.<\/p>\n<p>Ao fim do dia, quando os disc\u00edpulos, sem o Mestre, tomam um barco e rumam ao outro lado do lago, a Cafarnaum. O mar come\u00e7a a agitar-se em determinado momento e o vento fica forte. Jesus ent\u00e3o aparece indo ao encontro do barco andando sobre o mar. A rea\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos \u00e9 de temor. Eles somente o reconhecem quando diz a eles: \u201cN\u00e3o temais!\u201d Quando eles o recebem no barco, neste momento as ondas e o vento cessam de balan\u00e7ar o barco.<\/p>\n<p>No primeiro milagre, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o de Jesus com a alimenta\u00e7\u00e3o da multid\u00e3o que o cerca. Ele as acolhe apesar do seu cansa\u00e7o. Acolhe e cuida da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica deles. Mas n\u00e3o s\u00f3 isso. Paralelamente, Jesus conduz o milagre de maneira a ensinar algo aos disc\u00edpulos. Quando ele lhes coloca a situa\u00e7\u00e3o da car\u00eancia de alimentos, ele quer observar sua rea\u00e7\u00e3o. H\u00e1 aqui um processo pedag\u00f3gico e libertador tamb\u00e9m. Jesus permitiu que os disc\u00edpulos esgotassem as possibilidades de suas l\u00f3gicas econ\u00f4micas e aprendessem que no Reino de Deus h\u00e1 um princ\u00edpio diferente. Quando o jovem oferece seu lanche, surge a oportunidade de mais pessoas oferecerem seus alimentos. Ningu\u00e9m andaria por lugares remotos sem levar mantimentos, certo? O maior milagre talvez fosse a possibilidade de compartilhar comunitariamente o que seria de uso pessoal. Jesus ficava observando. N\u00e3o condenava imediatamente, n\u00e3o repreendia, mas criava oportunidades de renascimento, de compaix\u00e3o e partilha.<\/p>\n<p>Num mundo j\u00e1 t\u00e3o marcado pelo interesse pessoal, ensinar a partilhar \u00e9 o verdadeiro milagre. Num mundo em que o esfor\u00e7o pessoal, o m\u00e9rito \u00e9 sobrevalorizado, receber algo sem pagar por ele, \u00e9 algo inusitado. Num mundo em que a car\u00eancia torna as pessoas mesquinhas e egoc\u00eantricas, ver um lanchinho modesto resultar na saciedade de 5 pessoas e ainda sobrar doze cestos cheios \u00e9 incomum. N\u00e3o s\u00f3 \u00e9 incomum, mas algo revelador do que Jesus representa, do seu Reino, de sua vontade ao mundo.<\/p>\n<p>Vemos Jesus iluminando com seu ensino e gesto concreto a realidade marcada pelo pobre esp\u00edrito humano com seus limites e condicionamentos. Jesus promove n\u00e3o um simples momento de distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, mas um verdadeiro momento de an\u00fancio da mensagem transformadora de seu Reino.<\/p>\n<p>No segundo milagre, os disc\u00edpulos est\u00e3o plasticamente num barquinho fr\u00e1gil, \u00e0 noite e \u00e0 merc\u00ea das for\u00e7as da natureza. Sem Jesus, eles se sentem desprotegidos, desorientados. Assim era a vida como conheciam, fossem pescadores, agricultores ou qualquer outra profiss\u00e3o. A vida sempre esbarra em limites humanamente intranspon\u00edveis. Parece que s\u00f3 resta lamentar e temer que chegue este momento de limite e talvez seja o fim.<\/p>\n<p>Jesus ent\u00e3o vem ao encontro dos disc\u00edpulos, caminhando atrav\u00e9s dos mesmos elementos que para eles s\u00e3o sinais de perigo e morte. Ele passa ileso. Quando ele chega, sua palavra anuncia a paz, sua presen\u00e7a anuncia o fim do medo.<\/p>\n<p>Novamente o que os disc\u00edpulos podiam produzir, por eles mesmos, era o esfor\u00e7o de conduzir a embarca\u00e7\u00e3o pelo mar agitado, cruzando seu destino, em meio a muito medo e inseguran\u00e7a. Era ver com medo qualquer pessoa que aparecesse naquela situa\u00e7\u00e3o com medo. Jesus irrompe dentro desta situa\u00e7\u00e3o, como se nada o afetasse e, dentro do barco, anuncia a paz e o fim das amea\u00e7as \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Novamente vemos Jesus libertando as pessoas de suas vis\u00f5es pequenas, ego\u00edstas e cheias de temor e oportunizando uma nova experi\u00eancia de confian\u00e7a, partilha e esperan\u00e7a. Ao ser humano que cr\u00ea em Cristo, que se exp\u00f5e a sua Palavra, \u00e9 oportunizada pela f\u00e9, na a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, uma atitude de entrega e confian\u00e7a no agir de Deus em todas as situa\u00e7\u00f5es da vida. Cabe-nos confiar e alimentar esta f\u00e9 de que n\u00e3o estamos sozinhos diante das amea\u00e7as da vida.<\/p>\n<p>Deus se manifesta desta maneira para expressar seu grande amor para n\u00f3s e por toda sua cria\u00e7\u00e3o. A ess\u00eancia de Deus, manifestado em Jesus, \u00e9 amor, em sua perfei\u00e7\u00e3o. Amor percebido atrav\u00e9s da f\u00e9 e objeto de nosso conhecimento e experi\u00eancia por toda nossa vida. Jesus nos ama ao no fazer esgotar-se nossa autossufici\u00eancia, ao partilhar o p\u00e3o com as pessoas famintas, a oportunizar a partilha, ao permitir a ang\u00fastia diante do mar revolto, ao manifestar sua presen\u00e7a protetora e nos dar a paz.<\/p>\n<p>Mendelssohn, certa vez, visitou a Catedral de Friburgo e, depois dos of\u00edcios religiosos, dirigiu-se ao organista e pediu licen\u00e7a para tocar um pouco o famos\u00edssimo \u00f3rg\u00e3o daquela igreja.<\/p>\n<p>O velho organista, zeloso de seu instrumento, recusou a princ\u00edpio, mas diante da insist\u00eancia do estranho, concedeu-lhe o desejo.<\/p>\n<p>Depois de alguns momentos, passados em \u00eaxtase, deleite e surpresa, o velho homem, num \u00edmpeto, p\u00f4s as m\u00e3os nos ombros do inspirado m\u00fasico e perguntou:<\/p>\n<p>\u2013 Quem \u00e9s? Qual o teu nome?<\/p>\n<p>\u2013 Mendelssohn.<\/p>\n<p>Com l\u00e1grimas nos olhos, disse ent\u00e3o o velho organista:<\/p>\n<p>\u2013 E pensar que eu quase impedi Mendelssohn de tocar nesse \u00f3rg\u00e3o!<\/p>\n<p>Assim devemos crer e agir, como se Cristo pudesse sempre executar sua m\u00fasica atrav\u00e9s de n\u00f3s, seus modestos instrumentos. Nas m\u00e3os de Deus, nossas vidas viram verdadeiros milagres. Nossa comunh\u00e3o modesta e humilde vira um espa\u00e7o de transforma\u00e7\u00e3o e cura. Deus nos permita sempre crer na presen\u00e7a transformadora de Jesus e contar com seus inesperados milagres. Am\u00e9m.<\/p>\n<p>P. Claudio Kupka<\/p>\n<p>Porto Alegre \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p><a href=\"mailto:claudio@paroquiamatriz.org.br\">claudio@paroquiamatriz.org.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O 9\u00b0 DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES\u00a0 | 25 de julho de 2021 | Texto b\u00edblico: Jo\u00e3o 6. 1-21 | Cl\u00e1udio Kupka | Estamos diante da vers\u00e3o do Evangelho de Jo\u00e3o sobre dois epis\u00f3dios centrais na atua\u00e7\u00e3o de Jesus com seus disc\u00edpulos, o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e o momento quando Jesus anda sobre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5475,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[39,157,773,108,250,3,112,109],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-5497","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-johannes","category-beitragende","category-claudio-kupka","category-current","category-kapitel-06-chapter-06","category-nt","category-port","category-predigten"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5497"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5500,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5497\/revisions\/5500"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5475"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5497"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=5497"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=5497"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=5497"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=5497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}