{"id":5875,"date":"2021-09-06T15:08:00","date_gmt":"2021-09-06T13:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/theologie.whp.uzh.ch\/apps\/gpi\/?p=5875"},"modified":"2021-11-09T16:10:28","modified_gmt":"2021-11-09T15:10:28","slug":"hebreus-4-12-16","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/hebreus-4-12-16\/","title":{"rendered":"Hebreus 4.12-16"},"content":{"rendered":"<h3>PR\u00c9DICA PARA O 20\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES \u2013 10 de outubro de 2021 | Hebreus 4.12-16 | Romeu Ruben Martini |<\/h3>\n<p>Aos 65 anos de idade, flagro-me seguidamente com lembran\u00e7as de um tempo passado. Comparo costumes, modas, tradi\u00e7\u00f5es com os dias atuais. Por isso, h\u00e1 momentos em que lembro que \u201cmeu pai dizia \u2026\u201d. Pois hoje estamos diante de um texto b\u00edblico que faz esse exerc\u00edcio de lembrar tempos passados e comparar gera\u00e7\u00f5es. Trata-se de um texto da carta aos Hebreus.<\/p>\n<p>Estudiosos n\u00e3o sabem dizer exatamente quem escreveu essa carta, nem pra quem especificamente a carta foi escrita. Mas h\u00e1 concord\u00e2ncia que a carta teria sido escrita entre os anos 70 e 90 d. C. E isso revela dois detalhes importantes: (1) as pessoas que receberam essa carta j\u00e1 formavam a segunda gera\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o; (2) nesse per\u00edodo, havia dura persegui\u00e7\u00e3o das pessoas que professavam a f\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>E o que essa segunda gera\u00e7\u00e3o experimentava em termos de f\u00e9 num tempo de persegui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A carta revela um certo cansa\u00e7o na vida de f\u00e9 dessa segunda gera\u00e7\u00e3o. <em>Na vossa luta contra o pecado, ainda n\u00e3o tendes resistido at\u00e9 ao sangue<\/em>, escreve o autor (12.4). Em meio \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o, essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o queria mais arriscar a vida por causa da f\u00e9. Mas a carta pede: <em>Importa que nos agarremos, com mais firmeza, \u00e0s verdades ouvidas e jamais nos desviemos delas<\/em> (2.1). <em>Irm\u00e3os, que nunca haja em qualquer de v\u00f3s um cora\u00e7\u00e3o mau e infiel, para se apartar do Deus vivo<\/em> (3.12).<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias desse cansa\u00e7o na f\u00e9 e dessa infidelidade a Deus s\u00e3o demonstradas com o exemplo do povo hebreu a caminho da terra prometida. Muitos dos que sa\u00edram a escravid\u00e3o do Egito n\u00e3o alcan\u00e7aram a terra prometida porque desobedeceram e pecaram, lembra o autor (3.16ss). Da\u00ed que ele procura animar as comunidades da segunda gera\u00e7\u00e3o, lembrando o Salmo 95: <em>O Senhor \u00e9 o nosso Deus. N\u00f3s somos as ovelhas em suas m\u00e3os. Por isso, n\u00e3o endure\u00e7am o vosso cora\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d (7-8).<\/p>\n<p>Pessoas que n\u00e3o haviam tido contato direto com Jesus e com seus disc\u00edpulos e que formavam a segunda gera\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os est\u00e3o abandonando a f\u00e9 e a obedi\u00eancia a Deus em meio \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o. D\u00e1 para entender. Ou? Qual seria nosso comportamento, se f\u00f4ssemos perseguidos por crer em Deus?<\/p>\n<p>Diante desse abandono da f\u00e9, o autor da carta escreve: desse jeito voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o conseguir entrar no \u201cdescanso de Deus\u201d. O que seria esse \u201cdescanso de Deus\u201d, e o que o autor pede das comunidades?<\/p>\n<p>Ou\u00e7amos o texto previsto para a pr\u00e9dica deste domingo: Hebreus 4.12-16. (leitura) Destaco:<\/p>\n<p>(<strong>1<\/strong>) a palavra de Deus \u00e9 viva, ela corta, divide, cala fundo, ajuda a discernir (raciocinar; distinguir o certo do errado) o que nos diz o cora\u00e7\u00e3o (v. 12). Quero entender este vers\u00edculo a partir de algo que n\u00f3s conhecemos. Falo dos 10 Mandamentos. Os Mandamentos nos mostram como a palavra de Deus \u00e9 viva, como ela corta e como ela ajuda a distinguir o certo do errado. Pensem comigo: se o quarto Mandamento fosse obedecido (Honrar\u00e1s teu pai e tua m\u00e3e), existiriam pessoas idosas vivendo na solid\u00e3o, abandonadas em asilos, com sua aposentadoria roubada por algu\u00e9m da fam\u00edlia? E se o nono Mandamento fosse levado a s\u00e9rio (N\u00e3o deseje possuir a casa do pr\u00f3ximo)? Lutero explicou esse Mandamento assim: <em>Devemos temer e amar a Deus e, por isso, n\u00e3o tentar conseguir com esperteza a heran\u00e7a ou a casa do nosso pr\u00f3ximo nem nos apoderar delas como se tiv\u00e9ssemos direito a isso; mas devemos ajudar a cooperar para que possa conserv\u00e1-las<\/em>. E o quinto Mandamento. <em>Ouvistes o que foi dito aos antigos: N\u00e3o matar\u00e1s<\/em>, disse Jesus<em>. Eu, por\u00e9m, vos digo que qualquer que, sem motivo, se irar contra seu irm\u00e3o, ser\u00e1 r\u00e9u de ju\u00edzo; e qualquer um que disser um insulto a seu irm\u00e3o estar\u00e1 sujeito a julgamento no tribunal<\/em> (Mateus 5.21-22). Est\u00e1 a\u00ed, bem claro: a palavra de Deus corta fundo e nos permite discernir o certo do errado.<\/p>\n<p>(<strong>2<\/strong>) por isso vem a segunda observa\u00e7\u00e3o do texto: Aquele a quem um dia temos que prestar contas v\u00ea tudo, e sabe de tudo. Tudo que fazemos e deixamos de fazer est\u00e1 descoberto aos olhos de Deus (v. 13). Em portugu\u00eas simples: nossa vida \u00e9 uma panela sem tampa perante Deus.<\/p>\n<p>(<strong>3<\/strong>) v. 14: por isso a carta encoraja: voc\u00eas t\u00eam Jesus como grande sacerdote; voc\u00eas t\u00eam ningu\u00e9m menos que Jesus como luz l\u00e1 no horizonte que guia voc\u00eas no caminho da vida. Por isso, fiquem firmes na f\u00e9 que voc\u00eas professaram um dia. N\u00e3o busquem desvio; n\u00e3o se acovardem diante do mal.<\/p>\n<p>(<strong>4<\/strong>) v. 15: a carta admite que as pessoas que creem em Jesus podem fraquejar. Sim, pessoas com f\u00e9 em Deus n\u00e3o s\u00e3o superstar! Homem aranha! Mulher maravilha! N\u00f3s fraquejamos&#8230; diante da dor, diante do luto. Temos fases de crise na f\u00e9. Onde est\u00e1 Deus?, Quantas vezes perguntamos. Mas a carta diz: nas horas em que fraquejamos e desesperamos, Ele, o sumo sacerdote, Jesus, se compadece de n\u00f3s e nos carrega. \u00c9 o que expressa o P. Rodolfo Gaede em sua Ora\u00e7\u00e3o do Cuidado: <em>Se eu cair, permite que eu caia em tuas m\u00e3os. Se eu permanecer ca\u00eddo, d\u00e1-me a tua companhia. Seja como for, cobre-me com o manto do teu amor. <\/em>Quantas vezes cantamos o hino: <em>Por tua m\u00e3o me guia\u2026 So nimm denn meine H\u00e4nde und f\u00fchre mich<\/em>. O que \u00e9 isso? Confian\u00e7a, mesmo na pior situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(<strong>5<\/strong>) \u00e9 por isso que o trecho da carta que hoje ouvimos termina assim: vamos nos achegar ao trono da gra\u00e7a; vamos sempre ficar pr\u00f3ximos de Deus, atrav\u00e9s de Jesus. Confiemos. Dele teremos sempre a miseric\u00f3rdia, ou seja: Deus sempre vai voltar seu cora\u00e7\u00e3o para l\u00e1 onde a vida d\u00f3i. Dele vem o socorro quando fraquejamos (v. 16).<\/p>\n<p>No in\u00edcio desta pr\u00e9dica lembrei de que seguidamente fazemos compara\u00e7\u00f5es entre gera\u00e7\u00f5es. O meu pai contava\u2026. Minha v\u00f3 dizia\u2026. Na medida em que fiquei mais velho, fui me dando conta das tantas li\u00e7\u00f5es positivas que aprendi do pai, da m\u00e3e, do v\u00f4 e da v\u00f3 com os quais convivi. Eles tamb\u00e9m erraram. Mas tiveram raz\u00e3o em muita coisa.<\/p>\n<p>Pois o autor da carta aos Hebreus faz algo semelhante, at\u00e9 muito mais profundo. Para orientar e encorajar as pessoas crist\u00e3s da segunda gera\u00e7\u00e3o, ele lembra n\u00e3o somente de Jesus, mas volta mais ainda no tempo e fala da presen\u00e7a de Deus junto ao povo hebreu. Lembrem-se, diz o autor: &#8211; N\u00e3o esque\u00e7am o que voc\u00eas j\u00e1 tinham ouvido e crido! Voc\u00eas sabem. E tamb\u00e9m sabem que ser testemunha de Jesus neste mundo pode complicar nossa vida.<\/p>\n<p>A carta aos Hebreus fala de algo parecido ao que sucedeu com as fam\u00edlias luteranas que vieram ao Brasil a partir de 1824. Por n\u00e3o pertencerem \u00e0 religi\u00e3o oficial, sofreram muito. Mesmo assim, a hist\u00f3ria desse povo revela profundos e comoventes testemunhos de f\u00e9 dessa gente. <em>Por tua m\u00e3o me guia\u2026.<\/em> N\u00e3o cansaram de cantar. E assim se agarraram em Deus.<\/p>\n<p>Voc\u00eas recordam que antes eu falei que o autor da carta aos Hebreus escreveu: se voc\u00eas abandonarem a f\u00e9, voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o conseguir entrar no \u201cdescanso de Deus\u201d. O que seria esse \u201cdescanso de Deus\u201d?<\/p>\n<p>Lendo os 13 cap\u00edtulos da carta aos Hebreus, compreende-se que esse \u201cdescanso de Deus\u201d refere-se (a) ao descanso de Deus no s\u00e9timo dia na hist\u00f3ria da Cria\u00e7\u00e3o (4.4). E isso nos faz lembrar o terceiro Mandamento, o direito ao culto e ao descanso semanal digno; (b) o \u201cdescanso de Deus\u201d tamb\u00e9m lembra o descanso prometido quando o povo sa\u00eddo da escravid\u00e3o alcan\u00e7aria a terra em que mana leite e mel; (c) e o \u201cdescanso de Deus\u201d ainda remete ao descanso na eternidade, pois Cristo, atrav\u00e9s do seu sofrimento, \u00e9 o autor da \u201csalva\u00e7\u00e3o [descanso!] eterna\u201d (5.9).<\/p>\n<p>Portanto, se o autor da carta escreve para exortar a segunda gera\u00e7\u00e3o a ficar firme na f\u00e9, ele exorta porque cr\u00ea que a fidelidade em Jesus d\u00e1 a possibilidade real de experimentar o \u201cdescanso de Deus\u201d, a come\u00e7ar nesta vida. O descanso \u2013 como descrito acima \u2013 existe como possibilidade real. \u201cHoje, se ouvirdes sua voz\u201d (3.7). E esse \u201choje\u201d \u00e9 repetido na carta (4.7; 13.15). E a luz que guia, orienta e sustenta nesse caminho para o descanso de Deus \u00e9 a Palavra de Deus (12-13).<\/p>\n<p>Harvey Cox (te\u00f3logo norte-americano), em <em>O futuro da f\u00e9<\/em>, referindo-se ao papel da religi\u00e3o (tamb\u00e9m o cristianismo), diz: sua \u201cpremissa n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de atos e de cren\u00e7as, mas um modo abrangente de vida. (\u2026) n\u00e3o \u00e9 apenas um conjunto de obriga\u00e7\u00f5es rituais, mas uma comunidade e um modo de servir Deus e o pr\u00f3ximo\u201d (p. 274).<\/p>\n<p>Fernando Sch\u00fcler (fil\u00f3sofo e cientista pol\u00edtico brasileiro) escreveu: <em>A pandemia far\u00e1 crescer nosso senso de interdepend\u00eancia. \u2018Mesmo a pessoa mais rica do mundo desenvolvido ter\u00e1 um interesse racional em proteger o indiv\u00edduo mais vulner\u00e1vel, no pa\u00eds mais pobre\u2019<\/em> (citando Yuval Noah Harari)<em>. Pela simples raz\u00e3o de que o v\u00edrus n\u00e3o respeita geografia ou posi\u00e7\u00e3o social, e nos torna todos vulner\u00e1veis. Da\u00ed o sentido da coopera\u00e7\u00e3o global que marca o processo de pesquisa, produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de vacinas, assim como processos muito mais amplos de assist\u00eancia e ajuda internacional<\/em> (Revista Fronteiras do Pensamento, ZH, 21-22.08.2021, p. 3).<\/p>\n<p>Dois pensadores da atualidade d\u00e3o dicas concretas sobre o que e como fazer para tornar real o \u201cdescanso de Deus\u201d. O convite da carta aos Hebreus renova-se hoje para n\u00f3s: Faz sentido ficar firme na f\u00e9. \u201cProcuremos, pois, entrar naquele descanso!\u201d (4.11).<\/p>\n<p>E a paz de Deus, que ultrapassa o nosso conhecimento, guarde e guie nossos pensamentos e a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>P. Dr. Romeu Ruben Martini<\/p>\n<p>Porto Alegre \u2013 Rio Grande do Sul (Brasilien)<\/p>\n<p><a href=\"mailto:romeurubenmartini@gmail.com\">romeurubenmartini@gmail.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PR\u00c9DICA PARA O 20\u00ba DOMINGO AP\u00d3S PENTECOSTES \u2013 10 de outubro de 2021 | Hebreus 4.12-16 | Romeu Ruben Martini | Aos 65 anos de idade, flagro-me seguidamente com lembran\u00e7as de um tempo passado. Comparo costumes, modas, tradi\u00e7\u00f5es com os dias atuais. Por isso, h\u00e1 momentos em que lembro que \u201cmeu pai dizia \u2026\u201d. Pois [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3865,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59,157,108,797,3,112,109,158],"tags":[],"beitragende":[],"predigtform":[],"predigtreihe":[],"bibelstelle":[],"class_list":["post-5875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-hebraeer","category-beitragende","category-current","category-kapitel-04-chapter-04-hebraeer","category-nt","category-port","category-predigten","category-romeu-ruben-martini"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5875","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5875"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5879,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5875\/revisions\/5879"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5875"},{"taxonomy":"beitragende","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/beitragende?post=5875"},{"taxonomy":"predigtform","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtform?post=5875"},{"taxonomy":"predigtreihe","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/predigtreihe?post=5875"},{"taxonomy":"bibelstelle","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.theologie.uzh.ch\/apps\/gpi\/wp-json\/wp\/v2\/bibelstelle?post=5875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}